Soja - Um caminho sem volta, por Liones Severo

Publicado em 05/04/2013 15:06
Por Liones Severo, consultor de mercado da SIM Consult.
Mercadologicamente, a soja é a principal commodity agrícola, compete com o trigo como principal produto na alimentação básica direta. Atualmente já são conhecidos cerca de 150 subprodutos e as pesquisas indicam que pode alcançar o número mágico de 500 subprodutos. Sua maior importância é pela proteína, a maior produção em escala e conteúdo, sem substitutos em ambos fundamentos.
 
A soja contém cerca de 36% de proteína que, extraída em base seca, concentra até 48% de proteína no farelo de soja. Sem considerar o óleo de soja e sua importância como óleo comestível e também como biocombustível completamente inserido na matriz energética mundial. Portanto, a soja supera o trigo na composição de sua utilização, embora o trigo, como disse, seja um produto básico da alimentação direta para a humanidade.
 
A diversificação da utilização da soja, supera o trigo, que contém 12% de proteína. Se calcularmos as relações de preço entre esses dois produtos, chegaremos a conclusão de que a proteína de soja também é a mais barata em aproveitamento de custo e benefício. Podemos dizer que 80% das dietas alimentares em nível global que envolvem alimentos proteicos dependem do farelo de soja. A soja, o trigo e o milho, se complementam e concorrem em aproveitamento e, principalmente, em preço ou valor.
 
Seus contratos de futuros derivativos, cotados nas bolsas de mercadorias são interligados por negociações de spreads dos valores atribuídos a cada um desses produtos. Principalmente porque concorrem na disputa de área plantio em muitos países , principalmente nos Estados Unidos, que define a capacidade de produção ou oferta desses produtos em cada safra.
 
O farelo de soja se completa com o milho e eventualmente trigo, na produção de ração, insumo decisivo para a sustentação de rebanhos e alojamento de aves. Uma queda forte nos preços do milho sugere uma crise no mercado de rações e como consequência deprecia também o preço do parceiro, o farelo de soja. Assim aconteceu com o último relatório do USDA, que anunciou um aumento nos estoques de milho na ordem de 9.4 milhões de toneladas. A forte queda nos preços do milho depreciou o farelo de soja que corresponde a 80% do valor da soja em grão, resultando numa queda de preços em cadeia.
 
Atualmente, os estoques de commodities agrícolas permanece em níveis críticos, principalmente, os estoques de soja praticamente inexistentes e com poucas possibilidades de uma recuperação no médio prazo. Portanto, com grande risco de suprimento em qualquer tempo, no caso de uma adversidade em uma das safras dos 2 hemisférios.
 
Os Estados Unidos tem sido sempre o maior produtor mundial de soja, mas este ano praticamente já venceu seu programa de exportação de soja in natura em apenas 6 meses. Uma realidade completamente inédita e, como consequência, se desconhece o resultado de não poderem atender alguns mercados consumidores específicos, devido a sua aproximação geográfica de seus vizinhos consumidores do hemisfério norte.
 
Portanto, pós-relatório a soja foi empurrada para os níveis atuais, embora sua importância e escassez sugerem um grande risco de desabastecimento com forte implicação na produção de alimentos, mas infelizmente o último relatório do USDA feriu profundamente o mercado de commodities como um todo. Profissionais, tradings e investidores sofreram um grande revés e pesadas perdas. O entendimento dos mercados é de que uma grande produção na América do Sul sugere que haverá uma super-oferta de soja na boca da safra brasileira, e o mês de abril é identificado como a principal posição de maximização da oferta de soja sul-americana. Esta é principal razão que os preços são muito depreciados neste mês de abril.
 
Definitivamente, a soja tem a maior importância para a alimentação humana, desde a virada do milênio quando se acrescentou a dieta da proteína na grande maioria das populações globais, principalmente asiáticas após o ingresso da China como importador de soja a partir de 1996. O crescimento do consumo dos derivados de soja não permite redução de produção e precisa de preços competitivos para atender esse desempenho da elasticidade do consumo.
 
(texto com a contribuição de Almir Rebello com os nossos agradecimentos). 

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Fonte: Liones Severo

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