No Estadão: Dólar sobe 1,47%, na maior alta diária em quase 6 meses

Publicado em 02/06/2014 20:22 471 exibições
Cotação final da moeda americana vendida no balcão, de R$ 2,273, é a mais elevada dos últimos dois meses no Brasil. Mercado reduz projeção de crescimento do PIB em 2014 para 1,50%. Saldo comercial de maio é o menor desde 2002... (em O Estado de S. Paulo)

O dólar fechou a primeira sessão de junho com a maior cotação ante o real em dois meses, ajudado pelas especulações sobre o programa de leilões de swaps cambiais do Banco Central e pela cautela antes de uma agenda pesada de indicadores nesta semana. O avanço do dólar ante outras divisas no exterior também contribuiu para o forte desempenho da moeda no âmbito doméstico.

No fim desta segunda-feira, 2, o dólar fechou cotado a R$ 2,2730 (+1,47%) no balcão, marcando o maior patamar desde 3 de abril e com a alta porcentual mais expressiva desde 11 de dezembro de 2013. O giro financeiro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa totalizava US$ 1,12 bilhão, sendo 1,04 bilhão em D+2. No mercado futuro, o dólar para julho subia 1,42%, a R$ 2,2900.

O Banco Central iniciou hoje a rolagem dos swaps cambiais que vencem em julho, ofertando apenas 5 mil contratos. Caso mantenha esse ritmo até o fim deste mês, a instituição voltará a retirar recursos do mercado, desta vez, inclusive, em volume um pouco superior ao que já foi enxugado em maio, de cerca de US$ 4,5 bilhões. A expectativas em torno da rolagem parcial e de possíveis mudanças no programa de leilões diários de swap a partir de 1º de julho deram força ao dólar já no início da sessão.

O BC vendeu os 4 mil contratos de swap cambial ofertados, distribuídos em dois vencimentos. A venda total somou US$ 198,4 milhões. Na operação de rolagem, a instituição vendeu 5 mil contratos de swap cambial que vencem em 1º de julho de 2014, totalizando US$ 247,5 milhões. Os swaps com vencimentos de julho deste ano somam US$ 10,06 bilhões no total.

A alta do dólar no exterior ajudou a impulsionar os ganhos da moeda no Brasil. As divisas de países emergentes recuaram pressionadas por fatores locais. Na Indonésia, a rupia atingiu o menor nível em três meses ante a moeda americana após o país reportar um déficit comercial - o que contagiou outras moedas emergentes da Ásia e provou perdas generalizadas. O dólar australiano, por sua vez, foi prejudicado por dados que apontaram que as permissões para novas obras na Austrália caíram mais que o esperado. Os investidores também realizam lucros após os fortes ganhos das moedas emergentes em maio.

Já o euro foi penalizado pelas expectativas dos investidores de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá anunciar novas medidas de estímulo monetário na reunião desta semana.

O dólar foi beneficiado ainda pela cautela dos investidores antes do anúncio de indicadores e eventos importantes nesta semana, entre eles a produção industrial, a ata do Copom e o IPCA. No exterior,serão anunciados o Livro Bege do Federal Reserve e o relatório do mercado de trabalho nos EUA, além da decisão da reunião do BCE.

 

Mercado reduz projeção de crescimento do PIB em 2014 para 1,50%

Após a divulgação na última sexta-feira de um crescimento fraco da economia, o mercado diminuiu as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2014. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 recuou de 1,63% para 1,50% na pesquisa Focus do Banco Central. Há quatro semanas a expectativa era de 1,63%. Para 2015, a estimativa de expansão recuou de 1,96% para 1,85%. 
A projeção para o crescimento do setor industrial em 2014 também apresentou queda em relação a semana anterior, passou de 1,40% para 1,24%. Para 2015, economistas mantiveram a previsão da semana anterior, de 2,20% de expansão. Um mês antes, a Focus apontava estimativa de expansão de 1,21% para 2014 e de 2,65% em 2015 para o setor.
Os analistas elevaram de 34,80% para 34,85% a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2014. Há quatro semanas estava em 34,80%. Para 2015, subiram de 35,05% para 35,10%. Um mês antes a previsão era de 35,00%. 

Indústria apresentou queda de 0,8% no primeiro trimestre e tem prejudicado desempenho do PIB

INDÚSTRIA APRESENTOU QUEDA DE 0,8% NO 1º TRIMESTRE E TEM PREJUDICADO DESEMPENHO DO PIBDIVULGAÇÃO

 

Inflação.

projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2014 ficou estável em 6,47%. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,50%. Para 2015, a projeção subiu de 6,00% para 6,01%. A previsão de inflação para os próximos 12 meses à frente subiu de 5,96% para 6,01%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,93%. 

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo continua acima do teto da meta de 6,50% ao acelerar de 6,58% para 6,60%. Para 2015, a previsão dos cinco analistas ficou estável em 6,90%. Há quatro semanas, o grupo apostava em altas de 6,67% para 2014 e 6,50% para 2015. 
Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das estimativas para o IPCA de maio permaneceu estável em 0,45%. Há quatro semanas, estava em 0,48%. Para junho, a projeção segue em 0,34%, há quatro semanas era 0,32%. 
Juro.
Os economistas consultados pelo Banco Centralreduziram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 de 11,25% ao ano para 11%. Para 2015, a mediana ficou estável em 12%. Há quatro semanas, essas projeções eram, respectivamente, 11,25% ao ano e 12,25% ao ano. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu na semana passada. O próximo encontro da diretoria colegiada do BC ocorre em 15 e 16 de julho. A previsão para a Selic média em 2014 recuou de 10,94% para 10,91%.
Para 2015, segue em 12,00% há duas semanas. Um mês antes, estavam em 11,06% e 12,02% ao ano, respectivamente. Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para a Selic no fim de 2014, no médio prazo, segue estável em 11,25% e, para 2015, recuou de 12,75% para 12,50%. Há quatro semanas a projeção era, respectivamente, 12,13% ao ano e 12,88%. No curto prazo, a previsão para a Selic em 2014 segue em 11%, para 2015, segue em 12,50%. 

 

Saldo comercial de maio é o menor desde 2002

Em 12 meses, o superávit até maio em 2014 é de US$ 3,080 bi, volume 60,3% abaixo dos US$ 7,755 bi registrados um ano antes

A balança comercial brasileira teve saldo positivo de US$ 712 milhões em maio - divulgou nesta segunda-feira, 2, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). É o resultado mais baixo para o mês desde 2002. No ano, o saldo é negativo em

US$ 4,854 bilhões.

No último mês, o Brasil exportou US$ 20,752 bilhões e importou US$ 20,040 bilhões. Em cinco meses, as exportações foram de US$ 90,064 bilhões e foi importado o equivalente a US$ 94,918 bilhões.

 

Na última semana de maio, houve um superávit de US$ 1,057 bilhão. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2014, o saldo ficou negativo em US$ 4,854 bilhões. As exportações no ano somam US$ 90,064 bilhões e as importações, US$ 94,918 bilhões. 

Em 12 meses, o superávit da balança comercial brasileira até maio é de US$ 3,080 bilhões, volume 60,3% abaixo dos US$ 7,755 bilhões registrados um ano antes. Na pesquisa Focus, divulgada nesta segunda, a expectativa dos economistas é de que a balança comercial encerre o ano de 2014 com superávit de US$ 3,00 bilhões. 

 

Projeção para a balança comercial ia de déficit de US$ 600 milhões a superávit de US$ 100 milhõesPROJEÇÕES PARA BALANÇA COMERCIAL IAM DE DÉFICIT DE US$ 600 MI A SUPERÁVIT DE US$ 100 MIDANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, afirmou que continuava com a expectativa de um saldo positivo em 2014. 

"Vamos esperar para ver qual efetivamente foi o saldo (de maio), mas eu continuo acreditando que nós teremos saldo positivo no final do ano", afirmou. 

Recordes. As exportações brasileiras de soja e carne bovina bateram recorde de janeiro a maio desse ano, afirma o MDIC. As vendas externas de carne bovina também tiveram o melhor maio da história. Outros produtos, como celulose, couros e peles e minérios de cobre, também tiveram recorde de vendas externas no acumulado dos cinco primeiros meses de 2014. 

As exportações de produtos básicos apresentaram queda de 7,2% em preço, mas subiram 11,7% em quantidades embarcadas de janeiro a maio. Os preços das commodities estão inferiores a 2013. Somente as quantidades vendidas de milho e açúcar em bruto não foram suficientes para compensar a queda nos preços. 

Combustíveis. As importações de combustíveis e lubrificantes caíram 22,8% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado. Houve queda de preços e quantidades embarcadas de óleos combustíveis, gasolina, petróleo e carvão. No ano passado, as importações de combustíveis e lubrificantes foram maiores por causa do registro atrasado de operações realizadas pela Petrobrás em 2012. Maio é o último mês em que a base de comparação está influenciada por essas operações. 

Também foi observado recuo de 7,1% nas compras brasileiras no exterior de bens de capital, como maquinaria industrial, máquinas e aparelhos de escritório e serviço científico e acessórios de maquinaria industrial. Por outro lado, em maio, as importações de matérias-primas e intermediários subiram 2,5% e de bens de consumo, 0,2%. No segmento de matérias-primas cresceram as compras para a agricultura, de produtos alimentícios, produtos minerais, produtos agropecuários não alimentícios e produtos químicos e farmacêuticos. No segmento de bens de consumo, aumentaram as importações de vestuário, produtos farmacêuticos, partes e peças para bens de consumo duráveis, móveis e objetos de adorno, bebidas e tabaco. 

As importações brasileiras da União Europeia caíram 7,6% no mês passado, comparado com maio de 2013. Da Ásia, houve uma queda de 5,5%, sendo que os produtos da China cresceram 8,2%. As importações vindas do Mercosul tiveram retração de 2,9% e da Argentina, a queda foi de 16%. As compras brasileiras dos Estados Unidos aumentaram 1,7% no período.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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