Seca no Sul: Nível do Rio dos Sinos baixa, e Novo Hamburgo corta irrigação para arrozeiros

Publicado em 08/01/2012 16:48 e atualizado em 09/01/2012 12:48 1413 exibições
Nível do rio baixou 10 centímetros de sábado (7) para domingo (8), mostra a RBSTV. Estiagem atinge 460 mil pessoas no Rio Grande do Sul.

O Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul suspendeu completamente na manhã deste domingo (8) as operações dos sistemas de captação de água para irrigação de arroz na bacia do Rio dos Sinos em Novo Hamburgo. 

A decisão foi tomada porque o nível do rio baixou 10 centímetros de sábado (7) para domingo (8), de acordo com o Consórcio Pró-Sinos, comitê composto por municípios que compõem a Bacia do Sinos. É a segunda vez que o abastecimento é suspenso neste período de estiagem no Rio Grande do Sul. 

Na primeira ocasião, dias antes do Natal, logo voltou a chover e a suspensão foi retirada. A resolução é tomada sempre que a diferença do nível da água em relação à bomba de captação for de 50 centimetros em São Leopoldo, 60 centímetros em Novo Hamburgo e 70 centímetros em Campo Bom. 

A decisão impede que o abastecimento de água nas cidades seja ainda mais comprometido. No sábado (7), foi anunciada a retomada do racionamento de água em Novo Hamburgo, incluindo os finais de semana.   Neste domingo, a Defesa Civil anunciou que já são 107 o número de municípios em situação de emergência por causa da estiagem. O número de pessoas afetadas no estado chega a 460.714. A decisão impede que o abastecimento de água nas cidades seja ainda mais comprometido.  No sábado (7), foi anunciada a retomada do racionamento de água em Novo Hamburgo, incluindo os finais de semana. Neste domingo, aDefesa Civil anunciou que já são 107 o número de municípios em situação de emergência por causa da estiagem. O número de pessoas afetadas no estado chega a 460.714.

Produtores rurais do RS organizam 



mutirões para amenizar a estiagem



Moradores e agricultores se unem para tentar contornar a falta de chuva.
Número de cidades com problemas já subiu para 131, diz a Defesa Civil.


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Enquanto os produtores rurais aguardam ajuda do Governo, mutirões tentam amenizar o problema da estiagem no interior do Rio Grande do Sul. O número de municípios em situação de emergência subiu para 93, de acordo com o último boletim divulgado pela Defesa Civil. Outras 38 prefeituras estão com o pedido pendente no órgão.

Em São Paulo das Missões, na região noroeste do estado, a falta de água mudou a rotina do produtor rural Sebastião da Rosa. Agora, todos os dias ele precisa caminhar até um poço situado a cerca de dois quilômetros da sua propriedade. “Está tudo seco. Já faz 15, 20 dias que não temos água nem para o gado, nem para tomar”, conta.

Para amenizar o problema na cidade, moradores organizaram um mutirão para ampliar a rede de água. Máquinas da prefeitura também estão abrindo bebedouros para os animais. Segundo o coordenador da Defesa Civil no município, essas medidas chegam com atraso. “O correto mesmo seria ter sido feito esse trabalho durante o inverno, o que manteria esses bebedouros cheios”, afirma Vilmar Renner.

São Paulo das Missões estiagem (Foto: Luis Frey/RBS TV)Moradores de São Paulo das Missões se uniram para estender a rede de água (Foto: Luis Frey/RBS TV)

Na última década, a região noroeste do estado não enfrentou a seca em apenas três anos. Quem vive por lá já se acostumou com o problema da falta de água. A comunidade busca alternativas para amenizar os danos, mas nem sempre é atendida pelas autoridades.

Em 2009, uma consulta popular definiu como prioridade a construção de reservatórios de água em propriedades rurais. No total, 120 projetos foram aprovados, mas até agora o dinheiro para as obras não foi liberado. “Apesar de terem se passado mais de dois anos, os agricultores padecem com a falta de chuvas e as obras ainda não foram executadas”, diz o presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) da fronteira noroeste, Pedro Butenbender.

No município de Porto Mauá, o produtor rural Elói Pizzoni mantém na propriedade 25 vacas e cerca de mil frangos para a produção de ovos. Com a estiagem, ele está sendo obrigado a racionar água para o rebanho e para as aves. Se a propriedade contasse com uma cisterna, a situação poderia ser diferente: “Faz muita falta, sim. Todo mundo sabe que durante alguns meses do ano a gente tem problema de estiagem. Se nós tivéssemos uma cisterna, a gente poderia armazenar a água que se perdeu durante o ano para aproveitar nesses meses”.

Nas outras cidades que sofrem com a falta de chuva a situação é semelhante. Em Caçapava do Sul, na região sudeste, açudes secaram completamente. Cerca de 500 famílias estão sendo abastecidas com tratores-tanque. Em Jóia, no noroeste do estado, já começou o racionamento de água. As bombas dos poços artesianos vão ser desligadas por duas horas durante o dia.

Outra região onde a falta de água causa problemas e prejuízos é no centro do estado. Em Cerro Branco, na propriedade de Luciano Rückert, o açude que irriga a lavoura de arroz secou. O grão chegou a ser plantado mais de uma vez. Mesmo assim, a produção já está comprometida. “Se não chover nos próximos dias, a perda vai ser praticamente total”, diz o agricultor. (por G1, com RBS TV).

Agricultores sofrem com a seca no 




RS: "Não temos água para tomar"


Não chove forte em São Paulo das Missões desde outubro de 2011.
Município calcula prejuízo de R$ 9 milhões no comércio.


São Paulo das Missões estiagem (Foto: Luis Frey/RBS TV)
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São Paulo das Missões sofre com a estiagem (Foto: Luis Frey/RBS TV)

Em uma das regiões mais afetadas pela estiagem que atinge o Rio Grande do Sul, o impacto da falta de chuva não atinge somente as lavouras. Em São Paulo das Missões, no noroeste do estado, além dos prejuízos com a agricultura, os produtores sofrem com a falta de água diante da forte seca. De acordo com dados divulgados pela Defesa Civil nesta sexta (6), o estado já tem 388 mil pessoas afetadas pela seca.

Um dos produtores que passam por esta situação é Sebastião Rosa, que a cada dia enfrenta mais dificuldades para manter sua propriedade. O açude próximo a sua residência secou. Com isso, precisa buscar água diariamente em um poço a 2km de distância.

"Aqui está tudo seco já faz uns 15, 20 dias. Não temos água para tomar nem para o gado", lamenta.

São Paulo das Missões estiagem (Foto: Luis Frey/RBS TV)Produção de Milho apresenta perda de 70% na 
produção (Foto: Luis Frey/RBS TV)

Sem registrar chuva forte desde outubro, a produção mais comprometida do município é a de milho, com 70% de perda, de acordo com a Secretaria de Agricultura do municipio. O prejuízo chega a 50% no fumo e 10% na soja. Com a safra agrícola reduzida, o reflexo foi imediato no comércio local, que registra queda de vendas de 30%.

O munícipio já calcula um prejuízo de R$ 9 milhões, de acordo com a Prefeitura. O produtor Paulo Krammer lamenta os efeitos da estiagem que prejudicaram todo um ano de trabalho. "A única coisa que vai dar para fazer é uma silagem para alimentar os bichos. E olhe lá. Vai dar uma silagem bem ruim porque não tem um grão de milho."

O efeito na produção de leite também preocupa os produtores. Por falta de pastagem, o volume coletado caiu 15%.
Com a finalidade de amenizar a situação, a prefeitura de São Paulo das Missões está abrindo e limpando bebedouros para os animais, bem como ampliando as redes para garantir água potável à população. De forma emergencial, um caminhão-pipa abastece as propriedades mais atingidas.

Mas o coordenador da Defesa Civil, Vilmar Renner alerta que o problema é decorrência do fato de que muitas pessoas deixam para fazer esse trabalho apenas agora, durante a seca. "O correto mesmo era ter feito durante o inverno, quando manteria os bebedouros cheios."

A prefeitura do município está reunindo documentos para pedir auxílio financeiro ao Governo, de acordo com o prefeito Valmir Thumi, que vai encaminhá-los à Defesa Civil do Estado e da União.

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Fonte:
POr G1 (com RBS TV)

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