No Estadão - Ibope: sem vento a favor, por José Roberto de Toledo

Publicado em 23/05/2016 10:44 e atualizado em 23/05/2016 22:22
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Depois de tomar a caneta da mão de Dilma Rousseff, o PMDB e Michel Temer esperavam que uma onda de otimismo os resgatasse do turbilhão econômico e os levasse ao Planalto em segurança. Não veio nem uma marolinha. A população, em geral, está desconfiada e reticente - mostra pesquisa inédita do Ibope. E os agentes econômicos, embora adotem discurso de boa vontade, por ora só realizaram lucro, derrubando a Bolsa desde a votação no Senado.

Hoje, há um empate técnico na opinião pública entre otimismo e pessimismo sobre o futuro do Brasil. Segundo nova pesquisa do Ibope,
34% estão pessimistas (24%) ou muito pessimistas (10%) quanto ao que o País terá pela frente, contra 31% de otimistas (27%) e muito
otimistas (4%). Outros 30% estão neutros, e o resto não sabe. É problema. Com um terço de cada lado do muro e outro terço sobre ele,
não há tendência, apenas imobilismo.

Em outras palavras, o novo governo não poderá contar com o vento a seu favor. Vai ter de remar para tirar o País de onde está. Diante
da inércia da opinião pública, Temer terá que demonstrar força e capacidade de liderança. As idas e vindas na formação do ministério,
as nomeações fisiológicas para o governo e o fraquejar diante das pressões externas não ajudaram a provar que o presidente interino é o capitão que a tripulação espera.

Mas Itamar Franco tampouco inspirava muita confiança nos marujos de sua época. Em novembro de 1992, após o afastamento de
Fernando Collor, o Ibope fez a mesma pergunta que repetiu agora. Na ocasião, o otimismo era ainda menor (27%) e o pessimismo
chegava aos 40%. O topo do muro era ocupado por 25% da população. Custou 19 meses, três ministros da Fazenda e uma nova moeda
para Itamar conseguir tirar o navio da tempestade.

A questão é que a barca de Temer não terá todo esse tempo para se mexer. Há um sentimento de urgência a bordo. Os embarcados
concordam que o temporal econômico vai piorar antes de melhorar. Há eleições em outubro e, se as remadas decisivas não forem dadas logo, vai ser difícil encontrar um discurso eleitoral vendável para os sócios do governo federal ­ tudo isso com o julgamento de Dilma no Senado e uma Olimpíada no meio.

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Fonte: Estadão

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