ESPECIAL: Resfriamento das águas do Atlântico e Pacífico deve favorecer intempéries climáticas no Brasil em 2012

Publicado em 28/12/2011 08:31 e atualizado em 28/12/2011 10:30 1319 exibições
ESPECIAL: Fenômenos de resfriamento das águas do Pacífico e do Atlântico devem intensificar problemas de estiagem nos primeiros meses de 2012. Produtores do Sul do país sofrerão maiores impactos, seguidos pelos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Fabiana Weykamp explica no especial sobre a metereologia do Notícias Agrícolas o que afetou o clima no sul do Brasil nos últimos meses e como deve ser o verão para todas as regiões do País.

Segundo ela, o Brasil passou pela primavera, que é a época de transição entre o inverno (que é seco em boa parte do Brasil) para o verão, (que é chuvoso em boa parte do País) e, nesse período do ano, os sistemas metereológicos não estão bem definidos, mas já é possível observar as chuvas voltando para as áreas que tiveram estiagem no inverno. “Esse ano, na primavera, a chuva voltou para Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, mas isso não aconteceu no centro-sul do Brasil, que sofreu com a irregularidade das chuvas nos últimos meses, com precipitações esporádicas tanto na região sul, como em parte de São Paulo, e isso preocupou muito os agricultores”, explica Fabiana.

“Em novembro tivemos frentes frias mais estacionárias ao largo do litoral norte do sudeste que favoreceu as chuvas no Espírito Santo e centro-norte de Minas Gerais, norte de Goiás e Mato Grosso e também a região nordeste e parte do norte do Brasil. Mas na maior parte da região sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás, a situação foi oposta, choveu menos. No oeste do Paraná e norte de São Paulo as chuvas até ultrapassaram um pouco a média, mas isso aconteceu em poucos eventos de chuvas, de forma muito esporádica e o centro-sul recebeu um volume total abaixo do esperado em novembro”, garante.

Sobre o mês de dezembro, Fabiana afirma que do dia 1º até o dia 22 situação na região sudeste e centro-oeste não foi muito diferente de novembro. O sudeste teve chuvas concentradas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo. O centro-oeste, o centro-norte de Goiás e o Mato Grosso tiveram alguns núcleos com chuvas acima do normal, mas no Mato Grosso do Sul as chuvas foram bem abaixo da média. Já no sul do País, por conta de eventos de chuva forte no Rio Grande do Sul, até o dia 22 a região tinha chuvas mais volumosas, mas na maior parte do sul brasileiro as chuvas estavam abaixo da média e o Estado também registrou muito calor, com temperaturas um pouco acima dos 40º em algumas áreas. Até o dia 22 de dezembro, algumas áreas do Paraná tinham em torno de 100 ou 200 mm de chuvas a menos para atingir a média de chuvas esperadas.

Segundo Fabiana, esse cenário pôde ser observado, pois o Brasil está sob influência do fenômeno La Niña, que consiste um resfriamento das águas do Oceano Pacífico no Equador e na costa da América do Sul, e essas águas mais frias que o normal, geram um impacto no padrão de circulação atmosférica, que impacta no regime de chuvas do planeta. O Oceano Atlântico também exerce influencia sobre o regime de chuvas no Brasil e registrou uma porção de águas mais frias na região do Atlântico, próximo a costa da região sudeste que favoreceu nos últimos meses para que as frentes frias ficassem mais estacionárias entre o norte da região sudeste e o sul da região nordeste, onde as chuvas se concentraram mais. “Realmente as condições atmosféricas estão muito relacionadas aos padrões de temperatura das superfícies dos oceanos, é uma relação bem direta entre a temperatura na superfície do mar e as condições de circulação atmosférica.”, afirma.

2012

Sul: “Expectativa não é muito boa para o centro-sul do Brasil nos próximos meses com intensificação do La Niña. A tendência é de chuvas irregulares. A região mais favorável no sul do Brasil a chuvas é o norte do Paraná, pois pode ter influencia do fenômeno de Convergência do Atlântico Sul. Mas em grande parte do sul do Brasil a situação ainda será de chuvas esporádicas. No entanto, a região não está livre de temporais, pois as precipitações nos próximos meses devem acontecer na entrada de frentes frias, o que gera um contraste térmico muito grande, pois a região terá períodos de muito calor. Assim teremos a formação de nuvens carregadas e temporais com possibilidade de queda de granizo e ventania. O mês mais favorável às chuvas no sul do Brasil é fevereiro, não vai chover bem, mas as chuvas serão mais frequentes. Há mais chuva prevista para fevereiro do que para janeiro e março, mas a maior parte da região terá chuvas abaixo da media no verão.”

Sudeste: “Na região sudeste, a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul é um dos sistemas que irá influenciar o clima na região ao longo desse verão. As frentes frias passam pelo sul do País e, quando chegam ao sudeste, têm um deslocamento muito lento e muitas vezes ficam estacionárias por alguns dias ao largo do litoral da região, favorecendo a ocorrência de chuvas persistentes e fortes. Janeiro vai começar com bastantes chuvas sobre Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro e, ao longo do mês, poderemos ter chuvas fortes sobre São Paulo. Em fevereiro, a Zona de Convergência do Atlântico Sul também vai estar ativa e teremos chuvas volumosas no sudeste, exceto em São Paulo. Para março, a chuva já deve diminuir na região.”

Centro-oeste: “Em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, as chuvas tendem a acontecer com bastante frequência em janeiro, com precipitações de bastante intensidade. No Mato Grosso do Sul as chuvas ainda devem ser irregulares, mas em fevereiro teremos chuvas melhores em relação a janeiro e março.”

Norte: “Em janeiro as chuvas mais intensas e volumosas ainda devem acontecer sobre o sul da região norte, como Acre, Rondônia, sul do Amazonas e do Pará e Tocantins. Em fevereiro, a Zona de Convergência Intertropical começa a atuar e as chuvas devem aumentar em Roraima, no norte do Pará, em Amapá e norte do Amazonas. Os meses de fevereiro e março devem registrar chuvas acima do normal no período.”

Nordeste: "Ao longo do mês de janeiro ainda devem ocorrer pancadas de chuvas em áreas do sul e oeste da Bahia. O interior do Maranhão e Piauí terá poucas chuvas, com alguns eventos esporádicos de precipitações. Em fevereiro, as chuvas devem aumentar na região, com bons volumes no norte do Maranhão, Piauí e Ceará. Em março, deve ocorrer a influência das Ondas de Leste, outro sistema metereológico que provoca chuvas na costa leste da região nordeste."

Tags:
Por:
Aleksander Horta e Ana Paula Pereira
Fonte:
Notícias Agrícolas

0 comentário