Mercado de café: VOLATILIDADE AUMENTANDO E BAIXOS VOLUMES

Publicado em 15/06/2014 05:54 349 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

O Banco Mundial revisou o crescimento do PIB mundial em 2014 de 3.2% para 2.8%, apontando como causas as perspectivas piores das economias Russa e Chinesa.

As bolsas de ações dos mercados emergentes subiram na semana ajudadas parcialmente pela diminuição de reservas bancárias requeridas pelo banco central Chinês, e no Brasil pelas pesquisas que indicam maior apoio para a oposição nas eleições à presidência.

Os índices de commodities fecharam em alta puxados pelas matérias-primas energéticas e pelos metais preciosos, depois de um grupo dissidente da Al Qaeda ter tomado controle de cidades Iraquianas, colocando o país sobre risco de ter uma guerra civil. O barril do petróleo está no maior patamar desde setembro de 2013.

O café, tanto em Nova Iorque quanto em Londres, fez mínimas que não víamos desde 19 de fevereiro, pressionado pela falta de apetite de compra dos especuladores e dos comerciais. O aumento do preço do torrado e moído nos Estados Unidos parece não ter alterado o comportamento de quem precisa comprar café, de forma que aparentemente as compras de comerciais só apareceram abaixo de US$ 170 centavos por libra e US$ 1900 por tonelada, respectivamente para o arábica e robusta – considerando o contrato de setembro de 2014.

Na verdade tudo indica que a compra nem foi em tanto volume, dado que os volumes negociados foram concentrados nas rolagens de posições. Em um mercado leve, entretanto, qualquer pequeno sinal de compra é suficiente para a recuperação do terminal.

A sequência de ganho na sexta-feira foi de natureza técnica, e de delta-hedge para as opções que venceram no dia. O fechamento ficou a US$ 5.95 centavos da máxima no intra-day, e US$ 1.60 centavos acima de cinco dias atrás, relativamente mais animador, mas insuficiente para espantar os baixistas.

No pit de opções tem saído bastante compra de proteções de alta, incluindo strike-prices (preços de exercício) de calls (opões de compra) de 300 centavos para o vencimento de Dezembro. As volatilidades implícitas subiram de 3% a 5% para os vencimentos mais curtos, sinal de que os participantes esperam oscilações maiores em breve.

O mercado físico nas origens fluiu melhor. Já no FOB as ofertas não tem encontrado muito interesse de compra. Na Colômbia, com a bolsa abaixo de US$ 175.00, o subsídio aos produtores volta a valer, fator que represa vendas deste país na bolsa. Fixações devem aparecer com Nova Iorque acima de US$ 180 centavos, o que se faz necessário o rompimento de pontos técnicos para que fundos voltem a comprar e dar suporte.

Diversos players continuam ajustando seus números de produção e consumo mundial, alguns revisando para um déficit menor, e outros considerando uma redução do superávit – atitude que vai ser comum acontecer até o fim da colheita.

O clima por ora não traz emoções, com as chuvas que caíram recentemente sendo concentradas ao sul do “cinturão do café”, e o frio sem riscos de geada.

Tecnicamente o “C” precisa consolidar acima de US$ 180.40 centavos por libra, e romper a resistência em US$ 181.80 centavos, que é a banda superior do canal de baixa que o mercado se encontra. Falhando em subir, o primeiro objetivo de baixa será o US$ 172.70 e então a mínima da semana US$ 167.95.

Boa semana e muito bons negócios a todos.
Rodrigo Costa* 
 

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Fonte:
Archer Consulting

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