Irrigação: Tecnologia de ponta é responsabilidade ambiental

Publicado em 13/04/2012 14:03 754 exibições
A agropecuária, produzindo alimentos básicos fundamentais, bio – ou agroenergia - é a atividade que mais utiliza os recursos hídricos, que mais consome água: 80% de toda a água disponível. Tomando como referência diversas fontes de pesquisas, projetamos uma informação importante para avaliar, concretamente, a importância, a necessidade de água na atividade humana. A produção de uma refeição ‘típicamente brasileira’, para um operário da construção civil, contendo arroz, feijão, carne, salada, uma modesta porção de macarrão, pão, batata ou mandioca, uma fruta de consumo direto, um suco e um cafezinho não exigirá menos de 2.500 a 3.000 litros d'água.

Para termos uma comparação, o que se gasta de água na área industrial: uma calça jeans, de brim, 15.000 litros; uma camiseta de algodão, 3.700 litros; um litro de gasolina, 10 litros dágua; um quilo de aço, 95 litros de água; um quilo de papel, 324 litros dágua. Toda a atividade industrial consome 7% e a residencial 13%.

Dos 80% da disponibilidade de água no planeta consumidos pela atividade agropecuária e agroindustrial 69% vai para a irrigação, diretamente para as plantas e para o solo. Neste processo, já ocorre evaporação. Os outros 11% são dispendidos nas operações de produção, água que vai para o solo, também; mas a maior parte como esgoto ou ‘águas servidas’, como são chamadas, técnicamente. Ao passar pelo solo, vai ocorrendo uma filtração, os resíduos ficam retidos e o processo de evaporação faz o líquido retornar para a atmosfera, no chamado ‘ciclo hidrológico.’

Muita água – para produzir alimentos

Para manter saudável uma vaca leiteira, com cerca de 400 a 500 Kg, produzindo regularmente e se reproduzindo, são necessários cerca de 62 a 65 litros dágua-dia. 1 KG de carne bovina consome 15 mil litros de água. O mesmo quilo de carne de suínos, precisa 5 mil litros; de frango, 3.500 litros. Para obter 1 kg de arroz, precisamos 1.900 litros de água. Um quilo de soja consome, para ser produzido, 1.650 litros de água. Em termos de exigência hídrica, a planta mais econômica é a batata, que necessita de 133 litros para cada quilo de alimento. Na piscicultura, o sistema mais econômico é o de recirculação de água, com descargas diárias que variam de 2% a, no máximo, 10%, estando o mais comum entre 2 - 5%. Nesta situação, são necessários de 38 a 76 litros de água/kg de peixe, considerando a reeutilização.

Quando os produtos agrícolas são preparados para o consumo, aumenta a demanda por água: 1 hamburger, antes de ser colocado num sanduíche, já consumiu 2.400 litros dágua... Um kg de trigo ou de cevada precisam de 1.300 litros até chegarem ao armazém. Gastam, em média, 1.000 litros para serem, obtidos: 1 litro de leite, 1 kg de café. Já um litro de suco de maçã exige 960 litros dágua. Um pouco menos, 900 litros são necessários para colocarmos no processo de consumo 1 quilo de milho ou 1 litro de vinho...

Então, não há como negar: utilizar água para irrigar lavouras, pastagens, pomares, hortas, viveiros, criar peixes, é, na atualidade, uma responsabilidade ambiental muito séria. A água é o insumo vital, decisivo, definitivo. Deve ser utilizado como ‘tecnologia de ponta’, do qual se lança mão quando os demais fatores estão otimizados: o solo estruturado, corrigido, nos níveis excelentes de matéria orgânica, protegidos da erosão, mantidos cobertos para não ressecarem ao sol; as variedades claramente definidas para o microclima da propriedade, as condições de fertilidade, a adubação recomendada pelas análises de solo, conhecida a possibilidade de emergência de invasoras, estruturado o monitoramento de pragas e doenças, definido o espaçamento – aí, sim, é a vez da irrigação, quando o stresse hídrico recomendar a aplicação da água.

Porque utilizar água, mesmo pagando por ela, tem que justificar, tem que compensar a sociedade, com produtividade e qualidade de alimentos – cumprindo as funções econômicas e sociais da propriedade da terra – e também preservando as condições mínimas de sustentabilidade, protegendo as águas, as áreas de reserva da biodiversidade, garantindo a natureza, condição básica da permanência do homem sobre o planeta.

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Fonte:
Gov. Rio Grande do Sul

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