Expectativas para o boi gordo, por Agroanalysis/FGV

Publicado em 29/11/2019 10:05
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Caso não ocorra nenhuma surpresa com a economia, a política e os fundamentos de mercado, as projeções apontam um mercado firme para o boi gordo em 2020. As valorizações poderão ocorrer de forma mais intensa em relação a 2019, principalmente no segundo semestre.

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O mercado do boi gordo segue firme desde o segundo semestre, com a entrada efetiva da entressafra e a volta da China às compras do Brasil depois do caso atípico de mal de vaca louca – que ocorre de forma esporádica e espontânea em animais velhos – registrado em Mato Grosso.

O volume de gado confinado, importante para a oferta no período atual, sofreu um impacto negativo com a valorização do milho, a partir de maio, junto aos preços dos bovinos de reposição, que entraram em uma trajetória praticamente ininterrupta de alta.

No mercado internacional, o bom ritmo das exportações colabora com a sustentação das cotações do boi na comercialização interna. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, o volume embarcado aumentou frente ao do mesmo período de 2018.

Durante o decorrer de outubro, a média diária exportada ficou acima da de setembro passado e da de outubro de 2018 (segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior – SECEX). A expectativa é de que os embarques, principalmente para a China, continuem em bons patamares nos próximos meses, o que deverá manter a procura aquecida pelos compradores (frigoríficos).

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CURTO E MÉDIO PRAZOS

A expectativa é de que o consumo doméstico melhore no último bimestre do ano. No mercado de trabalho, haverá contratações temporárias, pagamentos de décimo terceiro salário e festas de final e começo de ano.

Do lado da oferta, a quantidade de gado confinado não deverá ser suficiente para pressionar para baixo as cotações do boi gordo. Já a boiada de pasto demorará um pouco para chegar ao mercado. Houve atrasos nas chuvas em importantes regiões produtoras, e as condições das pastagens estavam prejudicadas até o final de outubro.

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Com isso, o mercado de boi gordo deverá continuar firme e em alta até o início da safra, mesmo com o aumento da disponibilidade de boiadas para abate. De qualquer forma, considerando um cenário de demanda aquecida, o efeito da safra deverá ser menor sobre os preços da arroba no primeiro semestre de 2020.

Analisando os contratos futuros de boi gordo (na B3) com vencimentos no primeiro semestre de 2020, projetamos um patamar de preços mais alto em relação às cotações atuais vigentes no mercado físico.

No contrato de maio de 2020, por exemplo, o preço da arroba, entre agosto e meados de outubro deste ano, saiu de R$ 160,00 para um patamar acima de R$ 176,00. Isso corroborou as expectativas de um mercado firme em plena safra.

Para o segundo semestre de 2020, o mercado futuro sinaliza preços ainda mais altos para o boi gordo. Além do período de entressafra e as maiores demandas interna e externa, as previsões são de preços altos para o milho e o farelo de soja e firmes para os animais de reposição. Esse quadro poderá reduzir o número de cabeças confinadas e prejudicar ainda mais a oferta de bovinos para abate na segunda metade do ano. Segundo a evolução da cotação do con- trato futuro de boi gordo com vencimento em outubro de 2020 na B3, os valores ultrapassaram R$ 180,00/@ em outubro último.

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Por: Rafael Ribeiro de Lima Filho
Fonte: Agroanalysis/FGV

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