Soja – do sonho à realidade

Publicado em 19/06/2012 23:41 e atualizado em 20/06/2012 16:34 1473 exibições
Por Liones Severo.
Definitivamente estamos vivenciando um momento impar nos mercados
agrícolas, principalmente o de soja.
Em um passado não tão distante, produtores do centro-oeste perseguiam us$ 9.00 por saca de soja e produtores da região sul sonhavam com us$ 11.00. Atualmente resistem em vender a us$ 24,00 e a us$ 30,00, respectivamente.
Os sonhos se tornaram realidade, mas exigem reflexão para que não se transformem em pesadelo num futuro próximo.
Assumindo o risco de ficar me repetindo, tenho sempre afirmado que O padrão de preços para a soja, como no cenário atual, se qualifica e se completa dentro do intervalo de us$ 12,50 a us$ 14,50 por bushel. Desde o ano de 2008, quando houveram quebras nas safras como neste ano de 2012, com raríssimas exceções o mercado trabalhou fora deste padrão.
Outra afirmação competente dentro das medidas históricas é que o cenário de suprimento apertado a partir das perdas sul-americanas, tem resultado numa decorrência de preços elevados por cerca de 3 anos, para recuperar a capacidade da oferta e a reposição de estoques.

O exemplo mais recente está nos anos subsequentes ao ano safra de 2008, que resultou em preços elevados por cerca de 3 anos consecutivos, mas  não recuperou estoques pela repetição de perdas das safras de soja sulamericana neste ano de 2012. Foi praticamente uma repetição do que aconteceu com os preços para a soja nos anos 70´s.
Muito afirmam que os preços podem ter desempenhos inusitados como us$ 20,00 por bushel e que o cálculo inflacionário sobre os preços desde 1972/3, resultaria em us$ 24,00 por bushel. Este é um sonho quase impossível, porque tal desempenho levaria a bancarrota matrizes de consumo a nível global.
Sendo pragmático, preços acima de us$ 14,50 por bushel, podem acontecer mas não serão efetivos e além de escasso tempo de duração, ofereceria danosas consequências para a saúde dos mercados de consumo, inclusive para o consumo interno cujo produto final  já está em situação de desagregação entre o custo de produção e o repasse para a ponta consumidora do varejo.
Vale lembrar que mercados sempre buscam o equilíbrio ideal entre a produção e o consumo. Quando descompensados, de alguma forma sempre se ajustam, como aconteceu no ano de 2008, quando o preço mais elevado alcançou us$ 16,70 por bushel, mas o preço final aos produtores brasileiros foram inferiores que os preços atuais, devido a
um ajuste através do ´premio` que negociou um desconto maior que 
us$ 2,00 por bushel. 

Não podemos considerar preço da soja na Bolsa de Chicago  como linear e definitivo para o preço da soja física. Mas a recíproca é verdadeira, já que os preços atuais embutem elevadíssimos prêmios positivos, maior até que os ´basis`, seu similar no mercado
americano. Resultado de uma suposta subestimação das perdas das lavouras sul-americanas pelos mercados consumidores.
O escrutínio entre o custo de produzir e a margem de resultado deve prevalecer, porque grandes margens também aumentam à exposição ao risco na competição entre a produção e o consumo.
Atenciosamente,
Liones Severo
19/6/2012
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graosesoja.com.br

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