Soja: a realidade da escassez nos Estados Unidos, por Liones Severo

Publicado em 18/04/2013 16:31 e atualizado em 18/04/2013 18:05
Por Liones Severo, consultor de mercado da SIM Consult.
A escassez de soja nos Estados Unidos já é uma realidade. Resta pouca soja no mercado interno americano e os produtores estão se abstendo de vender o pouco que lhes resta, antes de terem a certeza que poderão plantar a próxima safra satisfatoriamente, a partir da segunda quinzena deste mês de abril.
 
Os preços da soja no mercado interno americano são negociados ao equivalente de US$ 14,50 por bushel, com extrema dificuldade de originar o necessário para o suprimento das indústrias locais. De acordo com o programa de projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os industriais terão que reduzir em 20% a industrialização de soja até o vencimento deste ano safra, ou seja, 31 de agosto próximo.
 
O consumo interno americano de farelo de soja está projetado em 30 milhões de toneladas e a escassez da soja em grão já está comprometendo o suprimento interno do produto. O programa de exportação do derivado está virtualmente completo, mas ainda precisam produzir um bom volume para cumprir vendas concluídas para a exportação.
 
A situação atual deverá elevar os preços de soja e farelo na Bolsa de Chicago, numa tentativa de conter o consumo através do racionamento pelo preço. Por enquanto, estamos presenciando uma escalada dos preços da soja e do farelo, através do prêmio. É um fator de mercado que os prêmios firmes se transformem em preços na Bolsa de Chicago. Ademais, estão reportando que os Estados Unidos importarão farelo de soja e milho da América do Sul, para consumo imediato. Quanto ao óleo de soja, já compraram 50.000 toneladas da Argentina para embarque nos próximos meses.
 
Neste tempo, está apenas iniciando a entressafra americana de soja e produtos. Ainda faltam cinco meses para que se inicie a colheita da próxima safra de soja e milho. A questão de 1 milhão de dólares é saber como irão contornar todos os problemas de escassez de soja e produtos que já se fazem sentir. A importação de farelo de soja da América do Sul é quase uma utopia, porque não temos logística e muito menos a condição de embarcar 3 ou 4 milhões de toneladas de farelo de soja no curto prazo, seja do Brasil e/ou da Argentina.
 
Será a  segunda vez na história que os Estados Unidos se confrontam com a escassez de soja e produtos. Em 1973, na primeira grande crise do petróleo, os preços da soja foram negociados no Brasil a US$ 540 por tonelada, enquanto o farelo foi negociado a US$ 600. Essa foi a primeira e única vez que o preço do sub-produto (farelo) superou seu principal, a soja. Naquele ano, os Estados Unidos resolveram o problema suspendendo os embarques de soja e farelo para a antiga União Soviética, o que não é mais possível por várias razões. Principalmente, porque já embarcaram quase tudo o que venderam e, também porque desta  vez os problemas seriam com os chineses. Ademais, as relações de comércio internacional já não permitem este tipo de decisão.

O total da soja destinada para a exportação são de 36,74 milhões de toneladas, das quais já venderam 36,637 milhões de toneladas, restando apenas cerca de 103 mil. Se considerarmos as vendas anunciadas nesta data,de 252.000 toneladas, já estão comprometendo o estoque de passagem (31/ago/13) que é de apenas 3,4 milhões de toneladas. Quanto ao farelo de soja, do total destinado para a exportação de 8,48 milhões de tons, já venderam 8,388 milhões de tons, restando apenas cerca de 91.000t para vender e muito provavelmente já estão comprometendo o estoque de passagem (30/sept/2013), que são apenas 300.000t. O óleo de soja tem uma situação mais confortável porque ainda dispõe de 211.000t, que representa menos da metade disponível na mesma data, ano passado.

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Fonte: Liones Severo

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