Os números da safra brasileira de café

Publicado em 09/09/2010 15:52
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A Conab divulgou, nesta quinta-feira, sua terceira estimativa à safra 2010 de café do Brasil, na qual apontou uma produção de 47,2 milhões de sacas de 60 kg, sendo 36,0 milhões da variedade arábica e 11,2 milhões da conilon.
 Por esse volume ser praticamente o mesmo do anunciado em maio deste ano (47,042 mi/scs), o Conselho Nacional do Café - CNC, embasado em informações recebidas de seus associados, mantém o posicionamento de concordar com os dados projetados pela estatal.
 Fazemos apenas uma ressalva: como a safra não acabou e parte do colhido não correspondeu às expectativas iniciais, ainda podemos ver uma revisão para baixo desse volume, principalmente em função da inversão climática ocorrida no final do ano passado, que ocasionou forte quebra em muitas regiões produtoras, e dos níveis de tratos culturais abaixo do ideal devido à falta de renda do cafeicultor ao longo da última década, o que ampliou a incidência de pragas e doenças em nossos cafezais.
 Devemos destacar a credibilidade do trabalho desenvolvido pela Conab e repudiar as especulações que surgem sobre o tamanho da nossa safra por parte de empresas privadas (principalmente internacionais) ou de outros governos, as quais ventilam números sobre a safra brasileira com o intuito único de obter vantagens comerciais.
 Também temos que salientar o hercúleo trabalho dos produtores brasileiros de café, que, mesmo vivenciando déficits ao longo dos últimos mais de 10 anos, conseguiram manter volumes de safra capazes de atender às demandas interna (consumo) e externa (exportação), colhendo cada vez mais cafés de qualidade, haja vista que nós é que estamos suprindo a ausência dos cafés arábica lavados no mundo, demonstrando que nossos grãos são tão bons quanto ou até melhores que os "propagandeados" colombianos e centrais. O interesse da ICE Futures US a bolsa de Nova York por nossos cafés só vem atestar esse fato.
 É muito em função dessa capacidade do produtor que o CNC vem trabalhando, pois é inaceitável que esses heróis, responsáveis pela geração de mais de 8 milhões de empregos direta e indiretamente no País, fiquem sem políticas públicas específicas para a sustentabilidade oriunda da geração de renda na atividade.
 O Estado de Minas Gerais, que representa 52,3% da produção nacional (24,7 milhões de sacas) de acordo com os dados mais recentes da Conab, o que o eleva ao _status_ de segundo maior produtor de café do mundo (acima de Vietnã e Colômbia), é o exemplo mais clássico dessa situação.
 Não se deve achar que o endividamento é um problema pontual dos mineiros, pois assim o aparenta devido ao fato do Estado ser também o que detém o maior número de produtores, portanto, essa concentração se justifica. Mas perguntem aos paranaenses, paulistas, baianos, entre outros, se o problema do endividamento é apenas de Minas...
 Portanto, ao enaltecer o excelente trabalho desempenhado pela Conab, o Conselho Nacional do Café também gostaria de solicitar que nossos governantes, independente de final de mandato, uma vez que a cafeicultura permanece, atentassem à renegociação de nosso passivo financeiro, pois os bons preços atuais de nada valerão sem um apoio público para liquidarmos nossas dívidas e passarmos a trabalhar com rentabilidade. 


 _* O cafeicultor Gilson Ximenes preside pela quinta vez o Conselho Nacional do Café - CNC. Mineiro de Três Pontas, comandou a entidade entre 1995 e 2001, por três mandatos consecutivos, assim como no biênio 2007/2008. Primeiro diretor do Departamento Nacional do Café, durante a gestão do ministro da Indústria e Comércio, Andrade Vieira, ele também desempenha, atualmente, a função de diretor financeiro da União Cooperativa Agropecuarista Sul de Minas
- Unicoop, em Três Pontas (MG). Entre outras funções, Ximenes já presidiu a Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas - Cocatrel e a própria Unicoop, ambas associadas ao CNC._  _CONSELHO NACIONAL DO CAFé_ Assessoria de Imprensa  JORN. RESP.: Paulo André Colucci Kawasaki (Mtb. 43.776 / SP)

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Fonte: Gilson Ximenes

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