Pesquisas econômicas revelam apreensão com a economia

Publicado em 04/03/2013 06:32
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A economia deu leves sinais de reação, em janeiro, mas as pesquisas feitas em fevereiro com empresas industriais e consumidores mostram que persiste elevada dose de dúvidas quanto à retomada. Entre janeiro e fevereiro, o nível de confiança dos empresários ficou praticamente estável, segundo a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV. E o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou para um aumento da preocupação com o emprego, a inflação e o endividamento. Os levantamentos contrastam com a elevação de 2,1% no Indicador do Nível de Atividade (INA), da Fiesp, entre dezembro e janeiro.

A pesquisa da FGV mostrou que as expectativas para os próximos meses são melhores do que a situação atual. Em contraste, entre janeiro e fevereiro o nível de demanda caiu 2,6%, atingindo o menor patamar desde julho de 2012. No mês, o nível de utilização da capacidade caiu 0,3 ponto porcentual. Mas os empresários consultados (1.291, em todo o País) não pretendem demitir: apenas 5,4% esperam um nível menor de emprego, enquanto 18,5% acreditam num maior nível de emprego.

A confiança dos consumidores caiu pelo terceiro mês consecutivo, segundo a CNI. Os trabalhadores temem o aumento dos preços - a meta máxima de inflação, de 6,5% em 12 meses, tende a ser superada neste semestre. Isso significa queda do poder aquisitivo, salvo para aqueles que obtiveram reajuste real de salário.

O reflexo das incertezas já aparece nas avaliações dos departamentos econômicos de bancos e empresas. Em vez de piso, um crescimento do PIB de 3%, neste ano, já é visto como teto por alguns analistas. E só a minoria dos economistas prevê que o PIB poderá crescer até 4% em 2013.

O governo estuda novas medidas para estimular os investimentos, enquanto mantém a economia operando com elevada liquidez. Mas, quando as autoridades admitem uma valorização do dólar para evitar pressões inflacionárias, empurram a indústria local para baixo, pois estimulam a importação. Essa não é uma situação facilmente reversível, dado o diagnóstico de que um dos problemas centrais é a falta de oferta de bens produzidos pela indústria local. E, se for preciso elevar as taxas básicas de juros para evitar a percepção de relaxamento com a inflação, a retomada poderá ser ainda mais difícil.

Sinais de ativação da demanda de máquinas e equipamentos, em janeiro, notados pela Fiesp e pelo Iedi, são o aspecto mais positivo, até aqui.


Balança comercial tem o maior déficit histórico para o mês de fevereiro

Déficit foi de US$ 1,2 bilhão em fevereiro e de US$ 5,312 bilhões no acumulado do ano



 A balança comercial brasileira encerrou fevereiro com déficit de US$ 1,276 bilhão, é o maior registrado para o mês desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no começo da década de 90. Até então, o pior resultado para fevereiro havia sido em 1997, quando o resultado comercial ficou negativo em US$ 1,194 bilhão.

Em fevereiro, as exportações somaram US$ 15,551 bilhões e as importações, US$ 16,827 bilhões.

As importações brasileiras bateram recorde histórico para meses de fevereiro, segundo o MDIC, e superaram o último recorde de US$ 16,322 bilhões do mesmo mês do ano passado. Pela média diária, que somou US$ 934,8 milhões, as importações também tiveram o maior resultado para meses de fevereiro. O crescimento foi de 8,8% em relação a fevereiro de 2012. Segundo o MDIC, o registro das importações neste ano está sendo inflado por operações feitas pela Petrobrás em 2012, mas que somente agora estão entrando nos registros do Siscomex.

As importações de petróleo e derivados somaram US$ 3,1 bilhões no mês passado, sendo que US$ 860 milhões são operações da Petrobrás em 2012, registradas este ano. Ainda há US$ 2 bilhões de importações de 2012 que serão registradas, conforme previsão da estatal, ao longo do primeiro quadrimestre deste ano, segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

Previsões

O resultado de fevereiro ficou dentro do previsto pelo mercado (déficit de US$ 2,090 bi a superávit de US$ 120 mi), mas é pior do que a mediana das estimativas (déficit de USS 952 milhões).

Na quarta semana do mês passado, a balança comercial apresentou déficit de US$ 301 milhões e, na quinta semana, outro saldo negativo de US$ 413 milhões.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 1º, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No acumulado do ano até fevereiro, as exportações somam US$ 31,518 bilhões e as importações, US$ 36,830 bilhões, resultando em um déficit de US$ 5,312 bilhões.


Aécio critica estagnação econômica e diz que País está no rumo errado

Provável candidato do PSDB à Presidência em 2014 disse que Dilma não tomou medidas necessárias e escolheu o 'irrealismo'



O senador Aécio Neves (MG), provável candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, criticou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB),que ficou em 0,9% em 2012. Em nota, o tucano afirmou que o governo Dilma Rousseff poderia ter tomado medidas no ano passado para evitar a estagnação, mas escolheu o "irrealismo". Em sua avaliação, o Brasil segue "no rumo errado".

"Se o governo Dilma não optasse pelo irrealismo e pela auto enganação, o País talvez tivesse se livrado do mau resultado do PIB anunciado hoje pelo IBGE", inicia a nota do senador. "Tivesse o governo do PT tomado melhor pé da situação já no decorrer de 2012, é possível que nossa economia não tivesse tido desempenho tão negativo quanto o crescimento de 0,9% conhecido nesta manhã. Tempo perdido não se recupera", afirma.

O tucano aponta que o Brasil cresceu "muito menos que o resto do mundo", que setores como a indústria "vão de mal a pior" e a expectativa para os próximos meses na área de investimentos "não é das melhores". "São diagnósticos que vimos apresentando ao longo dos últimos meses, mas aos quais a gestão da presidente Dilma Rousseff contrapôs-se com previsões tão otimistas quanto irrealistas. O resultado oficial do IBGE mostra que estávamos certos, infelizmente", acrescenta.

Aécio reforça que a economia brasileira não cresceu em 2012 e que o PIB per capita estagnou. "Num ano em que a média de crescimento mundial foi o dobro da brasileira e a de muitos países, incluindo os latino-americanos, foi bem maior que a nossa, uma conclusão se impõe: o problema está aqui dentro. Estamos no rumo errado."


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Fonte: O Estado de S. Paulo

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