Tecnologias para agricultura sustentável são discutidas em Sorriso (MT)

Publicado em 26/04/2012 07:45 460 exibições
Terminou na terça-feira, em Sorriso (MT), o 2º Encontro Regional de Sistemas Produtivos , promovido pelo Clube Amigos da Terra, Sindicato Rural de Sorriso e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O evento reuniu cerca de 600 pessoas e discutiu diversas temáticas ligadas à sustentabilidade da agropecuária matogrossense.

Na abertura do evento, o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, apresentou as perspectivas do agronegócio brasileiro, mostrando importância da atividade para o país e a sua representatividade no mundo. Segundo Rodrigues, o setor ainda tem muito a crescer com o avanço de tecnologias que permitem o melhor aproveitamento dos recursos naturais.

“Nos últimos vinte anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 35% e a produção cresceu 175%. Com isto, nós preservamos 50 milhões de hectares de áreas com floresta e cerrado, por causa da produtividade que aumentou. Nós já temos uma agricultura sustentável”, disse.
A Agricultura de Baixa Emissão de Carbono também foi tema de palestra na abertura do evento, quando foi apresentado ao público o Programa ABC, que financia atividades agropecuárias como plantio de florestas, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas, entre outras.
Dia de campo
Na manhã terça-feira, nas atividades de campo, realizadas na Fazenda Nossa Senhora da Amazônia, seis estações apresentaram diferentes temas englobando aspectos sociais, econômicos, agronômicos e ambientais da propriedade.

A gestão da propriedade rural foi apresentada pelo pesquisador do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca. Segundo ele, no cenário de concorrência e de exigência do mercado, é preciso que as propriedades estejam preparadas para um processo profissional de planejamento, controle e execução de atividades. Além disso, a capacitação de pessoal é fundamental para o sucesso da empresa rural.

“Como falta mão-de-obra qualificada, eu tenho que capacitar, criar uma maneira deste funcionário bom ficar na minha propriedade. Se eu tenho um profissional bom e eu não o qualifico, não dou a devida importância a ele, não consigo segurá-lo e não consigo ter um bom resultado. Eu preciso dele comprometido com o resultado da empresa, com o planejamento e com a gestão. Ele é quem vai fazer o controle da minha gestão, dos meus indicadores, do meu custo. Ele é uma pessoa imprescindível e o treinamento é a base de conhecimento que ele precisa para fazer isto”, enfatizou Latorraca.

Na segunda estação da prática de campo, o pesquisador da Embrapa Algodão, Paulo Barroso, apresentou a cronologia da biotecnologia no mundo e no Brasil, falou sobre o cenário atual de utilização de produtos geneticamente modificados e sobre o futuro destes eventos.

Segundo ele, o produto geneticamente modificado não veio para ser uma solução fechada para o produtor e sim para ser mais uma opção de escolha na hora do planejamento de sua safra.
“O produtor tem de ter em mente que o transgênico é só uma ferramenta. A escolha de qual transgênico usar e se usar ou não, tem de ser considerada da mesma maneira que ele considera os demais insumos na hora de planejar a safra. Ele deve considerar o que ele vai ter de ganho, qual a segurança que ele vai ter no plantio, quem vai ser o comprador do produto, qual será o preço pago, etc.”, explicou Barroso.

As diferentes possibilidades de sucessão de safras foram apresentadas por Clayton Bortolini, da Fundação Rio Verde. Em sua fala, ele ainda demonstrou as culturas na vitrine de tecnologia instalada na Fazenda Santa Maria da Amazônia. Algodão, milho, sorgo, girassol, feijão, feijão caupi, pastagens, além de espécies de plantas de cobertura estavam disponíveis para visualização dos visitantes do evento.

A utilização das pastagens com pecuária de corte, fazendo a integração lavoura-pecuária foi parte do assunto abordado pelo pesquisador da Embrapa Bruno Pedreira na quarta estação do evento. Em sua apresentação, ele falou sobre as eficiências dos sistemas de produção de pecuária de corte, fazendo a relação entre a qualidade da pastagem formada e o melhoramento animal.

“Nós precisamos sim investir muito na planta, produzir muito em termos de forragem, ser eficientes na produção, com boa análise de solo, adubação, investimento na parte agronômica do processo. Mas, por outro lado, quando falamos de pecuária, entram duas outras eficiências que não levamos em conta na agricultura, que é a eficiência de utilização e de conversão dos animais em ganho de peso”, disse.

Segundo Pedreira, é preciso saber manejar as pastagens, entrando com o gado no memento certo e sabendo a hora adequada de tirá-los, de modo a aproveitar da melhor forma possível os recursos. Além disso, é preciso trabalhar com animais que proporcionem maior ganho de peso e, consequentemente, maior rendimento financeiro.

“A ideia é mostrar ao produtor que não adianta só investir em melhoramento genético e não investir em pasto. Por outro lado, também não adianta investir em pasto, produzir muita comida e não ser eficiente na conversão disto em carne”, explica o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.

Em outra estação do evento, o pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Flávio Wruck, falou sobre a integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF)e dos resultados obtidos em Unidades de Referência Tecnológica com este sistema em Mato Grosso. De acordo com ele, o objetivo maior da apresentação foi o de provocar os participantes sobre os benefícios da iLPF e sobre o potencial de uso desta tecnologia.

A sustentabilidade ambiental no agronegócio foi o tema que fechou o dia de campo, com apresentação de Charton Jahn Locks, da Aliança da Terra. Ele mostrou as possibilidades e ações que devem ser observadas nas propriedades e os benefícios da produção sustentável.

O assessor de certificação de soja, Alessandro Bermudez acompanhou o dia de campo e ficou satisfeito com os temas abordados. Segundo ele, todas as tecnologias convergem para as necessidades do produtor, sobretudo em relação à sustentabilidade da propriedade, levando em conta seus aspectos componentes, que são ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto.

“É importante ter o entendimento do que é sustentabilidade e de como isto pode ser aproveitado. Com certeza, a aplicação correta das tecnologias, tanto com cobertura, quanto com a integração de lavoura, com pecuária e até mesmo o com componente florestal é algo que vai dar um ganho para quem começar”, analisou.

O professor do curso de Administração, Paulo Prates, acompanhou alunos no evento. Segundo ele, o agronegócio é amplo e necessita de profissionais de todas as áreas prontos para contribuir com seu crescimento.

“Palestras como estas vem ao encontro das necessidades de todo produtor, de todas as pessoas que estão envolvidas com agricultura e pecuária. E principalmente dos alunos, para que eles observem e comecem a identificar o que precisa mudar e o que precisa ser feito para continuar sempre produzindo melhor”, disse.
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Embrapa Agrossilvipastoril

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