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Chaveco e o Tempo, por Rui Alberto Wolfart

Publicado em 22/11/2012 18:02 303 exibições

Chaveco e o Tempo

A perda da memória cuiabana é algo que entristece e diminui os horizontes para uma vida melhor. O bombardeamento diário, com notícias de toda ordem, dopa o senso crítico e vai provocando uma amnésia coletiva. 

Falarei do tempo, do clima e de personagens singulares como o que empresta o nome para o título do artigo. 

Ao chegar a Diamantino nos anos 80, tive a feliz oportunidade de conviver com Chaveco, cuiabano – diamantinense, que me ensinou a interpretar os sinais enviados pela Natureza, podendo fazer prognósticos climáticos com grande margem de acerto. 

Suas orientações eram amparadas na observação das floradas dos pequizeiros e em tantos outros sinais do ambiente. Seu conhecimento singular rege até hoje o meu olhar sobre o clima. 

Também, me valia nos anos iniciais de Mato Grosso, de informações enviadas pelo professor e climatologista do Centro Tecnológico da Aeronáutica – CTA, Carlos Girardi, que elaborava prognósticos da tendência do tempo. 

Ele se valia também, para desenvolver seu trabalho, das observações dos antigos caldeus, povo que vivera no Oriente Médio, 2500 aC. Isso mesmo, 2500 anos antes de Cristo, ou melhor, há 4512 anos. 

As suas estimativas eram feitas, emprestando dados da astronomia, do posicionamento da Terra – Lua e Sol, cuja freqüência de posições acontece a cada 18 anos. 

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Infere-se que por essa identidade de posições dos três corpos no espaço, uma mesma quantidade de insolação chegaria às áreas terrestres, e a influência lunar sobre as marés oceânicas e atmosféricas seria bastante semelhante as do passado, principalmente para o Hemisfério Sul, cuja predominância das águas é quase total. 

Para respaldar seus trabalhos eram também destacadas as ondas de “Rossby”, que são ondas de caráter inercial a circular o globo em latitudes médias de ambos os hemisférios. 

Ele sempre situava que havia outros fatores influenciando a dinâmica do clima como a inclinação do eixo de rotação e a geometria da órbita da Terra em torno do Sol, erupções vulcânicas terrestres e submarinas, poluição....

Nesse instante, meteorologistas falam que para este ano o “El Nino” estaria morrendo. Em respeito à memória de Chaveco, pairam perguntas que não querem calar: por que as freqüentes ondas de frio continuam penetrando o território mato-grossense com tanta facilidade? 

Onde estariam os sinais da “Alta da Bolívia”, que traz em seu bojo as chuvas regadeiras? Especialistas em clima, que diariamente falam do tempo, estão escorados em palanques de banhado, pois os dados estatísticos que os apóiam são bastante frágeis. 

O CPTEC e o INMET sempre destacam em suas publicações, que o nível de acerto para o Centro Oeste não passa de 40% (??!!)...

A agricultura tão refinada tecnologicamente, tendo que se valer de dados com apenas 40% de confiabilidade, não poderia jamais dispensar o auxílio da “ciência” dos “chavecos e caldeus”, para melhor grau de acerto nas estimativas de previsões climáticas.

Rui Alberto Wolfart

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