Aves e mel avançam na reabertura do mercado europeu
O Brasil avançou nas negociações para retomar as exportações de carne de aves e mel à União Europeia após uma auditoria favorável aos controles nacionais. Publicado em 28 de setembro, o relatório europeu reconheceu que o sistema brasileiro pode oferecer as garantias exigidas para essas cadeias. A retomada, porém, ainda depende da decisão e dos procedimentos regulatórios do bloco. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, a expectativa é de deliberação em novembro, com possível retorno dos embarques em dezembro. As exigências abrangem a proibição de antimicrobianos utilizados para promover crescimento ou aumentar rendimento e daqueles reservados ao tratamento de determinadas infecções humanas. O avanço técnico reforça a importância da coordenação entre autoridades e empresas para recuperar compradores e ampliar as alternativas comerciais dos produtores.
Na carne bovina, a recuperação do acesso ao mercado europeu permanece um desafio específico. Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o bloco recebe cerca de 5% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil e tem relevância na formação de preços. As garantias de cumprimento das restrições europeias sobre antimicrobianos precisam abranger toda a vida dos animais. O ciclo mais longo dos bovinos reforça a importância de manter registros consistentes entre propriedades e etapas de criação. Na gestão, isso exige integrar produtores, frigoríficos, certificadoras e fiscalização, com responsabilidades claras sobre documentação e controles. A eventual reabertura para aves e mel não estende automaticamente a autorização à carne bovina, pois a habilitação europeia é específica por categoria de produto. Transformar avanços sanitários em vendas depende do cumprimento das exigências, da liberação formal e da preparação comercial. Recuperar mercados e preservar a confiança dos compradores deve permanecer como prioridade estratégica da cadeia.