Brasil: Herói ou vilão na Rio+20?

Publicado em 15/02/2012 14:37
Por Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil.
O Brasil deve ser o grande protagonista da Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável (Rio+20), conferência que acontecerá aqui no Brasil em junho. Resta saber se nossa atuação será como herói mostrando o que temos feito e a nossa evolução frente à sustentabilidade, ou se vamos mais uma vez ficar na defensiva deixando que Ongs nos coloquem como o grande vilão mundial.

O governo brasileiro não tem feito esforços suficientes para atrair os chefes de estado dos outros países, ou dos países mais importantes neste tema para participar da Rio+20, a própria mudança de data da Conferência trouxe desestímulo a estes grandes líderes virem ao Brasil. Sendo assim, tem ocorrido uma propaganda negativa em virtude da ineficiência brasileira em valorizar o evento.

O Brasil por ser o anfitrião da Rio+20 temuma oportunidade única em se posicionar, desmistificando para o mundo a grande propaganda de algumas Ongs que somos grandes desmatadores inconsequentes (temos mais de 50% de nossas matas totalmente intocadas), poderá mostrar como temos produzido de forma sustentável biomassa, energia e comida, mostrando também que somos hoje um dos países que mais realiza práticas sustentáveis. A Rio+20 não deve ser uma oportunidade perdida.

Após todas as conferências em prol do desenvolvimento sustentável, poucos avanços têm sido computados, apenas avanços locais e pontuais são observados. O grande problema é que países como os EUAe da Europa que são uns dos principais poluidores mundiais, não fizeram os avanços que se propuseram a fazer. 

Os países em desenvolvimento como Brasil, Rússia, Índia e China estão tentando fazer seu dever de casa, mas os países em desenvolvimento precisam crescer, mas é difícil crescer sem emitir carbono, o Brasil é o país que possui maior eficiência em reduzir esse carbono no seu crescimento, afinal temos o Etanol, hidrelétricas entre tantas outras iniciativas de energia limpa, precisamos mostrar isto ao mundo, nosso esforço em prol do desenvolvimento sustentável.

O que tem norteado as discussões sobre desenvolvimento sustentável, é que os países tem sua soberania, os países que já se desenvolveramacham que temo direito de controlar os países em desenvolvimento no tema ambiental, sendo assim é preciso frear o retrocesso conceitual que os países em desenvolvimento não podem se desenvolver.

O governo brasileiro diz que o Brasil tem mostrado que o crescimento com distribuição de renda pode ser viável, assim como desenvolvimento com o equilíbrio ambiental. A diplomacia brasileira tem feito esforçosjunto à comunidade mundial, buscando não deixar que as discussões sobre o desenvolvimento sustentável se resumam ao tema ambiental. O meio ambiente não pode ser isolado, pois isso vem da ideia que os países em desenvolvimento não sabemcuidar do meio ambiente.

O Brasil entende que a discussão tem que estar integrada, o meio ambiente deve ser discutido em conjunto com o desenvolvimento, tendo um equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico. 

Claro que o mundo em desenvolvimento tem que fazer esforço para não cometer os erros absurdos que os países desenvolvidos cometeram, mas o desenvolvimento é um direito mundial.
É importante salientar que para crescer de forma sustentável custa muito mais, assim como o alimento orgânico é muito mais caro que o convencional, por isto os países em desenvolvimento precisam de um fator compensador vindo dos países desenvolvidos, mas infelizmente o contrário tem acontecido, as práticas sustentáveis não tem tido bônus nenhum.

Ao produtor brasileiro são impostas inúmeras restrições ambientais, que muitos afirmam ser importantes ao mundo, como: reserva legal, APP (área de preservação permanente) etc, temos hoje o Código Ambiental mais restritivo do mundo. Nossos competidores Argentinos, Paraguaios, Americanos e os demaisnão possuem essas restrições legais que são consideradas sustentáveis, fica a pergunta dos produtores: porque o governo brasileiro nunca cobra reciprocidade do mundo na questão ambiental?

É fundamental que ogoverno brasileiro se posicione em todas as discussõesde forma positiva, mostrando sua posição de vanguardana busca da segurança alimentar, na sustentabilidade ambiental e na equidade social. O Brasil precisa continuarcobrando que a sustentabilidade seja vista como deve ser com três bases fundamentais: a ambiental, a social e a econômica. O Brasil tem moral de sobra em sustentabilidade, resta saber se erguerá a cabeça com orgulho ou continuará se subjugando a meia dúzia de Ongs que representam os verdadeiros vilões.

Tags:

Fonte: Glauber Silveira

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Exportações do agro com resultados impressionantes, por Prof. Dr. Marcos Fava Neves
Meio ambiente: Nós protegemos! Por José Zeferino Pedrozo
Que Momento Impressionante ao Agronegócio, por Prof. Dr. Marcos Fava Neves
Boas Condições para 2021 ser Ano de Tratoraço no Agro, por Prof. Dr. Marcos Fava Neves
A Encruzilhada: Contingenciamento das exportações ou Convulsão Social? Por Eduardo Lima Porto
Milho & Soja: O outro lado do potencial altista para o complexo agrícola, por Liones Severo