Mercado de açúcar: DESABASTECIMENTO NUM FUTURO PRÓXIMO?

Publicado em 11/05/2014 13:02 299 exibições
por Arnaldo Luiz Correa, da Archer Consulting

A semana deverá ser muito interessante aqui em NY nas rodas dos coquetéis que vão ocorrer em celebração da semana do açúcar culminado com o 66º Jantar Anual do Açúcar, na quarta-feira no Waldorf Astoria. Tirando o fato de o cardápio ser o mesmo das últimas 65 edições, pelo menos as conversas prometem ser muito animadas. A Joint Venture da Cargill com a Copersucar, por exemplo, e agora, não menos importante, os rumores de uma possível aquisição das usinas pertencentes à Bunge no Brasil por parte da Südzucker, maior produtora de açúcar da Europa. 

Tem-se que tirar o chapéu para os estrangeiros que investem no setor apesar da total falta de transparência por parte do governo federal sobre a politica de formação de preços dos combustíveis. O que compensaria tal risco? Preço de aquisição abaixo do custo de se construir uma usina a partir do zero (greenfield) e confiança de que apesar da miopia estatal as coisas terão que seguir por um caminho bem diverso do que estamos vivendo hoje. Pode ser. Principalmente se houver chance do partido que está no governo há doze anos perder a eleição. 

O mercado futuro de açúcar em NY teve uma semana sem grandes emoções. O vencimento julho/2014 encerrou a semana cotado a 17,20 centavos de dólar por libra-peso, queda de 25 pontos (5,50 dólares por tonelada), nos demais meses de vencimento até outubro de 2015, todos apresentaram quedas entre 4 e 21 pontos, entre 1 e 5 dólares por tonelada. A partir do vencimento março de 2016 os preços foram ligeiramente mais altos. Será que o mercado acha que 2016/2017 será mais firme?

Para essa questão vale a pena comentar que alguns números sobre a capacidade de refino de gasolina A no Brasil, a capacidade de produção de etanol e o limite de logística nos portos brasileiros para a importação de gasolina, quando combinados e analisados em conjunto com as dificuldades de viabilidade de novos projetos e soluções de curto prazo (dois anos), desaguam num perigoso território movediço. O Brasil corre realmente o risco de desabastecimento para 2017/2018. Essa bomba estoura no colo de seja lá quem ganhar as próximas eleições. 

Os números são preliminares, mas o quadro pode ser muito preocupante. Como se equaciona esse problema? Reduzindo a demanda via preços com incentivo a produção (transparência na formação de preço). Gente capacitada do setor acha que esse desequilíbrio, se ocorrer, pode durar de 6 a 8 anos, tempo que leva um greenfield para atingir sua capacidade plena. Falamos nesse espaço há mais de um ano que sem transparência na formação dos preços dos combustíveis e o alinhamento dos preços domésticos com os preços internacionais não havia salvação. Como Dilma acha que ela e seu tutor inventaram a roda, o fogo, o céu e as estrelas, deve achar também que vai tirar de letra esse problema. Enquanto isso o Brasil afunda mais rápido que o Titanic.

Os fundos reduziram suas posições compradas para 94.000 lotes, ou cerca de 4.7 milhões de toneladas equivalente. Nossos clientes receberam durante a semana levantamento da Futures Analysis Consultoria, com quem a Archer tem parceria, segundo a qual “o valor médio de compra dos fundos no açúcar é de 17.20 centavos de dólar por libra-peso. A queda abaixo desse nível - e sua permanência - pode fazer com que os fundos diminuam consideravelmente suas posições compradas e consequentemente, colocar o mercado mais para baixo”. Os fundos devem ter liquidado perto de 15.000 contratos.

O mercado físico de açúcar continua muito devagar, dando mais espaço para a queda do produto. Contribuíram para a queda também a pressão acentuada em cima do anidro e hidratado, em função da boa moagem nesse início de safra. Com isso, tanto o anidro quanto o hidratado já trabalham no vermelho se levarmos em consideração o custo financeiro das usinas. 

A oitava estimativa do volume de fixação das usinas, pelo modelo da Archer Consulting, indica que 54% da safra já está fixada com o preço médio de 17.43 centavos de dólar por libra-peso, já incluído o prêmio de polarização. Esse valor equivale a uma fixação equivalente em reais por libra-peso de 40,50 sem pol. O dólar médio obtido pelas usinas, de acordo com o mesmo modelo, é 2.3122.

Segundo estimativa da Archer, do preço que se paga por um litro de gasolina no posto, 40% referem-se ao custo da gasolina A, 37% são impostos, 11% referem-se ao etanol anidro (que é misturado) e o saldo de 12% referem-se à margem da distribuidora, da revenda e frete. 

Bons negócios para quem este em NY para o Jantar do Açúcar e bom final de semana para todos.

Arnaldo Luiz Corrêa

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Archer Consulting

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