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Imprensa internacional destaca proximidade de Lula e Dirceu

Publicado em 10/10/2012 16:14 514 exibições
Para o 'New York Times', Joaquim Barbosa emerge como 'espécie de herói' do julgamento; jornal americano contrasta a tentativa de Dilma de se mostrar como líder que combate a corrupção enquanto evita falar do caso.

Acondenação dos petistasJosé Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu na imprensa internacional.

O jornal americanoThe New York Times chama o mensalão de "possivelmente o maior escândalo de corrupção do Brasil". 

A publicação, que chama de lendária a corrupção no sistema político do País, classifica o julgamento como uma "rara ruptura" na responsabilização de políticos. 

ONew York Times lembra que José Dirceu estava entre as mais importantes figuras políticas do Brasil à época da eclosão do escândalo, em 2005, e diz que a votação que o condenou por corrupção ativa foi um ponto-chave do julgamento. 

Para oTimes, a presidente Dilma Rousseff evita comentar o caso ao mesmo tempo que tenta sedimentar a imagem de uma líder que combate a corrupção. Ainda assim, seu "partido (PT) está às voltas da ressonância do julgamento na sociedade". 

Para a publicação americana, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, emerge como uma espécie de "herói político" nos acontecimentos. 

O jornal francês Le Monde ressaltou a proximidade de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação descreve o mensalão como um extenso sistema de compra de votos no Parlamento nos anos iniciais do governo Lula.

Já o El Pais, da Espanha, destacou a condenação de José Dirceu. Para o jornal, o caso do ex-chefe da Casa Civil foi "o mais difícil", pois as provas contra eles não eram tão claras quanto as dos outros envolvidos. Os espanhóis destacam a consideração de Ricardo Lewandowski, que, apesar de ter absolvido Dirceu, afirmou que não é impossível que ele fosse o chefe da trama.

O periódico diz que o mais surpreendente na condenação de Dirceu, "considerado o segundo político mais poderoso do País, depois de Lula", é o fato que 8 dos 11 juízes do Supremo foram indicados pelo ex-presidente ou por Dilma Rousseff.

El Pais destaca ainda que Dilma vetou comentários dos ministros do seu governo sobre a condenação e afirma que Dirceu pode, ainda, recorrer a cortes internacionais.

A publicação britânica The Guardian também lembra a proximidade de José Dirceu com Lula e afirma que o auxiliar organizou um "esquema para comprar apoio parlamentar para as políticas do ex-presidente."

Apesar de considerado "amplamente como o maior escândalo político de corrupção política da história do Brasil", o jornal considera que o caso pouco manchou a reputação de Lula, "que deixou o cargo no início de 2011 com uma taxa de aprovação de 87% depois de dois mandatos de quatro anos" e ainda é visto como um dos favoritos, pela população, para ser presidente a partir de 2014.

A repercursão do mensalão
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Para o The New York Times, Dilma evita comentar o escândalo ao mesmo tempo que tenta se firmar como líder que combate a corrupção

Dirceu, o ‘mentor’ do mensalão, quer se transformar em ‘mártir’

Um dia após condenação, ex-ministro da Casa Civil cogita ir a reunião do PT para dizer ter sido ‘vítima de julgamento político’ e fazer do encontro um ato de desagravo



José Dirceu, que o Supremo Tribunal Federalcondenou como mentor do mensalão, passou o dia alimentando a ideia de ir nesta quarta-feira, 10, à reunião do Diretório Nacional do PT para reiterar que é vítima de um julgamento político. Os velhos companheiros o receberiam como a "um mártir".


José Dirceu ao votar no domingo, 7 - Danieal Teixeira/AE - 07.10.2012
Danieal Teixeira/AE - 07.10.2012
José Dirceu ao votar no domingo, 7

A ida do réu ao PT, que ainda não está certa, poderá se transformar na primeira reação do ex-ministro chefe da Casa Civil que, por esses dias, tem demonstrado forte abatimento.

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Perdeu-se no tempo a imagem daquele jovem ousado que não se curvou em Ibiúna, nos idos de 1968, quando a polícia política varreu o famoso congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Restaram-lhe os cabelos longos, agora grisalhos.

Desde que o Supremo passou a condenar, um a um, os réus da ação penal 470, Dirceu foi se convencendo de que também não escaparia.

Aos poucos, ele perdeu a eloquência do ministro mais poderoso do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A esperança por uma absolvição, amparada nos argumentos de sua defesa e na esperança de que ainda teria alguma influência na toga, logo virou decepção ante o voto do ministro Joaquim Barbosa, que lhe atribui o papel de mentor de organização criminosa.

No domingo, quando foi votar em um bairro de classe média de São Paulo, escoltado por uma militância hostil que não permitiu a aproximação dos jornalistas, o ex-ministro já carregava com clareza a condenação - uma sanção contra a qual não caberá recurso, exceto embargos que podem atenuar eventual medida restritiva de liberdade.

À noite, ele retornou a Vinhedo, onde possui residência e tem recebido amigos e familiares. Seu filho, Zeca Dirceu, deputado federal pelo Paraná, lhe tem feito companhia.

O que mais angustia o ex-ministro é o silêncio a que se impôs, orientação expressa de seus defensores, José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Aqua.

Prudência. Os advogados agem com prudência. Eles não querem que um eventual pronunciamento de Dirceu soe como uma afronta à Corte. Amordaçado, é como afirma se sentir, logo ele, que se notabilizou como um contestador aguerrido.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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