No G1: Índios kaingang bloqueiam estrada pelo segundo dia em Faxinalzinho, RS

Publicado em 08/05/2014 21:59 464 exibições
Do G1 RS


 

Entrou no segundo dia o bloqueio que indígenas realizam na RS-487, rodovia que liga os municípios de Benjamin Constant do Sul e Faxinalzinho, na Região Norte do Rio Grande do Sul. O grupo da reserva Votouro se manifesta desde a tarde da última quarta-feira (7) e pede a demarcação de terras na região. Somente ambulâncias tem passagem autorizada pelo local. Há uma semana, dois agricultores morreram após conflito com índios.

Depois de quase três horas de reunião nessa quinta-feira (8), as lideranças decidiram manter o bloqueio e entregar uma carta com reivindicações ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. De acordo com as lideranças, se em dois dias o Ministério não der um retorno sobre as exigências, a estrada deve permanecer fechada. O grupo também decidiu que não irá participar da reunião em Brasília, marcada para o próximo dia 22. Os índios querem que o encontro ocorra no Rio Grande do Sul.

O clima ficou mais tenso desde que Cardozo desmarcou uma visita ao estado devido a uma convocação da presidente Dilma Rousseff. Ao todo, são 2.734 hectares em disputa em Faxinalzinho. O conflito envolve quase 200 famílias de indígenas e 140 de agricultores, de acordo com dados da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo.

Ainda na quarta-feira (7), representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério da Justiça participaram de uma reunião com o governo do estado, em Porto Alegre. As autoridades vindas de Brasília garantiram que, caso os agricultores tenham que deixar a área, serão reassentados ou indenizados.

Além disso, um novo encontro entre produtores rurais e indígenas foi marcado para o próximo dia 22, na capital federal. A principal expectativa é quanto à decisão sobre a viabilidade ou não da demarcação de uma área de 2,7 mil hectares em Faxinalzinho.

Já a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, convocou os ministros da Justiça, e da secretaria-geral da Presidência da República, GIlberto Carvalho, para que prestem contas sobre os conflitos. O objetivo é pressionar por uma atitude do governo federal.

Indígenas exigem respostas
O clima em Faxinalzinho é de medo, por parte dos agricultores, de que aconteçam novos episódios de violência. Entre os indígenas, é de expectativa e frustração pela falta de definições do governo. “A manifestação é em apoio às outras comunidades, que estão nos acampamentos há muito tempo exigindo respostas”, afirma o cacique da reserva Votouro, Eliseu Garcia. 

A via é o principal acesso a Faxinalzinho. Com o bloqueio, quem quer ir até a cidade precisa pegar um desvio que aumenta o trajeto em pelo menos 50 km.

O presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Grande do Sul, Zaqueu Kaingang, afirma que o bloqueio será para sempre. “Se quiserem, que façam outra estrada para chegar ao município. Esta cruza nossa reserva”, disse.

O prefeito de Faxinalzinho, Selso Pelin, acusa o governo federal de omissão. “Se o ministro fosse uma pessoa que agisse e não se escondesse, o problema estaria resolvido não só agora, mas há anos”, sentenciou.

O agricultor Paulo Prates de Moraes teme perder seis hectares de terra em função do processo de demarcação. Ele reclama da falta de agilidade do governo para resolver a situação e já pensa em abandonar a propriedade. “É muito frustrante. Nós pensávamos que o ministro vinha para melhorar a situação, mas até agora nada”, relata.

Por causa do conflito, as aulas no município foram canceladas desde a morte de dois agricultores, há dez dias. As seis escolas públicas da cidade devem continuar fechadas pelo menos até a próxima terça-feira (7). O prefeito também orienta aos indígenas que estudam em Benjamim Constant a não frequentar as aulas.

08/05/2014 08h17 - Atualizado em 08/05/2014 21h32

Índios usam troncos de árvores para manter rodovia bloqueada no RS

Ainda não há previsão para liberação da RS-487, no Norte do estado.
Após ministro cancelar visita prometida, tensão aumentou na região.

Do G1 RS


 
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Bloqueada desde o fim da tarde de quarta-feira (7) por indígenas, a RS-487 ainda não tem previsão de liberação entre Faxinalzinho e Benjamin Costant do Sul, na Região Norte do Rio Grande do Sul. O grupo, que protesta contra o que considera "omissão" do Ministério da Justiça diante da demarcação de terras, usa troncos de eucaliptos para manter o trecho interrompido, como mostra a reportagem do Bom Dia Rio Grande (veja o vídeo).

De acordo com autoridades locais, a tensão cresceu com o cancelamento da visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao estado. Ele decidiu enviar um assessor após ser convocado para uma reunião de emergência com a presidente Dilma Roussef. Ao todo, cerca de 198 famílias de indígenas e 140 famílias de agricultores aguardam o desfecho do impasse.

Ainda na quarta-feira (7), representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério da Justiça participaram de uma reunião com o governo do estado, em Porto Alegre. As autoridades vindas de Brasília garantiram que, caso os agricultores tenham que deixar a área, serão reassentados ou indenizados.

Além disso, um novo encontro entre produtores rurais e indígenas foi marcado para o próximo dia 22, na capital federal. A principal expectativa é quanto à decisão sobre a viabilidade ou não da demarcação de uma área de 2,7 mil hectares em Faxinalzinho.

Já a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, convocou os ministros da Justiça, e da secretaria-geral da presidência da república, GIlberto Carvalho, para que prestem contas sobre os conflitos. O objetivo é pressionar por uma atitude do governo federal.

Indígenas exigem respostas
O clima em Faxinalzinho é de medo, por parte dos agricultores, de que aconteçam novos episódios de violência. Entre os indígenas, é de expectativa e frustração pela falta de definições do governo. “A manifestação é em apoio às outras comunidades, que estão nos acampamentos há muito tempo exigindo respostas”, afirma o cacique da reserva Votouro, Eliseu Garcia

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Fonte:
G1 RS

3 comentários

  • Laércio Coutinho Curitiba - PR

    Agricultores sendo mortos por CRIMINOSOS sustentados pelo estado e com o aval do governador tarso de merda genro, não da pra acreditar que o PT partido dos trabalhadores da apoio a vagabundos que matam trabalhadores. É O FIM DO MUNDO.

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  • Emanuel Geraldo C. de Oliveira Imperatriz - MA

    > Otavio, a imprensa internacional não vai ver nada porque a nossa imprensa, com exceção do Canal Rural e da Band, nada noticia. A Katia Abreu se vendeu ao governo da Dilma, principal responsável pela situação! O direito de propriedade não é respeitado, a coisa tá feia nesse Brasil corrupto, onde tudo é negociado com o suor dos produtores de alimentos!

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