Sorgo pode levar Brasil à liderança mundial e amplia opções na segunda safra
O Brasil pode alcançar a liderança mundial na produção de sorgo na safra 2026/27, considerando a projeção da Conab de 8,03 milhões de toneladas, avanço de 9% sobre o ciclo anterior. Esse volume superaria os 7,39 milhões de toneladas estimados pelo USDA para os Estados Unidos. A comparação, porém, reúne projeções de instituições diferentes: o próprio USDA prevê 6,5 milhões de toneladas para o Brasil. Portanto, a liderança é uma possibilidade associada ao cenário da Conab, ainda sujeita à evolução das lavouras e à revisão dos números. Além da expansão produtiva, o cereal oferece alternativas de uso na alimentação animal, com substituição do milho conforme a formulação das rações, e na fabricação de farinhas para consumo humano. A diversificação desses destinos amplia as opções comerciais da cadeia.
Para o produtor rural, o sorgo merece atenção especialmente na segunda safra. Sua maior tolerância à falta de água, em comparação com o milho, pode favorecer a escolha quando o atraso na colheita da soja reduz a janela disponível para semeadura. Essa característica não elimina perdas por estiagem nem dispensa a escolha de cultivares e épocas adequadas a cada região. No mercado externo, a habilitação de estabelecimentos brasileiros para exportar à China, anunciada em novembro de 2025, abriu uma nova frente comercial. A demanda chinesa pode contribuir para o escoamento, mas a rentabilidade dependerá dos preços negociados, dos custos, do frete e da disponibilidade de compradores. Na avaliação de Marcelo Prado, incorporar o sorgo ao planejamento é uma oportunidade de diversificar a produção, desde que a decisão combine adequação agronômica e viabilidade econômica.