Dois artigos sobre a volta de Renan Calheiros ao comando do Senado

Publicado em 17/01/2013 09:12
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1.o) SENADO FEDERAL, FABRICA DE CORRUPTOS ---- TEXTO DE THEREZA COLLOR... (Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro). 2.o) Coluna Direto ao Ponto, do blog de Augusto Nunes( em veja.com.br)...
SENADO FEDERAL, FABRICA DE CORRUPTOS ---- TEXTO DE THEREZA COLLOR...


(Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro):

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros, 

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!
Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas..

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.
Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento de vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em palácios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez.
Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!
Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.
E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha - e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.
Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola?

Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.

E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira.
Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:

1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil,
2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil,
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil,
4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil .

E SÓ.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!
Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000. Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000,00.

Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas? Que herança moral você deixa para seus descendentes?.

Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família.. Tem certeza de que vale a pena?
Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices.
Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!

Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara.
Os alagoanos agradecem.

Thereza Collor"

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Da coluna  Direto ao Ponto, de Augusto Nunes, em veja.com.br:

Mais de cinco anos depois de escapar do naufrágio, Renan Calheiros é devolvido ao leme do barco pelos ratos-do-Senado

Em outubro de 2007, depois de renunciar à presidência do Senado, Renan Calheiros foi absolvido, em votação secreta, de todos os crimes que recomendavam aos berros a cassação do seu mandato. Comentei o episódio abjeto  num artigo publicado simultaneamente no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil. Neste começo de 2013, o senador alagoano está pronto para ser reconduzido ao cargo que desonrou. Os ratos seguem no barco, resumiu o título do artigo escrito há pouco mais de cinco anos. O iminente retorno de Renan à presidência da Casa do Espanto avisa que os roedores insaciáveis continuam por lá ─ e torna lastimavelmente atual o texto de 9 de outubro de 2007. Confira:

A tropa de choque que marcha à frente dos 45 comparsas de Renan Calheiros achou insuficiente revogar a decência e transformar o Senado no primeiro clube de cafajestes da terceira idade. Além do enterro da moral e dos bons costumes, seus componentes também providenciaram a desmoralização de duas crenças promovidas a verdades incontestáveis pelo critério da longevidade. Foram reduzidas a crendices tão verossímeis quanto a mula-sem-cabeça.

A primeira sustentava que, para qualquer político profissional, o instinto de sobrevivência eleitoral sempre prevaleceria sobre tudo o mais ─ amizades de infância, alianças históricas, convicções ideológica; tudo. Engano, informou a absolvição de Renan. Para livrá-lo da guilhotina, os parceiros do pecador escalaram espontaneamente o cadafalso. Uns poucos tentaram camuflar a abjeção com minuetos patéticos. Os outros optaram pelo suicídio com o peito estufado de mussolini-de-hospício.

A segunda teoria desintegrada pelo bando garantia que os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco prestes a naufragar. O comportamento dos roedores a serviço de Renan sugere que alguma mutação genética resultou no surgimento de uma subespécie perturbadoramente audaciosa:. o rato-do-Senado. Essa maravilha da fauna política brasileira não tenta escapar da morte. Prefere esperar a bordo a consumação da tragédia.

Pior: confrontados com a ameaça letal, os ratos-do-Senado fazem qualquer negócio para precipitar o desastre. O pelotão de sabotadores continua nos porões, agindo nas sombras. Os demais sobem dos porões para combater no tombadilho, divididos em dois grupos. O primeiro trata de abortar tentativas de salvamento. O segundo cuida de manter a embarcação na rota que conduz ao afogamento coletivo.

No momento, penduram-se no leme quatro espécimes que atrairiam multidões de visitantes ao mais mambembe dos zoológicos. Almeida Lima só ruge. Leomar Quintanilha só mia. Wellington Salgado só berra. Gilvan Borges se expressa num dialeto ainda indecifrável. Miando, Quintanilha conseguiu fazer de Almeida Lima o relator de outro processo contra Renan. Rugindo, Almeida Lima anunciou que não vai admitir críticas ao seu desempenho: promete revidar com um sapatão na cara. Caso se desencadeie a guerra dos calçados, não convém contar com Welllington Salgado: essa versão devassa de Rapunzel estará usando o chinelinho novo que ganhou de Lula. Nem com Gilvan Borges: ele só calça sandálias de couro cru (sem meias). Combinam com os ternos de Gilvan: todos estimulam a suspeita de que o defunto era mais baixo e mais magro. O senador pelo Amapá explica que nunca foi de dar muito valor a regras estéticas. A regras morais nunca deu valor nenhum.

Se Deus poupou JK do sentimento do medo, algum anjo caído dispensou a subespécie de remorsos e culpas. Confiantes na indulgência das urnas e na lentidão da Justiça, os ratos-do-Senado poderão descobrir que, mesmo no faroeste brasileiro, os fora-da-lei que exageram no deboche podem cair do cavalo e acabar na cadeia.

16/01/2013

 às 20:49 \ Direto ao Ponto

Editorial do Estadão: o balanço das obras prometidas para a Copa de 2014 é constrangedor para o país anfitrião

Trecho: Quanto às obras de mobilidade urbana consideradas necessárias para melhorar o tráfego nas cidades escolhidas para sedes do campeonato, a situação dos organizadores brasileiros é ainda mais embaraçosa: dos 82 empreendimentos acertados há cinco anos, 21 já foram liberados do compromisso em comum acordo com a Fifa. Como foram acrescentados mais 28, agora há 86 obras em andamento. Tiveram orçamento alterado 25 delas e 33 não cumpriram o cronograma anunciado. Apenas 3 em 82 (3,5%) mantêm orçamentos atualizados e prazos em dia. Estas reformas concluídas representam cerca de 5% do que estava previsto para ficar pronto até agora.

Leia a íntegra na seção Feira Livre

16/01/2013

 às 16:50 \ Direto ao Ponto

Carlos Brickmann: O homem que sabe de tudo

Trecho: Imaginemos que o contador de Carlinhos Cachoeira tenha chegado a um acordo para contar o que sabe. Será um terremoto: o relacionamento legal ou ilegal de Cachoeira passa pela gigantesca empreiteira Delta e seu dono Fernando Cavendish (companheiro do governador fluminense Sérgio Cabral naquela grotesca Noite dos Guardanapos e dos Sapatos Vermelhos, em Paris), pelo governador goiano Marconi Perillo, por tudo o que se possa imaginar, envolvendo partidos diversos e dinheiro à vontade.

Leia a íntegra na seção Feira Livre

16/01/2013

 às 1:52 \ Direto ao Ponto

A dupla certa no lugar certo: dois casos de polícia vão chefiar o Carandiru sem grades

Em nações politicamente adultas, Renan Calheiros e Henrique Alves não passariam da primeira anotação no prontuário: antes da segunda patifaria, seriam transferidos da tribuna para um tribunal, teriam o mandato cassado e só voltariam ao Congresso para depor em alguma CPI ou, depois da temporada no presídio, fantasiados de turistas. Num Brasil com cara de clube dos cafajestes, o senador alagoano vai presidir a Casa do Espanto e o deputado potiguar vai administrar o Feirão da Bandidagem. Faz sentido.

A seita lulopetista aprendeu que folha corrida é currículo, integridade é defeito e honra é coisa de otário. Como nas disputas promovidas mensalmente pela coluna para a escolha do Homem sem Visão do Ano, a eleição do presidente da Câmara ou do Senado comprova que os congressistas votam no candidato que lhes pareça o pior entre os piores. A galeria dos eleitos depois do advento da Era da Mediocridade confirma que, quanto mais alentado for o prontuário, maior será a chance de vitória.

Indicados pelo PMDB, com o endosso de partidos da base alugada e o apoio da oposição oficiais, Renan e Henrique Alves estão à altura dos atuais ocupantes do cargo. José Sarney só não foi despejado da presidência do Senado porque Lula o promoveu a Homem Incomum e os oposicionistas estão em férias há 10 anos (veja o post reproduzido na seção Vale Reprise). Renan teve de renunciar ao posto para escapar da cassação que até seus comparsas achavam inevitável. Marco Maia acha muito natural que um deputado condenado pelo STF passe o dia no plenário e a noite na cadeia. Henrique Alves já avisou que, se José Genoíno precisar de um coiteiro, é só chamar o presidente.

Contemplada do lado de fora, a sede do Parlamento brasileiro é uma bela criação da grife Niemeyer. Visto por dentro, sobretudo por quem conhece a face escura dos inquilinos, o lugar onde deveria haver um Congresso é reduzido a um acampamento de meliantes com um terno escuro que não se dá com a gravata, sorriso de aeromoça e a expressão confiante de quem confunde imunidade parlamentar com licença para pecar.

O Congresso virou um Carandiru sem grades. É natural que seja dirigido por casos de polícia.

16/01/2013

 às 0:55 \ Direto ao Ponto

Três notas de Carlos Brickman

Trecho da primeira: Conte fora do Brasil que aqui os cadeeiros querem exercer mandatos eletivos. Mas cuidado: todos os gringos vão achar que o caro leitor é que ficou doidão.

Confira na seção Feira Livre.

(por Augusto Nunes), de veja.com.br).

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Fonte Extra (RJ) e VEJA

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