VAMOS À COLHEITA, por Valdir Fries

Publicado em 28/01/2014 05:46 e atualizado em 02/02/2014 05:25 1014 exibições
Valdir Edemar Fries é produtor rural no município de Itambé (PR)

O Paraná deve intensificar os trabalhos de colheita no decorrer desta semana, semana esta que será marcada com o evento de abertura oficial da colheita do Brasil, que deve acontecer neste final de semana no Município de Quarto Centenário. O evento será acompanhado por todo o  território brasileiro  através do Programa Mercado & Cia e pelo Rural Noticias em suas edições de sexta-feira, e também na edição especial de sábado de manhã do Canal Rural, que deve transmitir toda solenidade - (PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO EVENTO CLIQUE AQUI)

Devemos lembrar , no entanto, que as lavouras que estão sendo colhidas na região do Noroeste do Estado foram implantadas/cultivadas no final do mês de setembro, e muitas destas áreas de lavouras apresentam índices de perdas de produtividade avaliados entre 15 a 20% em relação às estimativas iniciais.

As perdas se deram devido à baixa precipitação pluviométrica do mês de dezembro de 2013 ,que provocou a queda de vagens. No entanto, com o acumulado de 320 milímetros de chuva que aconteceu nos últimos 30 dias em boa parte das lavouras do Oeste e Noroeste do Estado do Paraná, foram propiciadas condições para boa formação de grãos, o que vem garantindo uma produtividade de 45 a 55 sacas por hectare -- chegando até a 60 sacas em alguns casos em lavouras colhidas em Itambé e Floresta, dependendo da variedade cultivada e da distribuição das poucas chuvas que aconteceu em dezembro. (vejam a foto abaixo):

PRÉ COLHEITA 2014 003

As chuvas que vem ocorrendo, embora localizadas, e ou mal distribuídas, onde acontece é benéfica para manter a umidade do solo e garantir a produtividade das lavouras de soja que estão em fase de frutificação --  e  são também  muito benéficas para o milho que está sendo plantado. Porém é preocupação para os produtores que tem a soja pronta para colher, devido aos riscos de perda em caso de chuvas de granizo e vendavais, bem como a operação de colheita quando realizada em solo com excesso de umidade provoca a compactação do solo, fator negativo na prática de manejo do solo das áreas de plantio direto…

CHUVA EM ITAMBÉ 003

Agora, após enfrentar o que sempre enfrentamos, iniciando pela luta contra as pragas, os fungos, doenças de inicio e final de ciclo, a estiagem, as chuvas bem ou mal distribuídas, ….VAMOS À COLHEITA!!!, dispostos a enfrentar de tudo e a todos, pois as chuvas na colheita é apenas uma das preocupações entre tantos…. Não nos esqueçamos, porém, de tantos problemas e entraves que o mundo político nos reserva… Sempre muito debatido, mas nunca resolvido.

Seguro Agrícola, Antonio Penteado Mendonça

No Brasil as garantias se resumem aos danos decorrentes dos eventos de origem climática; nos EUA e Europa, a cobertura contempla o dano e a renda do produtor (publicado em O Estado de São Paulo - 27/1/2014)

 

Um problema sério para o agricultor brasileiro é a falta de seguros equivalentes aos questão à disposição do agronegócio europeu e norte-americano.A diferença das apólices é gritante. Enquanto no Brasil as garantias se resume em quase que exclusivamente aos danos decorrentes dos eventos de origem climática, naqueles países o que se cobre não é apenas o dano, mas a renda do produtor.
Agora mesmo, uma lagarta de origem asiática ou australiana vai se espalhando pelo território nacional, já tendo se transformado em emergência fitossanitária em vários Estados. A praga devora praticamente todas as lavouras, com forte dose de destruição nas plantações de soja e milho, importantes produtos da pauta brasileira.

Em princípio, os seguros agrícolas à disposição do mercado não contemplam danos desta natureza. Ou seja, no caso de ter sua lavoura atacada, o agricultor corre o risco de ficar com o prejuízo integral, a saber, a quebra da produção e a obrigação de plantar a próxima safra sem contar com os recursos da venda do resultado da plantação devorada pelas lagartas.

Para quem compete no mercado internacional um risco destes é grande demais. Pode simplesmente condenar o produtor a perder inclusive sua propriedade por não dispor dos recursos necessários para continuar a produzir ou mesmo para pagar os financiamentos tomados para plantar a safra anterior.

Nos EUA, a sofisticação à disposição do campo atinge patamares de sonho para o agricultor brasileiro. Lá, o agricultor pode receber o seguro para não plantar. Se por alguma razão de política econômica o governo decide que não é recomendável produzir num determinada região, o seguro paga ao produtor que não plantou o que seria o seu lucro esperado, caso tivesse plantado normalmente.

Na Europa, os subsídios à agricultura são tão fortes que são tema permanente nas mesas de negociação sobre competitividade internacional. E se alguém tentar mexer nas condições oferecidas pelo governo a um agricultor francês, com certeza não se reelegerá, além de correr o risco de ver Paris invadida por máquinas agrícolas em sinal de protesto.

Aqui não acontece nada disso. Não temos os seguros americanos, nem a subvenção europeia. O agricultor, responsável por significativa parcela do PIB e, mais ainda, por importante fatia das receitas com exportação, trabalha sem amparo maior, correndo a maioria dos riscos por sua conta.

O governo federal vem investindo na subvenção de parte do preço dos seguros agrícolas, mas com as apólices antigas, com foco apenas nos danos de origem climática, e em valores muito abaixo das necessidades da agricultura. Estão em estudos uma série de medidas que, se não nos igualam ao que acontece no mundo desenvolvido, pelo menos reduzem as diferenças existentes. Isso é um avanço importante, mas poderia ser mais importante ainda.

Vale lembrar que, sem apoio comparável ao de seus grandes competidores no cenário internacional, a agricultura brasileira se transformou numa das mais eficientes do mundo, colocando o País entre os principais produtores e exportadores de alimento.

Na origem deste salto, conseguido nas últimas décadas, estão investimentos inteligentes, como a criação e o financiamento das pesquisas feitas pela Embrapa. Ninguém tem dúvida da sua importância, nem de que a pesquisa e o estudo são os melhores caminhos para o aperfeiçoamento dos procedimentos econômicos e empresariais. Se estes passos podem ser segurados, por que não fazê-lo?
Por que não garantir a indenização para os prejuízos que podem penalizar a agricultura, liberando mais recursos para novos investimentos em tecnologia e produtividade?

Os americanos e europeus não são melhores apenas porque são melhores. Eles têm mais dinheiro, muita pesquisa e a certeza de que,a produção sendo afetada por eventos que causem perdas, o seguro fará sua parte, pagando as indenizações, protegendo os agricultores e possibilitando a retomada da produção o mais rapidamente possível.

É mais do que hora de acelerarmos a lição de casa.

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Fonte:
NA + Estadão

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