Clima e câmbio orientam a estratégia de venda do café
O mercado de café segue sensível às condições climáticas e ao câmbio, exigindo atenção ao preço efetivamente recebido pelo produtor. A recuperação recente das cotações internacionais convive com expectativas favoráveis para a oferta brasileira e riscos associados ao El Niño. No Cerrado mineiro, a Safras & Mercado registrou, em 16 de outubro, preços de R$ 1.720 a R$ 1.725 por saca de 60 quilos para o arábica bebida dura, com 15% de catação. Qualidade, localização e condições comerciais precisam acompanhar qualquer comparação entre ofertas. Também é necessário distinguir a cotação em dólares da receita em reais: mantido o preço internacional, a valorização do real reduz o valor convertido para a moeda brasileira. Esse movimento pode diminuir o interesse dos produtores em vender e oferecer sustentação à bolsa, sem assegurar uma melhora proporcional da remuneração no mercado interno.
Na lavoura, o início favorável da safra 2027/28 representa potencial produtivo, mas uma boa florada ainda depende de condições adequadas para o pegamento, o desenvolvimento dos frutos e o posterior enchimento dos grãos. A NOAA informou, em 8 de outubro, que o El Niño deve continuar forte a muito forte até o primeiro trimestre de 2027. Seus efeitos variam entre regiões, e perdas na cafeicultura não podem ser tratadas como certas. O acompanhamento das chuvas, das temperaturas e das condições de cada talhão deve integrar o planejamento comercial. Para decidir quando vender, cabe comparar as propostas com o custo por saca, a necessidade de caixa e os compromissos assumidos. Avaliar vendas em etapas, preservar capacidade de cumprir contratos e revisar cenários ajuda a reduzir a dependência de uma única cotação. Informação qualificada melhora as decisões, enquanto a rentabilidade depende também de produtividade, custos e gestão dos riscos.