Bahia: Nas áreas novas, perdas na soja chegam a 80% por conta seca

Publicado em 03/05/2012 09:35 613 exibições
Aiba divulga o 3º Relatório de Safra, considerando estiagem.
As áreas de exploração agrícola mais recentes, localizadas na região de transição entre a caatinga e o cerrado da Bahia, são as que estão sofrendo mais severamente os efeitos da maior estiagem dos últimos 30 anos no estado, naquela região. Baianópolis, Cocos, Correntina e Jaborandi são alguns dos municípios mais atingidos. A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) consolidou, no dia 25 de maio, os dados do 3º Relatório da Safra 2011/12, após reunião do Conselho Técnico da entidade e instituições diversas. Nas áreas novas, as médias das perdas chegam até 80% na produção da soja. A oleaginosa é geralmente a primeira cultura introduzida nas áreas recém abertas de cerrado, e, por isso, reflete em maior grau o problema.

O algodão também sofre as consequências da seca, mas as perdas estimadas, até então, são de 10%. Já o milho, dentre as três principais commodities produzidas na região, foi a que menos sentiu os efeitos da estiagem, pois a maior parte das lavouras de milho conseguiu fechar o ciclo produtivo antes do agravamento da situação, observado especialmente em algumas microrregiões. A produtividade média para o milho está estimada em 155 sacas por hectare, 3% acima da expectativa dos 1º e 2º Levantamentos da Safra 2011/12, porém 5% abaixo do que foi registrado no período 2010/11.

“Com todo o problema climático, algo que não se via desde a safra 2001/ 2002, ainda teremos um bom resultado geral na região, com soja perdendo em produtividade 14%, o milho, 5% e o algodão 10%. E é preciso que se diga que estes números são comparados à safra anterior, que foi recorde de produtividade nas três culturas. Isso é uma demonstração de que a aplicação de alta tecnologia na agricultura é um grande mitigador de risco climático”, diz o presidente da Aiba, Walter Horita.

Para o diretor do Conselho Técnico da Aiba, Antônio Grespan, pode-se concluir que, nesta safra, o produtor que fez rotação de cultura foi recompensado. “Em que pese o maior risco climático que a cultura do milho apresenta, quando a estiagem iniciou, as lavouras estavam com seu potencial de produção consolidado. A diversificação na matriz produtiva deu mais uma prova de sua eficácia. O produtor precisa ter opções para estabilizar suas receitas, tanto diante de frustrações climáticas, como das flutuações do preços das commodities. A rotação contribui tanto para a sustentabilidade ambiental, como para a econômica”, analisa Grespan.

Participaram da reunião de validação dos dados do Conselho Técnico da Aiba, a Associação dos Produtores de Algodão da Bahia (Abapa),Associação dos Cafeicultores do Oeste da Bahia (Abacafé), Associação dos Engenheiros Agrônomos de Barreiras (AEAB), Associação dos Produtores de Soja da Bahia (Aprosoja-BA), Associação dos Produtores de Sementes da Bahia (Aprosem-BA), Banco do Brasil, HSBC, Bunge, Cargill, Desenbahia, Fundação BA, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras, Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães.

Irrigação complementar

No Oeste da Bahia, as lavouras irrigadas representam apenas 8% do total da região. A Aiba defende uma proposta de “outorga sazonal” para aproveitar os períodos de maior vazão e introduzir uma irrigação complementar.

De acordo com o vice presidente da Aiba, Sérgio Pitt, esta medida poderia amenizar um pouco o problema em pontos isolados, com a irrigação complementar no período de fevereiro a março. Essa água poderia ser usada na lavoura neste período em que deveria ter chovido. “Nesses casos específicos, estamos deixando a água dos rios simplesmente passar, sem aproveitar esse potencial hídrico nas lavouras, para garantir uma oferta maior de alimentos, e o investimento dos produtores”, disse Pitt.

Produção

No total, o Oeste da Bahia deverá colher 7,3 milhões de toneladas de grãos, 7% a mais que em 2010/11. A área plantada foi de 2 milhões de hectares (+10%), com Valor Bruto de Produção (VBP) de R$6 bilhões.

Milho

O cereal teve um expressivo aumento de área, saindo de 143 mil hectares na safra 2010/11, para 243 mil hectares em 2011/12, 60% de aumento. A produtividade, contudo, deve cair apenas 5%, passando de 163 sacas por hectare, para 155 sacas por hectare, da safra passada para a em curso. A explicação para o aumento de área, segundo a Aiba, foram os preços altos da commodity que estimularam o plantio, o que contribuiu para a auto suficiência do Nordeste na produção do cereal. Nesta safra, a produção está estimada em 2.3 milhões de toneladas do grão.

Soja

A cultura da soja foi a mais afetada pelo déficit hídrico. Os veranicos ocorreram no período crítico do ciclo produtivo, ocasionando redução sensível do potencial das lavouras. “Porém, há regiões em que o volume das precipitações foi favorável, e registraram-se boas médias de produtividade”, diz o assessor de Agronegócios da Aiba, Jonatas Brito. Os principais problemas se deram em municípios como Baianópolis, Cocos, Correntina e Jaborandi.

A produtividade média da soja foi de 48 sacas por hectare. A soja ocupa uma área de 1,15 milhão de hectares e deve concluir a safra com uma produção de 3,2 milhão de toneladas, com VBP de R$2,5 bilhões.

Algodão

A cotonicultura também está sofrendo com a estiagem. Os veranicos, que chegaram a durar mais de 30 dias em algumas localidades como a região de Jaborandi e Cocos, ocorreram principalmente nos meses de fevereiro e março, ocasionando redução sensível do potencial produtivo das lavouras, devido ao intenso abortamento das estruturas reprodutivas, como flores e maçãs.

“Nas regiões em que as precipitações foram de acordo com o esperado em anos normais, a expectativa é de boas médias de produtividade. É o caso das microrregiões de Placas e Coaceral”, explica o assessor de Agronegócios da Aiba, Jonatas Brito.

De acordo com levantamentos realizados pelo Conselho Técnico da Aiba nas propriedades, a perda estimada da cultura de algodão é de 10% , equivalentes a 27 arrobas por hectare. Em 2011/12, o algodão ocupou uma área de 386 mil hectares (+4%). A produtividade média deverá ficar em 243 arrobas de algodão em capulho por hectare, e a produção total estimada é de 1,4 milhão de toneladas de algodão em capulho, equivalente 562 mil toneladas de pluma.
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Aiba

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