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Um seguro anticrise, por Sílvio Ribas

Publicado em 24/02/2013 19:44 368 exibições
É na balança comercial que a chamada âncora verde acentua a sua força



O saldo da balança comercial brasileira em 2012 foi o pior em 10 anos, com US$ 19,4 bilhões, um tombo de 34,8% em relação ao ano anterior. Esse resultado teria sido ainda menor não fosse o superavit anual das exportações da agropecuária, de US$ 79,4 bilhões. 

Em outras palavras, um único setor da economia financiou US$ 60 bilhões do rombo dos demais. Ajudou a cobrir os US$ 22,2 bilhões gastos pelos turistas brasileiros no exterior. As exportações recuaram 5,3% no ano passado, para US$ 242,58 bilhões, a primeira queda desde 2009. Mas US$ 96 bilhões, ou 40% das vendas externas, foram garantidos pelo campo. E mais: quase metade das reservas cambiais do país, um seguro anticrise superior a US$ 360 bilhões, saiu do campo. 

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ressalta que o agronegócio é hoje o segmento produtivo que mais contribui para o desenvolvimento nacional. “Há anos, o campo é responsável pelos sucessivos superavits da balança comercial e por 30% dos empregos formais”, sublinha. Ela lembra que, antes visto como atividade socialmente atrasada, o setor rural é o que mais incorpora tecnologia de produção e mais investe na qualificação de mão de obra. Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial (Bird), tem a mesma opinião. Para ele, o setor não pode sequer ser mais chamado de primário, em razão da complexidade de processos que incorpora. 

Ciente da importância da safra recorde para as contas externas do país e o controle da inflação, a presidente Dilma Rousseff ofereceu R$ 115 bilhões para o financiamento do agronegócio e mais R$ 18 bilhões para a agricultura familiar. O crédito aos agricultores, no entender de Dilma, está sendo usado para dar mais eficiência à produção e melhorar as condições de trabalho. 

Para a atual safra, que ainda está pela metade, o agronegócio tomou emprestado R$ 15 bilhões para se modernizar. Desse total, R$ 9,6 bilhões foram destinados ao custeio. O Banco do Brasil se mantém como o maior parceiro do setor, com participação de 62,7% no Sistema Nacional de Crédito Rural e uma carteira de R$ 98,4 bilhões. Nos últimos 12 meses, os valores apontaram expansão de 17,4%. (SR) 

Mitos superados 

Na competição internacional pelo mercado de alimentos, algumas perspectivas também se modificaram nos últimos anos. Apesar de ser apontada como promissora a longo prazo, a agricultura africana continua exibindo baixa competitividade, com problemas de recuperação de solos, de frequência de chuvas nas savanas e, sobretudo, de domínio territorial. Outro mito vencido com o tempo é o de que a cana-de-açúcar é uma ameaça ao meio ambiente. “Trata-se de uma política estratégica do Brasil, de busca da independência energética e a favor da economia verde, sem qualquer risco para a Amazônia e o Pantanal”, afirma o chefe da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Júnior.

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Fonte:
Correio Braziliense

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