Helicoverpa: Novos casos de adulteração de defensivos no Paraguai
Onze casos de adulteração de produtos fitossanitários foram detectados pelo Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (SENAVE), no Paraguai, segundo informou a Direção de Laboratório da instituição
O instituto havia recebido 29 amostras pelo departamento jurídico da SENAVE, pela Produradoria e, em alguns casos, das próprias empresas que vendem agrotóxicos. Em alguns casos, a análise de identificação e quantificação do ingrediente ativo, feito para as amostras, determinaram uma concentração menor do que a indicada na embalagem.
Por exemplo, o produto comercial Conquest 24 EC, com princípio ativo Clethodim a 24%, apresentou uma concentração de apenas 16,34%. Em outro caso, o produto CEPRID declarava o Acetamiprid a 70%, mas só continha 60,50% do dito princípio ativo.
Distorção de informações
Os demais casos denunciados constituíram distorção de informações sobre o princípio ativo, e que os envases continham outro produto não declarado. Um deles era o CEPRID 70, da China Agrochemicals, que declara conter Acetamiprid 70%, no entanto, o recipiente continha benzoato de emamectina.
Um caso semelhante foi detectado em amostras de um produto sem nome comercial ou dados dos fabricantes, apenas com uma identificação de "herbicida pós emergente, não-seletivo, sistêmico, do grupo químico fosfito" supostamente de origem chinesa, que deveria conter sal de amônio de glifosato a 83,3%. De acordo com os resultados de laboratório, o produto contém Lufenuron + benzoato de emamectina em concentrações de 40,53 e 10,50%, respectivamente. O produto normalmente é utilizado para o controle de Helicoverpa armiguera.
O último caso, considerado um dos mais graves, é um produto apresentado com o nome comercial de Carbin 80 WP, que deveria conter Carbendazim 80%, porém, o produto contém benzoato de emamectina 25,12%.
O presidente da instituição, engenheiro agrônomo Francisco Regis Mereles, informou que, para garantir os resultados, a Procuradoria realiza análises paralelas sobre os produtos denunciados. O departamento jurídico do SENAVA conduz as investigações iniciais nas empresas que produzem os produtos mencionados.
Produtores brasileiros em alerta
Alguns casos de apreensão de herbicidas contrabandeados já foram registrados no Brasil. Segundo Wanderlei Dias Guerra, representante da Defesa Sanitária do Mato Grosso, o produtor rural deve ficar atento para não adquirir produtos adulterados. “Nós recomendamos que o produtor não compre produtos contrabandeados pois certamente não irá funcionar. Além disso, ele está sujeito a ser enquadrado por contrabando”.
Guerra explica que, se for constatado o uso de produtos agroquímicos contrabandeados, além de receber multas, o Ministério da Agricultura pode determinar que sua safra seja destruída.
Alguns sinais devem ser observados na compra de agroquímicos. Em primeiro lugar, não adquirir produtos que não tenham rótulo em português. Em segundo, não comprar produtos sem nota fiscal. “O produtor também não pode acreditas em produtos milagrosos ou que tenham preços muito baixos”.
Com informações do SENAVE