Contratempos na reforma da previdência social, por Agroanalysis/FGV

Publicado em 11/06/2019 10:29 e atualizado em 11/06/2019 14:08
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No que se refere à implementação de uma agenda econômica para o Brasil, os primeiros meses do governo Bolsonaro foram decepcionantes para o mercado. Considerada fundamental para o crescimento do País nos próximos anos, a reforma da previdência enviada ao Congresso Nacional não avança na velocidade esperada. Neste momento, a proposta caminha a passos lentos, sem sinais de aprovação neste final de primeiro semestre. Acreditava-se em uma maior capacidade de articulação e coordenação política do governo como forma de acelerar a aprovação dessa reforma. Curiosamente, as resistências quanto à sua execução, seja no Parlamento ou na sociedade, são muito menores hoje do que no passado.

Esse baixo poder de articulação mostrado pelo governo até o momento, aliado ao desempenho abaixo do esperado da atividade econômica, ampliou o desânimo quanto ao futuro da nossa economia. Muito provavelmente, a economia brasileira registrará um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 1% em 2019.

A Agroanalysis acredita na aprovação da reforma nos próximos meses. Para o segundo semestre, o dólar deve manter-se abaixo dos R$ 4,00 e a inflação deve estar controlada.

A bovinocultura de corte brasileira é o foco de dois artigos nesta edição, com análises diferenciadas. No mercado, para o médio e o longo prazos, há expectativa de boa demanda externa e oferta menor de boiadas ao longo do ano, o que configura um cenário positivo para as cotações do boi. São esperadas altas mais expressivas nas cotações da arroba do boi gordo no segundo semestre. Na produção, o Brasil possui tecnologia e eficiência produtiva que conferem vantagens competitivas e que projetam o País para um protagonismo num futuro promissor. Estamos respondendo as questões de ordem global, que incluem segurança alimentar, higidez sanitária dos rebanhos, segurança e defesa das cadeias produtivas, biosseguridade dos alimentos e risco de bioterrorismo. Ao mesmo tempo, o País está desenvolvendo e intensificando os manejos sanitário, reprodutivo e nutricional de animais, com a utilização de programas de melhoramento genético, a melhoria dos processos zootécnicos e o desenvolvimento de insumos e processos produtivos mais eficientes.

Externamente, tem-se o risco temeroso de a peste suína africana dizimar até um terço dos animais na China, a qual representa em torno de metade da produção e do consumo mundiais. Entre as criações de animais de larga escala, não existe nenhuma nação com uma participação dessa magnitude. Detectado no início de agosto de 2018, o surto da doença alastrou-se de forma rápida por toda a nação. Por coincidência, todos esses acontecimentos fortuitos ocorrem justamente quando se celebra o Ano do Porco na China, de 5 de fevereiro de 2019 a 25 de janeiro de 2020. Na proporção em que a doença avança, aumenta a expectativa de maiores importações de proteína animal pelos chineses, tanto de carne suína, como de aves, bois e peixes. Com carne de boa qualidade e competitiva, o Brasil está no radar dos chineses. Alguns frigoríficos brasileiros já registram aumento das vendas para o país asiático.

No Caderno Especial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), discute-se sobre os desafios do setor. No açúcar, o foco recai sobre o trabalho contra as políticas protecionistas praticadas pelos países na produção e na comercialização de açúcar, com a abertura de três contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) nos últimos três anos. No biocombustível, vislumbra-se a chegada do futuro com o anúncio da Toyota de que o Brasil produzirá um Corolla com tecnologia flex (uso de etanol e gasolina com geração de energia e motorização elétrica ao motor de combustão). Na bioeletricidade derivada da biomassa de cana-de-açúcar, evidencia-se o potencial de crescimento de 20% com a atual capacidade instalada. E, pela frente, dá-se boas vindas à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que entra em operação no próximo ano.

Um estudo do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), aponta que o resultado do produtor de cana foi de prejuízo na grande maioria das localidades analisadas, na safra 2017/18. No caso do produtor de Guariba-SP, o prejuízo foi de R$ 9,51 por tonelada de cana, ou R$ 817,86 por hectare. Estudos realizados mensalmente pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) comprovam que há uma defasagem percentual de participação da matéria-prima no custo de produção do açúcar e do etanol. Em janeiro deste ano, por exemplo, o preço adotado pelo Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (CONSECANA-SP) ficou defasado em 14,16%, ou seja, o valor de R$ 0,5748 por quilo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deveria ser de R$ 0,6562. Por essa razão, os pro- dutores reivindicam uma alteração na fórmula de cálculo do CONSECANA-SP.

Na seção Abre Aspas, a entrevista com Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri ABCD, traz revelações sobre como se deu essa evolução da cooperativa e quais são os planos futuros para a continuidade do crescimento da organização. Em 2016, a cooperativa chegou ao coração financeiro do Brasil com a inauguração da primeira agência da instituição na cidade de São Paulo, localizada na avenida Paulista. Quando analisamos o Sistema Sicredi, a carteira de crédito foi de R$ 56,1 bilhões em 2018, valor 28% superior ao de 2017. Contando com mais de 4 milhões de associados e 1.684 pontos de atendimento em todo o País, concedeu R$ 10,1 bilhões em crédito apenas para projetos relacionados à economia verde em 2018.

Neste mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o destaque tradicional vai para o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que é uma instituição sem fins lucrativos criada por fabricantes de de- fensivos agrícolas com o objetivo de promover a correta destinação das embalagens vazias de seus produtos. É o núcleo de inteligência do Sistema Campo Limpo, responsável pela operação da logística reversa das embalagens em todo o País. Desde 2002, já retirou mais de 500 mil toneladas de embalagens vazias do campo, destinando cor- retamente 94% das embalagens comercializadas no Brasil. Trata-se de um case de sucesso da responsabilidade compartilhada entre agricultores, canais de distribuição, indústrias e poder público, conforme determina a legislação.

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Fonte: Agroanalysis/FGV

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