PF recebe pedido para investigar denúncias de Valério envolvendo Lula

Publicado em 08/04/2013 20:18 e atualizado em 09/04/2013 03:59 504 exibições
A Procuradoria da República no Distrito Federal envia para a PF processo para apurar o repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom a uma conta no exterior supostamente pertencente ao PT

A Polícia Federal recebeu nesta segunda-feira o pedido da Procuradoria da República no Distrito Federal de abertura de inquérito para apurar o repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom a uma conta no exterior supostamente pertencente ao Partido dos Trabalhadores (PT). A denúncia foi feita pelo operador do mensalão, o empresário Marcos Valério, em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR). Valério acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado do esquema.

A PF informou que os procedimentos para avaliar o pedido já foram adotados. Se o inquérito for aceito, a investigação pode ser aberta nos próximos dias. 

O episódio envolvendo a Portugal Telecom foi mencionado durante o julgamento do mensalão, que resultou na condenação de 25 pessoas, entre elas o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o deputado João Paulo Cunha. A relação entre a empresa portuguesa e o PT não chegou a ser investigada, mas viagens e encontros dos envolvidos no esquema chegaram a ser utilizados pelos ministros do Supremo para determinar a culpa dos envolvidos.

Em depoimento prestado em setembro à PGR, Marcos Valério disse que Lula “deu o ok” para empréstimos bancários ao PT destinados a viabilizar o esquema e para o pagamento de “despesas pessoais”. O empresário ainda disse que o então presidente e o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, fizeram gestões junto à Portugal Telecom para que a empresa repassasse R$ 7 milhões ao PT. O repasse teria sido negociado numa reunião que o operador do mensalão teve com Lula e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, no próprio Palácio do Planalto.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson. Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas. A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão.

Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

No dia 17 de dezembro de 2012, após mais de quatro meses de trabalho, os ministros do STF encerraram o julgamento do mensalão. Dos 37 réus, 25 foram condenados, entre eles Marcos Valério (40 anos e 2 meses), José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses) e Delúbio Soares (8 anos e 11 meses). A Suprema Corte ainda precisa publicar o acórdão do processo e julgar os recursos que devem ser impetrados pelas defesas dos réus. Só depois de transitado em julgado os condenados devem ser presos.


na coluna  Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Os jornalistas que descobriram a festa surpresa organizada por Lula fingiram que o caso Rose ainda não foi descoberto

Divulgadas nesta segunda-feira, as reportagens sobre o evento atestam que muitos jornalistas não foram surpreendidos pela festa surpresa organizada por Lula para comemorar o aniversário de Marisa Letícia ─ e, sobretudo, tentar ficar um pouco melhor no retrato doméstico, severamente danificado pela descoberta do escândalo que protagonizou em parceria com Rosemary Noronha. Tanto sabiam que aguardaram o maridão à saída da Churrascaria Rodeio, na região dos Jardins. Surpreso ficou o ex-presidente ao topar, na madrugada de domingo, com aquela gente armada de gravadores, canetas, blocos de anotações e câmeras fotográficas.

A substituição do sorriso por vincos avisou que, depois de fugir por mais de quatro meses de conversas do gênero, Lula imaginou ter caído na armadilha da entrevista improvisada, sem pauta previamente definida. Liberados para tratar de quaisquer temas, afligiu-se, é claro que os jornalistas não perderiam a chance de tratar – e com a patroa ao lado – da peça mais perturbadora do do acervo de histórias muito mal contadas que juntou nos últimos 30 anos. Afligiu-se desnecessariamente.

Como os 70 convivas selecionados pessoalmente por Lula, os jornalistas não estavam lá para tratar de temas incômodos, muito menos de casos de polícia. Nenhum pareceu interessado no assunto. E o galã da pornochanchada criminosa não ouviu uma única pergunta sobre as patifarias que envolvem a gatuna que promoveu a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Graças à cumplicidade ativa do grupo acampado na porta da churrascaria, o silêncio que já completou 136 dias foi prorrogado por prazo indeterminado.

Pode durar para sempre se todo jornalista mirar-se no exemplo lastimável. Os textos e imagens publicados nesta segunda-feira revelaram que Dilma Rousseff voou de Brasília para São Paulo escoltada por quatro ministros, que Rui Falcão foi o primeiro a chegar, que Alexandre Padilha apareceu tão tarde que ficou só na salada, que o também aniversariante Guido Mantega apagou velinhas ao lado de Marisa Letícia. Os leitores apresentados ao balaio de informações inúteis continuam sem saber o que o ex-presidente tem a dizer sobre a quadrilheira que protegeu desde 2004.

Não por falta de tempo, demonstram as irrelevâncias enfileiradas pelos caçadores de notícias. Tampouco podem recorrer ao álibo do tempo escasso as três jornalistas designadas pelo jornal Valor para a entrevista exclusiva com Lula publicada em 26 de março. A conversa ocupou uma página inteira da edição. O caso Rose apareceu uma única vez, de relance e sem mostrar o rosto. Não mereceu mais que uma frase espremida entre outras questões numa pergunta só, formulada com a delicadeza de dançarinos de minueto: Desde que deixou a Presidência, o senhor tem sido até mais alvejado que a presidente. Foi acusado de tentar manter a chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Agora foi acusado de ter suas viagens financiadas por empreiteiras. Como o senhor recebe essas críticas e como as responde?

Releiam a sopa de letras condenada a figurar nas antologias dos piores momentos do jornalismo mundial. Para quem vê as coisas como coisas são, Lula é acossado desde o fim de novembro por dezenas de pontos de interrogação, 40 dos quais foram agrupados no post publicado em 4 de março. Para as piedosas inquisidoras do Valor, Lula talvez tenha cometido um só pecado venial:  “tentar manter a chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo”. Essa simplificação da roubalheira promovida por outra quadrilha de estimação é tão vergonhosa quanto a resposta do ex-presidente.

“Quando as coisas são feitas de muito baixo nível, quando parecem mais um jogo rasteiro, eu não me dou nem ao luxo de ler nem de responder”, pontificou o Lincoln de galinheiro. “Porque tudo o que o Maquiavel quer é que ele plante uma sacanagem e você morda a sacanagem”. Dito isso, deu o assunto por encerrado. Em poucas linhas, os participantes da conversa confirmaram que certas manifestações de covardia exigem mais coragem que atos de bravura em combate protagonizados por heróis de guerra.

É preciso muita coragem para mentir tão descaradamente quanto Lula. Tanta coragem quanto requer a submissão voluntária  a um entrevistado que conta mentiras com a segurança de quem sabe que também os entrevistadores não têm compromisso com a verdade.

(por Augusto Nunes).

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Fonte:
terra.com.br

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1 comentário

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    eu não vi nada eu não fiz nada eu não sei de nada isso é persiguisão das elites hahahahaha

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