Posto da Mata, na Suia Missu, transforma-se em vila "fantasma"

Publicado em 15/01/2013 20:47
Restam apenas cinco fazendas com gado na terra indígena. Famílias estão refugiadas em loteamentos de cidades vizinhas. (no G1 MT).

O processo de desocupação da Terra Indígena de Marãiwatsédé, no município deAlto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá atingiu 90% . Segundo o coordenador da operação, Nilton Tubino, praticamente todas as moradias de Posto da Mata, vilarejo que concentrou a resistência dos posseiros contrários à desocupação, já estão vazias.

“O oficial de Justiça acompanhado pela Força Nacional de Segurança já desocupou a maior parte das casas de Posto da Mata. Nenhum comércio funciona mais no local. O hotel do distrito está fechado e só aguarda a chegada de um caminhão para retirar a mobília”, revelou Tubino.

O cenário de Posto da Mata, nas palavras do coordenador da operação, assemelha-se a de 'cidades fantasmas'. Depois que a última pessoa deixar o vilarejo, uma operação será montada para retirar postes de iluminação pública, rede de distribuição de água e tudo que puder ser reaproveitado nos loteamentos que estão sendo erguidos de forma improvisada nos municípios de Alto Boa Vista eBom Jesus do Araguaia.

Em Ribeirão Cascalheira, a 893 quilômetros de Cuiabá, 175 das 220 famílias cadastradas foram encaixadas no perfil de um projeto de reassentamento. Todos serão beneficiados com créditos para a aquisição de alimentos no valor de R$ 3,2 mil e de materiais de construção no valor de R$ 25 mil por família.

Em relação às propriedades rurais, Tubino informou que todas as de grande e médio porte foram desocupadas. Restam apenas cinco propriedades de criação de gado, disse ele, que aguardam a chegada de caminhões para retirar os animais. O G1 apurou que o preço da cabeça de gado na região despencou 30%.

“A data limite para a desocupação já estourou há muito tempo. Agora estamos mediando cada caso com prudência para não corrermos nenhum risco no final da operação”, ressaltou Tubino. Ao final da operação, a Funai deverá fazer uma solenidade de entrega do território, de 165 mil hectares, para os xavantes. Até o momento, os índios recebem a escolta e segurança de uma equipe da Força Nacional de Segurança que está na aldeia.

Desocupação

Marãiwatsédé será devolvida aos índios xavantes
após desocupação (Foto: Reprodução/TVCA)

O processo de desocupação dividiu a Terra Indígena de Marãiwatsédé, do povo Xavante, em quatro áreas. Pelo plano, foram desocupadas primeiro as grandes propriedades, seguidas pelas médias e pequenas. A comunidade de Posto da Mata foi a última a ser desocupada.

A área em disputa tem uma extensão aproximada de 165 mil hectares. Ainda de acordo com a Funai, o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé desde a década de 1960. Nesta época, a Agropecuária Suiá Missu instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos.

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Fonte: G1 MT (TV CentroAmerica)

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