Mercado de café: LONDRES LIDERA BAIXA E PODE CAIR MAIS

Publicado em 16/06/2013 17:19 376 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

O FMI revisou para baixo a perspectiva de crescimento do PIB de 2014 dos Estados Unidos de 3% para 2.7%, e recomendou que o FED continue se preparando para diminuir a compra de ativos – ainda que muitos tenham dúvida da melhor forma disto acontecer.

O mercado de ações aguarda por novas “dicas” ao fim da reunião do FOMC no dia 19 de junho, mas na dúvida toma um pouco mais de lucro com receito da redução de liquidez chegar antes do esperado.

No Brasil o governo cortou o IOF para os derivativos ajudando o dólar futuro a ceder, assim como o spot momentaneamente. Durante a semana o real chegou a negociar a 2.1656, voltou para 2.1182 com a notícia e intervenções do governo, mas encerrou o período acima de 2.15.

Os principais índices das commodities ficaram de lado nas últimas cinco sessões, mas se olharmos os produtos que formam as cestas notamos o café liderando as perdas com -5.05%, seguido pelo cacau -4.83%, e os metais industriais. Do lado positivo o algodão subiu 5.35%, o óleo de aquecimento 2.72% e o açúcar 2.44%.

O arábica em Nova Iorque fez novas mínimas com a queda de US$ 6.88 por saca, e o robusta escorregou quase o mesmo, US$ 6.54 por saca – muito embora o último tenha se antecipado no movimento de baixa.

O movimento no físico enfraqueceu com o “basis” firmando, o que é normal. Aparentemente intermediários no Vietnã fizeram ofertas mais agressivas, encontrando pouco interesse do outro lado. Os torradores em geral não se apressam em aumentar suas posições já que muitos têm uma cobertura confortável tanto do flat-price como em diferenciais.

A OIC (ICO em inglês), em seu relatório do mês de maio, alertou para o fato de as origens provavelmente incorrerem em prejuízos este ano em função de muitas estarem vendendo seus cafés abaixo do custo de produção. Como relembrado recentemente por um amigo economista, e grande player do mercado, em um cenário de sobra de café os preços tendem a buscar o mais baixo custo de produção – ouso dizer que já vimos várias vezes estes “patamares” serem rompidos e dolorosamente se manterem abaixo dos mesmos por algum tempo.

O USDA soltou mais relatórios de alguns países produtores apontando em leve baixa para Indonésia, Perú e México – em torno de 400 a 500 mil sacas a menos em 13/14 comparado com 12/13 – e uma produção de 53.7 milhões de sacas para Brasil, sendo 38.5 milhões de arábica e 15.2 milhões de conilon. A percepção do mercado é que os números são maiores, principalmente do estoque de passagem que o órgão diz ser de 8.23 milhões de sacas.

Os fundos continuam tendo participação na venda dos mercados futuros, mas é importante destacar que origens não estão completamente ausentes. Exportadores que estão vendidos em diferenciais vêem seus livros com preocupação, e assim como os produtores aguardam uma alta para encaixar uma reposição menos dolorida.

Londres (que defendíamos ser ponto de venda ao redor de US$ 2000 a tonelada) embora tenha perdido quase US$ 300.00 /ton ainda se mostra vulnerável para buscar novas mínimas, o que certamente arrastará Nova Iorque junto.

Com os fundos tendo uma posição grande vendida no “C” parece menos provável, ao neste momento, ver o rompimento dos US$ 110.00 centavos por libra, mas uma recuperação forte também não se mostra muito promissora.

Um feliz dia dos pais, comemorado neste domingo nos Estados Unidos, e muito bons negócios a todos.

Rodrigo Costa* 
 

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Fonte:
Archer Consulting

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