BC diz que economia vai crescer só 2,5%, menos do que o pibinho do ano passado; há 36 dias, Mantega afirmava que cresceria 4% —

Publicado em 29/06/2012 07:18 394 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

BC diz que economia vai crescer só 2,5%, menos do que o pibinho do ano passado; há 36 dias, Mantega afirmava que cresceria 4% — 60% a mais!

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a crise está apenas nos jornais. É verdade. Talvez devessem dar menos bola ao que ele diz. No dia 22 de maio, Mantega assegurava que a economia cresceria 4% em 2012. Hoje, o Banco Central reduziu as expectativas para… 2,5%, menos do que os 2,7% de 2011. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto para encerrar:

Tomando o cenário de referência, que coloca a Selic estável em 8,5% e taxa de câmbio constante em 2 reais, a projeção do BC é de uma inflação em torno de 4,7% neste ano, 5% em 2013 e 5,1% no segundo trimestre de 2014.

O Banco Central (BC) reduziu a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano de 3,5% para 2,5%, conforme mostra seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira. A estimativa está abaixo também do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2011, de 2,7% de alta, resultado considerado baixo.

Ao mesmo tempo, o BC mudou suas perspectivas para a inflação em 2012. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que antes era de 4,4% para 2012, agora é de 4,7%. Para 2013, a nova projeção ficou abaixo da anterior: é esperada alta dos preços da ordem de 5% ano que vem, contra 5,2% previsto no último relatório.

A mudança de perspectiva ficou em linha com o que achavam analistas, que projetavam redução para 2,5% ou 3%, diante dos sinais de que a economia brasileira não está reagindo, com destaque para o setor industrial.

Cenário - Segundo a equipe de economistas que elaboraram as metas, o cenário internacional mais turbulento e de baixa atividade econômica, a desaceleração da China e qv incerteza quanto à sustentabilidade da recuperação americana são fatores que pesaram negativamente na conta das projeções.  “O impacto da deterioração do cenário internacional se transmite para a economia brasileira, entre outros canais, via confiança de empresários, fluxos de comércio exterior e de investimentos”, afirma.

Porém, o BC reitera que há um contraponto nos estímulos promovidos pelo governo, especialmente os cortes na taxa básica de juros, a Selic, que ajudam no consumo das famílias e níveis de investimentos.  “Os impactos das ações de política monetária implementadas desde agosto de 2011, que são defasados e cumulativos e ainda levarão algum tempo para que se manifestem integralmente sobre atividade”, ressalta.

Estímulos - A dificuldade da economia brasileira continua mesmo diante dos estímulos monetários e fiscais adotados pela área econômica. O mais recente foi dado na quarta-feira, quando o governo anunciou um pacote de estímulos envolvendo mais compras federais e redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% para 5,5% ao ano. A TJLP é usada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar empresas e projetos.

O BC também tem atuado para impulsionar o crescimento, ao reduzir a Selic desde agosto passado em 4 pontos percentuais, levando-a à atual mínima recorde de 8,50% ao ano, mantendo a porta aberta para novos cortes. A economia brasileira cresceu timidamente no primeiro trimestre de 2012, a apenas 0,2% - ritmo bem inferior ao esperado pelo governo.

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Entendam: eu não cobro que Mantega seja um bom adivinho. Eu acho apenas que ele tem de renunciar às artes adivinhatórias. Ou abra uma tenda para se dedicar a esse ofício. Mas não na Fazenda.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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