Disparada do dólar exige estratégia para vender a safra e comprar insumos

Publicado em 27/10/2026 15:51
Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

A disparada do dólar após o segundo turno das eleições presidenciais exige atenção redobrada à comercialização e aos custos da produção rural. Na manhã de 26 de outubro, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar à vista subia 10,55%, cotado a R$ 5,52 na venda às 11h13. Essa referência durante o pregão estava sujeita a novas oscilações ao longo da sessão. Para commodities de exportação, o câmbio mais elevado pode ampliar a receita em reais, dependendo dos preços internacionais, das condições contratuais e dos descontos comerciais. Ao mesmo tempo, fertilizantes, defensivos e peças importadas podem ficar mais caros. Por isso, a avaliação precisa considerar o resultado da operação inteira, incluindo despesas e compromissos futuros.

O cenário fiscal permanece entre os fatores acompanhados pelos investidores. Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026. A definição da equipe econômica e as medidas para estabilizar o endividamento estarão no radar do próximo mandato. Na fazenda, essa incerteza recomenda comparar preços de venda com custos efetivos, necessidades de caixa e obrigações já contratadas. Comercializar parcelas da produção pode ajudar a aproveitar condições favoráveis sem concentrar toda a decisão em uma única cotação. Nas compras, acompanhar o câmbio precisa caminhar junto com a avaliação dos estoques, dos prazos de entrega e do calendário agrícola. Esperar uma queda do dólar pode comprometer a operação se faltar insumo no momento necessário. Proteger a margem exige planejamento e informação atualizada, sem depender de acertar o próximo movimento da moeda.

Fonte: Por Marcelo Prado - CEO MPrado Consultoria

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