Novo cenário do mercado de crédito no agronegócio e estratégias de gestão de riscos

Publicado em 22/10/2026 15:01
Por Felipe Prince Silva, economista e consultor do Grupo Aliare.

O crédito é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio, setor que representou 25% do PIB do Brasil em 2025. Por meio dele, o produtor pode adquirir os seus insumos, planejar a compra de máquinas agrícolas e investir em infraestrutura e tecnologia para obtenção de melhores resultados na sua propriedade.

Desde 2024, vemos uma escalada da inadimplência das operações de crédito no agronegócio.

Segundo dados do Banco Central, a inadimplência das operações de crédito rural com taxas de mercado alcançou o patamar de 17,56% em agosto/26, o que representa um aumento de mais de 10 vezes em relação ao patamar de agosto/20, quando o índice de inadimplência era de 1,63%.

E por que este movimento está acontecendo? Trata-se de um reflexo da dificuldade financeira de produtores e empresas em diversos setores e regiões, que apresentam margens baixas e dificuldade de liquidez.

Além disso, o menor acesso ao crédito no agronegócio também ratificado pelos recordes de pedidos de recuperações judiciais, que tiveram um aumento de 56% em 2025, segundo a Serasa, chegando ao número de 1.990 produtores e empresas agravam o cenário.

Com base nessa realidade, como estes indicadores devem ser lidos pelos gestores do agronegócio, ou seja, por aqueles que estão no dia a dia, atendendo os seus clientes, procurando entregar valor e resultados nas operações de vendas?

Em primeiro lugar, é preciso entender que as empresas devem se preocupar não apenas em “vender bem”, mas principalmente em “receber bem”, para realizar o ciclo financeiro completo da operação e rentabilizar o negócio.

Sabemos que as empresas de insumos são altamente expostas ao risco de performance do produtor (câmbio, clima, preços das commodities) e muitas estão amargando prejuízos com a alta da inadimplência, pedidos de renegociações, custos de execuções e maior monitoramento de garantias.

Neste novo cenário de crédito agro no Brasil, e que deverá continuar nas próximas safras, com juros elevados e crédito seletivo, as empresas devem estar atentas às necessidades de fortalecimento dos pilares de gestão de riscos, o que envolve uma série de tarefas dentro da companhia, como:

  • - Maior integraçãoe fluidez das informações entre as áreas comerciais, de crédito e jurídica;
  • - Inteligência de mercado aplicada às estratégias de negócios, buscando antecipação de tendências positivas e mapeamento de riscos da carteira de clientes;
  • - Políticas de crédito com estratégias de garantias extraconcursais, ou seja, não sujeitas aos efeitos de recuperação judicial do cliente;
  • - Uso de plataformas tecnológicas que tragam segurança, rapidez e eficiência, para que a análise de riscos e de crédito seja um potencializador de negócios e aprimore a margem da empresa.

Além disso, a leitura estratégia do mercado e dos movimentos dos concorrentes e direcionamento dos preços das commodities devem ser constantemente discutidos pela direção e conselho das empresas, a fim de orientar as decisões de crescimento e escolha de clientes que tragam resultados positivos. Isso porque não se pode mais falar de concessão de crédito sem entender inteligência de mercado e estratégias jurídicas de gestão das garantias e operações de financiamento.

Fonte: Assessoria Grupo Aliare

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Artigo: Queda nos pedidos de recuperação judicial sinaliza alívio no agro
Sorgo pode levar Brasil à liderança mundial e amplia opções na segunda safra
Novo cenário do mercado de crédito no agronegócio e estratégias de gestão de riscos
No mercado do café, quem precisa vender nem sempre pode escolher
Mais diálogo e menos comparação para preservar a alegria de viver
Os desafios do próximo governo para a indústria brasileira