Expectativa com nova pesquisa eleitoral impulsiona Bovespa

Publicado em 02/05/2014 19:23 e atualizado em 03/05/2014 07:56 859 exibições
Mercado de ações fechou no maior nível desde novembro. O dólar, por outro lado, encerrou a sexta-feira com queda de 0,48%, a R$ 2,2193, pressionado por dados do mercado de trabalho norte-americano

O Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa, encerrou esta sexta-feira com alta de 2,62%, a 52.980 pontos, seu maior nível de fechamento desde novembro do ano passado. Segundo operadores do mercado financeiro, o movimento foi atribuído, principalmente, à expectativa com relação a nova pesquisa eleitoral, que será divulgada neste fim de semana. As ações da Petrobras, as mais negociadas da sessão, também ajudaram a impulsionar o Ibovespa: o papel ordinário (ON) teve alta de 4,73% (16,37 reais) e o preferencial (PN), de 6,81% (17,70 reais).

Leia também:
Com pré-sal, produção da Petrobras sobe em março   
Brasil tem superávit comercial em abril, mas balança continua com déficit no ano   

Dólar - O dólar, por sua vez, fechou a sexta-feira com queda de 0,48%, cotado a 2,2193 reais. Na opinião de analistas, o mercado de trabalho norte-americano em abril deu suporte para que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) continue retirando gradualmente suas medidas de estímulo econômico, o que reforçou as expectativas de ingresso de recursos externos no Brasil.

As intervenções diárias do Banco Central no mercado de câmbio e o baixo volume de negociações também contribuíram para a desvalorização da moeda norte-americana. Especialistas afirmaram que o mercado permaneceu "vazio", nesta sexta-feira, devido ao feriado do Dia do Trabalho no Brasil. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em apenas 900 milhões de dólares.

(com agência Reuters)

Bovespa: os dois rebalanceamentos

Dilma Rousseff

Nem toda a alta da BM&F Bovespa desta sexta-feira teve a ver com os boatos de pesquisa eleitoral.

Sim, eles ajudaram o clima de otimismo, mas parte do volume negociado de ontem teve a ver com um aspecto bastante técnico do mercado: o chamado “rebalanceamento de índice”.

Talvez o seu gerente de banco já tenha lhe apresentado os fundos de ação “passivos”, ou seja, fundos nos quais o gestor, em vez de escolher as ações que ele considera ser bons investimentos, simplesmente tenta repetir a performance de um determinado índice de ações, por exemplo, o Índice Bovespa.

Acontece que a composição do Ibovespa (o peso de cada ação dentro do índice) sofre uma mexida trimestral, e sexta foi um desses dias.

Assim, os fundos passivos (que movimentam bilhões de reais) são obrigados a comprar as ações que aumentaram sua presença no índice, e vender as que perderam participação.

Aécio Neves

A Bovespa subiu com um volume bastante acima da média — R$ 10 bilhões contra R$ 6,5 bilhões num dia normal — e os operadores dizem que cerca de R$ 2,5 bilhões deste volume tiveram a ver com o rebalanceamento do índice.

A Petrobras negociou 52 milhões de ações contra uma média diária de 36 milhões. Itaú Unibanco negociou o dobro do volume diário, e o Banco Brasil, 10,3 milhões contra 6,8 milhões. E por aí vai.

Agora, vamos falar daquele outro rebalanceamento, o das forças políticas, muito mais importante e, aparentemente, em curso no País.

O mercado também andou hoje em cima da pesquisa Sensus que deve ser anunciada amanhã.

O boato é de que a Presidente Dilma cai mais ainda, e que Aécio Neves sobe. Na versão mais otimista (para a oposição), a distância entre os dois passa a ser quase um empate técnico (31% a 27%).

Muita gente duvida da probabilidade de um movimento tão dramático no quadro eleitoral, enquanto outros especulam sobre a metodologia das pesquisas e o impacto que ela tem nos números finais.

A única certeza hoje é que o mercado quer acreditar neste segundo rebalanceamento, e está fazendo suas aposta de que o enfraquecimento da Presidente será um processo lento, gradual e seguro.

Por Geraldo Samor

 

Rumores sobre pesquisa fazem Petrobras subir 5%

DANIELLE BRANTDE SÃO PAULO

Como ocorreu outras vezes no último mês, a aposta no mercado financeiro de perda de espaço da presidente Dilma Rousseff em pesquisa eleitoral impulsionou as ações de estatais ontem e favoreceu a Bolsa.

Os papéis mais negociados da Petrobras, por exemplo, terminaram o dia em alta de 5,19%. E os do Banco do Brasil, com valorização de 1,88%.

O Ibovespa, principal índice do mercado, subiu 2,62%, aos 52.980 pontos --a maior alta diária desde 2 de abril deste ano e a maior pontuação desde 19 de novembro de 2013.

Desta vez, o alvo das expectativas dos investidores, de acordo com analistas, foi a pesquisa IstoÉ/Sensus, com divulgação prevista para hoje.

"Não se vislumbra, no curto prazo, um sinal de reversão da piora da presidente Dilma nas pesquisas", diz Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global.

A avaliação no mercado é que, com outro governo, o uso das empresas estatais como instrumento político tende a diminuir, com melhora da gestão e de seus resultados financeiros.

"Ainda estamos longe de outubro, mas uma eventual mudança do candidato do partido sugeriria uma alteração na equipe econômica do governo, que não foi bem no mandato de Dilma", acrescenta Filipe Machado, analista da corretora Geral Investimentos.

As ações da Petrobras também foram impulsionadas por dados de aumento de produção da empresa divulgados ontem.

DÓLAR CAI

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 0,69%, para R$ 2,218. E o comercial, usado no comércio exterior, 0,49%, para R$ 2,219.

O Banco Central deu sequência ao seu programa de intervenções diárias no mercado para conter a instabilidade do câmbio.

Tags:
Fonte:
veja.com.br + Folha

0 comentário