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Precisamos da saúde animal, humana e da ética do poder

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O ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, e atual presidente da ABPA – Associação Brasileira da Proteína Animal, entidade que representa o negócio de carnes, aves e suínos do Brasil, disse ao Sr. Vytenis Andriukaitis, Comissário de Saúde e Segurança Alimentar da União Europeia uma mensagem forte e claríssima, dizendo:

“Como um todo não é confiável”, embargou como alerta a importação de carne de cavalo pela Europa e ameaça fazer o mesmo com os demais produtos do Brasil.

Já a mensagem de Francisco Turra foi a seguinte:

“O Brasil recebe anualmente centenas de auditorias privadas para avaliação do nosso sistema de segurança e saúde animal. Em 2016 foram mais de mil visitas técnicas, e temos certificações como Global Gap, ISO, Alo Free, Certified Humane, entre outras. O setor animal do Brasil é hoje responsável por 53% de toda carne de frango in natura, preparados importados pela União Europeia. Nos últimos 20 anos embarcamos para o mesmo lugar quase 7 milhões de toneladas de carne de frango, mais de 278 mil containers, e não há nenhum registro de problemas com consumidores europeus”.

Os aspectos citados pelo Comissário europeu são pontuais e não representam de forma alguma o todo do setor de proteína animal do Brasil.

O Brasil atende 150 mercados no mundo é um importante parceiro para a segurança alimentar planetária hoje em dia.

As questões levantadas pelo Comissário europeu demonstram claramente estar a serviço de interesses competitivos com o Brasil por parte de outros fornecedores, e da mesma forma atuando para diminuir os preços de produtos originados no Brasil.

Num jogo mundial e global, cada vez mais pressionado por custos, escala e qualidade, o Brasil se destaca hoje como um poderoso e competente competidor, e estamos acostumados a realizar coisas sob condições difíceis e sem proteção governamental, muito diferente da situação cômoda e plena de zona de conforto dos atuais produtores de países ricos.

A qualidade do setor de proteína animal no Brasil é desenvolvido, seguro e submetido a todas as auditorias e fiscalizações com as mais altas exigência. O que não se enquadra nisso envolve corrupção e jogos de poderes políticos.

Não podemos generalizar o Brasil pelos males de uma parte de sua sociedade, aliás, uma parte menor, apesar de trazer consequências relevantes para todos.

Precisamos da saúde animal, humana e da ética do poder, pois a carne brasileira é forte.

O ministro da agricultura, Blairo Maggi, se transformou no ‘Marco Polo’ do agro nacional

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O ministro Blairo Maggi foi para Ásia novamente, na China, em Hong Kong, para vender carne brasileira, e mais uma vez buscar os esclarecimentos das crises de saudabilidade e corrupção.

De Hong Kong ele mandou a seguinte mensagem:

 

“Amigos, vim fazer compras num supermercado e fiquei impressionado com a ausência de produtos brasileiros. Encontro produtos do mundo todo, Nova Zelândia, Austrália, Vietnã, França, Itália, Espanha e nenhum produto do Brasil. Precisamos prestar atenção. Somos ausentes de produtos de valor agregado, ausentes em frutas, especialidades, e se quisermos sair dos 7% de participação de mercado para 10%, não bastará vender algodão, carnes, grãos, açúcar, café, celulose… precisamos de uma atuação muito mais intensa com produtos brasileiros. ”

 

Nas minhas contas, quando falamos de agribusiness como o total das somas das cadeias produtivas, chego em 15 trilhões de dólares, e o Brasil, dependendo do câmbio, atinge cerca de 500 bilhões de dólares, ou menos. Então, representamos cerca de 3,5% do total do agronegócio mundial, e não 7%.

 

Para expandirmos os mercados com frutas, hortaliças, especialidades, flores, essências tropicais, coco, chocolate, sucos, refrescos, roupa, moda, castanhas (ou seja, todas as deliciosas especialidades tropicais brasileiras), precisaremos integrar agribusiness com marketing.

 

Isso significa reunir e termos um híbrido no Brasil, a melhor mistura das inteligências dos Estados Unidos com a Holanda; o melhor quando falamos em agribusiness e marketing evoluído e além das grandes culturas, quem sabe salvar a marca Havaianas, das desgraças da JBS (a melhor marca do Brasil).

 

Parabéns, ministro, foi impactado pela mossa nulidade nos supermercados internacionais… está na hora de enfrentarmos essa ausência, com empreendedorismo, cooperativismo e políticas públicas, além de marketing… o marketing ético. Aquele de longo prazo.

 

 

 

Instabilidade da cadeia

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A cadeia produtiva da JBS, a maior empresa do planeta, vai sofrer. A empresa tem 18 bilhões de reais de dívidas de curto prazo, e isso representa cerca de 1/3 de uma dívida gigantesca de 58.4 bilhões de reais.
A empresa já adotou estratégias recessivas, parou de comprar bois, mudou o prazo de pagamentos do boi para 30 dias…
Começaram a busca pela venda de ativos e pretendem vender tudo que não está ligado à carne, como a marca Hawaianas, provavelmente a única marca ligada ao Brasil com prestígio internacional.
E eu não duvidaria nada de que o capital chinês, ávido por posições gigantescas globais, tirasse proveito dessa fraqueza, encolhimento e inviabilidade dos atuais acionistas na maior empresa de carnes no mundo, e adquirisse essa importante companhia do setor de alimentos a 4a. maior do mundo…somente atrás da Nestlé, Unilever e Pepsico.
Quanto aos produtores rurais, entidades como a do diretor executivo da Acrimat – Associação dos Criadores do Mato Grosso, Luciano Vaccari, o maior Estado da pecuária do Brasil, já estão se mobilizando para reverter esse quadro. Entreram com pedidos de cortar o ICMS como ajuda do Estado, permissão de venda para frigoríficos de outros estados, e o estímulo a outros frigoríficos e marcas concorrentes enfim…

A instabilidade de toda a cadeia produtiva JBS, além dos funcionários, já têm atingido fornecedores e produtores rurais.

2 de junho de 2017 as 15:21

A confiança explodiu e expirou – Crise da JBS

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Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS delataram e explodiram essa República brasileira que aí está (se supostamente for tudo comprovado).

Revelaram, gravaram e prepararam uma delação estruturada, e agora o pais obtém de forma ainda mais clara a associação criminosa do Estado com o empresariado.

As consequências, sob o ponto de vista político, já viraram a pauta nacional de todas as atenções: impeachment, O Presidente Temer vai negar, e viveremos acentuadamente o calor de um conflito tóxico, atômico e radioativo, com soluções imprevisíveis.

Agora, em paralelo a tudo isso, temos a JBS. Esta empresa tem uma receita de cerca de 50 bilhões de dólares. Isso a coloca como a 4º maior empresa de alimentos do mundo e a maior do setor de carnes do planeta.

Se a empresa não for separada dos seus acionistas, os delatores Wesley e Joesley , teremos uma crise ao longo de toda a cadeia produtiva dessa corporação.

São milhares de produtores rurais, milhares de fornecedores, funcionários no Brasil e no mundo inteiro que estão sendo afetados a um preço altíssimo que será pago por milhões de pessoas que orbitam em torno dessa mega empresa brasileira do agronegócio.

As repercussões para o agronegócio brasileiro são da mesma forma nefastos e também imprevisíveis. Tudo dependerá da sensatez de separar a vida da empresa, da agora vida dos seus controladores.

Assim como a vida do Brasil precisa ser separada dos seus atuais controladores. A confiança explodiu e expirou.

Quem diria que o agronegócio derrubaria o sistema

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A empresa JBS foi transformada na maior empresa de carnes do planeta e na 4° maior de alimentos do mundo.

Os irmãos Joesley e Wesley, donos da JBS, combinaram uma delação premiadíssima, com direito a gravações, áudios e vídeos, e explodiram tudo.

Será que explodiram a JBS também, num faturamento anual de cerca de 50 bilhões de dólares, antes da desvalorização do mesmo depois do impacto dos últimos dias?

 

Uma brincadeira que rola pelas redes sociais é que o Brasil é o único país do mundo que tem um frigorífico que “abate’ presidentes.

Agora o que interessa e nas consequências da cadeia produtiva inteira que envolve a JBS como a locomotiva, a campeã das carnes no país e no mundo, o choque de credibilidade dos seus fundadores; donos e controladores são difíceis de se separarem.

A tal da confiança fica abalada, e temo sim pelos produtores rurais alinhados a empresa e os efeitos críticos dentro do agronegócio.

Além disso, as entidades do setor pedem a continuidade das reformas, como a trabalhista no campo; e que o legislativo não pare nesse momento de inoperância do Executivo.

Dentre todos os setores brasileiros, o agro continua sendo o mais independente; o dólar valorizou, e para uma boa parte do agro, com uma Super Safra de mais de 230 milhões de toneladas, a notícia agrada, pois com a queda do preço das commodities, o câmbio compensa. E a soja mantém um preço atraente em real.

Daqui pra frente, está na hora do agro criar uma voz única. De haver uma integração das milhares de entidades espalhadas pelo país.

E faço aqui uma sugestão: que as cooperativas brasileiras representem o setor, por três razões:

1 – Tem legitimidade representativa, mais de um milhão de produtores rurais.

2 – Significam a metade de todo agro do país.

3 – São exemplos de progresso, não apenas dos cooperados, mas da sustentabilidade e das comunidades onde estão instaladas.

Um agro, uma voz, uma representação capilar e legítima. Por quê não o cooperativismo brasileiro?

O agronegócio está sob a ameaça da nova Operação Bullish

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O agronegócio está sob a ameaça da Policia Federal devido a Operação Bullish com a JBS.

 A Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12) a Operação Bullish, que investiga possíveis fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Não se trata apenas da JBS, a detentora das marcas Seara e Friboi, dentre outras e operações no mundo inteiro.

O gigantesco drama trata também das consequências com toda a cadeia produtiva ligada direta e indiretamente com a JBS.

Quero dar uma dimensão deste assunto. Sabe quanto representa o faturamento somado das 11 maiores companhias de alimentos do mundo?

 

Mais de 480 bilhões de dólares! Para ter uma ideia, isso significa dizer que as 11 maiores empresas de alimentos do mundo tem praticamente o mesmo tamanho de todo o agronegócio brasileiro.

Ou seja, o Brasil cabe dentro das 11 maiores empresas de alimentos do planeta… e a JBS com um faturamento de 170 bilhões de reais no ano passado, com o dólar a R$ 3,15… Isso representa em torno de 50 bilhões de dólares!

A JBS é maior do que a Coca-Cola, que está em 4° lugar do mundo, abaixo apenas da Nestlé, Unilever e Pepsico.

Então, não estamos falando apenas de uma organização com impactos para si mesma. Ao lado da Petrobrás, as duas maiores empresas do Brasil, e no caso da JBS, com implicações diretas em milhares de produtores rurais, centenas de fornecedores de insumos e tecnologia, além de funcionários, serviços financeiros e de todos os tipos.

Podemos avaliar em duas vezes a sua receita anual, o impacto ao longo de toda a cadeia produtiva que a JBS representa.

Eu diria que 100 bilhões de dólares é o valor conjugado de todas as partes da JBS na cadeia produtiva do agronegócio como um todo… E milhões de pessoas…


Portanto, vale pedir duas coisas. A primeira é a prudência e bom senso da Polícia Federal e do Judiciário quanto as comunicações que vier a fazer a respeito da Operação Bullish na JBS… O estrago causado pode ser gigantesco e traumático para o agro brasileiro.

 A segunda é que a empresa, seus funcionários, seus fornecedores, produtores rurais de aves, suínos e bovinos que representam uma sociedade econômica não poderem pagar por possíveis erros dos seus acionistas (se é que venha a ser comprovado).

JBS virou a 4ª maior companhia de alimentos do planeta e a maior do mundo em carnes, e com ela milhões de pessoas cuida da comunicação dos fatos.

Se irregularidades houverem, que se blinde a empresa, seus funcionários e cadeia produtiva, das responsabilidades dos seus acionistas.

O lado positivo da crise da carne

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Vale ao final desta semana comentar o lado positivo que a crise da carne trouxe para o Brasil. Além de ter prejudicada a imagem do país, em um dia, detonou um esforço considerável que colocou o Brasil no lugar de maior exportador de frangos do mundo, no 4º maior em suínos. Prejudicou cerca de 4 milhões de famílias envolvidas com aves e suínos no país.

Tudo isso em troca de corrupção, que envolveu a princípio 21 plantas frigoríficas em meio a 4.800 que existem. Sem dúvida, uma overdose imprópria, pois a diferença entre o remédio e o veneno estará sempre na dimensão da dosagem.

Mas, nessa guerra surgiram brasileiros corajosos que puxaram para si a briga, e sem medo, ficaram expostos ao país e ao mundo. Pessoas como o próprio Ministro da Agricultura, Blairo Maggi e o presidente da ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Antônio Jorge Camardelli.

E gostaria de salientar um líder que apareceu fortemente em meio a essa crise, não apenas com sua competência técnica e de conhecimento do setor, mas também com uma alma humana e carismática; um destaque na comunicação não apenas com as classes empresariais, mas falando com o povo de maneira honesta, íntegra e passando confiança de verdade. Se trata do gaúcho Francisco Turra. Ele chegou a estudar para se tornar padre, foi quase um jesuíta. Também foi ministro da agricultura no passado e hoje é o presidente da ABPA – Associação Brasileira da Proteína Animal, conjugando nessa entidade fundamentalmente a produção de aves e suínos.

Nas suas manifestações, Turra falou da necessidade de ponderação e de responsabilidade e reafirmou que a verdade sobre a produção da proteína animal brasileira será restabelecida. Conclama com parte da oração do Pai Nosso, onde pedimos para não cair em tentação, e declara: “Não caiam em tentações fáceis…”, ele quis dizer que na desgraça que significa a generalização simplória, barata e superficial. Ele pede: “… se atenham aos fatos concretos…”, e de novo conclama: “Falamos em nome de mais de 4 milhões de famílias envolvidas no país com aves, e suínos…”.

Assistimos algo que tanto estamos precisando no país, de um homem sério, íntegro e que ao mesmo tempo consegue chegar aos cérebros humanos através da palavra que toca o coração – a voz da alma.

Em uma de suas manifestações ele disse: “Vamos superar com muito trabalho as adversidades confiando, pelo bem do Brasil…”. Com certeza, o Brasil não será mais o mesmo depois de todas essas operações da Polícia Federal, e o agronegócio não será mais o mesmo depois da crise da carne. Estará mais unido, reunido e compreendendo a importância da gestão de precisão das cadeias produtivas e da revelação de vozes que sejam capazes, mas que sejam também talentosas na confiança de como suas vozes ecoam, e surfam as ondas de todas as mídias.

Parabéns ao Francisco Turra, uma voz que cresceu em meio ao caos da crise que já está passando.

Agrosuperação

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A redução das vendas no agronegócio já começou.

Demissões, insegurança de muitos funcionários que trabalham no sistema da carne, não só nos frigoríficos ou serviços, mas também nos fornecedores de insumos e de tecnologia para os produtores rurais.

Já vi as perspectivas de diminuição nas vendas de, por exemplo, sal mineral, nutrição bovina.

Produtores que acabaram de investir em tecnologias para melhorar o bem estar animal e a produtividade dos rebanhos são pegos numa tendência de queda de preços, o que muda totalmente os cenários de suas decisões recém tomadas.

No exterior, a mídia hoje totalmente conectada repercute a desconfiança do produto brasileiro, e já sabemos que o que é noticiado não existe na realidade, e sim o que vira percebido de tantas fagulhas e centelhas midiáticas…

E, agora o que fazer ? A nós.só nos resta a arte da superação.

Quem diria, quem poderia prever tal catástrofe no cenário do agronegócio de um dia para o outro… mas que na verdade já começou há muito tempo… Os acidentes tem efeitos imprevisíveis, mas suas causas são totalmente previsíveis, já estava lá, instalada a doença da corrupção por longos anos…

Fica aqui entretanto uma importante reflexão para todos nos brasileiros… Será que para prender justamente 1000 criminosos e corruptos da pior espécie, justifica-se destruir milhões de inocentes?

As demissões já começaram, a perda de receita inexorável também, para mim coloco de 15 a 20 % a menos na conta do setor de carnes neste ano são milhões de justos sendo injustiçados, e de inocentes sendo torturados…

Será esse o preço que o brasileiro, a maioria gigantesca dos brasileiros precisaremos pagar para o expurgo dos criminosos do poder ?

Uma bela questão para reflexão… Penso que precisamos sim punir, sem dó e nem piedade, criminosos que se escondem nos sistemas legalizados para vender o ilegal, porém, que isso seja feito sem que a vítima morra sempre, na perseguição do ladrão os cidadãos brasileiros …

A hora agora é de uma agrosuperação, pois o imprevisto já se fez visto, e agora só nos resta trabalhar e reconstruir….

Muito mal vai rolar sob a ponte, mas isso não pode nos fazer parar…

O que não é agronegócio e o que falta no marketing da carne

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Cuidado! Agronegócio não significa a tradução literal de agribusiness (negócios agrícolas ou negócios agropecuários). Agronegócio é muito mais do que isso.

John Davis e Ray Goldberg (1957) definiram agribusiness como: “o conjunto de todas as operações e transações envolvidas desde a fabricação dos insumos agropecuários, das operações de produção nas unidades agropecuárias, até o processamento e distribuição e consumo dos produtos agropecuários ‘in natura’ ou industrializados”.

Quando eles conceberam e visualizaram na Universidade Harvard que não havia mais possibilidade de êxito nessa atividade sem a gestão e coordenação de cadeias (desde a concepção da genética, passando pela produção agropecuária propriamente dita; indo à frente na agroindústria, serviços, varejo e na percepção de consumidores finais), decretaram a morte de elos independentes dessa corrente. Isso no período do pós guerra.

Ney Bittencourt de Araújo, então presidente da empresa Agroceres Sementes, se apaixonou pela visão sistêmica dessa gestão. Então, no início dos anos 80, estudou, e com ele, carregou outros brasileiros.

Dez anos após, no início dos anos 90, foi criada a Associação Brasileira de Agronegócio – ABAG. E o que conseguimos até hoje? Alguns avanços em algumas cadeias, mas ainda distantes de uma gestão de precisão de cadeias produtivas, do começo ao fim, ou do fim ao começo.

Exemplos como o milho, permanentes na desconexão entre um ano que há escassez e preços exorbitantes, e no ano seguinte há sobra com o preço lá embaixo. E nessa gangorra da insensatez, um elo da corrente ganha em um ano no outro sofre, e assim vão aos trancos e barrancos.

Leite, café, tomates, citros, trigo, etc., sem falar na grave distorção do desperdício de alimentos. A causa? Ausência de uma orquestração de cadeias produtivas. De quem é a culpa? Do governo, na opinião de alguns… Triste utopia. A culpa deve ser olhada exclusivamente por um novo olhar protagonista, o de liderar e dialogar com cada elo dessa corrente e contratar metas, compromissos e seguranças básicas para seus agentes.

“Me dê um exemplo, Tejon?”, pedem as pessoas nas conferências. E eu respondo: “É preciso reconhecer a cadeia do tabaco”. A Souza Cruz, maior produtora de cigarros brasileira, possui 24 mil produtores familiares e tem um show de gestão e de precisão dos elos de suas correntes. “Ah, mas cigarro é um item nocivo”. Não quero falar disso, mas sim da possibilidade de gerenciar cadeias produtivas.

Se o tabaco faz, por que não fazemos em outras consideradas “saudáveis”? Muito bem. Então, agronegócio é muito mais do que “negócios agropecuários”.

E o que falta no marketing da carne, por exemplo? Interpretar o vácuo e as lacunas perceptuais dos cidadãos, dos consumidores e dos jovens que vem por ai. Carne não é animal, não é rastreabilidade, não é apenas bem estar de bois, suínos e frangos para serem elegantemente abatidos, ou vacas de leite descartáveis “com amor”.

Tenho uma banda de rock com jovens, onde represento apenas um pequeno papel de “dinossauro”. Somos em cinco. Dentre nós, temos dois veganos, dois vegetarianos (que fazem algumas concessões ao “light”) e eu, que continuo adorando um delicioso T Bone à Peter Luger no Dinho’s Place.

Não há o que faça pra mudar esse preconceito dos jovens roqueiros. Ao prestar atenção nas campanhas internacionais bem feitas, principalmente da bovina, e ao comparar com as nossas, gritei: “Eureka!”. Nós paramos de falar sobre saúde. Meus pais diziam: “Um bifinho todo dia, fundamental pra você crescer e ter saúde, filho…”.

A carne, proteína animal, estava associada com saúde. Períodos onde até a Danone lançando seu Danoninho com o slogan: ” Um Danoninho vale um bifinho!”.

O setor se esqueceu da saúde. Não promovemos a saúde, promovemos o prazer, a estética, a qualidade da produção, a sustentabilidade, o bem star animal, a confiança, a certificação, o não ter hormônios… Mas, não educamos os consumidores para a saúde.

Falamos da saúde animal, não associamos com a saúde humana, como se isso fosse parte automática do cenário.

Muitas pessoas dizem ter pena dos animais, e repetem assim como Paul McCartney: “Se quiser ver alguém parar de comer carne, leve-o num matadouro”. Essa ingenuidade guarda uma causa que precisa fazer parte urgente do marketing da carne no Brasil e no mundo.

Parar de comer carne não significa bondade com os animais e nem a ideia de que não terá sangue nas suas bocas, sem contar com todos os demais sub produtos farmacêuticos e vitais para a vida humana. Carne significa saúde humana. Se abandonarmos a educação via propaganda educativa, além das visões egoístas exclusivas do market share das marcas, estaremos vendendo confiança de produção, segurança de um ótimo produto, mas que as pessoas tendem a achar que no fundo, não fazem bem para a sua saúde. “Matam e me matam? Será?”

Saudabilidade é o termo. A ênfase vital para o marketing da carne. E, se alguém quiser me ajudar a convencer meus jovens veganos da nossa Rock4All, venha dia 14 de abril no Tonton Jazz, em Moema, São Paulo. Juro que lhes passo a palavra.

Saúde na cabeça e agronegócio de verdade. Nada de novo, apenas pra não esquecer.

10 de março de 2017 as 13:37

Vejo no noticias agricolas a questão das barreiras sanitárias…Carne & USA, de novo.

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O agronegocio precisa investir na defesa sanitária. A questão não é sómente o aspecto legitimo dos consumidores, é, e em muito, uma poderosa e nova barreira alfandegária, via micro detalhe e interpretações distintas dos sensores, no aspecto sanitário…. EUA rejeitam carne processada da planta paulista da JBS.. isso associado ao fato de que 90% do consumo de alimentos processados se dá a partir dos mercados locais…precisaremos por um lado.. ir produzir mais diretamente dentro dos mercados locais…e por outro.. altissima exigencia no controle sanitário… é o show… e precisamos, no agronegócio – ESTARMOS UNIDOS, para competirmos lado a lado com os ESTADOS UNIDOS…..que também é bom parceiro em diversas angulações na história do agronegocio brasileiro…..abs Tejon

Jose Luiz Tejon Megido

Dirige o nucleo de agronegocio da ESPM

Vice Presidente e Diretor de Comunicação do CCAS – Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável

 

17 de agosto de 2011 as 21:32