Boi: Queda? Queda, não!
Publicado em 20/04/2012 18:14
Por Lygia Pimentel, médica veterinária, pecuarista e analista de commodities
Atrasei, pessoal! Desculpem-me. Ontem (quinta-feira) fiz uma palestra aqui em Goiânia, onde estou hospedada, para o Circuito Feicorte, depois fizemos uma mesa redonda e o tempo apertou. Mas estou aqui, não fugi. Vamos conversar sobre o boi!
Hoje daremos continuidade ao papo da semana passada. Afinal de contas, o movimento se confirmou. O boi resolveu se assustar e o mercado ficou mais pesado. Ele está em queda e tem espaço pra continuar mais um pouco, pessoal. Digo isso pois a carne não está dando suporte às cotações neste momento. As escalas aumentaram bastante, chegando aos níveis recentes mais altos.
Na verdade, fizemos um alerta aqui nesta coluna recentemente. Com o nível de compras com que os frigoríficos trabalhavam, o mercado de carne tendia a se encharcar com o produto na segunda quinzena, quando o consumo enfraquece um pouco. E quando a pressão negativa chegou, o pessoal se assustou e alongou as programações, o que é normal quando tem boi no pasto.
Observem a área marcada em vermelho no próximo gráfico. O atacado tem mandado no preço do boi gordo. É só ele escorregar que a gente perde ponto.
Peço desculpas aos que ficarão bravos comigo por admitir que o mercado pesou um pouco neste momento, mas li uma frase nesta semana com a qual concordo firmemente: temos que trabalhar como profissionais da pecuária, e não como torcedores.
Bom, tirando o fator de queda pontual, estamos nos aproximando do período que é tradicionalmente considerado como o fundo da safra. Isso ocorre porque em 70% das vezes os piores preços registrados em anos anteriores ocorreram entre abril e maio. Então, o melhor que temos a fazer por enquanto é entender porque isso aconteceu para tentarmos acompanhar o que poderá suceder a partir de agora.
As escalas estão confortáveis, é verdade. Mas vejam bem, a próxima semana conta com um feriado, que alonga as programações, mas também tira um dia útil de abate. Depois disso, o varejo vai começar a se movimentar à espera do início do mês e, em seguida, teremos dia das mães, que também costuma ser uma data positiva para o consumo de carne.
O mercado futuro já se posicionou à espera do início do mês? Ainda não, mas parece estar querendo. Ele encontrou um pouco de dificuldades em continuar em queda com o outubro próximo aos 101,55, sem falar que esse também é um patamar de suporte gráfico importante. Se alguém aí entende de análise gráfica, basta traçar o Fibonacci a partir do maior movimento de queda.
Vejam, é difícil afirmar com toda a convicção que desse patamar não passa, mas podemos dizer que é visível algum tipo de sustentação para o mercado futuro próxima desses valores. Portanto, vale a pena ficar de olho.
Então por enquanto é isso. Farei um texto rápido hoje pois daqui a pouco tenho que pegar o avião de volta pra minha querida Bebedouro - SP. Mas estou com umas ideias interessantes que levam mais tempo para serem desenvolvidas com propriedade e apresentarei na semana
que vem. Aguardem, é coisa boa.
Ah, só mais um comentário. Hoje estive no escritório do meu amigo Ricardinho Heise, da Boi Invest, aqui em Goiânia. Mas olha, que lugar arrumado! Tirei até uma foto do que mais me chamou a atenção por lá. Muito bom chegar para bater um papo com a turma dele! Valeu pelo almoço, Ricardinho! Abraços e até a semana que vem!
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Fonte:
Bigma Consultoria
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