Trechos prontos da BR-163 (entre MT e Pará) já apresentam defeitos

Publicado em 30/11/2012 19:54 660 exibições
Comitiva do Movimento Pró-Logística encontrou obras paradas e já com defeitos no asfalto


​Produtores de soja liderados pela Aprosoja percorreram quase 700 quilômetros da BR-163 entre Cuiabá e Santarém (PA),  sendo a maior parte deste trecho foi por uma rodovia ainda não asfaltada. A partir do município de Novo Progresso, a expedição encontrou um trecho de 41 quilômetros pavimentados pela empresa Cincorp. O coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, se preocupa com os defeitos encontrados na pista. “Este pavimento foi concluído há pouco tempo e já apresenta defeitos. Com o alto fluxo de caminhões que passará por este trecho, ela irá se deteriorar ainda mais”, afirmou.


O doutor em Logística, Luiz Miguel de Miranda, que está acompanhando a expedição acredita que no próximo ano mais de 400 caminhões irão trafegar por dia pela via. Segundo ele, a qualidade do asfalto usado nas obras é certificada internacionalmente, o problema é que não é feita a gestão dos projetos no país. “Se fosse realizado um controle tecnológico em toda a obra, de acordo com as normas, este custo seria de 5% do total e o pavimento teria uma durabilidade de 20 anos, e não cinco anos, como é atualmente”, explicou.


De acordo com o professor Luiz Miguel, a conservação de uma rodovia já pavimentada custa entre R$ 150 mil e R$ 250 mil por quilômetro, por ano. Em seguida, a comitiva do Estradeiro vistoriou os trechos considerados mais críticos da BR-163. Um deles, de responsabilidade da empresa Trimec, de 65 quilômetros, é o mais atrasado de toda a rodovia. “Há alguns trechos em sub-base, mas nada mais foi realizado. Em maio, quando estivemos aqui, a terraplanagem estava feita”, disse Edeon Vaz Ferreira.


Outra parte das obras que preocupa é o trecho de 137 quilômetros da empresa CBEMI. “Esta empresa entrou em recuperação judicial e está tudo parado. Só há asfalto nos últimos 30 quilômetros”, explicou Edeon. 
 
Já o professor Luiz Miguel avaliou como desnecessárias algumas pontes construídas em córregos. “Em alguns locais poderiam ser feitos bueiros, e não uma estrutura grande e cara como a que encontramos”, disse. Segundo ele, uma ponte custa em torno de R$ 1 milhão e um bueiro, R$ 300 mil.


Há obras de responsabilidade do Exército: na localidade de Vila do Trinta até Miritituba, que é distrito de Itaituba, e também de Rurópolis a Santarém. No primeiro trecho, está tudo parado. No segundo, os homens estão trabalhando em terraplanagem e em imprimação da massa asfáltica. O trecho de 112 quilômetros de Vila do Trinta até Rurópolis acabou de ser licitado para uma empresa privada, a Sanches Tripoloni.


Terminal – A comitiva do Estradeiro BR-163 visitou também o Terminal Fronteiro Norte (Terfron) em Miritituba, distrito do município de Itaituba, no Pará. Lá, as obras da empresa Bunge estão iniciando e outras empresas estão em fase de projeto para utilizar o rio Tapajós como escoamento para grãos. O objetivo é que saia deste terminal, pelo menos, dezoito barcaças, com capacidade de duas mil toneladas cada, transportando os grãos que vem de Mato Grosso. Isso significa 900 caminhões a menos nas rodovias. O principal porto para onde estes produtos serão encaminhados será o de Santana, em Macapá.


O Estradeiro da BR-163 iniciou na segunda, dia 26 de novembro. Esta é a segunda expedição realizada pelo Movimento Pró-Logística na rodovia este ano. O objetivo é conferir in loco a situação das obras, para posteriormente entregar um relatório aos órgãos responsáveis. A BR-163 é considerada uma obra prioritária para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, maior produtor de soja do país.

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Aprosoja

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