CAFÉ: Fundação alerta para exportação de sementes com pesquisas avançadas

Publicado em 29/08/2013 06:49 e atualizado em 29/08/2013 09:39
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Em comunicado aos cafeicultores brasileiros (Folha 193 - Exportação de sementes), dirigentes da Fundacao Procafe', de Varginha (MG) alertam para o conflito existente nas exportacoes de sementes a partir de cultivares contendo pesquisas avancadas e que podem fazer com os paises concorrentes do Brasil venham a obter vantagens na producao do Arabica em detrimentos dos produtores do Brasil. Acompanhem a nota tecnica:

EXPORTAÇÃO E INTERCAMBIO DE SELEÇÕES DO MELHORAMENTO GENÉTICO DO ARÁBICA, por José Edgard Pinto Paiva (Presidente da Fundação Procafé); Antônio Wander Rafael Garcia (Pesquisador Fundação Procafé); André Luíz A. Garcia (Pesquisador Fundação Procafé).

           Neste texto colocamos um assunto bastante polêmico, com adesões e pensamentos divergentes e de enorme importância para a cafeicultura nacional. A Fundação Procafé sempre recebe grupos de estrangeiros com interesse em conhecer os campos de melhoramento genético e adquirir sementes de materiais diversos, demanda esta que cresceu significativamente nestes dois últimos anos. Assim como nas instituições de pesquisas os produtores de sementes aumentaram significativamente as vendas para o exterior.  Em levantamento inicial de produtores de sementes que estão exportando neste ano 2013, sabemos que está em aproximados 37 a 40 ton de sementes, estando entre estes principalmente materiais que acabaram de ser registrados com resistência multipla e produtividade elevada.

            Em paralelo a esta demanda, foi criada uma parceria entre representantes da  indústria e pesquisa com um projeto internacional objetivando o intercâmbio de seleções genéticas entre diferentes países, para aumentar a oferta de cafés especiais no mundo. Este projeto recebe apoio financeiro de diversos representantes no setor da indústria das Américas, Europa e Ásia, sendo coordenado por estes juntamente com representantes do setor da Pesquisa.

            No último Congresso Brasileiro de Pesquisas durante o debate do seminário sobre melhoramento foi perguntado aos melhoristas da mesa: “o que achavam deste projeto?, estes representantes e responsáveis pelo melhoramento nas principais instituições do Brasil. As respostas foram divergentes, desde "dar o ouro ao ladrão" como sendo importante para aquisição de fontes de resistência para o atual melhoramento, onde a maioria ficou em "cima do muro" e com a seguinte resposta” se não passar estes materiais eles vão ter de outro modo”.

           Com relação à legislação os materiais genéticos somente podem ser exportados aqueles protegidos  com a permissão da instituição detentora.

           Sabemos que o melhoramento genético teve um grande marco em produtividade com os Catuais e M.N. e agora vemos um outro marco que é a alta produtividade associada à resistência a fatores bióticos e abióticos (seca, ferrugem, B.Mineiro, nematóide, etc.)

           Nestas exportações atuais vimos que a maior procura está direcionada a resistência a ferrugem, que está acarretando perdas significativas a países da América do Sul e Central.

           Em todo este contexto fica uma grande preocupação com nosso futuro, sobre a internacionalização de seleções genéticas, com vantagens e desvantagens e pontos de vistas divergentes sendo que na área do melhoramento genético pode ser um ponto importante para novos cruzamentos e no setor de produção pode ser um marco de grande oportunidade para países com potenciais climáticos, econômicos e sociais, aumentando a oferta de café no mundo.

           A Fundação Procafé é uma instituição de pesquisa que sempre tem em primeiro lugar o produtor rural associada às demandas de pesquisas que são importantes para a nossa cafeicultura. E nesta relação de prós e contras ela entende que a internacionalização e/ou exportação de materiais genéticos ainda não pode acontecer sem um estudo organizado, de maneira que acarrete aos nossos produtores uma possível concorrência desleal comparada a países menos e/ou mais desenvolvidos com potencial de produção com custos mais reduzidos e apoio financeiro e político. E se o objetivo do projeto for concluído é lógico que com o aumento da oferta de cafés finos a oferta em geral também aumentará. Imaginem 10 milhões de sacas a mais no curto/médio prazo.

            É importante lembrar que uma cafeicultura desprovida de políticas protetivas e regulatórias, ganha quem é mais forte e organizado. E desta formas continuamos fazendo o que sempre achamos como prioritário que é defender a sustentabilidade da nossa cafeicultura.

 

Na imagem abaixo estão três plantas em segunda produção da cultivar Acauã Novo, recém lançada, com alta produtividade, imunidade a ferrugem e resistência ao nematóide Meloidogyne exígua e seca.

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Fonte: Fundacao Procafe'

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