Reunião entre Dilma e centrais sindicais termina em divergência

Publicado em 26/06/2013 15:45 450 exibições
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Acabou em divergência entre as duas maiores centrais sindicais o encontro que a presidente Dilma Rousseff comandou com organizações de trabalhadores nesta quarta-feira. A Força Sindical saiu insatisfeita, prometendo manter a paralisação do dia 11 de julho, e disse que Dilma mal os ouviu. Por outro lado, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) ponderou que as pautas trabalhistas não eram o assunto do encontro.

“Simplesmente a presidente ouviu as centrais e levantou e foi embora sem nenhum encaminhamento”, relatou o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva. “Essa reunião não foi chamada para discutir a pauta dos trabalhadores”, rebateu Vagner Freitas (CUT). Para ele, a fala de Paulinho da Força foi “uma intervenção absolutamente distorcida”.

“Essa reunião foi chamada para fazer uma discussão sobre a questão das manifestações e do atual momento político do Brasil. E a presidenta disse e nós colocamos na discussão em relação a isso, que é preciso que nessa discussão sejam levados em consideração os interesses dos trabalhadores organizados”, explicou Freitas.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, fez coro com o sindicalista. “A reunião não foi para discutir a pauta das negociações. A questão da reunião foi para ouvir as centrais sobre o momento político que o País vive", disse o ministro. Os representantes de ambas as centrais sindicais declararam apoio à convocação de um plebiscito sobre a reforma política.

Sobre a promessa de greve, o ministro adotou a via diplomática. “Acho que a negociação é fundamental e, na medida em que você busque toda a sociedade, vamos encontrar caminhos que vão levar a encontrar soluções para todos esses problemas”, afirmou.

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Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

Paulinho da Força confirma convocação de greve geral em 11 de julho

  • Diogo Alcântara
    Diogo AlcântaraDireto de Brasília, do 
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Cético com a reunião que a presidente Dilma Rousseff convocou para reunir centrais sindicais, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que é presidente da Força Sindical, diz que está mantida a greve geral no País marcada para o dia 11 de julho. Paulinho da Força, como é conhecido, afirmou que ainda serão definidas quais categorias vão cruzas os braços e quais farão manifestações, mas a intenção é parar a indústria e o setor de transportes.

"Como estamos acreditando que será apenas mais uma reunião, mais para jogar para a plateia do que para resolver os problemas, nós marcamos ontem um dia nacional de luta, que está incluído greve e manifestações. Então, esse dia permanece e nós vamos mobilizar os trabalhadores para uma grande paralisação no Brasil", afirmou, pouco antes do encontro com a presidente. 

Paulinho da Força acredita que, pelo histórico dos últimas reuniões de Dilma com diferentes categorias para responder à onda de protestos, as reivindicações dos trabalhadores não terão uma resposta concreta nesta quarta-feira. "Pelo que a gente tem visto da presidente, ela está jogando muito para a plateia ou tentando dividir a culpa. Então, de ação concreta mesmo não teve nada até agora. Não vai ser a nossa (questão) que vai ser resolvida", disse.

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"Como a gente acha que ela não vai atender (à demanda), estamos nos preparando para fazer uma grande paralisação no Brasil no dia 11 de julho", afirmou.

Para hoje, estão previstas manifestações em pelo menos 13 capitais. Em Brasília, a Polícia Militar trabalha com a expectativa de 40 mil manifestantes ocupando a Esplanada dos Ministérios. As chamadas "vozes das ruas" já conseguiram promessa de cinco pactos por parte do Executivo, derrubar a proposta de alteração da Constituição que limitava o poder de investigação do Ministério Público (MP), a PEC 37.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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