Se Dilma decidir fazer um pronunciamento, como acho que deve fazer, é bom que pense bem nas palavras....

Publicado em 18/06/2013 16:45 e atualizado em 05/03/2020 09:40
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Se Dilma decidir fazer um pronunciamento, como acho que deve fazer, é bom que pense bem nas palavras. Ou: Há mais lulistas do que oposicionistas torcendo para que ela quebre a cara...

O Brasil vive, por enquanto ao menos, uma democracia política plena. A única ditadura que ronda as consciências é a patrulha do politicamente correto, das ditas “minorias”, dos autodeclarados movimentos sociais. Existe plena liberdade de manifestação e de opinião. A praça está livre para o povo ocupá-la e dizer o que bem entende.

Atenção para este parágrafo: quando, no dia 13, a Polícia Militar de São Paulo decidiu cumprir a sua função e impor a ordem nas ruas — já que manifestantes tentavam, mais uma vez, impedir o direito de ir e vir, foi demonizada pela imprensa, pelos petistas e, de forma indireta, até pela presidente.

Dilma está diante de um de dois caminhos: 1) fazer um pronunciamento meramente retórico em defesa da paz, perdendo-se, mais uma vez, na propaganda dos feitos de seu partido; 2) deixar claro que os abusos não serão tolerados e que o governo federal dará todo o apoio material e político para que os governadores garantam a tranquilidade e a ordem.

Por mais que setores da imprensa insistam em dizer o contrário, é mentira que as manifestações ocorrem num clima de paz e tranquilidade. É evidente que não temos uma maioria de depredadores na rua. Fosse assim, ou seria revolução ou o retorno ao estado da natureza. O fato e que existe um clima favorável à bagunça, à depredação e aos saques.

Existe lei federal — a de Segurança Nacional, sim! — para conter esses bandidos. Mas a coisa não pode parar por aí. Todos têm o direito de se manifestar publicamente. Há liberdade de reunião e de associação no país, mas é mentira que exista o direito assegurado de paralisar as cidades.

O governo federal tem de se reunir com os governadores e lhes dar o devido suporte para que sejam definidas as áreas que podem abrigar as manifestações. As interrupções do trânsito e a ocupação tresloucada de ruas, avenidas e rodovias têm de ser contidas pelas Polícias Militares, e os que insistirem na prática têm de ser punidos.

Mas, para isso, é preciso que haja uma solução de compromisso. Para isso, é preciso que os ministros de Dilma se comportem como homens de estado, não como chicaneiros. E é preciso que o partido de Dilma abra mão do oportunismo asqueroso que o fez redigir uma nota que, na prática, estimula a bagunça.

Ou a presidente faz isso, ou pode começar a se despedir não da reeleição, mas da própria candidatura. É bom que ela não se esqueça de que a maior concentração por metro quadrado de pessoas que torcem para que ela quebre a cara é o PT.

O partido quer Lula de volta.

Por Reinaldo Azevedo

 

Passe Livre agora está com medinho do povo?

Ah, o Movimento Passe Livre agora ficou com medinho do povo, foi? Essa soma impressionante de estupidez, má consciência e truculência não quer mais brincar de parar a cidade? Ah… Vocês já devem ter visto: os bacanas anunciaram que não apoiam mais as próximas manifestações porque, em São Paulo, elas teriam sido “apropriadas” pelos conservadores.

Pô, a Mayara Vivian e aquele outro barbudinho são muito ambiciosos. O Jornal Nacional lhes abriu as câmeras em rede nacional para que eles anunciassem os “próximos passos da luta” — “contra o latifúndio urbano (?) e contra a o latifúndio”; vão ganhar hoje de presente um “Globo Repórter”. Já vi lá um rapaz com camiseta do movimento “Juntos”. Espero que se informe com clareza que se trata de um braço do PSOL e que Luciana Genro, conforme já mostrei aqui, tem o registro do domínio na Internet.

Volto ao tema no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

 

Movimento Passe Livre é uma organização com convicções comuno-fascistas, isto sim!, e, por óbvio, agora é também censora do povo. Só para não perder a viagem: como se nota, eu estava certo!

Parte da coleção de pensadores do MPL: Rafael Siqueira é essa pós-adolescente de azul. Aos 38, é tratado como a “juventude que quer mudar o mundo”…

Que graça!

O Movimento Passe Livre, tratado por setores da imprensa como os novos utopistas e um celeiro de pensadores, agora veio a público para anunciar que está fora de novas manifestações em São Paulo porque elas teriam sido apropriadas pelos conservadores. Essa gente que diz não ter líderes já emitiu, que eu me lembre, a sua segunda “nota oficial”. É a primeira vez na história do mundo mundial que uma “organização horizontal” emite nota. É patético! O texto é de impressionante má-fé por tudo o que diz e por aquilo que omite. Leiam

“O Movimento Passe Livre (MPL) foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além da comemoração da vitória popular da revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos.

O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto.

O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.

Toda força para quem luta por uma vida sem catracas”

Voltei
Mais uma vez, o MPL reafirma seu caráter e movimento de esquerda, no que venho insistindo aqui desde o primeiro dia. É permitido ser de esquerda no Brasil. O que deveria ser moral e eticamente vetado é a imprensa, setores dela ao menos, tentar negar esse caráter, esforçando-se para emprestar a essa gente uma agenda que não é e nunca foi sua.

O MPL está chateadinho porque os petistas e outros partidos de esquerda foram banidos das manifestações; tiveram de sair de lá com o rabo entre as pernas. ATENÇÃO! Eu também não apoio a perseguição a partidos políticos e acho que nada de bom sai dessa prática, mesmo que seja contra essa gente cujo ideário desprezo. Só que há um dado importante: o que me causa horror nessa onda toda — e estou a cada dia mais convicto disto — é a violência e a permanente violação da Constituição.

Releiam a nota do Passe Livre. Os valentes condenam a suposta violência contra seus amiguinhos de esquerda, condenam a suposta violência policial, mas NÃO DIZEM UMA VÍRGULA CONTRA OS DEPREDADORES E OS SAQUEADORES.

Alo, mistificadores! É mentira que os atos de depredação e barbárie estavam fora do script do Passe Livre. Não estou dizendo que foram PRATICADOS por eles — que têm compleição física para isso têm. Estou AFIRMANDO QUE A VIOLÊNCIA ERA UM DADO DA SUA EQUAÇÃO. Ou não foi ela que empurrou os prefeitos para decisões de emergência, que estupram as contas públicas.

Eu sei o que faço com a minha ignorância — procuro saná-la lendo, estudando, refletindo. Cada um faça o que quiser com a sua própria. O MPL se considera um movimento revolucionário — já falo quem são seus interlocutores. Se os jornalistas — com as exceções de sempre — lessem um pouco mais e dessem um pouco menos de atenção à fofocaiada das redes sociais, saberiam que a violência, o terror, a desordem, a confusão generalizada, a desestruturação de serviços públicos etc., tudo isso é uma etapa da luta revolucionária.

“Ah, o Reinaldo acha que eles iriam fazer uma revolução. É um paranoico!” Uma ova! Eu não acho que eles iriam fazer revolução, não! Eu estou sustentando que eles consideram que a violência lhes é útil porque existe teoria a respeito, que trabalha com esse dado. Eles só estão decididos a tornar a vidas nas cidades um inferno para conquistar posições de poder na miríade de partidos de esquerda. 

Rafael Siqueira, o tiozinho com cara que caiu do caminhão que voltava com a tralha de Woodstock, TRINTA E OITO ANOS, concedeu entrevista. Leio na Folha o que segue em vermelho:

Durante o ato, o MPL conversou com alguns grupos de esquerda sobre a presença de “neofascistas” agredindo pessoas na rua. “É inconcebível essa onda oportunista da direita de tomar os atos para si.”

Segundo o movimento, desde o ato de terça-feira, grupos de direita (não se sabe se organizados ou não) levaram às ruas pautas que não representam o MPL, o que gerou preocupação, pois “distorce a iniciativa”.

“O que preocupa não é a participação das pessoas na rua, mas pessoas claramente contra as organizações sociais e que nunca participaram de manifestações, começarem agora a usar os atos para promover a barbárie.”

A decisão de voltar ou não às ruas será tomada após conversa do MPL com grupos aliados –MPST (Movimento Popular dos Sem Terra), MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), Ocupação Mauá e Periferia Ativa–, que deve acontecer até a semana que vem.

“Ainda não sabemos que estratégia tomar, vai ser uma conversa longa e franca entre todas as organizações no campo da esquerda pra que a gente não fique rachado entre a gente, precisamos manter a união, que é o mais importante.”

Retomo
Eis aí. Eu disse desde o começo que o MPL havia trazido para as cidades, com o apoio bucéfalo da imprensa, os métodos que o MST usava no campo. Podem procurar os textos. Estão em arquivo.

O MPL está fora? Como já disse aqui, então eu estou pensando em aderir ao movimento de protesto. Só que eu teria algumas exigências para tanto, que, acredito, não serão acolhidas:
1) que os que querem mudar o Brasil (e até o mundo) não destruam a rotina das cidades. Peçam autorização ao Poder Público para se manifestar numa grande praça. É fascista impor a participação a quem não quer participar;
2) pela volta dos R$ 3,20. É um escândalo que Prefeitura e governo tenham de cortar investimentos por conta de uma benefício que é irrelevante para milhões, mas que é relevantíssimo para o futuro.

Que bom que esse MPL nunca me enganou. Identifico essa gente de longe, pelo cheiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em 2 semanas, protestos somam dezenas de feridos e um morto. A crise atinge Dilma em cheio. Incompetência tem ao menos 2 faces: Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo, que têm de ser demitidos com desonra. Titular da Justiça tentou fazer baixa política em SP e ajudou a incendiar o país

A presidente Dilma Rousseff está soltando fogo pelas ventas. Sente-se traída por alguns dos incompetentes que a cercam. Duas figuras se destacam: José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. A depender do rumo que tomem as coisas, não é apenas a reeleição da presidente que está ameaçada, mas a sua candidatura. Como já lembrou Carvalho certa feita, o PT tem Lula no banco, que sempre pode ser escalado. Se Dilma despencar e se a saúde do ex permitir, por que não chamar de volta o demiurgo? Mas cuido de Carvalho daqui a pouco. Quero dar destaque a este senhor.

Cardozo, o garboso, resolveu que poderia brincar com fogo em São Paulo. Saiu torrado

Costumo chamá-lo de Cardozo, o Garboso. Ele sempre tem um jeito muito sério de falar, com a voz empostada, afetando guardar graves e profundos pensamentos. Também gosta de se fingir de um petista diferente, mais sofisticado, que se distancia da turma da pesada. O seu papel nessa crise, especialmente do dia 13 deste mês até hoje, escreve uma das páginas mais vergonhosas vividas pelo Ministério da Justiça. E olhem que, fazendo um retrospecto, não é fácil disputar a liderança desse ranking. Cardozo teve concorrentes de peso no passado. Mas ele conseguiu superar a muitos na ruindade, seja pelo mérito da estupidez que fez, seja pelas consequências — que foram explodir onde muitos não esperavam: no colo de Dilma.

Os protestos contra as tarifas de ônibus começaram a ganhar corpo em São Paulo, onde esse estupefaciente Movimento Passe Livre (MPL) — um dos líderes já é quase um vovô, mas se fantasia de estudante alternativo — é mais forte. Como a repressão à baderna é tarefa do governo de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad se escondeu — como se hábito — e largou a batata quente na mão do governador. Nota: o tal MPL sempre foi aliado do PT. O partido é que lhe deu visibilidade, que fez a sua pauta aloprada parecer razoável.

O protesto do dia 13 de junho marcou um ponto de inflexão nessa história, que passou a contar com novos marcos na segunda, dia 17. Explico tudo direitinho. As manifestações anteriores lideradas pelo Passe Livre já vinham se caracterizando por vandalismo e violência. As imagens não mentem. Há fotos aos montes. No dia 11, um policial foi linchado. Ônibus oram depredados. Os vândalos espalhavam fogo e lixo por onde passavam, paralisavam a cidade. Só O GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN PROTESTAVA. Silêncio em Brasília. Silêncio na Prefeitura de São Paulo. Silêncio no petismo.

No dia 13, a tropa de choque negociou com os manifestantes e estabeleceu: não era para subir a Consolação e ganhar a Paulista. Mas quê… Os valentes resolveram afrontar a força especial. Não reconheciam a autoridade da polícia. Exigiam exercer o seu suposto direito de rasgar o Artigo V da Constituição. Ao tentar furar o bloqueio, o confronto começou. E o resto é história. Alguns jornalistas ficaram feridos, criou-se o mito de que os policiais perseguiam a categoria na ruas — na verdade, repórteres eram e são permanentemente hostilizados pelos manifestantes —, e Elio Gaspari decretou: a culpa é da polícia. Se Aiatoelio falou, a fatwa contra a PM está decretada. Ali começava o outono da anarquia no Brasil. Mas tratarei desse particular em outro post. Quero voltar a Cardozo.

Eu estava voltando do Rio quando o pau estava comendo em São Paulo. Tinha participado de um debate sobre imprensa e impunidade no Clube Militar, com a ministra Eliane Calmon, do STJ, o economista Rodrigo Constantino e o professor Marcus Fabiano, da Universidade Federal Fluminense. Tão logo saí do avião, 19h20, pulou um SMS na tela, da minha mulher: “Não venha pra cá. Caos. Confronto. Higienópolis está cercado”. E aí passei a monitorar a coisa pelo celular, perambulando pelo aeroporto, misturando fome, raiva, vontade de fumar (tinha acabado de sair de uma pneumonia), indignação com o fato de uma pauta estúpida, absurda mesmo!, paralisar a cidade. E então caiu lá uma notícia; José Eduardo Cardozo, o caridoso, oferecia “ajuda” a Alckmin. Como??? Ajuda de Cardoso???

Consegui falar com secretários do governo. Perguntei o óbvio: “O ministro ligou para o governador? Ofereceu ajuda pessoalmente? O que disse Alckmin?”. E fiquei sabendo, então, que este estupefaciente ministro, que este absurdo ministro, que este incompetente ministro, com notável cara de pau, havia oferecido ajuda por intermédio da imprensa. Pré-candidato do PT ao governo, o titular da Justiça se aproveitava, mais uma vez, de uma situação difícil em São Paulo para tirar uma casquinha, para fazer proselitismo, para fazer baixa política. Ele jamais perdeu a chance de prejudicar o povo paulista para cuidar de interesses partidários. Cito as vezes em que optou pela chicana, não pela resposta de homem de estado: 1) desocupação da Cracolândia; 2) desocupação do Pinheirinho; 3) desestabilização do ex-secretário de Segurança Antonio Ferreira Pinto.

Atenção! No dia 9 de junho, antes de o mundo cair na cabeça de Dilma, Cardozo já havia concedido uma entrevista ao Estadão atacando o governador de São Paulo. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) reagiu à sua estranha oferta do dia 13. Pois bem: o jornal amanheceu no dia 17 deste mês, data em que São Paulo deveria assistir ao “big one” das manifestações (com muitos petistas apostando no caos para atingir Alckmin) com mais uma entrevista do ministro. Não hesitou: atacou severamente a PM de São Paulo, acusando-a de truculenta, sugerindo que era despreparada. Sabem quais polícias ele usou como exemplo positivo? A do Rio e a de Brasília. Bem, vocês viram o que aconteceu nesta quinta nessas duas praças. E não! Não foi por culpa dos policiais — de São Paulo, do Rio, do DF ou de qualquer outro lugar. A culpa é dos vândalos.

Atenção, leitores! Faz quatro dias, o sr. José Eduardo Cardozo achava que se tratava de um problema paulista e que a PM deste estado não sabia lidar com o povo. Ele, definitivamente, não estava entendendo nada. Mas alguma coisa naquela segunda já estava fora da ordem imaginada pelo PT, e só as Carolinas do Planalto não viram. O protesto em São Paulo foi realmente grande — reuniu 65 mil pessoas —, mas o do Rio, com metade da população, juntou 100 mil. Alguns tontos chegaram a anunciar que os manifestantes cariocas marchavam em apoio aos de São Paulo. Bobagem! Não era, não. Que se lembre: os petistas mobilizaram seus aparelhos sindicais e deram a ordem: era para tomar as ruas da capital paulista. Estavam, literalmente, brincando com fogo.

Dilma, lá no Palácio, que anunciara havia dias o seu programa para a compra de sofá e geladeira, achava que tudo caminhava bem. O seu ministro da Justiça endossara, na prática, as palavras de ordem contra a polícia que passaram a ser recitadas pela imprensa do país inteiro. Aí, meus caros, as portas do caos estavam abertas — ainda farei um texto específico sobre a absurda demonização das Polícias Militares que tomou conta do jornalismo brasileiro.

Com o país iluminado pelas chamas dos vândalos e casos de depredação em quase todas as capitais e algumas grandes cidades, Cardozo engoliu a sua grande língua e suas palavras irresponsáveis. Desapareceu. Não ofereceu ajuda a mais ninguém. Parou de atacar as Polícias Militares. Silenciou.

Gilberto Carvalho

Este senhor é responsável pela interlocução com os chamados movimentos sociais. Também é um notório depredador da ordem em São Paulo. Também ele, a exemplo de Cardozo, não perdeu uma só chance de atacar a Polícia Militar e o governo do Estado. Atenção! Um assessor do ministro tem as digitais na confusão acontecida na desocupação do Pinheirinho. O nome do valente é Paulo Maldos, que é também a mão que balança o berço no caso de uma outra “revolta”, a indígena. Já escrevi a respeito. O verdadeiro clima de guerra entre índios e proprietários rurais no Mato Grosso do Sul foi parido na Secretaria-Geral da Presidência, e o tal assessor está no epicentro da crise.

Assim, em vez de ser um interlocutor, Carvalho, na prática, se comporta como um insuflador de conflitos. Como esquecer aquela sua conversa com lideranças indígenas da região de Belo Monte, quando afirmou que a presidente da República havia dado uma ordem para que o ministro da Justiça não cumprisse uma reintegração de posse? Sua atuação no Planalto anda cada vez mais nebulosa. Gente ligada à sua pasta se envolveu na organização de um protesto em… Brasília na estreia da Copa das Confederações — aquele dia em que Dilma foi vaiada… três vezes!!!

Se Carvalho estivesse dedicado à resolução de conflitos e se antecipado a eles, em vez de promovê-los, certamente teria percebido uma nuvem negra se adensando no país. O que ainda não tenho claro é se ele realmente não percebeu nada ou, pior para Dilma, percebeu tudo e deixou que as coisas seguissem o seu curso. Até a depredada Esplanada dos Ministérios sabe que o candidato in pectore do chefão petista na eleição do ano que vem é Lula, não Dilma. NÃO SE ESQUEÇAM DE QUE CARVALHO, NOS PRIMEIROS MESES DO ATUAL GOVERNO, LEMBROU QUE LULA PODERIA VOLTAR À CENA.

Nesta segunda, a presidente reúne a cúpula do governo. Seu prestígio, que já havia caído, deve ter despencado. O curioso é que tudo nasceu mesmo da má consciência. Petistas e forças filopetistas resolveram brincar de excitar as massas em São Paulo, achando que é simples, fácil e seguro manipulá-las. Aí está o resultado.

Pois é… O irônico é que se estimou em 100 mil pessoas o número de manifestantes em São Paulo nesta quinta. Não houve incidentes com a Polícia Militar. Ao contrário até. O clima na capital era amistoso. O que se viu mesmo foram bandeiras do PT sendo queimadas. Os militantes do partido, que haviam obedecido as ordens de Rui Falcão e aderido à manifestação, tiveram que enrolar seus panos e ir embora. E a massa gritava uma rima impublicável em “ê”

“Ô PT, vai se fervê
E leva a Dilma com você”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Carvalho, um dos organizadores do caos, agora ataca a imprensa por motivos, como sempre, errados. Foi o jornalismo petizado que pisou na bola na esperança de destruir Alckmin. Acabou dando um direto de esquerda no queixo de Dilma

Sempre que Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, pensa, o mundo fica mais escuro, menos inteligente, menos claro e… mais perigoso. As pessoas que acessaram este blog ontem 342.959 vezes — e que devem fazê-lo hoje mais de 350 mil vezes — sabem o que penso do trabalho da imprensa nessa história, com as exceções de praxe: LA-MEN-TÁ-VEL!, para dizer pouco. Flertou com a irresponsabilidade e o caos. Ao demonizar as PMs, ao ignorar que elas são a primeira barreira de contenção na hipótese de que as coisas começarem a sair do controle, ao jogar no lixo a evidência de que aqueles homens são a democracia de uniforme, que impedem a luta de todos contra todos, esses setores do jornalismo atuaram com uma irresponsabilidade ímpar. Por quê? Seria por reacionarismo, por conservadorismo, por golpismo? Não! É a ânsia, nesse como em vários outros casos, de fazer justiça com o próprio teclado.

Então eu penso o mesmo que Gilberto Carvalho? Não! Ambos repudiaríamos essa ilação até debaixo de chicote. Este lamentável senhor, que deveria ser demitido — e, se Dilma não o fizer, corre o risco de se lascar! —, enxerga uma espécie de conspiração, conservadora claro! Ao acusar a “mídia”, afirma, segundo informa a VEJA.com:

“”A imprensa teve um papel no moralismo, no sentido despolitizado, um tipo de antipolítica, que leva a isso que está acontecendo. Aqueles que o tempo todo verbalizaram esse tipo de posição também têm responsabilidade por esse aspecto destrutivo que está aí, e não adianta vir, agora, celebrar essa manifestação e não se dar conta de que também eles são responsáveis por isso que está acontecendo”

Ou ainda:

“Não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma de instituição. O sem partido, no fundo, é ditadura. Nós temos que ficar muito atentos a isso”.

É mesmo?

A única preocupação de Carvalho, como fica evidente, é o fato de os petistas terem sido expulsos da Paulista ontem, debaixo de vaia: “ô PT, vai se fervê/ E leva a Dilma com você”. Aí deu medinho, não é?

Quando José Eduardo Cardozo (ver post da manhã) estava tirando uma casquinha do caos em São Paulo, oferecendo “ajuda” a Alckmin por intermédio da imprensa, tudo parecia bacana aos petistas. Quando o partido mobilizou seus sindicatos para participar do protesto do dia 17, os petistas acharam ok. ATENÇÃO! EU CONTEI AQUI: GILBERTO CARVALHO FOI INFORMANDO DE QUE O PETISMO HAVIA LIBERADO AS BASES PARA A MANIFESTAÇÃO E ACHOU CERTO, CONCORDOU. Consideravam que estavam jogando a pá de cal no governo Alckmin. Quando a PM de São Paulo passou a ser demonizada Brasil — e mundo — afora pela Al Qaeda eletrônica petista, aquilo tudo pareceu mel na sopa. Quando, no entanto, no dia 17, o Rio meteu 100 mil pessoas na rua, contra apenas 65 mil em São Paulo, os engenheiros sociais sacaram que algo tinha dado errado e saído do controle.

Sim, é verdade, amplos setores da imprensa apoiaram os protestos, mas não foi por conservadorismo, direitismo ou reacionarismo. Apoiaram porque esse é o resultado sistemático de anos de destruição da inteligência e da independência de pensamento — inclusive nas redações. O que vemos, na rua, e ainda me deterei sobre este aspecto, é o resultado de 10 anos de ataque deliberado à ordem e às instituição. E Gilberto Carvalho, o principal responsável pela convulsão social em parte do Mato Grosso do Sul, por exemplo, é um dos organizadores do caos.

Por Reinaldo Azevedo

 

VAMOS FALAR FINALMENTE DE SÃO PAULO: “FORA PT E LEVA A DILMA COM VOCÊ”...

Vejam estes vídeos:

São Paulo também voltou a parar. Houve vários focos de manifestação. O centro foi mesmo a Avenida Paulista. Não houve confronto com a Polícia. Na maior cidade do país, o desentendimento se deu mesmo entre os manifestantes. Rui Falcão, presidente do PT, convocou os militantes do partido a sair às ruas. Eles foram, mas…

Pois é! A petezada foi cercada por participantes do protesto que rejeitam a presença de partidos políticos na passeata. Não seguiram Mayara Vivian, que afirmou querer, sim, a colaboração das legendas de esquerda, inclusive do petismo.

A situação ficou tensa. Aquela rima que há no título não reproduz um outro versinho, que não se escreve em blog de família como este, que começa com “vai se…” e é complementado com um verbo no infinitivo, da segunda conjugação, mas que perde o “r” na versão oral e acaba virando uma oxítona terminada em “e”…

Os petistas tentaram resistir, mas não houve jeito. Tiveram de enrolar as suas bandeiras e sair de fininho. A Paulista foi tomada de ponta a ponta. Rodovias, como a Castelo Branco, também foram interditadas. Houve manifestação num trecho do Rodoanel.

É claro que é gostoso ver o oportunismo do partido ser rejeitado como foi. É claro que os petistas estão provando de seu próprio veneno. Mas é hora de estruturar, então, as reivindicações, arrumar os interlocutores, delimitar o espaço das manifestações — se for o caso, a gente entrega o Vale do Anhangabaú para todo mundo que tem uma demanda. Eu mesmo vou lá apresentar as minhas…

“Reinaldo, nem esse ‘fora PT e leva a Dilma com você’ o faz mudar de ideia sobre a manifestação?” Queridos, o calor da hora não me comove. O diabo é diabo porque é velho, não porque seja necessariamente sábio. Eu não me apresento como sábio, mas já estou meio velho. Escrevi hoje de manhã por que vejo com maus olhos esse negócio. A razão principal é que força o único movimento realmente organizado do país a uma reciclagem pela esquerda. O segundo motivo importante, dentre tantos outros, é a agressão a alguns fundamentos do que é um regime democrático e uma sociedade civilizada.

Se houver todo dia gente no Anhangabaú, em plena praça pública, gritando “Fora PT e leva a Dilma com você”, sem fogueira, sem pancadaria, sem saque, sem depredação e sem violar o direito de ir e vir, pode até ser que eu passe por lá para levar meus cabelos brancos.

Mas exijo o meu direito de levar um cartaz pedindo que a passagem de ônibus volte a R$ 3,20 porque não considero justo com os pobres que investimentos do Estado e da cidade sejam cortados para fazer a vontade de caridoso radicais da elite brasileira.

Eu sou antipetista por um império da racionalidade, não da irracionalidade.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os liberais do miolo mole coloquem o burro na sombra: movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a democracia e a racionalidade e tentará deixar o país à mercê de grupelhos organizados. E a nota asquerosa do PT

Alguns dos ataques mais duros e irrefletidos que sofri nesses dias partem de pessoas que se dizem “libertárias”. Também elas não têm simpatia pelo petismo, dizem-se liberais em economia e, de tal sorte detestam o estado que, no limite, flertam com o fim das Forças Armadas e até da polícia. Execram-me por vários motivos, mas particularmente por conta do meu “conservadorismo”, especialmente no que concerne ao aborto (são favoráveis) e à legalização das drogas — favorabilíssimos. Alguns, tomados de uma cegueira verdadeiramente missionária, acham que eu não deveria nem mesmo ter o direito de escrever. Acreditam que a causa do libertarismo estaria melhor se eu fosse censurado. É um jeito de ver o mundo. Essas pessoas se encantaram, a exemplo de muitas outras que não gostam do PT, com esse movimento em favor da redução das tarifas de ônibus e também tomam a causa como metonímia, a parte pelo todo. Como é mesmo aquele cartaz? “Não é por 20 centavos, é por direitos”. Então tá.

Políticos de oposição forçam um pouco a mão para tentar ver nos protestos uma rejeição ao governo Dilma e a alguns de seus insucessos. O Financial Times também fez isso (ver post). Junto com a luta pela redução da passagem, passamos a ouvir protestos contra a corrupção e a gastança de dinheiro com a Copa do Mundo. Criou-se até uma falsa oposição — essencialmente desinformada (falarei mais a respeito em outro post), entre “hospitais” e “estádios”, entre “saúde e educação” e Copa. Garotas e garotos de classe média, parte deles insuflada por seus professores papo-cabeça de escolas caras, também foram às ruas por mais cidadania. Aquela gente saudável, de pele boa (vitaminas balanceadas na infância), neófita em protestos, acabou conduzindo muitos observadores a severos, severíssimos enganos. Já volto a este ponto. Preciso abrir aqui um parêntese longo.

Parêntese de cinco parágrafos
O Movimento Passe Livre se fortaleceu em São Paulo em 2011, embora seja mais antigo, com o apoio entusiasmado do PT. Foi o partido que ajudou a lhe dar visibilidade nas redes sociais. Petistas que agora estão lastimando a difícil situação em que acabou ficando o prefeito Fernando Haddad discursaram, então, em defesa do movimento e contra Gilberto Kassab por conta do reajuste da passagem naquele ano. Escrevi muitos textos então, procurem em arquivo, apontando que vários de seus militantes eram jovens que estudavam nas mais caras escolas privadas de São Paulo. Num post do dia 25 de janeiro de 2011, depois de essa gente promover uma bagunça danada na reabertura da Biblioteca Mário de Andrade, destaquei num texto o ideário do Passe Livre, que está na página do movimento. Muita gente se esqueceu dele, mas eu lembro:

“O MPL deve ter como perspectiva a mobilização dos jovens e trabalhadores pela expropriação do transporte coletivo, retirando-o da iniciativa privada, sem indenização, colocando-o sob o controle dos trabalhadores e da população. Assim, deve-se construir o MPL com reivindicações que ultrapassem os limites do capitalismo, vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente.”

Assim, a suposição de que o Movimento Passe Livre pudesse ou possa ser, de algum modo, útil a causa da alternância de poder no país é uma bobagem. Sua visão de mundo, já escrevi aqui algumas vezes, é o do petismo primitivo. “E por que tantos jovens?” Porque o movimento é mais organizado do que parece. Trata-se de uma piada tosca essa história de que não passam de idealistas movidos pela espontaneidade e pelo espontaneísmo. O grupo tem “representantes” em várias escolas particulares do ensino médio de São Paulo — curiosamente (ou nem tanto), praticamente inexiste nas públicas. Na campanha de 2012, a turma do Passe Livre e outros movimentos de esquerda organizados nas redes sociais apoiaram, claro!, Fernando Haddad, que só conhecia, até estes últimos dias, a mobilização das redes a favor. Agora experimentou o que é estar do outro lado do linchamento virtual.

Essa causa, é bom notar, não “pegou” só agora. O Passe Livre já mobilizava algumas centenas naquele 2011. Inovou, desta feita, na ousadia. Não mais intervenções para submeter autoridades a constrangimentos. Nada disso! O negócio era paralisar a cidade, criar transtornos, provocar a polícia. Até aquela quinta-feira, dia 13 de junho, do grande confronto em São Paulo, a turma não vinha mobilizando mais do que 5 ou 6 mil pessoas. Os vândalos, à diferença do que se tem tentado firmar como verdade, já eram parte da equação. Ônibus eram pichados, chutados, a cidade era empurrada para o caos.

A repressão policial — e gente que sai por aí depredando tem mesmo de ser reprimida — acabou ferindo alguns jornalistas, o que mexeu com o espírito de corpo. Os coleguinhas aceitavam de bom grado ser hostilizados pelos manifestantes — porque isso já vinha acontecendo —, mas pela polícia? Isso não! Entendo que as duas coisas são inaceitáveis. Eventuais excessos (que precisam ser apurados e, se comprovados, punidos) foram tomados como exemplares da ação da Polícia Militar, que já é, em regra, odiada pelo jornalismo. Por quê? Fica para outro texto. Fez-se um escarcéu dos diabos. Os autoritários, que não reconhecem o direito de ir e vir, que se negam a negociar com o Poder Público, foram convertidos em arautos de um novo mundo. A partir de então, a peleja passou a ter dois lados: o poder público e sua polícia repressora e o movimento “pacífico”, eventualmente perturbado por uma minoria de radicais. A imprensa se encarregou também de inventar uma pauta mais ampla para o Passe Livre, emprestando-lhe até certa coloração antipetista, o que — E LAMENTO DIZER ISTO — é falso.

Foi a cobertura jornalística, especialmente a das TVs, que transformou o Passe Livre num movimento benigno, que só quer um mundo melhor. Em certa medida, houve uma tentativa de aparelhamento ideológico. A turma soube usar muito bem a adesão da imprensa, mas sem jamais abrir mão de hostilizá-la. Jornalistas desenvolveram uma espécie de síndrome de Estocolmo com os ditos movimentos sociais: quanto mais são achincalhados, mais se apaixonam e mais lhes prestam serviços. Houve gente que chegou a tomar petelecos dos bacanas, mas não abriu mão se fazer suas mesuras. É deprimente!

Com a imprensa a favor das manifestações — quem estudar o caso verá que houve convocação mesmo —, e a Polícia Militar demonizada e moralmente proibida de atuar (em São Paulo, houve o anúncio prévio de que a tropa de choque não iria para as ruas, decisão em si absurda, já que não se sabia de antemão o que poderia acontecer), o resultado não poderia ter sido outro: assistiu-se à nacionalização da mobilização. Mais: na sexta-feira, 14, o PT achou que se tinha aberto uma janela para transformar a manifestação marcada para segunda, dia 17, num ato anti-Alckmin e anti-PM e liberou a sua turma: deu ordem para engrossar o movimento. Ocorre que ele já tinha se nacionalizado, e o tiro saiu pela culatra. O Rio acabou reunindo bem mais gente do que São Paulo. Fecho o parêntese.

Volto ao ponto
Como escrevi ontem, o resultado das violentas manifestações lideradas pelo Passe Livre — É MENTIRA QUE SEJA UMA MAIORIA DE GENTE PACÍFICA INFILTRADA POR VÂNDALOS — premia um método de ação política: a truculência. As passagens de ônibus, podem escrever aí, estarão congeladas em todo o país até 2015 ao menos. Ou alguém se atreverá a corrigi-las em ano eleitoral (2014), correndo o risco de ter de enfrentar a Mayara Vivian, convertida em nova pensadora de políticas públicas e musa da imprensa que não ousa mais desafiar a “massa” das minorais barulhentas? É claro que esse dinheiro sai de algum lugar — e sairá dos investimentos. Sem contar o risco evidente de sucateamento do setor!

O método premiado, a depender de como caminhem as coisas, pode ser também consagrado. E autoridades eleitas, doravante, estarão simplesmente impedidas de articular políticas públicas sem a aprovação de movimentos que outorgam a si mesmos o papel de representantes do povo — ou é isso, ou param as cidades. E, como sabemos e como quer a imprensa, a polícia não poderá mover uma palha. A sociedade fica, assim, refém daqueles que se dizem dispostos “a mudar o mundo”, entendendo, claro, que o seu receituário é de tal sorte superior que pode ser imposto aos outros.

Sim, existe uma penca de motivos que explicam a adesão de milhares de brasileiros da classe média a uma causa que, de imediato, nem lhes diz respeito. Compreendo e respeito os motivos dessas pessoas. E ainda escreverei a respeito. Mas não posso e não vou endossar a truculência ou supostos mecanismos de democracia direta, potencialmente perigosos, tendentes, a depender dos desdobramentos, a comprometer seriamente o regime democrático. E agora chego ao ponto crucial deste artigo, anunciado lá no título.

Única força
O lulo-petismo é a única força de massa — ou, se quiserem, no jargão característico, “movimento de massa” — verdadeiramente organizada no país. Por “organização”, entenda-se uma vinculação orgânica com aparelhos sindicais, no campo e nas cidades, capazes de mobilizar recursos e pessoas para atuar em várias frentes. O método do Movimento Passe Livre, ora premiado com a decisão da redução das tarifas — e não restava às autoridades alternativa, a não ser a demonização diária nas TVs —, força uma reciclagem do petismo pela esquerda; convida o partido a uma espécie de volta às origens; introduz um suposto viés de frescor que vem das ruas (que, na verdade, é bolor), do qual o partido andava um tanto distante, agora que se tornou também uma gigantesca burocracia de ocupação do estado.

Aos petistas, não custa muita coisa mudar a chave, não!, da atual posição, vamos dizer assim, mais à direita (em relação a seus marcos anteriores), próxima da social-democracia, para outra mais próxima de seu passado. O Diretório Nacional do PT divulgou ontem uma nota oficial, assinada pelo presidente do partido, Rui Falcão, com aspectos verdadeiramente asquerosos. Transcrevo trechos em vermelho. Leiam atentamente. Analiso depois.

As manifestações realizadas em todo o País comprovam os avanços democráticos conquistados pela população. São manifestações legítimas e as reivindicações e os métodos para expressá-las integram o sistema democrático. É papel dos partidos, do Congresso e dos Governos em todos os níveis dialogar com estas aspirações.
(…)
O PT saúda, pois, as manifestações da juventude e de outros setores sociais que ocupam as ruas em defesa de um transporte público de qualidade e barato.

Estamos certos de que o movimento saberá lidar com atos isolados de vandalismo e violência, de modo que não sirvam de pretexto para tentativas de criminalização por parte da direita. Nesse sentido, repudiamos a violência policial que marcou a repressão aos movimentos em várias praças do País, sobretudo em São Paulo, onde cenas de truculência, inclusive contra jornalistas no exercício da profissão, chocaram o País.

A presença de filiados do PT, com nossas cores e bandeiras neste e em todos os movimentos sociais, tem sido um fator positivo não só para o fortalecimento, mas, inclusive, para impedir que a mídia conservadora e a direita possam influenciar, com suas pautas, as manifestações legítimas.

A insatisfação de parcelas da juventude em relação às instituições e aos partidos políticos revela a necessidade de uma ampla reforma do sistema político e eleitoral em defesa do que vêm se batendo o PT e outras organizações da sociedade. Do mesmo modo, as manifestações têm mobilizado sua inconformidade contra o tratamento dado pelo mídia conservadora aos movimentos, inclusive pelo fato de, num primeiro momento, ter criticado a passividade da polícia.

Diante das demandas por transporte de melhor qualidade e barato, o Diretório Nacional do PT recomenda aos nossos governos que encontrem uma resposta necessária, que, no curto prazo, reduza as tarifas de transporte e, num médio prazo, em conjunto com os governos estadual e federal e com ampla participação popular, discuta soluções para um novo financiamento público da mobilidade urbana.

A direção do PT conclama a militância a continuar presente e atuante nas manifestações lado a lado com outros partidos e movimentos do campo democrático e popular.

Voltei
Uma leitura ingênua poderia indicar que o partido só está tentando pegar carona no sucesso do Passe Livre. Lamento! Pode ser isso, mas certamente é muito mais do que isso. Vejam ali as referências a vandalismo como atos isolados e, claro, não poderia faltar, as críticas à “mídia conservadora” e ao governo de São Paulo — e todos sabemos qual foi o papel da tal “mídia” nessa história. Percebam o petismo endossando as críticas aos partidos e às instituições, aproveitando, mais uma vez, para defender a reforma do sistema político e eleitoral — e nós já sabemos o que quer a legenda: regras para se eternizar no poder. O partido foi colhido de surpresa pelo tamanho das manifestações? Foi, sim. Isso é um sinal de que envelheceu? É. Mas nada que não possa ser corrigido para muito pior…

Entendam, minhas caras, meus caros: eu sei que gente que não tolera mais a corrupção, a impunidade, a bandalheira e a incompetência engrossou as passeatas do Movimento Passe Livre. E o fez por bons motivos. Há entre os manifestantes até mesmo aqueles que foram protestar em frente ao prédio de Lula. Nada disso, no entanto, muda o caráter do que se viu nas ruas ou anula o fato de que o método premiado é danoso para o regime democrático. O que queremos? Uma democracia tutelada por supostos “conselhos populares”? O Movimento Passe Livre já disse qual é a sua agenda. E ela não é boa.

O país que acaba de amanhecer não está mais democrático do que aquele que amanheceu ontem, mas menos. Não está mais racional, mas menos. Não está mais justo, mas menos. Ainda que muitas pessoas de boa-fé possam ter aproveitado para expressar a sua indignação com tudo o que há de errado no país — da inflação à impunidade —, é preciso ver que método, que pauta e que visão de mundo foram premiados ontem. E eu lhes asseguro: nenhum deles presta para uma sociedade democrática e de direito.

De resto, os petistas têm, sim, como trocar material genético com essa gente porque as proteínas se combinam. Aguardem para ver.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma está furiosa; principal alvo é Gilberto Carvalho; presidente marca reunião de emergência. “Cardozo, cadê você? Consulto o noticiário só pra te ver!!!”

Dilma Rousseff está furiosa. Muito brava mesmo! E sua fúria tem um alvo em particular no palácio. Seu nome é Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. É ele que tem uma secretaria só para “dialogar” com os movimentos sociais. Como não previu nada disso? Pois é. Talvez seja o caso de indagar se Carvalho está mesmo insatisfeito, não é? Fica para mais tarde. A presidente convocou uma reunião de emergência para amanhã, às 9h, com os principais ministros e assessores.

Como esquecer? Na quinta-feira passada, quando o pau comia em São Paulo, José Eduardo Cardozo, o Garboso, ofereceu, cinicamente, ajuda a Geraldo Alckmin por intermédio da imprensa. Em vez de ligar para o governador, preferiu fazer firula. Talvez tenha sido, até agora, a figura mais irresponsável da crise. Dois dias depois, não contente, concedeu outra entrevista atacando Alckmin. Agora o pau come em Brasília. Cardozo desapareceu. É o caso de perguntar: a quem o ministro da Justiça deve pedir ajuda? Ainda bem que a Constituição faculta o emprego das Forças Armadas!

Falarei sobre esse climão de madrugada. Dilma acha também que estão tentando destruir o seu governo, mas atribui à incompetência daqueles que o cercam o acirramento da crise. Não vê motivos para que as coisas tenham chegado a esse ponto. Mais tarde, vou explicar para a presidente como se chega a isso. Os “inteliquituais” do PT vão acabar por confundi-la. Como eu torço para que ela perca a eleição — se é que vai mesmo ser a candidata do partido —, então posso lhe falar a verdade.

Por Reinaldo Azevedo

 

É uma humilhação para Dilma e Agnelo Queiroz! Esplanada dos Ministérios em pandarecos!

A Esplanada dos Ministérios está em petição de miséria, depredada de ponta a ponta. É uma humilhação para a presidente Dilma e para o governador Agnelo Queiroz (PT), que não anda muito popular no Distrito Federal. A área é uma das mais bem-guardadas do país. Dilma está especialmente furiosa porque vê coincidência demais entre as manifestações e a Copa das Confederações, que atraiu os holofotes para o Brasil. Com a imprensa mundial dando plantão aqui, o país assiste a manifestações inéditas desde o impeachment de Collor.

Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

 

Fim da picada! Pedradas contra a Catedral de Brasília. Três feridos em estado grave

Leiam trecho de texto publicado às 23h56 na Folha:
Depois de tentarem invadir o Itamaraty, manifestantes promovem um rastro de depredação na Esplanada dos Ministérios nesta quinta-feira (20). Nem mesmo a Catedral de Brasília, um dos principais cartões postais da capital federal reformada recentemente, foi poupada dos ataques.

Manifestantes jogaram pedras na Catedral trincando uma dos vitrais coloridos, picharam ministérios e placas, atearam fogo em diferentes pontos do gramado central e quebram vidros do Banco Central e do Itamaraty. Também enfrentaram a Polícia Militar com rojões. Os policiais reagiram com spray de pimenta, balas de borracha e bombas de gás.

Em Brasília cerca de 40 pessoas foram atendidas pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) entre manifestantes e policiais. Onze pessoas foram levadas para diferentes hospitais. Três estão em estado grave.

A Secretaria de Saúde do DF, em coletiva de imprensa, informou que um homem morreu. Ele caiu de um viaduto próximo à rodoviária central de Brasília. O homem exalava álcool, mas ele não estava na manifestação, segundo o secretário-adjunto de Saúde do DF, Elias Fernando.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Ninguém se atreve a criticar, a não ser…

Reproduzo um trecho do texto de Juan Arias, do jornal espanhol El País, no blog “Vientos de Brasil”. No artigo, ele constata que quase ninguém se atreve a criticar os protestos que estão acontecendo Brasil afora. E aponta uma exceção: eu. No post, ele lembra que Arnaldo Jabor, por exemplo, inicialmente crítico, pediu desculpas e mudou de ideia. Segue trecho de seu artigo.
*
Ni los palacios del poder, ni los partidos de diferentes ideologías, ni la empresa, ni las finanzas, han aparecido para replicar a los que protestan.

La presidenta Dilma llegó a aplaudirla y apoyarla a pesar de las pancartas contra ella. El partido del Gobierno (PT) ha anunciado que se sumará a la caravana. Los sindicatos también, a pesar de que los silbidos llegaron a la puerta de la casa del mítico sindicalista Lula.

Si se exceptúa algún intelectual liberal como Reinaldo Acevedo que ve en el movimiento el peligro de que pueda volver lo que el llama la irracionalidad de la “peor izquierda del pasado”, nadie ha tenido hasta ahora el coraje de hacer frente a los manifestantes.

Lo máximo que se ha llegado a oír es que la apoyan “sin actos de vandalismo”.

En ninguna manifestación de la calle ha aparecido ni el más pequeño grupo para oponerse a ella.

El mundo del arte y de la cultura, de la ciencia y de la universidad están aplaudiendo, convencidos de que se trata de un movimiento que no cuestiona la democracia y que supone una especie de catarsis colectiva. Hasta Pelé que se había manifestado en contra ha dado marcha atrás.

Ha habido escritores como como Arnaldo Jabor que después de haber criticado la protesta como si se trata de un grupo de pijos, pidió perdón publicamente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Não é pelos 20 centavos, claro! Ainda bem! Vejam o preço da cerveja e os smartphones…

Há fotos que realmente valem por mil palavras, como se diz por aí,  a exemplo desta, de Daniel Teixeira, na primeira página do Estadão de hoje. Vejam.

Esse é o povo (!) do “Movimento Passe Livre”. Não são mesmo a cara da pobreza? Daqui a pouco, essa gente ganha um quadro de humor no Zorra Total… Eles estavam num bar, no centro de São Paulo, assistindo ao anúncio da redução da tarifa.

Como são estudantes, pagam meia passagem. No fim do mês — e na hipótese de que andem de ônibus —, economizarão R$ 4,40. Com esse dinheiro, não conseguem comprar nenhuma das cervejas anunciadas na tabela. A mais barata custa R$ 5.

O rapaz de camiseta branca segura na mão esquerda um iPhone. A que está em primeiro plano também usa um smartphone com uma capinha descolada.

Era uma quarta-feira gorda. Pelo visto, ninguém ali pega no batente, embora todos já sejam bem maduros, não é? Vivem de quê?

Há duas formas de uma pessoa brigar por uma causa: a necessidade e a convicção. Necessidade, obviamente, eles não têm. Então são dotados de convicção. Por convictos, embora não precisem daquilo, então devemos considerar que aderiram a uma causa política, certo? E fazem, pois, política. Tratá-los como representantes do povo e legítimos representantes de usuários é, antes de mais nada, uma fraude jornalística.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ameaças de agressão e de morte. Ou: Quem tem a simpatia da Globo precisa do apoio até do pequenino Reinaldo Azevedo? Por quê?

Na segunda-feira próxima, este blog completa sete anos. Nunca, como nesta última semana, recebi tantas ameaças de agressão e de morte. Nunca se enviou pra cá tanta baixaria. Resta-me, como é o normal nesses casos, tomar as devidas providências, o que já comecei a fazer. As mensagens dessa natureza serão enviadas à Polícia — também à Federal, que tem uma divisão que cuida de crimes ligados à Internet. E Por quê?

Porque decidi lembrar que o Brasil vive, por enquanto ao menos, num regime democrático, em que vigora o estado de direito. Porque decidi lembrar que ninguém, maioria ou minoria, tem licença para suspender prerrogativas constitucionais. Porque decidi lembrar que, numa democracia, governadores, prefeitos e o (a) presidente da República são autoridades do Executivo legitimamente eleitas.

“E então se deve concordar com tudo o que fazem?” Não! Existe um modo de contestar a ordem — que, nas democracias, também pertence ao universo da ordem. O contrário disso é a anarquia.

Basta ver o noticiário das TVs, inclusive e muito especialmente o da TV Globo. Não estou fazendo juízo de valor agora. Estou apenas registrando um fato. Se formos transcrever o noticiário da emissora — incluindo o da GloboNews (se alguém dispuser de meios, que o faça para constatar) — e submetê-lo à nuvem de palavras, o par “forma pacífica” vai aparecer enorme, gordão, em letras garrafais. Em segundo lugar, estou certo, aparecerá o advérbio “pacificamente”. Em terceiro, creio, virá “pequeno grupo” — referindo-se aos baderneiros — e, depois, “minoria”, para designar a mesma turma.

Isso caracteriza, parece, uma decisão editorial. Estabeleceu-se como linha justa do registro, segundo a qual as manifestações são pacíficas. Ponto final. Agora vai um juízo, sim: NÃO SÃO! Decidiu-se que os que partem para o quebra-quebra são forças que se infiltraram na maioria pacífica. Agora vai um outro juízo, sim: ISSO NÃO É VERDADE!

Digam-me uma só democracia do mundo em que levar uma cidade, como aconteceu em São Paulo, à virtual paralisia seja “forma pacífica” de manifestação. A palavra de ordem que convocava o ato falava por si: “Vamos parar São Paulo”. Quem viola um direito fundamental, garantido pela Constituição, de milhões de pessoas não é pacífico. Por que não pediram ao poder público que se isolasse o Vale do Anhangabaú, por exemplo, para que pudesse abrigar os manifestantes?

A resposta é simples e óbvia: porque isso não geraria transtornos. Ao causar danos efetivos a milhões de pessoas, pressiona-se o poder público, que é, então, sequestrado pela causa. Assim, paralisar a cidade se insere numa escalada de agressões de que a depredação e o saque são graus mais elevados, mas ainda não o ponto extremo, que corresponde à eliminação do inimigo, à sua morte. Chegou-se perto em São Paulo e no Rio, com a tentativa de linchar policiais. E é esse o teor das ameaças que me fazem.

Assim, é evidente que os manifestantes tiveram uma cobertura mais do que simpática da TV Globo e da maioria dos meios de comunicação. Essas são palavras literais da jornalista e apresentadora do Jornal Nacional, Patrícia Poeta ao se referir à suspensão do reajuste das tarifas em São Paulo e Rio: “Foi uma vitória dos manifestantes que pacificamente foram às ruas nos últimos dias”.

Em nenhum momento os representantes do Passe Livre criticaram explicitamente a violência. Ao contrário: um de seus líderes se disse contrário, claro!, ao quebra-quebra, mas classificou os atos de vandalismo de “revolta popular”. E acabou! Ontem, Mayara Vivian pôde anunciar em rede nacional que a luta continua, agora pelo passe livre mesmo e também contra o latifúndio urbano e rural. Hoje, haverá a festa da celebração da irracionalidade. Mas já comecei a tratar de questões que são de outro post.

É bem verdade que este blog passou, ontem, das 300 mil visitas e que posts são reproduzidos por centenas, talvez milhares, de outros blogs. Mas sou pequenino perto da Globo e das demais emissoras de TV, certo? Então esse valentes, que lutam por um mundo melhor — embora os jornalistas precisem se esconder deles, mesmo lhes dando apoio —, não podem conviver com uma ou duas opiniões contrárias? Assim como se negam a negociar (ou levam tudo ou param a cidade), não aceitam que alguém discorde de sua causa e métodos? Pois é. Parece que, no mundo desses patriotas, a liberdade será sempre a liberdade de quem concorda. “O movimento não pode ser responsabilizado pelas ameaças”. Não? Que sentimento e que moral estão sendo mobilizados?

Considero uma espécie de mimo da inocência achar que estamos diante de uma “virada interessante” no clima do país. Trato disso em outro post, também desta manhã-madrugada. Não estamos, não! Não do jeito como se estão fazendo as coisas.

Eu jamais apoiarei um movimento que viola um direito fundamental da Constituição.

Eu jamais apoiarei um movimento que torna o país mais intolerante com a divergência.

Eu jamais apoiarei um movimento que obriga o poder público a tomar uma decisão irracional.

Eu jamais apoiarei um movimento que tem como horizonte tornar o individuo ainda mais dependente do estado.

Eu jamais apoiarei um movimento que agride severamente investimentos, que poderiam gerar mais emprego, renda e benefícios para a população.

Eu jamais apoiarei um movimento que não reconhece a existência das instâncias institucionais.

“Ah, mas o PT também está se dando mal”, dirá alguém. Que se consolide aqui e para sempre uma coisa importante: AS ESCOLHAS DOS PETISTAS NÃO CONDICIONAM AS MINHAS ESCOLHAS. Eles não servem nem para definir o que eu NÃO PENSO, entenderam? Ah, sim: acabei não respondendo a pergunta. Por que precisariam da opinião favorável até do Reinaldo Azevedo? Porque são incapazes de ouvir um “não” e de conviver com o contraditório.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pelos menos 600 protestam contra a corrupção em frente ao prédio de Lula

Em São Bernardo, também houve protestos contra a tarifa de ônibus. À noite, um grupo de pelo menos 600 manifestantes se dirigiu para um prédio da avenida Francisco Prestes Maia para gritar palavras de ordem contra a corrupção. A cobertura abriga uma celebridade e tanto: Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Reinaldo Azevedo

 

Jornal Nacional para Mayara Vivian anunciar a velha e a nova pautas do Movimento Passe Livre: reforma agrária e reforma urbana

Ah, os liberais deslumbrados vão ficar chateadinhos? Que pena!

Os ditos “libertários” estão surpresos? Pois é!

Eu, com fama de conservador, de reacionário, não estou.

Mayara Vivian, a face mais visível do Movimento Passe Livre, e um outro barbudinho foram ouvidos pelo Jornal Nacional. E agora? Ele respondeu de imediato: “Agora é o passe livre”. E então ela tomou a palavra: “Agora é o passe livre. Quando a gente apareceu com essa proposta há sete anos, as pessoas diziam: ‘Vocês estão loucos’”. E anunciou os próximos passos de sua luta, com o punho medianamente levantado: “Reforma agrária, reforma urbana, contra o latifúndio agrário, contra o latifúndio urbano”.

Perfeitamente!

O conceito de “latifúndio urbano” deve ser uma categoria teórica recentemente inaugurada no curso de geografia que ela faz.

Ainda no Jornal Nacional, um trecho de uma nota oficial do Movimento Passe Livre foi levado ao ar. Respondia a uma afirmação do prefeito Fernando Haddad, segundo quem a suspensão do aumento prejudicaria investimentos em áreas essenciais à população, como saúde e educação.

Na nota, o Passe Livre disse que isso não corresponde à verdade porque essas verbas são vinculadas, isto é, têm um percentual fixo do orçamento. A resposta do movimento é intelectualmente desonesta, para não variar: a verba vinculada exclui a possibilidade de investimentos suplementares. Pegue-se o caso das creches em São Paulo: a cidade não conseguirá zerar o déficit de vagas se não investir mais do que mínimo obrigatório. Fico chateado de ter de desmontar em três linhas a versão fraudulenta dos fatos do tal Passe Livre. Sei que, no caso, estou dizendo que Fernando Haddad, por quem não tenho nenhuma simpatia, está dizendo a verdade, e os heróis do Passe Livre, a mentira. Pois é… Esse cara sou eu, como disse aquele. Costumo chamar a verdade de “verdade” e a mentira de “mentira”.

Então tá.

Bem, suponho que, nos próximos tempos, podemos esperar o fechamento de ruas, a tomada da Paulista, das Marginais, da Ponte Rio-Niterói, sei lá do quê, em defesa da reforma agrária, da reforma urbana etc. e tal. Com as Al Jazeeras dando o maior apoio — DESDE QUE NINGUÉM PEÇA O CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA, CLARO! Mayara Vivian, suponho, em breve, dará as mãos a João Pedro Stédile.

“Pacificamente” — advérbio que assume sentido novo nas Al Jazeeras caboclas —, vão, então, impedir o direito que têm as pessoas de ir e vir, vão causar o máximo de transtorno possível, para acabar, inclusive, com os latifúndios urbanos, seja lá que zorra isso queira dizer.

Enquanto esse movimento pacífico acontece, uma “minoria de baderneiros”, como diz o Jornal Nacional, vai quebrando tudo, diante de uma maioria que a tudo observa gritando: “Sem vi-o-lên-ci-a/ sem vi-o-lên-ci-a”. Ah, sim, a turma do terror continua a mandar brasa em Niterói. Uma minoria, claro!

Por Reinaldo Azevedo

 

Manifestação em Niterói mostra o grau de estupidez a que chegou a coisa. A única crise realmente grave no país, no momento, é a de autoridade e a do jornalismo

Gustavo Sales é figurinista. Tem 23 anos. Mas Gustavo Sales também é favorável à redução da tarifa de ônibus em Niterói. Além de ser figurinista, ele é um pensador. E tem algumas ideias encantadoras sobre democracia, como esta, por exemplo:

“Queremos fechar a Ponte Rio-Niterói, pois apenas incomodando bastante é que seremos ouvidos. Não queremos baderna nem confronto com a polícia. O objetivo é fechar as saídas tanto para as avenidas Jansen de Melo quanto pela Contorno e Feliciano Sodré no horário de rush”.

Vocês entenderam o pensamento singelo de “Gustavo Sales, 23, figurinista”? Não! Confronto com a polícia, ele não quer. “Baderna”, diz ele, também não! Ele só quer “incomodar bastante (…) no horário da rush”. As Al Jazeeras nativas chamam isso de “movimento pacífico”.

O mais impressionante, atenção!, é que a Prefeitura de Niterói JÁ BAIXOU A TARIFA. Leiam o que informa O Globo, por Gustavo Goulart e Carolina Rocha.
*
A Ponte Rio-Niterói está com os acessos fechados devido à manifestação em Niterói. Um grupo se separou da passeata e se dirigiu à Ponte, pela Avenida Jansen de Melo. Por motivos de segurança, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fechou todos os acessos da via. De acordo com informações da TV Globo, há registro de confrontos entre manifestantes e policiais. Motoristas que seguem do Rio para Niterói estão sendo desviados. Quem já está na ponte está sendo orientado a retornar.

Os organizadores da passeata já haviam anunciado que pretendiam fechar os acessos à Ponte Rio-Niterói. Por isso, a concessionária CCR Ponte montou um esquema de operação semelhante às realizadas durante os feriadões. Foram reforçados os socorros médico e mecânico, além do aumento de operadores da ouvidoria para atendimento aos usuários. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável pelo policiamento da ponte, informou que mantém o reforço no patrulhamento que já estava previsto para a realização da Copa das Confederações.

“Queremos fechar a Ponte Rio-Niterói, pois apenas incomodando bastante é que seremos ouvidos. Não queremos baderna nem confronto com a polícia. O objetivo é fechar as saídas tanto para as avenidas Jansen de Melo quanto pela Contorno e Feliciano Sodré no horário de rush”, contou o figurinista Gustavo Sales, de 23 anos, que disse ainda que os manifestantes não tem a intenção de ir até o pedágio.

Desde o início da tarde um grupo de manifestantes realiza um protesto contra o aumento das passagens em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Eles deixaram a Praça Araibóia, no Centro do município, onde estavam concentrados, e fecharam a Avenida Rio Branco, no sentido Icaraí, de onde seguiram para a Avenida Amaral Peixoto, que está totalmente tomada. Eles foram até a Câmara dos Vereadores. De acordo com a Nittrans, órgão responsável pelo transporte da cidade, pelo menos 5 mil pessoas participam da passeata. O trânsito segue bastante tumultuado na região.

No início da noite, pouco depois do anúncio de que o governo do Estado do Rio vai revogar os reajustes dos transportes, a prefeitura de Niterói anunciou que a tarifa dos ônibus retornará ao valor de R$ 2,75. Em nota, o prefeito Rodrigo Neves afirma que em janeiro de 2013 revogou o decreto de reajuste das tarifas dos transportes públicos da gestão anterior e unificou as três tarifas existentes na cidade, passando todas para R$ 2,95. Após as manifestações, no entanto, ele decidiu retornar o valor para R$ 2,75.

“Em respeito à sociedade civil, que se manifestou pacificamente em nossa cidade, a prefeitura adotará medidas necessárias e anuncia, neste momento, que a tarifa dos transportes coletivos municipais retornará ao valor de R$ 2,75″, diz trecho do comunicado.

Protesto na semana passada
Na semana passada, a manifestação contra o aumento de passagem de ônibus em Niterói, que acontecia de forma pacífica, terminou em confronto no Centro da cidade, localizada na Região Metropolitana do Rio. Bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, além gás de pimenta, foram atirados em direção aos estudantes. Pelos menos duas pessoas foram socorridas, intoxicadas, depois de a Polícia Militar enfrentar manifestantes. Uma pessoa foi detida. A estudante de Direito Thamires Ribeiro, de 21 anos, grávida de três meses, foi levada para o Hospital das Clínicas, no Centro, depois de ser atingida por spray de pimenta.

O confronto aconteceu ao fim da passeata, quando grande parte do grupo de mais de 2 mil pessoas já havia se retirado. A confusão começou depois que estudantes teriam tentando impedir que os ônibus deixassem um terminal rodoviário no Centro, próximo à Estação das Barcas. Por volta das 22h, cerca de 40 manifestantes que foram alvo de spray de pimenta ainda estavam reunidos em frente ao terminal. A polícia também estava no local para efeitos de prevenção. Na internet, alguns manifestantes já começaram a postar vídeos do protesto

Na dispersão do tumulto, os manifestantes saíram correndo e espalharam montes de lixo que estavam em trecho da calçada da Rua Marechal Deodoro. Ao longo da rua, havia inclusive cacos de vidro. No início da noite, já havia sido registrado um princípio de tumulto. Um policial do Batalhão de Choque teria soltado uma bomba de efeito moral no meio da multidão, que estava concentrada em frente à Câmara dos Vereadores da cidade. Logo depois da explosão, um manifestante tentou tirar satisfação com um policial, identificado como capitão, mas foi ignorado pelo militar. Ninguém ficou ferido.

Tarifa única em Niterói desde sábado
Desde o dia 8 deste mês, as tarifas dos ônibus que circulam em Niterói foram unificadas pela prefeitura. Todos os veículos, inclusive os com ar-condicionado, têm o valor da passagem fixado em R$ 2,95. A medida da prefeitura exclui os frescões. Com a mudança, houve redução no valor de passagens de duas das três faixas de cobrança praticadas na cidade, e aumento de uma.

Os ônibus que circulam entre a Região Oceânica e a área central de Niterói, além das zonas Sul e Norte, tiveram as tarifas reduzidas de R$ 3,30, R$ 3,10 e R$ 3,05 para o novo valor, enquanto os ônibus que circulam pelas demais regiões passaram dos atuais R$ 2,75 para R$ 2,95.

Por Reinaldo Azevedo

 

Barbárie em Niterói – Dias seguidos de irresponsabilidade das TVs cobram seu preço, a cada dia mais alto

Neste momento, ao vivo e em cores, com transmissão para todo o Brasil pelas nossas “Al Jazeeras”, alguns democratas exemplares de Niterói, que enchem de orgulho alguns sociolojentos do miolo mole, tentam virar um ônibus, que está com um foco de incêndio no volante. Não conseguem. O veículo, depredado, é, então, empurrado contra carros particulares. O espetáculo de selvageria é impressionante. Dias seguidos de espantosa irresponsabilidade de importantes setores da imprensa não estão saindo de graça. Se há idiotas pensando que isso é ruim para Dilma e bom para a alternância de poder, aqui vai uma advertência: isso é ruim para o país. E não se enganem: há coisa ainda pior do que Dilma! Lula certamente acompanha tudo com muita atenção!

Por Reinaldo Azevedo

 

Revogação de reajuste em SP e Rio premia um método delinquente de militância. É o triunfo da irracionalidade sobre o bom senso, da voz rouca e dos ouvidos surdos...

Na madrugada, tome textão sobre as implicações políticas das decisões tomadas em São Paulo e Rio. Por muito menos, posso escrever alguns quilômetros. Não sei se alguns odeiam em mim mais a ideia do que a disposição, hehe. Vamos a um aspecto fundamental dessa história toda: a revogação do reajuste premia um método de mobilização. Como vocês podem ver pelo título, eu não estou disposto a dar piscadelas para ele. De jeito nenhum! “Ah, mas é ruim para o PT…” Ainda que fosse, e daí? A minha profissão não é ser antipetista. Eu sou antipetista por causa dos métodos a que recorre o partido, não por fetiche. Se, amanhã, neonazistas começarem a agredir o PT, eu pedirei cadeia para os neonazistas, compreenderam? De resto — e já anuncio um dos temas da madrugada —, será que isso é mesmo tão ruim para o, digamos, espírito esquerdista? Só libertários do miolo mole caem nessa. Quanta coisa temos pela frente, né? Volto ao ponto.

1: está premiado um método de pressão que consiste em paralisar as cidades, num simulacro de democracia direta, sem mediação, que se recusa ao diálogo.

2: Há uma boa chance de que o método premiado também seja consagrado como normalidade. Quando alguém tiver alguma demanda ao poder público, basta parar as principais vias da cidade. Não é preciso contar com 65 mil de São Paulo ou os 100 mil do Rio. Pode-se fazê-lo com 5 mil: basta que grupelhos de 300 interditem o trânsito nas principais vias.

3: entendeu-se, no caso das manifestações, que o uso da polícia para restabelecer o direito constitucional de ir e vir é ilegítimo e deve, quem sabe?, ser declarado ilegal. É grande, então, a chance de que se consagre como norma a violação da Constituição.

4: no campo, já era corriqueiro o desrespeito permanente à lei; esse valor chega agora às cidades.

5: neste momento, e vamos ver por quanto tempo, há um novo ator que deve ser levado em conta: o Movimento Passe Livre. A sociologia babona acha “liiindo” que eles digam não ter partido. Será que não tem mesmo? Tratarei desse assunto também na madrugada.

6: o tal Passe Livre deixou claro na reunião com Haddad que entende, NUM PRIMEIRO MOMENTO, a revogação do aumento como um congelamento. Foi anunciado lá na Prefeitura: se e quando houver novo reajuste, a cidade para outra vez.

7: a pauta permanente do Passe Livre não é o congelamento, mas a tarifa gratuita. Mayara Vivian acha que transporte é direito e que as coisas que são matéria de direito não podem conviver com o lucro e com empresas privadas. O raciocínio da geógrafa e garçonete, levado ao limite, nos conduz à socialização plena. Afinal, divertir-se e tomar umas cervejas no bar em que ela trabalha também constituem matéria de… direito. Então viva o socialismo com, eventualmente, direito à gorjeta.

8: desculpo-me, claro, por não estar freudianamente buscando o mal-estar da civilização. A minha pegada é outra: acho que a irresponsabilidade de algumas autoridades se casou com a de amplos setores da imprensa, que resolveram confundir a reivindicação de privilégios — como o de impor ao outro a sua vontade — com direitos.

9: estamos diante de um caso típico em que à celebração na praça da “vitória” corresponde uma regressão de caráter institucional. Revogar um reajuste de 20 centavos na tarifa de ônibus à custa do corte de milhões em investimentos é o triunfo da irracionalidade, da estupidez, da voz literalmente rouca e surda da minoria que estava nas ruas. Rouca de tanto gritar. Surda porque não sabe ouvir.

Só pra encerrar
Alguns bananas estão enviando agressões pra cá em meio a coisas omo: “Aí, você perdeu!” Eu??? Nadica de nada! Gastarei menos com vale-transporte. Não dá, é verdade, para comprar um maço de Hollywood, o único mato que queimo, comprado na padaria. E não, não me orgulho disso. É só um dos meus defeitos.

Agora vamos começar a campanha pela revogação da Copa do Mundo no Brasil, certo? Depois, vamos propor o assalto ao céu, utilizando como instrumento as barricadas do desejo.

Por Reinaldo Azevedo

 

O primeiro golpe, por enquanto, é nos investimentos

Suspenso o reajuste dos transportes públicos em São Paulo e no Rio, vamos pensar algumas consequências:

1: as prefeituras de todo o país que têm sistema municipal de transportes estão com um problema gigantesco. Tenham ou não condições, serão pressionadas a baixar as tarifas;

2: o governador Geraldo Alckmin está com um novo problema nas mãos. Começará a pressão para que o estado arque com o custo de uma espécie de bilhete único de toda a região metropolitana de São Paulo, que inclui 39 municípios;

3: aí chegará a vez da região metropolitana de Campinas etc. A pressão, é evidente, vai se espalhar por todo o Brasil;

4: dinheiro não cai do céu — como faz crer o Movimento Passe Livre, para alegria e gáudio dos bebês birrentos das passeatas. Investimentos terão de ser cortados, o que é ruim para o conjunto da população;

5: o resumo da ópera é o seguinte, em números de São Paulo:
a: para 10% dos usuários que já não pagam, a medida é irrelevante;
b: para os 12% que pagam meia, idem — uma economia de mais ou menos… R$ 4,40 por mês;
c: para os 38% que têm vale-transporte, idem.
d: os 40% que pagam tarifa cheia poderão economizar menos de R$ 9. Uma lata de cerveja custa de R$ 4 a R$6.

6: Se a despesa com transportes começa a ficar insuportável para os municípios, crescerá a pressão pela redução de custo junto às concessionárias. O risco de queda de qualidade no serviço é grande.

7: transporte público se torna uma área de alto risco para o investimento privado, que tende a fugir do setor. Isso vai onerar ainda mais o Estado.

Há também consequências deletérias para o planejamento de políticas públicas. Fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

 

As tarifas e os números omitidos pela imprensa militante

Ao anunciar a redução das tarifas, o governador Geraldo Alckmin lembrou números impressionantes, ignorados solenemente pela imprensa militante ao longo dos dias:
– 10% dos usuários do sistema de transportes de São Paulo têm gratuidade total — idosos, deficientes etc.
– 12% dos usuários têm gratuidade parcial — pagam meia: estudantes e professores.
– 38% dos usuários usam vale-transporte e, pois, não pagam tarifa cheia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala um saqueador – “A Dilma foi contra a ditadura. Foi presa. Procura lá na ficha dela os roubos que ela fez. Por que a gente não pode fazer isso?”

Muito interessante uma reportagem de Artur Rodrigues no Estadão, que vem acompanhada de um vídeo. É matéria para bastante reflexão.

Manifestantes que participaram de invasão da Prefeitura na noite de terça-feira prometem mais quebra-quebra nas próximas manifestações. Um estudante de 18 anos, que estava entre os que atiravam pedras no Edifício Matarazzo, afirma que esse é o único jeito de ser ouvido. “Se não ouvir a gente, se não prestar atenção na gente, vai ter muito mais”, disse.

“A Dilma foi contra a ditadura. Foi presa. Procura lá na ficha dela os roubos que ela fez. Por que a gente não pode fazer isso?”, disse. De acordo com ele, a tarifa é apenas a “faísca” de tudo que vem acontecendo. Entre os partidários do quebra-quebra como instrumento político, há punks e pichadores, entre outros grupos. Os gritos de guerra deles são “Sem moralismo, sem moralismo” e “Se não quebrar não vai rolar”.

Um grupo maior e menos agressivo, porém, se arrisca para tentar conter a depredação. O corretor de imóveis Gustavo Klis, de 26 anos, foi agredido para impedir que a bandeira do Brasil fosse queimada, como aconteceu com as da cidade e do Estado de São Paulo. “Nós estivemos seis atos defendendo essa bandeira. É uma hipocrisia queimá-la agora”, afirma.

Vestido de Super-homem, o artista plástico William Steadille, de 18 anos, fez parte de uma corrente humana para impedir que a porta dos fundos da Prefeitura fosse arrombada com um poste. “Não é de violência que o Brasil precisa. É de voz, de um grito. Isso não é um grito, é uma lesão”, ele afirma.

Até o empresário Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, foi até o local para dar apoio ao grupo que tentava invadir o prédio do Executivo municipal. “Isso aqui é o novo povo deixando de agir como gado”, disse.

Um vendedor de churrasco não se importou com o fato de a Tropa de Choque e manifestantes estarem prestes a entrar em confronto. “Não penso nada disso. Mas já vendi vários churrascos”, disse, pouco antes de ter de se retirar devido às bombas de gás jogadas pelos policiais.

Por Reinaldo Azevedo

 

Setores da imprensa parecem tio de cuecão de fora em balada de adolescente querendo se mostrar mais prafrentex do que “os moleque”

Desculpem a demora. É que tenho de fazer algumas coisas quando é possível me mover na cidade. Ir ao médico, por exemplo. Hoje, a Mayara Vivian e seus amigos me deram autorização precária para circular. Amanhã, vão cassá-la de novo… Vamos lá.

“Você foi à manifestação? Mande sua foto para nós!”
“Você foi à manifestação? Mande o seu vídeo para nós!”
“Você foi à manifestação? Mande o seu relato para nós!”

A imprensa brasileira, boa parte dela, parece, assim, um tio com mais de 50 que chegasse a uma balada de adolescente com o elástico da cueca de fora, fundilhos no joelho, gritando, desengonçado: “Vâmu aí, molecada, vâmu dançá!”.

A imprensa brasileira, boa parte dela, quer competir com as redes sociais, tenta fagocitá-las,  como fazem as amebas para se alimentar. Quando se abrem ao envio de fotos, de vídeos, de relatos, estão:

a) estimulando a participação nos protestos, o que corresponde a assumir um lado. Perde, assim, a isenção. No caso da radiodifusão, que é uma concessão pública, o caso é ainda mais grave do que o da imprensa escrita. Passa a ser algo mais do que uma simples questão ética.

b) abrir mão da edição, que é uma espécie de segunda instância ao menos do jornalismo; um tempo e um espaço para alguma reflexão.

c) no jornalismo, imagens — vídeos, fotos — não são metonímias, mas metáforas. Uma imprensa que toma a parte pelo todo distorce a realidade, mente, falsifica. É o tio de 51 — a minha idade — fazendo de conta que tem 15. A metáfora é outra coisa: uma imagem sintetiza o conjunto, carrega as propriedades do todo. Isso que escrevo tem a ver com a teoria do conhecimento. Os comandantes de redação que lideram essa patuscada deveriam se envergonhar do seu papel ridículo.

d) Viva a Internet, viva o Twitter, viva o Facebook!!! Mas redes sociais não são imprensa. A sua força está na instantaneidade. A da imprensa tem de estar ancorada em alguma reflexão ao menos, ainda que transmitindo fatos em tempo real.

e) Quando uma foto é metonímia, o flagrante vira um discurso sobre o todo. Um policial batendo num manifestante se torna necessariamente um julgamento da realidade. A depender dos grupos organizados na rede — e eles existem — mais influentes, a mentira vira verdade, e a verdade, mentira. Saqueadores e depredadores podem ser tomados como heróis.

f) Vejam o caso do suposto pacifismo dos manifestantes em São Paulo ou no Rio. Alguns cartazes com frases de efeito — “País mudo não muda” — se transformam no retrato do que são os protestos. Em São Paulo, por exemplo, isso é uma mentira escandalosa. Os “moderados”, exaltados pelo cretinismo politicamente correto, são aqueles que impedem a população de ir e vir. “Ah, mas a maioria está apoiando…” Ainda que fosse verdade, a minoria continua reivindicando o seu direito constitucional de ir e vir, santo Deus!

g) Imagine, leitor, qual seria a reação do seu filho se o visse chegar com o cuecão de fora na balada. Sabem como é… A gente já tem alguma barriguinha. O elástico da peça íntima exposta à avaliação pública tenderia a dobrar, pressionado por aquela massa indesejável, por mais discreta que seja, acumulada na cintura, que nos obriga, se não a ter juízo, a ter ao menos senso de ridículo… Não por acaso, embora alguns veículos de comunicação sejam hoje inteiramente servis aos protestos — até com a ambição de liderá-los —, são não apenas hostilizados nas ruas como nas próprias redes sociais. Por mais que o Jornal A se tenha transformado em porta-voz da “causa”, é acusado de reacionário. Por mais que a emissora B mobilize a tropa de choque do despensamento universitário para “refletir”, é acusada de manipulação. Resultado: os repórteres têm de se esconder para não apanhar. 

h) “Ah, mas algo de diferente deve estar acontecendo na sociedade brasileira.” Algo de diferente acontece nas sociedades o tempo inteiro. Sempre depende de quem se apropria da narrativa e por quê. Os petistas estão com um problema? Estão, sim! ISSO NÃO QUER DIZER QUE OS NÃO PETISTAS ESTEJAM COM A SOLUÇÃO. Sim, ainda escreverei bastante a respeito.

i) Torço para que o tiozinho recobre a razão, ajuste a calça na cintura e se lembre, afinal, que tem 51 anos, não 15.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ameaças

Passei a receber uma porção de ameaças. Como noto que estamos a lidar com gente que é capaz de linchar policiais, é o caso de levá-las a sério. Como jornalistas estão tendo de se esconder nas manifestações, como se fossem criminosos, é o caso de não duvidar. Estou reunindo todas as mensagens, com os devidos IPs — e há  registro preciso da hora —, para fazer o normal nesses casos: encaminhar à Polícia.

É a “nova democracia” saudada por alguns cretinos. Embora essa gente conte com o apoio quase unânime da imprensa, não podem conviver com duas ou três vozes críticas. Basta-lhes ouvir uma opinião negativa para recorram a ameaças, ao baixo calão.

Enviarei a quem de direito posts de alguns blogs e sites que estimulam a fúria da súcia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Posso entender que me hostilizem. Mas por que cercaram Caco Barcellos ou incendiaram carro da Record?

Posso compreender perfeitamente por que um manifestante carrega uma foto minha me mandando calar a boca. Sou quem sou. Penso o que penso. Mas qual a razão da selvageria contra Caco Barcellos, por exemplo, que comanda o programa “Profissão Repórter”, da TV Globo, a exemplo do que aconteceu na manifestação de segunda, em São Paulo? Vejam este vídeo. Volto em seguida.

Voltei
É claro que é um absurdo!
É claro que é um despropósito!
É claro que se trata de uma manifestação fascistoide.

“Se nem a Globo nem ele falaram nada, quem é você pra falar?” Não estou falando em defesa da emissora, que certamente a dispensaria. Tampouco de Barcellos, que pode se defender sozinho. Estou falando em defesa da liberdade de expressão — e isso também me diz respeito.

Ainda que Barcellos pensasse o que eu penso — e acredito que, em quase tudo, as diferenças não poderiam ser maiores —, os manifestantes não tinham e não têm o direito de fazer o que fizeram.

“Ah, é só um pequeno grupo… Também houve gente que apoiou.” Não muda nada! O fato é que a hostilidade à imprensa é uma das marcas dessas manifestações. “Sinal de que o jornalismo está com problemas…” Não. Sinal de que há um clima de intolerância nas ruas, isto sim, muito próprio de um movimento que dá ao poder público uma de duas alternativas: ceder ou ceder.

Eu sempre me preocupo quando esses brucutus não conseguem saber nem mesmo quem são seus aliados objetivos. Nesta terça, um carro-gerador da TV Record foi incendiado. Rejeitam a imprensa ou qualquer coisa que lembre isso por princípio. Sabem por quê? Porque isso já representa alguma forma de mediação, um dos pilares da democracia. E, por óbvio, embora falem em seu nome, eles a odeiam.

Por Reinaldo Azevedo

 

Banco depredado e três lojas saqueadas. “É uma minoria”, gritam os bonzinhos…

Nesta madrugada ou amanhã, vamos ver, escreverei sobre esse negócio, repetido à náusea, de que a maioria dos manifestantes é pacífica e só uma minoria é que é composta de pessoas violentas e depredadores. Com isso se pretende dizer que essa minoria não representa, então, aquela maioria. Tenho algumas perguntinhas a fazer. Fica pra depois.

Pois bem: assim como, consta, uma minoria tentou invadir ontem o Palácio dos Bandeirantes e, nesta terça, a sede da Prefeitura, também uma minoria partiu para o tudo ou nada no Centro de São Paulo: um agência do Banco Itaú foi depredada, e unidades das Lojas Marisa, Lojas Americanas e Cacau Show foram saqueadas. Sete pessoas acusadas de vandalismo foram presas.

Bem, como a minha memória é dessas coisas que me perseguem, encerro o post um das frases que compõem o besteirol do Movimento Passe Livre. Vale para que pensemos o ataque ao Palácio dos Bandeirantes, o ataque à Prefeitura e as depredações. O que disse mesmo o pensador Matheus Preis? Lembrei:

“Quando não há repressão, a gente consegue fazer um ato muito mais organizado, sem violência”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma tenta se descolar dos protestos... Mais um pouco, ela também grita: “Por que o governo não faz alguma coisa?”

Leiam o que vai na VEJA.com. É claro que ainda voltarei ao assunto.

Um dia depois do protesto que levou milhares de brasileiros às ruas, a presidente Dilma Rousseff adotou um tom ufanista e tentou se descolar das manifestações desta segunda-feira como se o seu governo não fosse responsável por boa parte do cardápio de reivindicações — como melhorias nas áreas de saúde, educação, transportes e o fim da corrupção na gestão pública.

“O Brasil hoje acordou mais forte. A grandeza das manifestações de ontem comprovam [sic] a energia da nossa democracia, a força da voz das ruas e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos, o neto, o pais, o avô juntos com a bandeira do Brasil cantando o hino nacional, dizendo com orgulho ‘eu sou brasileiro’ e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles”, disse a presidente, após anunciar o envio de projetos de lei ao Congresso sobre o novo marco regulatório da mineração. A presidente aproveitou um cartaz dos protestos — “Desculpe o transtorno; estamos mudando o país” — para fazer um autoelogio “Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pelas mudanças, está empenhado com a transformação social, a começar pela elevação de 40 milhões de pessoas à classe média, com o fim da miséria, o meu governo quer ampliar o acesso à educação e à saúde, compreende que as exigências da população mudam”.

Nas últimas semanas, auxiliares que articulam a campanha à reeleição de Dilma, comandados pelo marqueteiro João Santana, começaram a traçar uma estratégia para tentar reverter a onda negativa que ronda o governo e já afeta os índices de popularidade da presidente. Agora, a preocupação é que as manifestações pelo país não piorem o cenário. No início da tarde desta terça, Dilma embarcou para uma reunião — não prevista em sua agenda — com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo.

Diante de problemas na economia e turbulências na sua base política, Dilma tem intensificado o anúncio de medidas de apelo popular, passou a viajar mais pelo país, aumentou sua exposição nas cadeias de rádio e TV e passou a discursar mais vezes, e por mais tempo, em eventos da Presidência, o que garante exposição no noticiário.

Vandalismo
A presidente também criticou episódios de vandalismo e depredações que marcaram algumas passeatas pelo país nas últimas semanas nesta segunda, especialmente no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e Belo Horizonte. “Sabemos, governo e sociedade, que toda violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência. Não podemos aceitar jamais conviver com ela. Isso, no entanto, não ofusca o espírito pacífico das pessoas que ontem foram às ruas democraticamente pedir pelos seus direitos”, disse.

Dilma afirmou ainda que “essas vozes das ruas precisam ser ouvidas” porque são apartidárias: “Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas” e ultrapassam os “mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia”. E acrescentou: “Todos nós estamos diante de novos desafios. Quem foi ontem às ruas quer mais. As vozes das ruas querem mais. Mais cidadania, mais saúde, mais educação, mais transporte, mais oportunidades”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Será que significa alguma coisa? Significa

Apesar da cobertura deslumbrada, cheia de adjetivos e pontos de exclamação, com perorações sobre as virtudes da participação e coisa e tal, repórteres das TVs têm de revestir os logotipos de suas respectivas emissoras com espuma preta. Ou, então, são obrigados a gravar suas reportagens com celular. Assim, não são identificados por aqueles democratas que estão tomando as ruas, impedindo o povo de ir e vir. Será que significa alguma coisa?

Significa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Na esteira dos protestos, governantes reduzem passagens em capitais

Por Felipe Bächtold e Wilhan Santin, na Folha.

Após a onda de protestos pelo país que atingiu ao menos 12 capitais na segunda-feira (17) e pode continuar ao longo da semana, foram anunciadas reduções de tarifas do transporte coletivo em quatro capitais nesta terça-feira. Em Cuiabá, Recife e João Pessoa, a redução se baseou em medida do governo datada de 1º de junho, quando as alíquotas do PIS/Pasep e Cofins para o setor de transportes foram zeradas. O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), anunciou ontem (17) a redução da tarifa, que passa de R$ 2,95 para R$ 2,85 a partir de quarta-feira. Há um protesto programado para este dia na cidade. Em Porto Alegre, na manhã seguinte a um violento protesto, o prefeito José Fortunati (PDT) disse que vai agir para reduzir a tarifa do transporte público local em R$ 0,05.

Segundo Fortunati, o município irá isentar o serviço de transporte de ônibus do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), o que provocaria uma diminuição do valor dos bilhetes para R$ 2,80. Com a isenção do imposto, o município deixará de arrecadar R$ 15 milhões anuais. Fortunati não fixou uma data para a mudança, mas disse que ela ocorrerá assim que a Justiça revir uma decisão provisória que impede alterações no valor da passagem. Ele disse também que a tarifa pode cair para R$ 2,75 se houver uma redução do ICMS sobre o óleo diesel usado por empresas de transporte coletivo e se for aplicada a redução do PIS/Cofins às passagens.

Recife
No Recife e região metropolitana o anúncio, feito pelo governador Eduardo Campos (PSB), ocorreu dois dias antes dos protestos na cidade, programados para quinta-feira (20), quando passarão a vigorar os novos valores. A redução será de R$ 0,10 nas passagens, que variam de R$ 1,50 a R$ 3,45 dependendo do trajeto. Em entrevista, Campos negou que a medida tenha a intenção de acalmar os ânimos às vésperas do protesto. A redução dos valores será possível graças à aplicação da isenção do PIS/Cofins nas tarifas. O governador não explicou o motivo de não ter feito a redução anteriormente.

João Pessoa
O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), anunciou que, a partir de 1º de julho, o valor da tarifa na cidade cairá de R$ 2,30 para R$ 2,20 com o repasse da isenção do PIS/Cofins para a tarifa. Ele disse que vinha estudando a medida desde 1º de junho, quando o governo federal adotou a isenção. Na capital da Paraíba os protestos também estão agendados para quinta-feira (20).

Pelo país
Em outras cidades do país, a redução da tarifa ocorreu há alguns dias. Na região metropolitana de Goiânia, no dia 13 a tarifa caiu de R$ 3 para R$ 2,70, valor que vigorava antes do reajuste, em maio. O juiz Fernando de Mello Xavier, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, considerou o aumento abusivo porque não foram repassadas aos usuários do serviço público a isenção do PIS/Cofins.

No Paraná, houve redução de R$ 0,10 no domingo (16) na rede não integrada de transporte, que engloba 18 municípios da região metropolitana de Curitiba e é gerenciada pelo governo estadual. Os valores vão de R$ 2,40 a R$ 3,90, dependendo da linha. Em Vitória, a redução ocorreu no dia 8 também devido à isenção dos tributos federais. O valor caiu cinco centavos, passando a R$ 2,40. Em Manaus, a tarifa foi reduzida no dia 10, de R$ 3 para R$ 2,90.

Por Reinaldo Azevedo

 

Haddad, pressionado por manifestantes que cercam a Prefeitura, dá piscadelas para a redução da tarifa. E eu lhes proponho uma pergunta fundamental

O Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criou um tal “Conselho da Cidade”. Os seus conselheiros se aliaram ao Movimento Passe Livre e também querem que o prefeito revogue o aumento das passagens. Ele se reuniu nesta terça com representantes dos que se auto-outorgaram a condição de representantes do povo, e esses Marats da catraca lhe disseram que não há negociação possível. Repetiram o mantra: ou a Prefeitura faz o que eles querem, ou São Paulo continua parada. E ponto final. Como lembra a professora Janaína Paschoal (ver artigo abaixo), essa geração de bravos só sabe ouvir “sim”. O prefeito piscou. No seu estilo cute-cute, firme, mas sem perder jamais a ternura, pediu socorro: “Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], eu vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade”.

Não entendi nada. Não sei quem são “as pessoas” às quais o prefeito se “subordina”. Aqui e ali, já se ouve um clichê tipicamente petista, ao qual o partido sempre apela: demonizar a dona Zelite — no caso, as pessoas que têm carro. Jilmar Tatto, secretário dos Transportes, diz que eles têm de subsidiar o transporte de quem não tem. O próprio prefeito fala que é preciso pensar com ousadia e lembra que sobretaxar automóveis — não fica claro de que imposto está falando — “dialoga com a questão ambiental”.

Um de seus conselheiros sugeriu aumento do IPTU. Uma outra esquisita propôs que se use o dinheiro das balas de borracha e do gás lacrimogêneo. Bem, meus caros, esse é o conselho que ele criou e os conselheiros que ele escolheu. Pessoas nessa função ajudam o governante a tomar decisões, certo?

Haddad, no entanto, tem um problema, e ele sabe disso. O Movimento Passe Livre, que caiu nas graças da imprensa e é aplaudido por tomar as ruas das cidades desde que não bata em ninguém nem quebre nada (o direito de ir e vir foi revogado), não pedem a simples suspensão do aumento. Para começo de conversa, os pensadores não querem mais aumento, nem agora nem nunca mais. É só a primeira fase da reivindicação. O objetivo é outro: zerar a tarifa; transporte gratuito para todos. Seria uma experiência inédita no mundo numa grande cidade. Se a gente tem jabuticaba e pororoca, por que não transporte gratuito?

Haddad não sabe o que fazer, mas está em busca de fontes de financiamento. Jogando combustível nas fogueiras que o Passe Livre faz por aí, lembrou que, em alguns países — quais? — os empresários (???) respondem por 30% do custo do transporte; no Brasil, por apenas 10%. Não ficou claro do que falava, mas sempre parece ser uma boa ideia sugerir que empresários paguem mais por qualquer coisa, pouco importando que racionalidade econômica isso tenha. Sempre que empresas pagam mais por qualquer coisa, os preços das mercadorias que produzem ou dos serviços que oferecem viram a natural fonte de arrecadação do desembolso extra.

É evidente que essas hesitações e conversas frouxas alimentam o movimento. É inegável que a irracionalidade venceu o bom senso nessa questão. Torço, e vocês não sabem quanto!, para estar errado, mas, infelizmente, acho que não estou, não! O Movimento Passe Livre — e o que quer que ele represente — já venceu. Fica, assim, consagrado o “direito” de ir às ruas, de parar as cidades, de exigir do Poder Público isso e aquilo sem qualquer espaço para a negociação. A troca é esta: a Prefeitura revoga o aumento, e a gente respeita a Constituição. Então tá.

Neste momento, manifestantes que se concentravam na Praça da Sé se dirigem para a Prefeitura. Haddad se elegeu com o apoio do Movimento Passe Livre. Ouço daqui o buzinaço. A se dar crédito a setores da imprensa, no entanto, também esses que buzinam apoiam a reivindicação e os métodos de seus promotores. Certo!

Tolice influente
Uma das tolices influentes que tomaram conta da imprensa é a tese de que se trata de um movimento espontâneo, sem comando, sem líderes, expressão do que seria a verdadeira democracia. Pra começo de conversa, fosse assim, poderíamos estar falando de qualquer coisa — até de volta ao estado da natureza — menos de democracia, que não existe sem a ideia da representação.

Não me encanta nem me seduz o fato de que partidos de extrema esquerda estejam sendo hostilizados. E daí? Nem tudo o que não é PSTU, PCO ou PSOL é bom ou desejável. De resto, há uma rejeição mais geral a partidos, a qualquer um; a instituições, a qualquer uma; às leis, a qualquer uma.

Aquele ninhal de “intelectuais” que dá plantão na GloboNews acha isso uma coisa realmente encantadora, nova, progressista, virtuosa… Deixo aqui para vocês uma reflexão — e voltarei ao tema na madrugada: numa sociedade em que os canais de interlocução não sejam mais, então, os partidos, as instituições e os Poderes Constituídos e em que tudo passa a ser permitido — desde que seja sem violência, claro! —, quem governa?

Os que se encantam com esse tipo de coisa, vendo nisso uma sociedade mais democrática, mais livre e mais igualitária ou não aprenderam nada com a história ou, tendo aprendido, defendem um regime de governo que não é a democracia.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2013 às 18:55

Neste momento, fachada da Prefeitura de São Paulo é atacada por vândalos

Já escrevo a respeito, dando especial destaque ao que acabam de dizer dois “inteliquituais” da GloboNews. Juro que nunca vi ou ouvi algo parecido.

Outra repórter da emissora, que está em São Gonçalo, está desconsolada. Também por lá há confrontos. Ela está triste: “A manifestação estava tão bonita…”.

O Brasil acabou?

Sei lá. 

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2013 às 19:33

Novo Jornalismo – Vândalos tentam invadir a Prefeitura de SP, agridem guardas, depredam fachada do prédio, e âncora da GloboNews e seus dois convidados culpam o prefeito: quem mandou não reduzir a tarifa?

Não pensei que viveria o bastante para ouvir o que ouvi há pouco na GloboNews, num programa conduzido pela jornalista Leilane Neubarth. Aconteceu exatamente como estou falando. Acredito que vocês consigam ver depois na Internet.

Os manifestantes estavam em frente ao prédio da Prefeitura. Havia algumas grades que o separavam da porta e um alinhamento de homens da Guarda Civil Metropolitana. Estavam desarmados, apenas com escudos. Leilane e dois professores — o notório Francisco Carlos Teixeira, um “progressista” que dá plantão na emissora (da Primavera Árabe a passagens de ônibus, ele fala sobre tudo), e um outro lá chamado Ismael não sei de quê… O programa era uma sucessão de adjetivos e pontos de exclamação sobre a lindeza, a justeza, a beleza (e quantas rimas em besteza vocês quiserem fazer) da manifestação. Quanta democracia! Que legal! É a cidadania! É o povo!

De repente, uns delinquentes começaram a avançar sobre os homens da Guarda Civil. Tentavam invadir o prédio da Prefeitura. Alguns objetos começaram a ser jogados. Os guardas usaram spray de pimenta. Inútil. Pelo visto, há gente ali acostumada com coisa, digamos, mais forte. Inútil. Foram pra cima. Os guardas tiveram de se refugiar dentro do prédio. Imediatamente os vândalos começaram a atacar a fachada com pedras, paus, vidros foram quebrados, chute nas portas.

E aí se deu o inacreditável, o espantoso, o inédito, o sensacional, o fora de série.

Leilane foi a primeira a provocar: “Se o prefeito já tivesse revogado o aumento, isso não teria acontecido…”. O tom era meio indignado. Os outros dois concordaram imediatamente: “É, não teria acontecido! Não teria acontecido!”.

Então ficamos assim: vândalos tentam invadir a Prefeitura, agridem guardas municipais — CERTAMENTE MAIS POBRES DO QUE ELES —, mas, segundo a âncora da GloboNews e os “intelequituais”, a culpa é do prefeito: afinal, quem mandou não ceder?

Democracia agora é isso: ou cede ou apanha; ou cede ou a gente invade; ou cede ou você será culpado pelo mal que possa lhe acontecer. A GloboNews acaba de incorporar a lógica dos sequestradores — sejam sequestradores da ordem ou de pessoas.

Confronto
Neste momento, um grupo de manifestantes tenta conter os mais exaltados, mas está difícil. Há gente tentando escalar o prédio da Prefeitura, entrar pelas portas laterais. A imprensa exigiu o fim da tropa de choque. Levou! Exigiu o fim das balas de borracha. Levou. É contra a atuação da Polícia Militar porque repressão é coisa feia. Levou também. Os próprios jornalistas da Globo têm de esconder o logotipo dos microfones — alguns fazem filme com celular. Mas tudo bem! No ovo, o voo do novo. No povo, o ovo do novo. No novo, o ovo do povo…

Os petistas enfrentam o espírito da massa — não é isso — que foi despertado na eleição de Haddad. Como é mesmo? “Existe amor em São Paulo.” Certo! Ocorre que, sem ordem, o ódio ganha espaço.

Ah, sim: antes da trinca da GloboNews absolver vândalos e culpar o prefeito pela invasão, o tal Ismael fez um repto contra o ajuste fiscal. Por quê? Não sei. A GloboNews deve saber.

Agora, um tal Fernando Abrúcio prega em meio à selvageria: é hora de dar uma resposta concreta. Segundo ele, essa resposta consiste em reduzir imediatamente a tarifa e dar respostas à mobilidade urbana. Certo! Ou não existe intelectual que acha isso ruim, ou a GloboNews não ouve gente desse tipo.

Nota: São Paulo tem 11,5 milhões de habitantes. O protesto de hoje reúne 10 mil. Muitos dos miseráveis que se opõem aos 20 centavos filmam os acontecimentos com os seus celulares de última geração. Faz sentido? Segundo os “inteliquituais”, faz, sim, em nome de um substantivo abstrato no qual cabe qualquer coisa: “mobilidade”.

Viva a pancadaria!

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2013 às 19:51

Sérgio Cabraaal, cadê você? Entro nos sites e ligo a TV só pra te ver… E um vídeo estarrecedor

O espetáculo de selvageria, ontem, no Rio, é das coisas mais impressionantes, acho, que aconteceram no Brasil. Não me lembro de ter visto coisa parecida nem em tempos de guerra nem em tempo de paz.

O governo do Rio certamente dimensionou mal — e toda a imprensa — a magnitude do protesto. Houve uma falha evidente na organização de segurança. No pé deste post, vai um vídeo assustador.

Muito bem!

Sérgio Cabral, governador do Rio, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

José Mariano Beltrame, secretário da Segurança Pública, disse que não comentaria o episódio. Que os jornalistas fossem procurar o comando da PM.

O comandante da PM, coitado!, deu uma coletiva hoje. Falou como se fosse o secretário de Segurança Pública ou o governador do estado.

Cabral é Cabral. É quem é. Um político que só aparece quando há aplauso. E, convenham, a imprensa do Rio só o procura quando é para aplaudi-lo. Mas e Beltrame, a coqueluche da imprensa e dos intelectuais do Rio, de São Paulo e de qualquer lugar? Hoje, deve ser a reputação mais superfaturada do Brasil.

Seu nome é cotado para vice na chapa de Pezão, que deve concorrer ao governo pelo PMDB. E já houve um movimento para indicá-lo para ao Prêmio Nobel da Paz. Ele só não mostra a cara quando seus subordinados são linchados.

Segue o vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2013 

às 20:12

Os democratas da imprensa deslumbrada acabam de incendiar um veículo-gerador de TV Record

Os fascistas que estão em frente à Prefeitura de São Paulo tentaram virar um veículo-gerador de TV. Não conseguiram. Quando a TV cortou a imagem, haviam colocado fogo na cabine.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fogo destrói carro da TV Record; “âncora” de programa, que se faz porta-voz dos baderneiros, passa a chamar incendiários de bandidos. Mas continua a perguntar: “O que você quer? Hospital ou Copa do Mundo?” Nota: Record não tem direito de transmissão de evento

Os fascistas que estão em frente à Prefeitura de São Paulo primeiro tentaram virar um veículo-gerador de TV Record. Não conseguiram. Então decidiram botar fogo no carro, que foi consumido pelas chamas.

Imediatamente, sintonizei a emissora para ver o que dizia o tal Marcelo Rezende, que se refere às manifestações como “a nossa voz” e aos manifestantes como “nós”. Pelo visto, ele ainda não sabia do episódio. E continuava, com aquele seu jeito muito próprio, a devolver ao meio ambiente tudo o que tinha no estômago: “Aí eu pergunto pra você: o que é melhor pra nós, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, ou um hospital? Você que é pai, que tem filho, quer um hospital ou a Copa? Olhem aí, nós estamos na rua…”.

E seguia a expelir coisas ainda mais abjetas quando deve ter sido avisado do incêndio. Aí passou a lamentar a ação de criminosos, lembrando que que a turma do Movimento Passe Livre já tinha procurado a sua equipe para agradecer o apoio.

Há uma degeneração generalizada de padrão — do jornalismo ou do subjornalismo, já, por si, degenerado.

Na GloboNews, a absolvição do vandalismo e a responsabilização da vítima (ver post). Na Record, a mistura de negócios — afinal, a emissora não é detentora dos direitos de transmissão da Copa das Confederações e da Copa do Mundo — com a causa dos supostos “oprimidos”. O lixo moral vai se acumulando.

Ocorre que os fascistoides que estão soltos — e nem eles sabem que são fascistoides — não têm tempo nem espaço para certas sutilezas.

É imprensa? Eles não gostam. Jornalistas da Globo, apesar de toda simpatia pelo movimento, têm de trabalhar com os microfones cobertos — ou sem o logo. Alguns se disfarçam de manifestantes e têm de filmar tudo pelo celular.

Mas repetem o mantra: a manifestação é pacífica!

Por Reinaldo Azevedo

 

18/06/2013 às 21:12

Manifestante carrega a minha foto: “Cala a boca, Reinaldo Azevedo!”. Não calo!

Num dos protestos, um rapaz carregava um cartaz que trazia uma fotinho deste escriba com uma recomendação: “Cala a boca, Reinaldo Azevedo”. Quando eu tiver a imagem, divulgo. Duas coisas, não necessariamente nesta ordem:
1) não dou a mínima;
2) não calo.

Enquanto o Brasil for uma democracia — vale dizer: enquanto o Movimento Passe Livre, que não negocia, mas impõe, não estiver no formalmente no poder —, não calo, mas falo.

Qual é o problema dessa gente? Não basta ter o apoio da esmagadora maioria da imprensa? Não bastam os ais e uis de alegria e satisfação, a celebrar a suposta vocação democrática de quem sai por aí, cassando o direito de ir e vir?

Ora, reconheçam ao menos o meu direito de, no jornalismo ao menos, integrar a minoria.

Não calo, falo! De resto, quanto mais se tenta criar um clima de unanimidade em favor daqueles que saem por aí estuprando a Constituição, mais me assanha a sede de exercitar o Artigo V da Constituição e dizer “não!”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Blog bate recorde de visitas e recebe elogios e insultos às pencas. Por quê? Porque não reconheço o caráter democrático ou liberalizante de boa parte dos protestos. Ou: De volta ao petismo primitivo

Este blog bateu ontem o recorde de visitas num único dia: 267.439. Obrigado aos que amam e aos que odeiam. Aos mansos de espírito e até aos furiosos, que contribuem para que me mantenha no que acredito ser o caminho reto. Escrevi e li muita coisa nesta segunda. Elogios, sim, aos montes. Insultos também, às pencas. Procurei um bom lead para começar este post, algo que fosse, a um só tempo, uma síntese intelectual deste dia, mas também afetiva — já que, notei pela cobertura das TVs, a onda agora é ser emocional, confessional, lançar sensações no ar, ainda que desconectadas de um pensamento — e tive de apelar a quem fez uma síntese com a qual eu não poderia competir. Como não vejo salvação fora da razão (esse cara — católico! — sou eu) e repudio a ditadura das sensações, esse texto tem só um lead possível:

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
(…)
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
(…)
tu serás um homem, ó meu filho!

Voltei
É trecho do poema “Se” (If), do poeta britânico Rudyard Kipling (1865-1936), na tradução de Guilherme de Almeida. O bom poeta e tradutor José Paulo Paes (1926-1998) fez uma paródia injusta, mas inteligente e engraçada, do texto, em “Kipling revisitado”:

Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Se etc
Serás um teorema,
meu filho!

Não pretendo ser um teorema ou transformar em teoremas a realidade política e social, especialmente porque o presente tem sempre variáveis que desconhecemos, mas é preciso que a gente consiga distinguir o inédito do novo — ou, como se diz muito hoje em dia, do “histórico”. Recebi, sim, com tal volume de leitores, muitos elogios, mas também não faltaram os insultos os mais pesados. E vinham de todos os lados: dos petistas porque evidenciei aqui que tentavam transformar um protesto que os tinha também como alvos em uma manifestação contra Geraldo Alckmin — como se não houvesse pessoas nas ruas em 11 outros estados. A grande manifestação, diga-se, aconteceu mesmo no Rio. Levei pauladas dos que estão à esquerda do PT porque apontei a reivindicação doidivanas, irresponsável, da “tarifa livre”. E tomei pancada de antipetistas porque eu não estaria percebendo que o que vai nas ruas é, afinal, uma manifestação de cidadania, que contesta o petismo, o governo Dilma, sei lá o quê. Não contava, obviamente, com o endosso de petistas e forças que estão à sua esquerda. E, como deixei claro aqui nesta segunda e nos dias anteriores, não acho que as manifestações afrontem a metafísica petista-esquerdista. Ao contrário até: eu as considero, em muitos aspectos, derivações teratológicas desse mesmo espírito. AINDA QUE SE DEVA FRISAR QUE HÁ NAS RUAS PROTESTOS DISTINTOS, QUE SE COMBINARAM.

Uma contradita que não se resume à violência
A minha contradita em relação ao que está em curso, especialmente em São Paulo e Rio, não se resume à violência — embora ela seja grave, sim, e exija uma resposta do estado democrático e de direito. Lamento! Ainda que os 65 mil de São Paulo e os 100 mil do Rio estivessem se manifestando contra Dilma Rousseff — que faz um governo que considero sofrível; ainda que milhares de pessoas Brasil afora estivessem se manifestando contra o PT, cujas escolhas políticas, em regra, abomino; ainda que os protestos nas 12 capitais estivessem a pedir cadeia para os mensaleiros e estivesse a esconjurar a corrupção generalizada; ainda que os manifestantes estivessem justamente indignados com os gastos públicos — e muito pouco transparentes — da Copa do Mundo, eu me obrigaria a vir a público para declarar: EU NÃO RECONHEÇO A NINGUÉM, MENOS AINDA ÀQUELES QUE SERIAM, ENTÃO, MEUS ALIADOS, O DIREITO DE PARALISAR AS CIDADES, VIOLAR A CONSTITUIÇÃO E CERCEAR O DIREITO DE IR E VIR DE MILHÕES DE PESSOAS. A minha esperança não me permite violar a minha consciência; os meus anseios não convivem com a agressão ao estado democrático e de direito; as minhas utopias não combinam com a imposição e com o desrespeito a leis democraticamente estabelecidas. E não! Não vou arredar pé desse ponto.

Então é bom e útil que fique muito claro: eu não tenho severas e graves restrições ao que está em curso apenas porque deploro os atos de selvageria que vi no Rio, em Brasília ou em São Paulo. Falarei um pouco a respeito. A minha restrição é anterior. Já escrevi e reitero: eu não apoio ações ou movimentos que tornam o mundo menos livre do que é, menos democrático do que é, menos pluralista do que é. E gente que ousa acreditar que pode impor a sua vontade à força porque tem a ambição de que o seu anseio traduza a vontade coletiva não é nem jamais será da minha turma, ainda que, episódica ou esporadicamente, goste ou desgoste das mesmas coisas que me agradem ou me desagradem. Não posso e não vou chamar a imposição de exercício da cidadania.

Pautas distintas
Em São Paulo e no Rio, o mote principal da manifestação foi a redução das passagens de ônibus. Em Belo Horizonte e em Brasília, falou-se mais dos gastos oficiais com a Copa do Mundo, a despeito das precariedades existentes na saúde e na educação. São pautas distintas, que acabaram se combinando no que seria um movimento nacional. Assim, uma das tarefas postas ao jornalismo é saber, com precisão, para além das perorações encantadas e encantatórias, quem quer o quê e mobiliza quem. Isso ainda não está claro.

Noto que há um esforço para tentar adivinhar as raízes do que seria uma súbita explosão de consciência. Descontentamentos há tempos represados, insatisfações há muito mitigadas teriam vindo à flor da pele, e estaríamos vivendo os nossos dias de Egito ou Turquia. Para tanto, convenham, seria necessário que se caracterizasse, então, ou a ditadura (que nos aproximaria do povo egípcio) ou o regime autoritário à moda turca, que censura a imprensa, impõe a linha justa religiosa, submete a sociedade, paulatinamente, a uma disciplina teocrática. Mas onde estão esses fatores? Na ausência deles, interroga-se se a inflação renitente, o crescimento medíocre, um Congresso que se orienta pelo troca-troca não foram abrindo rachaduras na muralha petista. O protesto contra a passagem de ônibus teria sido, então, a gota d’água que fez romper o dique.

Como já escrevi aqui, peço desculpas, então, pelo meu pessimismo, pela minha desesperança. Em São Paulo, por exemplo, o protesto é mesmo contra a elevação da passagem de ônibus de R$ 3 para R$ 3,20. Um movimento que atuava em parceria com o petismo, o Passe Livre, que tem como pauta principal a aloprada defesa da “tarifa zero”, uniu-se a militantes de extrema esquerda, e os dois grupos organizaram uma série de protestos violentos, que demandaram a, atenção!, justa e correta intervenção da Polícia Militar. Se houve excessos na quinta-feira — e bala de borracha em jornalista não é necessariamente prova disso; é preciso apurar —, que sejam punidos! Mas o fato é que a PM, em regra, combateu baderneiros, incendiários, depredadores. Se eles não representavam o movimento, que este viesse a público para repudiar o vandalismo. Não só não fizeram isso como tiveram o topete de mentir, sustentando que os arruaceiros apenas respondiam à violência policial.

Dissequei ontem aqui o, por assim dizer, pensamento de uma das líderes do Passe Livre. Ela acredita firmemente que seu movimento pode impor ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e ao governador do estado, Geraldo Alckmin, a sua vontade. Eles só serão considerados democratas se concordarem com a turma, hipótese em que os paulistanos terão a cidade de volta. Caso contrário, diz ela, “a gente vai continuar colocando as nossas forças nas ruas, ocupando ruas importantes e parando a cidade”. E ponto! Na entrevista coletiva — imaginem vocês!!! — concedida pelo grupo nesta segunda, Érica de Oliveira parecia até um pouco irritada com a tentativa da imprensa de, benignamente, em favor dos valentes, tentar ampliar a pauta. Ela deixou claro: eles querem a redução da tarifa. Sem isso, não há conversa. Em algumas capitais, essa também é uma questão de honra. Em outras, o alvo principal é a Copa do Mundo. Em Brasília, promotores conseguiram meter até a PEC 37 no cardápio.

Ainda que, no resto do Brasil, fosse verdadeira a existência de uma pauta mais, como direi? liberal-democrática, em São Paulo, ela é falsa como uma nota de R$ 3 — ou de R$ 3,20. Por aqui, a agenda inegociável é a redução da tarifa. Ou é isso ou é isso, dizem os representantes do Passe Livre, que hoje se encontram com Haddad. Ou é isso, ou eles continuarão, como dizem, a parar a cidade. Afinal, como nos explicou Mayara Vivian, outra pensadora do Passe Livre, eles acham que as empresas privadas de transporte só estão mesmo interessadas no lucro.

Outra abordagem
A minha abordagem é outra, e, à diferença de Arnaldo Jabor, que fez um mea-culpa no Jornal da Globo, não mudei de ideia. Ao contrário! Estou ainda mais convicto. Casaram-se três pragas da contemporaneidade, que resultaram nos conflitos que estamos vendo: uma é de alcance quase universal nas democracias; as outras têm uma marca muito nossa, muito própria de Banânia.

Uma das doenças das democracias é a emergência de minorais radicalizadas ou de grupos sectários que reivindicam o direito de impor à coletividade as suas vontades. Confundem a tolerância que devem ter os regimes democráticos com uma ditadura de minorias. Assim, para esses grupos, nada mais natural do que tomar de assalto as ruas ou as instituições e impor uma decisão na base do berro — e, se necessário, da violência. Desculpem-me! Eu não posso esquecer que, há coisa de dois meses, grupinhos de 20 ou 30 pessoas simplesmente impediam o funcionamento da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, com amplo apoio da imprensa — o mesmo com que contou o Movimento Passe Livre. Isso que chamo “fascismo de minoria” é chamado por aí, com impressionante desassombro, de “direito” e “liberdade de expressão”. Não é um mal exclusivo do Brasil.

Já a impunidade tem a nossa cara. Está se tornando corriqueira no país a noção de que desrespeitar a lei para fazer justiça social é mais do que um direito; seria mesmo um dever. Assim, o Movimento Passe Livre e seus companheiros de extrema esquerda só estariam querendo o bem dos paulistanos e dos brasileiros. E por que não poderiam, então, parar a cidade? Afinal, não é isso o que faz, dia sim, dia também, o MST, sem que se lhe advenha qualquer consequência? Não estão aí os índios, com o amparo de Gilberto Carvalho, a invadir terras, a incendiar propriedades, a expulsar proprietários? Outro traço que vai nos definindo como país é a noção de que o estado é o grande provedor de tudo. Logo, perguntam, por que o transporte não pode ser gratuito?

Infelizmente, não vejo em nada disso uma abordagem de resistência, que pudesse ser, de algum modo, útil à democracia, ao estado de direito e mesmo à alternância de poder. Ao contrário: vejo reproduzida em alguns desses episódios a pior mística dos primeiros tempos do petismo, e não é por acaso que a imprensa se tomou de encantos pelo Passe Livre. Eu diria até, atenção para isto!, que também os traços de classe social se repetem. A exemplo dos primeiros petistas, lá do começo dos anos 1980, também o Passe Livre tem a cara, o jeito e o pensamento da elite radicalizada, que se considera dotada de uma consciência superior, com a qual vai civilizar e libertar os oprimidos. É próprio desse estrato social, faça ou não política, tenha ou não “consciência”, achar que a lei existe apenas para os outros.

Volto a Kipling
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
(…)

Vou manter a minha calma também desta vez. Poucos de vocês imaginam como torço para estar errado — como torcia no caso da dita “Primavera Árabe” ou no do caráter autoritário do obamismo. Desta vez, gostaria imensamente de estar errado. O diabo é que acho que não estou. Vamos ver como as coisas se comportam. Se é verdade que esse é mesmo um movimento mudancista, então o Brasil caminha para uma virada importante, e Dilma poderia ir começando a fazer as malas.

Mas acho que as coisas não são bem assim. Temo que possamos estar diante de um petismo meio degenerado, que pode alimentar correntes políticas que estão à esquerda do partido. Vejo, sim, a esperança de muitos. Eles se manifestam nos comentários, convidando-me a seguir o caminho de Jabor. Não vou, não! Até ônibus foram sequestrados (ver post) nas imediações do Palácio dos Bandeirantes para que alguns manifestantes pudessem deixar claro o que pensam. Não contem comigo! Gente que derruba grades de palácio de governo num regime democrático tem é vontade de nos impor a sua ditadura. Não são e jamais serão meus aliados.

Texto publicado originalmente às 6h11

Por Reinaldo Azevedo

 

EXCLUSIVO – Relato de uma uspiana muito estranha. Ou: O “território livre” se encontra com o Construtivismo na Terra do Nunca

Janaina Conceição Paschoal é uma jovem professora de Direito Penal da USP. Além do rigor técnico, da dedicação ao direito e à academia, exibe uma outra virtude raríssima no seu meio intelectual e cada vez mais rara no Brasil: a coragem de dizer “não” quando discorda, pouca importando as vagas dominantes de opinião.

Ela escreve para o blog, com exclusividade, um artigo que lê, ou relê, o espírito do tempo. Quem são esses “jovens” que estão nas ruas e acreditam que podem impor aos outros a sua vontade, sem atentar para os limites das leis, do estado democrático de direito?

A professora chega à conclusão de que a “geração do Construtivismo” se encontrou, finalmente, com a perigosa noção do “território livre”. E então tudo passa a ser permitido. O título que vai acima é meu, pegando carona no livro de Lobão, que também ousou dizer “não”, a saber: “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.

Leiam o iluminado artigo de Janaina.
*
Desde que ingressei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1992, intriga-me ouvir que a USP e, por conseguinte, o Largo, constitui território livre. Sempre tentei compreender o que essa liberdade significaria.

Ao compor a diretoria do Centro Acadêmico “XI de Agosto”, já comecei a questionar esse tal território livre, buscando modificar o trote, muitas vezes, humilhante e até perigoso, como ocorria nas Carruagens de Fogo (“brincadeira” em que o calouro era obrigado a beber continuamente e a correr no chão molhado, ao som da música clássica de idêntico nome).

Também me voltei contra o “Pendura”. Eu, que nunca fui comunista, nem lulista nem petista, confesso, não me conformava com o fato de jovens, majoritariamente de classe média, se sentirem no direito de entrar em um restaurante e dizer ao dono, com muita naturalidade, que simplesmente não iriam pagar. E ai da autoridade que lhes dissesse o contrário! Cheguei a participar do tal “Pendura”, mas, imediatamente, senti que aquilo não era direito.

Em 1997, quando iniciei o doutoramento e comecei a auxiliar os professores na graduação, já conversava com os alunos sobre o sentido da “Peruada”. Por que, afinal, eles não podiam fazer seu Carnaval sem beber até cair? À resposta pronta de que se tratava de tradição, instintivamente, passei a responder que tradição também se modifica. Até hoje, meus alunos não acreditam que nunca participei da “Peruada” e, às vezes, me “acusam” de ser evangélica.

Já professora concursada, nas últimas aulas do curso, normalmente, dedico um tempo perguntando aos alunos o que eles querem para as suas vidas. Nessa era dos textos curtos, das mensagens cifradas, da informação fácil, é muito difícil conseguir que eles leiam um artigo de dez páginas, em português.

Há algumas semanas, quando uma de minhas turmas não leu um projeto de lei de três páginas, eu os avisei sobre o perigo de serem manipulados, pois quem não lê, quem não conhece, acredita apenas no mensageiro.

Costumo dizer aos meus alunos que o estudante que realmente crê estar em um território livre será o promotor que acredita que pode denunciar o outro por dirigir embriagado, mas ele próprio está autorizado a beber e baixar um aplicativo da internet para saber onde estão os bloqueios policiais. Esse aluno será o juiz que acredita que ganha pouco e tem direito de viajar para o Nordeste sob o patrocínio de empresas cujas causas julga, e assim por diante.

Quando alguns alunos invadiram e depredaram a Reitoria, e grande parte dos professores achou natural aquele espetáculo de liberdade de expressão, eu escrevi para a Folha de S. Paulo o texto intitulado “Quem é elitista”, apontando que esse tipo de comportamento é decorrente da certeza de que, realmente, a universidade constitui um território livre e que apenas os pobres, que precisam trabalhar e estudar à noite e que têm os seus salários descontados para pagar os estudos do pessoal da USP, podem ser abordados por estarem fumando maconha na esquina.

É interessante. Ao mesmo tempo em que os intelectuais denunciam que o Direito Penal serve apenas para punir pobre, contraditoriamente, aceitam que só pobres sejam penalizados. A lei não diz respeito a eles próprios. Coincidência ou não, os atuais protestos se iniciaram após a rejeição da denúncia referente à invasão da Reitoria da USP.

Pois bem, quando começaram as manifestações, e os discursos dos líderes surgiram, imediatamente, identifiquei o dogma do território livre.

Foram muitas as notícias de violências e abusos, e eu tive relatos de pessoas que estavam, por exemplo, no Shopping Paulista e foram surpreendidas por rapazes encapuzados, que exigiam o fechamento das lojas, sob o brado de que estavam “tocando o terror”.

Chamou minha atenção o fato de uma das pessoas que fizeram tais relatos ter dito que logo percebeu que não seriam criminosos, pois eram pessoas bem vestidas. Para alguém que estuda Direito Penal, há anos, esse tipo de frase dói, pois é a confirmação de que a sociedade não quer mesmo punir atos, mas estereótipos.

Se a garotada da periferia tivesse tomado a Paulista, ninguém acharia exagero a Polícia Militar tomar providências. Percebe-se que mesmo quem estava indignado contemporizava, pois, afinal, amanhã, pode ser seu filho. De novo, o dogma do território livre.

Na véspera do protesto em que a Polícia Militar reagiu, conversei com uma senhora, que julgo esclarecida, e fiquei surpresa com seu encantamento frente ao brilho do neto, que aderira às manifestações a fim de lutar pelos mais necessitados.

Ontem, durante uma reunião com amigos, quando todos cobravam apoio ao movimento, tomei a liberdade de dizer que não acredito ser esse o melhor caminho.

Apesar de destacar estar convencida de que houve excessos da polícia, sobretudo no caso do tiro mirado no olho da jovem jornalista, situação que caracteriza lesão corporal dolosa, de natureza grave, ponderei que devemos ser cautelosos, pois nem toda prisão foi descabida, e os manifestantes podem estar servindo de massa de manobra.

A reação dos colegas foi surpreendente. Alguns, lembrando a importância dos jovens em todas as mudanças sociais, destacando sua própria luta contra a ditadura, chegaram a se emocionar, falando de seus próprios filhos como grandes políticos, verdadeiros heróis, pessoas esclarecidas, apesar dos vinte e poucos anos.

Sendo uma criatura insuportavelmente crítica, sobretudo comigo, passei a noite pensando se não teria sido injusta com os manifestantes e insensível com os colegas. Afinal, se todos estão tocados com a beleza deste momento, parece razoável que os pais estejam orgulhosos da lucidez de suas crias.

Mas essa experiência, sofrida, de magoar os colegas, aos quais, nesta oportunidade, peço desculpas, foi muito importante para eu poder ver algo que ainda não estava claro.

As gerações passadas também tinham esse sentimento arraigado de território livre, de que a lei vale apenas para os outros e não para os iluminados da USP. No entanto, no passado, havia o contraponto de pais que impunham limites; pais que diziam mais NÃOs do que SIMs; pais que ensinavam os deveres antes de falar sobre os direitos.

O fenômeno que nos toma de assalto é preocupante. Une-se o dogma do território livre com a geração “construtivismo”.

Chegam à idade adulta os garotos que nunca ouviram um NÃO, os garotos que sempre puderam se expressar, ainda que agredindo o coleguinha, ou chutando a perna de um adulto em uma loja.

Chegam à idade adulta os garotos cujos pais vão à escola questionar por quais motivos os professores não valorizam a genialidade de seus filhos. Pais que realmente acreditam que seus filhos, aos vinte anos, são verdadeiras sumidades e têm futuro por possuírem vários seguidores no Twitter.

Nossos iluminados já avisaram que, se a tarifa de ônibus não baixar, vão continuar a parar São Paulo. Quem vai lhes dizer não? A Polícia não pode, nem quando estão queimando carros e constrangendo pessoas. Os professores, salvo raras exceções, incentivam, em um saudosismo irresponsável, para dizer o mínimo. E os pais, entorpecidos pela necessidade de constatar o sucesso da educação conferida, acham tudo muito lindo e vão às ruas acompanhar a prole, pedindo algo indefinido e impalpável.

Nestes tempos em que falar em Deus é crime, peço a Deus que eu esteja errada e que, realmente, não tenha alcance para perceber a importância e a beleza deste momento histórico.

Há duas décadas, quando o presidente do Centro Acadêmico “XI de Agosto” me destacou para falar algumas palavrar para recepcionar Lindbergh Farias, pouco antes de sairmos em passeata pela derrubada de Collor, eu peguei o microfone e disse: “Nós vamos a essa passeata porque a causa é justa, mas sua cara bonita não me engana”. Por pouco não fui destituída do cargo. Creio que meus colegas de chapa nunca me perdoaram.

Há alguns anos, durante uma cerimônia em que todos reverenciavam o então ministro da justiça, Márcio Tomaz Bastos, eu o questionei sobre a quebra do sigilo do caseiro Francenildo. Cortaram-me a palavra e, até hoje, há quem não me cumprimente direito pela absurda falta de sensibilidade e educação.

A maior parte dessas pessoas apoia e estimula os atuais protestos e propala que o Mensalão não passou de uma ficção.

Tenho enviado comentários para a Imprensa, dizendo que os grupos que estão estimulando esses jovens a irem para as ruas estão torcendo muito para aparecer um cadáver em São Paulo, pois é só disso que precisam para tentar tomar também o estado.

Eu, por amar todos os meus alunos, os que concordam e os que não concordam comigo, estou bastante preocupada com essas forças ocultas, que manipulam nossos jovens marxistas de twitter.

Quando digo isso, costumo ouvir, mais uma vez, que estou fora da realidade, que é o PT que está na berlinda. Afinal, os protestos não estão apenas em São Paulo, estão no país inteiro.

É verdade, mas tem alguém, que dialoga muito bem com as massas, que precisa de um argumento palatável para voltar em 2014. E, segundo consta, funcionários da Presidência da República, subordinados a Gilberto Carvalho, foram organizadores e fomentadores do protesto. Não é a oposição que Dilma deve temer. A oposição simplesmente não existe. Apenas as cobras que cria no próprio Palácio, ou das quais não pode se livrar, é que, no futuro próximo, têm condições de picá-la.

Algumas pessoas me perguntam como posso ser liberal em alguns aspectos e conservadora em outros. Em regra, quando recebo esse tipo de questionamento, procuro compreender o que o interlocutor entende por “conservador” e por “liberal”.

Não sei como etiquetar, mas acredito que todo educador, seja o de casa, seja o da escola, deve mostrar ao pupilo que existem direitos e existem deveres. E que ninguém pode tudo. Talvez o que esteja prejudicando o país seja justamente esse sentimento generalizado de território livre. Os manifestantes de hoje podem ser os políticos de amanhã. Se não lhes dissermos “não” agora, como impor limites no futuro?

Talvez eu seja apenas uma canceriana pouco romântica. Talvez esteja velha demais para perceber a grandeza dessa novidade que invade o país. Tomara!

Mas esses 21 de USP e quase 15 de docência me permitem afirmar que são jovens muito promissores, mas ainda são garotos de vinte anos, que não estão acostumados a ouvir um “não”.

Se não posso pedir razoabilidade aos pais e aos professores, peço, encarecidamente, à imprensa que tenha cautela ao estimulá-los, pois não temos instrumentos para fazê-los parar. Teremos que, pacientemente, aguardar que eles se cansem do que pode ser uma grande brincadeira.

Por Reinaldo Azevedo

 

No Rio, espancamento de policiais, selvageria, linchamentos, invasão e incêndio de prédio da Assembleia. A tropa de choque demorou mais de três horas para chegar. E ninguém ouviu falar nem de Sérgio Cabral nem de José Mariano Beltrame. Fosse em São Paulo…

As cenas de selvageria no Rio de Janeiro estão entre as coisas mais impressionantes que já vi no Brasil. Os policiais que guardavam o prédio da Assembleia Legislativa foram verdadeiramente linchados. Espancados, tiveram de se refugiar no prédio. E não eram poucos, não. Havia pelo menos 70 deles. Vinte ficaram feridos.

Durante três horas, a Alerj foi alvo do ataque sistemático de bandidos, de terroristas. Pichações, fogueira, coquetéis molotov e, finalmente, a invasão. Uma tragédia de grandes proporções poderia ter acontecido ali. Os policiais, afinal de contas, estavam armados. Quatro pessoas ficaram feridas com balas de verdade, que podem ter sido disparadas por policiais. O dano foi pequeno perto do perigo.

Sei que vai haver ranger de dentes, mas não posso me furtar a escrever o que me parece óbvio: a cobertura que a imprensa nacional, MUITO ESPECIALMENTE AS TVs, dispensou aos conflitos de quinta em São Paulo serviu de estímulo aos delinquentes do Rio. Afinal, anunciou-se ao país e ao mundo que os manifestantes eram verdadeiros anjos do pacifismo e que bandidos mesmo eram os policiais militares. Segundo a versão estúpida, mentirosa, tomada como sinônimo de verdade, a PM é que teria dado início ao conflito. Não! A confusão em São Paulo começou, na quinta, quando um grupo decidiu furar o bloqueio feito pela tropa de choque. Mas quem se importa com a verdade? Esses setores da imprensa a que me refiro tinham lado. Esses setores da imprensa a que me refiro fazem oposição nada velada a Geraldo Alckmin. De novo: em qualquer democracia do mundo, nos EUA ou na Suíça, furar um bloqueio policial expõe os que a tanto se arriscam à reação. Mas não houve jeito. PM e governo do estado passaram por um intenso processo de demonização.

Ora, quando a lei não vale mais e quando as forças que a encarnam são tratadas como estorvos; quando aqueles que são pagos para fazer vigorar os códigos se tornam os inimigos, então tudo é permitido. De tal sorte as atenções se concentraram em São Paulo, que a megamanifestação do Rio pegou todo mundo de surpresa — creio que também a polícia.

É evidente que o governo do Rio não pode ser responsabilizado pela violência daquela corja, mas tem, sim, de ser chamado às falas em razão do planejamento pífio. Fiz uma procura global nos sites noticiosos. Nada de Sérgio Cabral. Nada de José Mariano Beltrame. Escrevo de novo: o batalhão de choque demorou três horas para chegar à Assembleia Legislativa, onde policiais poderiam ter sido massacrados — ou, então, atirar para matar.

Mais tarde escreverei sobre esta figura patética que é José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Em entrevista concedida hoje à Folha, este senhor ataca a polícia de São Paulo e dá exemplos do que considera eficiência: “O que vi em SP, e as câmeras mostraram, é de uma evidência solar que houve abuso. Vi o que aconteceu no Distrito Federal e no Rio. Padrões de comportamento bem diferentes”.

Sem dúvida, padrões de comportamento bem diferentes. O PT não descansa enquanto a segurança pública de São Paulo não exibir os mesmos números do Rio, a começar pela taxa de homicídios: mais do que o dobro.

Se o que viu em terras fluminenses tivesse acontecido em terras paulistas, haveria gente pedindo hoje o impeachment de Geraldo Alckmin…

Por Reinaldo Azevedo

 

Em nenhuma democracia do mundo se tolera o que se viu ontem em SP, mas é o que quer a nossa imprensa. Ou: Portão arrancado, morteiros contra a PM e dois ônibus sequestrados. São as flores da “Primavera Brasileira”

O Movimento Passe Livre já está a merecer uma verdadeira antologia da estupidez. Leiam esta: “O comportamento da polícia foi muito diferente. Quando não há repressão, a gente consegue fazer um ato muito mais organizado, sem violência”. A fala é de um rapaz chamado Matheus Preis, um dos líderes da turma. Ele tem a seu favor o fato de só ter 19 anos e uma longa vida pela frente para se recuperar das besteiras que diz. Quem não tem o direito de cair na sua é a imprensa. Mas cai. E de maneira miserável. O que Matheus está dizendo é o seguinte: desde que o grupo possa fazer o que bem entender, tudo certo. Se, no entanto, encontrar alguma resistência, aí… Mas que fique claro: a culpa, segundo ele, será sempre da polícia.

A fala do rapaz não e só estúpida. É falsa também. Ontem, a Polícia Militar, como vocês viram, se limitou a acompanhar os manifestantes. Fizeram o que lhes deu na telha, andaram por onde bem entenderam, ocuparam as ruas e avenidas a seu bel-prazer. Num dado momento, a coisa começou a ficar chata para os mais exaltados. Uma parte deles teve, então, a ideia de seguir para o Palácio dos Bandeirantes. Fecharam o trânsito na rua, que dá acesso ao hospital Albert Einstein. E começaram a forçar para derrubar um dos portões, o que acabaram conseguindo. Só não invadiram a sede do governo por causa das bombas de gás lacrimogêneo.

Ao longo do dia, foram tratados pela imprensa como poetas, como legítimos promotores de uma certa “Primavera Brasileira”. Muitos desses patriotas jogavam morteiros contra os policiais, que estavam do outro lado da cerca. Atenção: parte da avenida ainda está interditada. Um grupo continua em frente ao palácio, com suas indefectíveis mochilas nas costas. Isso lhes parece pouco? É verdade! Fizeram mais. Leiam trecho de reportagem da Folha:

(…)
Ainda no início da madrugada, manifestantes dirigiram dois ônibus biarticulados e usaram os veículos para bloquear a avenida. Os dois coletivos da linha 5119 (Terminal Capelinha – Largo São Francisco) foram guiados quando não havia mais passageiros.

O motorista de um dos coletivos disse que o ônibus dele e outro da mesma empresa seguiam pela avenida Morumbi quando foram bloqueados por manifestantes. Eles aguardaram e, quando pararam de ouvir barulho de bombas, decidiram seguir caminho imaginando que a via estava liberada.

Ao se aproximar do palácio, foram cercados por manifestantes que exigiram que todos os passageiros saíssem do coletivo, inclusive cobradores e motoristas. O motorista de um dos ônibus, que preferiu não ter o nome divulgado, disse que foi agredido, teve a mão ferida por uma pancada e, após deixar o veículo, se refugiou dentro do Palácio dos Bandeirantes. Ele disse ter mostrado o crachá da empresa onde trabalha aos policiais para conseguir entrar no local.

Quando os ônibus foram esvaziados, manifestantes então assumiram a direção e subiram nas caçadas, bloqueando os dois sentidos da avenida Morumbi.”Nunca vi um aperreio que nem esse. Quando passei já estava voando pedra e bomba para tudo quanto era lado. Tinha muito passageiro, sorte que não ficou ninguém ferido”, disse Manuel Marcos, 46, motorista de ônibus há 22 anos.

Marcos disse ainda que em dias normais deixa o trabalho às 22h, “mas já são 1h20 e ainda estou aqui [na frente do palácio]. Amanhã às 13h, entro de novo”. A empresa Campo Belo, dona dos coletivos, enviou funcionários para manobrar os veículos e seguirem para o 34º DP (Vila Sônia), onde será feito um boletim de ocorrência.

Ambos os ônibus tiveram os extintores furtados e esvaziados na via. Um dos veículos ainda teve o para-brisa e retrovisor quebrados, enquanto o outro foi pichado.

Voltei
Eis aí. Essa gente era cantada ontem em prosa e verso — a depender da emissora, vômito — nas televisões. Sequestro de ônibus, morteiros contra a polícia, derrubada de um portão… Agora mesmo, sete da manhã, o “Bom Dia, São Paulo”, da Globo, leva ao ar a entrevista de um rapaz que voltava do Palácio dos Bandeirantes, rumo a uma estação do metrô. Cinicamente, ele retirou do bolso um artefato já disparado de uma bomba de efeito moral para exibir: “É, estamos voltando do palácio, onde fomos recebidos com bombas, gás… Eu até trouxe uma lembrancinha, ironicamente chamada de bomba de luz e som…”. Ou por outra: ele queria invadir o palácio e ser recebido com flores…

Em nenhum lugar do mundo
Atenção! Em nenhum lugar do mundo uma polícia permite o que permitiu ontem a de São Paulo: o virtual colapso da cidade. Se alguém souber de algum exemplo, é só me contar. Protestos existem, sim, às pencas, mas em praças e áreas restritas. As democracias não permitem que coisas como o que se viram ontem ocorram porque direitos fundamentais são agredidos.

Mas não é esse o entendimento de, como é mesmo o nome dele? Matheus Preis. Também não é isso o que pensa a imprensa brasileira. A cidade pertence a quem a toma na marra. E fim de papo! Considera-se que os manifestantes já fizeram uma grande concessão ao não partir para o quebra-quebra — ao longo das passeatas ao menos.

Até quando vai? Vamos ver. Há um novo protesto marcado para a Praça da Sé nesta terça. Mais uma vez, suponho, se uma minoria conseguir impor a sua vontade à maioria sem ser atrapalhada por ninguém, tudo sairá às mil maravilhas.

Ou é assim, ou os nossos valentes jornalistas chamam a PM, que cumpre a lei, de fascista, e os fascistas que se impõem na base da truculência de as mais vistosas flores da Primavera Brasileira. Vamos ver se Elio Gaspari dá hoje a hora exata em que um manifestante jogou o primeiro morteiro contra os policiais que guardavam o Palácio dos Bandeirantes. Não! Ninguém me peça para condescender com isso. Eu não vou! Os manifestantes têm razão num particular: não é por 20 centavos. É por direitos. Pelo estado de direito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Não, eu não me arrependo de uma vírgula. E reitero todo e cada ponto

Não, eu não me arrependo de uma vírgula do que escrevi.

Não, nem mesmo as eventuais palavras de ordem contra a sem-vergonhice brasileira fazem com que reveja minhas posições.

Não, eu não acredito que estejamos diante de um mal-estar em busca de uma interpretação.

Não, eu não acho que, com as exceções costumeiras, a imprensa esteja cumprindo a sua função.

Não, eu não acredito que estejamos diante de algo nem novo nem bom.

Na madrugada, escreverei mais detidamente sobre este nosso fim do outono da anarquia. Desculpo-me por não fazer aquele ar encantado de alguns dos meus coleguinhas: “Ai, gêêêênnnntiiii, olhem quantas pessoas de braaaancoooo, carregando a bandeira… Ai, eles só querem paaazzz… Ai, alguma coisa está acontecendo no Brasil…”.

Isso não é nem jornalismo de opinião nem jornalismo de informação. É militância política. Eu já disse que não me deixo seduzir por comportamentos que, se generalizados, tornam o mundo mais violento e menos livre, ainda que algumas das pessoas que estão sendo alvos dos protestos também não sejam do meu agrado.

Não só não me arrependo de uma vírgula como reitero todo e cada ponto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Manifestantes derrubam um portão do Palácio dos Bandeirantes; polícia repele vândalos com bombas de gás. Eles querem mortos e feridos

Às 19h17 chamei aqui a atenção para o fato de que a manifestação em São Paulo haviam se dividido. Uma parte rumava pela Faria Lima e buscava a Paulista, e outra seguia pela Marginal Pinheiros. No ponto em que estavam, havia dois destinos possíveis: o Palácio dos Bandeirantes e a sede da TV Globo em São Paulo. De novo, uma divisão: uma parte ficou lá vituperando contra a emissora, apesar da cobertura feita pela emissora ser dulcíssima com os protestos e outra seguiu mesmo para o palácio.

A turma que foi pela Marginal Pinheiros era aquela mais, digamos assim, política, com bandeiras do PSTU, do PCO e de um movimento ligado ao PSOL.

Muito bem! Até havia alguns minutos, a Polícia Militar de São Paulo não havia usado nem uma miserável bomba sequer. É verdade que os manifestantes, por seu turno, fizeram o que lhes deu na telha, ocuparam a parte as áreas da cidade que bem quiseram, ditaram, enfim, as ordens. A polícia se limitou a acompanhar.

É claro que a turma da desordem não ficou contente com isso. É uma gente que lucra com o conflito e com o confronto. Mesmo sabendo que um grupo rumava para o palácio, Alckmin ordenou que os policiais deixassem livre a frente do prédio. Muito bem, eles chegaram. Inicialmente, houve apenas protestos. Mas aí um grupo forçou e conseguiu derrubar um portão dos jardins do palácio. A invasão foi repelida com bombas de efeito moral.

Neste momento, há centenas de pessoas em frente à sede do governo, onde fazem um grande fogueira. Eis os militantes pacíficos cantados em prosa e verso por setores do jornalismo. Chamem Aiatoelio Gaspari para que diga, exatamente, a hora — com a preciso dos minutos — em que esses democratas britânicos decidiram derrubar a grade do palácio.

Os bandos ligados à extrema esquerda querem porque querem mortos e feridos. Isso justifica a sua luta. Suas ideias sempre se alimentaram do sangue dos idiotas, dos inocentes úteis e dos culpados inúteis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Apesar de cobertura favorável às manifestações, Globo vira alvo de protestos e é chamada de “fascista”

Por mais que a cobertura das TVs, especialmente da Globo, sejam simpáticas aos que protestam, não tem jeito: os manifestantes, pouco importa a pauta, não gostam da imprensa. Em São Paulo, milhares de manifestantes se dirigiram para as imediações da sede da Globo e recitaram palavras de ordem contra a emissora. Em Brasília, quando perceberam que um repórter da Globo entrava num link ao vivo, mandaram ver num refrãozinho: “Globo fascista/ falso moralista”.

E olhem, reitero, que a abordagem das TVs não poderia ser mais favorável. Os manifestantes eram tratados, assim, como uma assembleia de sábios. Mas não adianta: quando se rompem os vínculos da democracia representativa, toda representação — e, por consequência — representatividade passam a ser inúteis, encaradas como coisa de reacionários.

Daí o ódio à imprensa. Ainda que os jornalistas também saiam jogando coquetel molotov — de certo modo, passaram o dia jogando coquetéis molotvs verbais —, a sua adesão sempre será considerada fraca e insincera. No Jornal Nacional, Patrícia Poeta leu um pequeno editorial afirmando a cobertura imparcial da emissora. Não adiantou. Virou alvo de xingamentos nas redes sociais. Voltarei ao assunto mais tarde. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Tropa de Choque do DF está dentro do Congresso; coronel da PM é atacado a tapas, pontapés e cusparadas; diretor-geral da Câmara é chutado

Um grupo tentou entrar no Congresso pela chapelaria. Foi repelido com spray de pimenta. A tropa de choque está do lado de dentro do Congresso. Na Folha, leio o seguinte:
*
Um grupo de manifestantes agrediu a tapas, pontapés e cusparadas dois coronéis da Polícia Militar e o diretor-geral da Câmara dos Deputados agora há pouco no Congresso Nacional. Um grupo formado pelo deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, e dois coronéis da PM, dentre os quais o chefe da Casa Militar do governador Agnelo Queiroz (PT-DF), se dirigiu à entrada de parlamentares no subsolo do Congresso para fazer uma averiguação sobre o risco iminente de invasão no prédio, quando foi surpreendido e cercado por um grupo de 200 manifestantes que haviam conseguido furar o cerco da Polícia Militar.

Sérgio Sampaio disse à Folha que recebeu “chutes e tapas”. “Quando vi, estávamos cercados”, disse o diretor-geral. O deputado Mendonça Filho disse que o grupo foi à entrada para verificar a situação a pedido do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que está na Rússia. Depois das agressões, chamou o deputado André Vargas (PT-PR) às pressas ao Congresso porque resolveu que não assumirá sozinho os riscos de controle de acesso ao prédio.

“Sou o único deputado aqui e não vou tomar sozinho as decisões de segurança”, disse o parlamentar. Por volta das 21h30, havia cerca de 700 manifestantes postados na frente do Congresso ainda ameaçando invadir o prédio. Os manifestantes trincaram um dos vidros do Congresso com um martelo. Eles gritam “vamos entrar em casa”. Mais tarde, um manifestante tentou romper o cordão de isolamento da polícia, que reagiu com spray de pimenta, cassetetes e gás lacrimogêneo.

Três representantes dos manifestantes estão reunidos com negociadores da polícia legislativa. Entre as reivindicações, eles pediram a punição de todos os que agrediram manifestantes nos protestos ao redor do país e a derrubada da PEC 37, que restringe os poderes do Ministério Público.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Congresso

Pichação na chapelaria

Dois pedidos

Passado o turbilhão, restam as pichações. Os manifestantes deixaram dois “pedidos” nas paredes da chapelaria do Congresso. Simples e diretos: “Fora Dilma” e “Fora Agnelo”.

Por Lauro Jardim

 

 Congresso

Evacuar área

Orientação para evacuar

Ontem, às 20h22, momento em que a multidão já ocupava praticamente todo o gramado em frente ao Congresso, a Polícia do Senado enviou um comunicado aos gabinetes.

O texto sugeria:

- Tendo em vista a manifestação na Esplanada, a Polícia do Senado recomenda a liberação da força de trabalho da Casa, permanecendo os serviços essenciais.

Difícil é acreditar que, àquela altura, houvesse um número minimamente significativo de parlamentares na Casa.

Por Lauro Jardim

 

Televisão

Precauções na cobertura

Alvo de alguns manifestantes

Diante da hostilidade de manifestantes contra vários integrantes da imprensa nos últimos dias, a Globo colocou alguns de seus profissionais ontem no protesto no Rio de Janeiro acompanhados de seguranças.

Os jornalistas da emissora, aliás, estão trabalhando sem identificação durante a cobertura.

Por Lauro Jardim

 

Governo

Sem rede nacional

Dilma: recolhida

Martelo batido: ao contrário do que o mundo político especulou ontem, Dilma Rousseff não convocará uma cadeia de rádio e TV para falar sobre os protestos que varrem o país. Ou melhor, não dará isso pelo menos nesta semana.

Por Lauro Jardim

 

\ Congresso

Exorbitância dos manifestantes’

Crítica à invasão

Eduardo Braga saiu há pouco da reunião de líderes no Palácio do Planalto. Sobre o mega protesto no Congresso, Braga é taxativo:

- Se eles estão na Chapelaria, já invadiram o Congresso. Uma coisa é uma manifestação ordeira, algo que nós apoiamos, a outra é invadir o Poder Legislativo. Isso é mais uma exorbitância dos manifestantes.

Por Lauro Jardim

 

 Direto ao Ponto

O PT finge não ouvir o aviso da multidão: ‘Dirceu, pode esperar: a cadeia é o teu lugar’

Os chefões do PT paulista, disfarçados de “nota oficial da executiva estadual”, só conseguiram enxergar o ato de protesto ocorrido na maior metrópole brasileira. Mais: na manifestação desta segunda-feira, só conseguiram enxergar gente indignada com o aumento das tarifas do transporte público e, sobretudo, com os excessos da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin.

Solidária com as vítimas do surto de miopia conveniente (e surdez seletiva), a coluna publica na seção História em Imagens um vídeo de 31 segundos que mostra mais de 7 mil manifestantes gritando, em Brasília, palavras de ordem que o PT tenta há oito anos empurrar para baixo do tapete. Uma delas: DIRCEU, PODE ESPERAR: A CADEIA É O SEU LUGAR.

Confira.

(por Augusto Nunes)

 

Direto ao Ponto

Uma cineasta brasileira desmontou em seis minutos a vigarice bilionária forjada pelos organizadores da Copa da Ladroagem

Nascida em São Paulo e residente na Califórnia, a cineasta Carla Dauden presenteou o Brasil decente com um vídeo que, em 6:10, reduz a farrapos a fantasia triunfalista costurada nos últimos seis anos. Desde que ficou oficialmente decidido que o País do Futebol seria o anfitrião da Copa do Mundo de 2014, o governo federal, a Fifa e a CBF agem em cumplicidade para vender como empreitada patriótica o que sempre foi uma conjunção de negociatas bilionárias com pilantragens eleitoreiras.

Nesta segunda-feira, enquanto multidões de brasileiros incluíam o oceano de obras superfaturadas entre os alvos dos atos de protesto, Carla postou seu vídeo no YouTube. Passadas 24 horas, o número de acessos vai chegando a 600 mil.  A menos de 12 meses do apito inicial, a fraude foi implodida. E o mundo começou a descobrir o que fizeram, fazem e pretendem continuar fazendo os governantes e supercartolas que arquitetaram a Copa da Ladroagem.

 

(por Augusto Nunes)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (veja)

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2 comentários

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    esta chegando a hora dessses anti brasil ministros caradozo e carvalho asta la vista nunca mais incompetentes

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  • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

    A POPULAÇÃO CANSOU , ESTÁ MOSTRANTO OS SEUS SENTIMENTOS , O GOVERNO VEM COM DEMAGOCIA DIZER QUE NÃO ENTENDE O PORQUE DISSO . AS INVASÕES DE TERRAS POR INDIO O DESMANDO E O NÃO CUMPRIMENTO DAS REINTEGRAÇÕES , MOSTRARAM A POPULAÇÃO A PERDA DO CONTROLE DO GOVERNO FEDERAL . O GOVERNO FEDERAL CONSEGUI COMPRAR APOIO POLITICO INCLUSIVE DAQUELES QUE SEMPRE FORAM OPOSIÇÃO FERRENHA , MAS ACABARAM ESQUECENDO DE ADMINISTRAR O PAÍS COM DIGNIDADE E RESPEITO A QUELES QUE FAZEM A MAQUINA PRODUTIVA , EMPRESARIOS , AGRICULTORES E COLABORADORES ESTES VOCÊS NÃO COMPRARAM , AGORA ELES ESTÃO MOSTRANDO A CARA . VAMOS TODOS UNIDOS PARA ESTE MOVIMENTO ORDEIRO , ORGANIZADO E NAS PROXIMAS ELEIÇÕES LEMBREM DISSO QUE ACONTECE AGORA ( PEC 37 , GASTOS COM COPA , MENSALÃO , INVASÕES DE PROPRIEDADES , FALTA DE ATENDIMENTO A SAUDE, VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR E DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO ETC... )

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