Embaixada brasileira em Berlim é apedrejada em protesto contra a Copa do Mundo

Publicado em 12/05/2014 11:41 431 exibições
Imprensa local atribui vandalismo a protesto contra a Copa do Mundo. Cerca de dez pessoas vestidas de preto quebraram vidros do primeiro andar do prédio esta madrugada, por Luciana Rangel, de Berlim (VEJA).

A embaixada brasileira em Berlim foi apedrejada na madrugada desta segunda-feira. Um grupo estimado em dez pessoas vestidas de preto lançou cerca de 80 pedras e destruiu grande parte dos vidros do primeiro andar do prédio. A área amanheceu isolada e, segundo o jornal alemãoBild, 31 vidraças foram quebradas. Os depredadores fugiram sem ser identificados, mas a polícia já iniciou uma investigação para tentar localizá-los. "O dano material é considerável", informa o jornal Berliner Zeitung.

O Itamaraty ainda não se pronunciou a respeito do ataque. Também não há ainda certeza sobre a motivação dos vândalos, mas a imprensa local atribui a investida a um “protesto contra a realização da Copa do Mundo no Brasil”.

Sites alemães chegaram a publicar esta manhã que o ataque à representação brasileira seja uma ação executada e planejada por integrantes do Black Bloc, movimento que tem orquestrado manifestações violentas no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Com a aproximação da Copa do Mundo, páginas ligadas ao grupo na internet convocam pessoas contrárias à realização da competição a realizar protestos no Brasil e em outras partes do mundo. A embaixada brasileira em Berlim fica na rua Wall, no centro da capital alemã, numa área nobre com hotéis, museus e representações diplomáticas de outros países.

Vidros quebrados no primeiro andar da embaixada brasileira em Berlim: ataque durante a medrugada

Vidros quebrados no primeiro andar da embaixada brasileira em Berlim: ataque durante a medrugada (Luciana Rangel)

A 1 mês da Copa, seleção pode ganhar, mas Brasil perdeu

Na reta final dos preparativos, expectativa de torneio empolgante contrasta com a decepção da população com problemas (e com a imagem negativa no exterior)

Será a melhor das Copas, será a pior das Copas. Sobre o gramado, nas arquibancadas dos estádios e na tela da TV, o Mundial de 2014 tem tudo para ficar guardado na memória do torcedor como uma competição extraordinária. Com seleções fortíssimas, grandes craques e um ambiente único – afinal, acontecerá num país que é praticamente sinônimo de Copa –, esta poderá ser a edição mais interessante e emocionante desde que o torneio surgiu, em 1930. Do lado de fora das caríssimas arenas erguidas para o torneio, porém, a frustrante realidade do país-sede contrasta de maneira dramática com a qualidade do evento. Apesar da ofensiva do Planalto para vender o torneio como o catalisador de uma notável revolução na infraestrutura do país, a imagem da Copa do Mundo entre os brasileiros ainda é ruim. E no exterior não é muito melhor: se pretendia mostrar ao resto do mundo um país em rápida evolução, o governo fracassou, já que o noticiário ligado ao Mundial é assustadoramente negativo. A exatamente um mês do pontapé inicial, em 12 de junho, em São Paulo, no jogo Brasil x Croácia, a seleção está firme na briga pelo título, mas o Brasil, como nação, já perdeu a Copa. Antes mesmo de seu início, a festa está manchada pela decepção da população, que viu seus piores temores confirmados nas obras ligadas ao evento – gasto excessivo de verba pública, planejamento falho, prioridades equivocadas –, e pela propagação, mundo afora, dos mais incômodos clichês sobre o país: o banditismo, a bagunça, o improviso e a instabilidade.

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As suspeitas em torno da capacidade brasileira de realizar uma Copa irretocável acompanham o país desde antes da vitória de sua candidatura a sede do torneio, em 2007. Ao longo do caminho, mesmo diante de sinais preocupantes, as autoridades brasileiras insistiam em garantir o sucesso absoluto da empreitada, prometendo aeroportos completamente remodelados, novíssimas opções de transporte público nas cidades-sede e obras viárias que transformariam a rotina das capitais – sem falar, é claro, nas modernas arenas erguidas para o torneio, que prometiam fazer o futebol brasileiro dar um enorme salto qualitativo. Anunciava-se também uma importante evolução no setor de serviços, com expansão significativa da rede hoteleira e qualificação profissional para centenas de milhares de trabalhadores. Na reta final dos preparativos, fica absolutamente claro que todas as melhorias ficaram muito aquém do que se propagandeava. Há mais hotéis, mas a carência de leitos em algumas das sedes persiste – além do fato de muitos projetos que ganharam financiamento público para a Copa jamais terem saído do papel, como a reforma do Hotel Glória pelas mãos de Eike Batista (depois de se beneficiar da linha de crédito do BNDES para a Copa, ele repassou a obra a um fundo suíço por 225 milhões de reais). Entre os funcionários do setor de serviços, as melhorias são incipientes – as iniciativas para incrementar sua capacitação foram tímidas demais. O domínio de um segundo idioma, por exemplo, ainda é menos frequente do que os visitantes estrangeiros esperam. 

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veja.com.br

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