CAFÉ: Agora o Ministério da Agricultura diz que opções só deverão sair no final do mês

Publicado em 05/09/2013 17:53
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A informação é de Janio Zeferino, diretor do Depto. de café do Mapa, retransmitida ao repórter Venilson Ferreira, da agencia Estado (jornal O Estado de s. Paulo)

Os leilões de contratos de opções de venda de café serão realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até o final deste mês, segundo informa o jornalista Venilson Ferreira, da Agencia Estado em Brasilia. De acordo com boletim distribuido pelo CNC (Conselho Nacional do Café), a informação foi repassada ao Broadcast (Agencia Estado) pelo diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Jânio Zeferino.

Havia expectativa de que os leilões fossem definidos nesta semana, com a publicação do aviso das operações, que devem retirar do mercado até 3 milhões de sacas de 60 quilos. Zeferino afirmou que as regras já foram definidas, mas falta a publicação da portaria interministerial que irá regulamentar os leilões, que devem implicar no desembolso de R$ 1 bilhão caso todos arrematantes dos contratos exerçam a opção de venda na época do vencimento, em março do próximo ano. Ele afirmou que os recursos para bancar a compra do café estão assegurados no orçamento das Operações Oficiais de Crédito (2OC), mas ainda não estão disponibilizados pelo Ministério da Fazenda.

O diretor acredita que os preços do café devem reagir no mercado internacional a partir da realização dos leilões de opções "pois isso implica na possível retirada do mercado de 3 milhões de saca de café de qualidade". Ele atribui a atual queda dos preços do café à estratégia dos importadores de transferir para os países produtores o encargo de carregar estoques. "Antes tinham estoques para cinco meses e agora carregam para apenas dois meses", diz Zeferino, que vê sinais de melhoras no cenário internacional e de retomada da demanda de curto prazo. Atualmente, a cotação do café da variedade arábica está em R$ 280/saca e o preço mínimo de garantia estabelecido pelo governo é de R$ 307/saca. Nos leilões de opções de venda o valor de referência para a época de vencimento será de R$ 343/saca para o café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, com até 86 defeitos, peneira 13 acima.

Zeferino explicou que nos leilões haverá limite de contratos por produtor e que só poderão ser ofertados cafés colhidos em 2013. Os ágios e deságios em relação ao valor de referência levarão em conta os padrões utilizados pela Conab. O café arábica tipo 4/5, bebida dura para melhor, com até 36 defeitos, peneira 14 acima, terá um ágio de 3,34% para R$ 354,46/saca. O arábica tipo 7, bebida dura, peneira 13, com até 160 defeitos, terá deságio de 3,33% para R$ 331,58/saca. O arábica tipo 7, bebida riada, peneira 13, com até 160 defeitos, terá deságio de 8,77% para R$ 312/saca. Já o arábica tipo 7, bebida rio, peneira 13, com até 160 defeitos, terá deságio de 19,65% para R$ 275,60/saca.

Funcafé – Jânio Zeferino afirmou que até sexta-feira devem ser publicados os contratos assinados por mais 16 bancos que irão repassar recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para financiar a produção, exportação e indústria. Ele disse que os oito bancos que já assinaram os contratos repassaram até hoje R$ 538,1 milhões do Funcafé. O montante previsto para o Funcafé é de R$ 3,16 bilhões, mas haverá recurso adicional de R$ 1 bilhão do Banco do Brasil.

Zeferino explicou que o banco oficial assumiu o compromisso de aplicar recursos próprios na mesma proporção do que repassar do Funcafé. O Banco do Brasil também aplicará recursos próprios, da ordem de R$ 650 milhões, para financiar a compra de 2 milhões de sacas de café arábica pela indústria da torrefação, com prazo de 36 meses para pagamento. O banco assina um acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) na próxima segunda-feira, em Belo Horizonte, durante a Semana Internacional do Café. Um acordo semelhante está sendo discutido com a indústria do solúvel para financiar a compra de café.

Vale lembrar que o Funcafé já conta com R$ 500 milhões para financiar a aquisição de café pelas indústrias, exportadores e cooperativas. O governo também disponibilizou crédito para capital de giro, sendo R$ 200 milhões para as torrefações; R$ 150 milhões para as indústrias de solúvel; e outros R$ 450 milhões para as cooperativas. Os recursos para financiar estocagem somam R$ 1,140 bilhão. O diretor explicou que a demora na liberação dos recursos do Funcafé nesta safra ocorreu por causa da aprovação do Orçamento pelo Congresso Nacional. Ele disse que o governo decidiu antecipar para este mês a liberação dos recursos para financiamento de custeio (R$ 650 milhões), que normalmente são liberados a partir de outubro.

Produtores de café da América Central temem falência por causa de ferrugem

(CaféPoint)

Oficiais da indústria de café da América Central disseram que a colheita de café arábica da região está resistindo ao surto do fungo que causa a ferrugem do café, mas isto não é verdadeiro para os pequenos produtores, como Graciela Alvarenga. Sua fazenda de 0,3 hectares na região de El Paraíso, em Honduras, próximo à fronteira com a Nicarágua, foi muito afetada. Agora, ela usa as folhas secas e os galhos de seus cafezais como lenha para preparar seu café da manhã. “Nesse ano, não acho que produziremos alguma coisa”, disse ela. “Perdemos quase a fazenda inteira”.

Um crescente grupo de produtores de café na região, como Alvarenga, disse que suas colheitas estão sofrendo danos bem maiores do que as estimativas de suas próprias associações sugerem. Embora a Organização Internacional de Café (OIC) tenha previsto em março que a ferrugem do café, conhecida como “roya”, iria reduzir a produção regional em um quinto, uma pesquisa feita pela Reuters com líderes da indústria de café em julho previu uma queda mais modesta, de 4,7%.

“Existem cada vez mais vozes sugerindo que os danos foram menores do que o esperado anteriormente”, disse o presidente de operações da OIC, Mauricio Galindo. No ano passado, a praga atingiu nações produtoras de café da América Central e do México, que produzem 20% da produção mundial de café arábica, ameaçando reduzir muito os rendimentos e as receitas de exportação, tão importantes para alguns dos países mais pobres do hemisfério.

Somando-se ao problema para os produtores pobres estão as expectativas de colheitas recordes em importantes produtores, como Brasil e Vietnã, e melhores rendimentos na Colômbia, que estão mantendo os preços baixos. De fato, o preço dos contratos futuros de café arábica caiu mais de 60% desde o pico de mais de US$ 3 por libra em 2011, justamente quando os custos de produção estão aumentando na América Central e no México. “A ferrugem nos prejudicou o suficiente, mas os baixos preços vieram nos matar completamente”, disse Felipe Mendoza, que é dono de uma fazenda de 2 hectares em El Paraíso.

Entretanto, oficiais da região disseram que as perdas parecem ter estabilizado, devido a uma queda nas chuvas que promoveram um crescimento na ferrugem e ao uso efetivo de fungicida. Na Nicarágua, por exemplo, 36% dos 126.000 hectares de plantações de café do país estão atualmente registradas pelo Ministério da Agricultura como infectadas, mudando pouco com relação aos 35% do começo do ano.

Ao mesmo tempo, em janeiro, a safra de 2013/14 na Costa Rica teve previsão de queda de 20% com relação à safra anterior devido à ferrugem. Porém, a autoridade da indústria de café do país, o ICAFE, previu na semana passada que a produção na próxima estação cairá em apenas 13%, para 1,4 milhão de sacas de 60 quilos.

Isso soa muito otimista para Isidro Corrales, produtor da região de Perez Zeledon, centro da Costa Rica. “Eu disse a um homem do ICAFE recentemente. ‘Vocês devem estar mentindo para as pessoas. Eu não vi nem sequer 30% da colheita aqui’. Estou esperando por um milagre”.

Especialistas dizem que os pequenos produtores são mais afetados, porque frequentemente não têm fundos para comprar fungicidas caros, que tipicamente precisam ser aplicados várias vezes. “Eles têm menos flechas em sua aljava quando vêm perguntar o que você pode fazer em termos de remediação ou prevenção”, disse o porta-voz da Associação de Cafés Especiais da América, da Califórnia, Ric Rhinehart.

A ferrugem também afetou plantações maiores da região. Tomas Edelmann é proprietário de uma fazenda com 116 hectares no Estado de Chiapas, no México, o maior produtor de café do país e também o mais pobre. Ele disse que cerca de metade de sua colheita foi destruída pela ferrugem, significando que ele somente será capaz de contratar metade dos 600 a 1000 trabalhadores de temporada que ele normalmente emprega.

Em Honduras, o maior produtor de café da região, um quarto dos quase 280.000 hectares de suas plantações foi infectado pela ferrugem. Porém, o presidente do Instituto Nacional de Café do país (IHCAFE), Victor Molina, disse que os danos causados pela doença ainda não alcançaram o status de desastre. “Ainda está em um nível manejável”, disse ele, notando que a produção está apenas 5% menor nessa estação. “As áreas afetadas não aumentaram e estamos trabalhando especialmente para ajudar os produtores menores”.

Em El Salvador, o menor produtor da região, a ferrugem infectou metade das plantações de café do país e a produção da próxima safra deverá cair em 35%, para 843.500 sacas.

Então, com a severidade da epidemia de fungo variando entre os países, ninguém sabe o que acontecerá durante a safra de 2013/14, que começa em outubro. “Eles começam a colher em um mês e é aí que se começa a contar os ganhos e as perdas”, disse o porta-voz da importadora de café dos Estados Unidos, Wolthers América, Christian Wolthers. “Espero que o impacto seja muito notável, sério”. (A reportagem é da Reuters, adaptada pelo CafePoint).

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Fonte: CNC (c/ Ag. Estado) + CaféPoint

3 comentários

  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Sem contar que ainda tem Dep. Federal e Senador...Meu Deus!!!!!

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  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Continuando...Pelo andar da carruagem,também ficará difícil uma boa escolha!!!

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  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Nas últimas aqui no ES já foi derrota. Agora nas eleições de 2014, nunca estive tão ansioso e convicto de minha posição. Agricultores de todo o país...ACORDEMMMMMMMM!!!!!

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