Dilma amplia em mais de 1 milhão de ha. área indígena em Apiacás (MT)

Publicado em 26/04/2013 07:34 e atualizado em 26/04/2013 11:01 1245 exibições
Área fica entre Apiacás (MT) e Jacareacanga (PA), com 1,053 milhão de ha. Território vai abrigar povos das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká.

A presidenta Dilma Rousseff homologou a demarcação da terra indígena Kayabi localizada entre os limites dos municípios de Apiacás (MT), distante 1.005 quilômetros de Cuiabá eJacareacanga (PA). O decreto aumenta a reserva indígena de 127 mil hectares para 1,053 milhão, o que corresponde a uma ampliação de  729% na área.

A demarcação, realizada pela Fundação Nacional do índio (Funai), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) que circula nesta quinta-feira (25).  

O território foi criado em 1968. Em 1974 foi demarcado com 47 mil hectares e, em 1987, foi remarcado aumentando para 127 mil hectares. Em 1999, um estudo da Funai indicou a necessidade da ampliação da área indígena na região.A área é destinada a posse permanente dos grupos indígenas Kayabi, Munduruku e Apiaká. A terra indígena está localizada na confluência do Igarapé das Pedras com o rio São Manoel/Teles Pires.

Atualmente, o estado de Mato Grosso é o segundo em número de índios do país. São 47 etnias em 78 terras indígenas, que estão em diferentes fases de regularização. Até o momento, o estado possui 11,2 milhões de hectares regularizadas, onde estão 57 terras indígenas localizadas em 46 municípios. São mais de 24 mil indígenas. 

Ampliacao de reserva pode gerar conflito

O coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Pituyarô Metuktire, afirmou  que a recente decisão  de ampliar de 170 mil para mais de 1 milhão de hectares a Terra Indígena Kaiabi, nos estados de Mato Grosso e Pará, pode motivar um conflito violento entre índios e não-índios. 

“A qualquer momento pode acontecer conflito. Os índios querem lutar pela demarcação. Até sair, sempre vai existir problemas”, afirmou Metuktire, que tem acompanhado com apreensão a situação.

Os indígenas dizem que os fazendeiros ocupam inclusive territórios considerados sagrados. Na aldeia Cururuzinho, segundo o coordenador da Funai, vivem pelo menos 600 índios das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká que alegam ocupar tradicionalmente a terra e parte do território tem lugares considerados como sagrados. Eles dizem estar na região deste 1915.


Os produtores rurais afirmam que compraram as terras - onde vivem na atualidade - do próprio estado na década de 1950. A pedido dos fazendeiros, o STJ condedeu decisão adiando o início da demarcação da terra - que estava prevista para começar no próximo dia 22 deste mês.Já os fazendeiros estimam que o novo desenho da área poderá gerar graves prejuízos econômicos, principalmente, no município de Apiacás, a 1.005 km de Cuiabá (MT), que vive da pecuária de corte. O prefeito Sebastião Trindade afirmou que pelo menos 75% do território do município deve ser comprometido caso se confirme o aumento da área oficialmente. Ele disse que uma jazida de calcário - considerada importante para a produção agropecuária da região - poderia passar a integrar a nova terra indígena.

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O território foi criado em 1968. Em 1974 foi demarcado com 47 mil hectares e em 1987 ele foi remarcado aumentando para 117 mil hectares. A área fica entre o município de Apiacás, em Mato Grosso, e o município de Jacareacanga, no Pará. Em 1999 um estudo da Funai indicou a necessidade da ampliação da área indígena na região. A nova portaria do Ministério da Justiça, de número 1.149, aumentaria essa área para 1 milhão e 400 mil hectares. Estava previsto o auxílio do Exército Brasileiro na demarcação da terra.

O movimento dos fazendeiros tem apoio do governo do estado e de lideranças políticas. Em entrevista à TV Centro América, o procurador-geral, Jenz Prochnow, considerou “absurdo” o possível aumento da reserva indígena. O procurador integra a equipe liderada pelo governador Silval Barbosa (PMDB) que esteve em Brasília nesta semana para discutir o assunto com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo.

Atualmente, o estado de Mato Grosso compõe o segundo maior número de povos indígenas do país. São 47 etnias e 78 terras indígenas, em diferentes fases de regularização. Cerca de 11,2 milhões de hectares de terras indígenas são regularizadas no estado, de acordo com a Funai. As 57 terras indígenas regularizadas abrangem 46 municípios mato-grossenses, onde vivem 24,9 mil índios.



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Fonte:
G1 MT

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1 comentário

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    O FUTURO DO BRASIL NA MÃO DE IRRESPONSAVEIS COMO SERÁ?

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