O Brasil, super-rico de potencialidade energética, corre o risco de ficar “sem-energia”?

Publicado em 16/06/2014 15:03 e atualizado em 02/03/2020 18:02 1379 exibições

A seca que atinge a região centro-leste do País atraiu a atenção para a eventualidade de apagões e racionamento de energia. Será isso possível? 

O Brasil é super-rico em água doce. Nenhum outro país se lhe compara: temos 12% da água doce superficial do planeta!

Além do mais, temos território mais do que suficiente para construir hidroelétricas que garantam o presente e o bem-estar das gerações futuras de brasileiros, nossos descendentes.

Porém, eis que, apesar de todos esses recursos, teme-se seriamente no exterior pela miséria energética em que o País pode cair.

O problema não está na natureza brasileira, escreveu o “Chicago Tribune”, mas na política. E nós acrescentamos: na política que dá asas ao ambientalismo radical, inimigo visceral do progresso e da civilização, em nome de uma utopia anarco-tribalista. 

Essa política já está influenciando as perspectivas de investimento internacional e rebaixando a confiança no Brasil. 

“Chicago Tribune” exemplifica com a declaração do governo de que em 2014 serão consumidos R$ 12 bilhões ($5,2 bilhões de dólares) para substituir a energia hidrelétrica, que é barata, por energia mais cara, gerada em plantas de gás natural, carvão e petróleo.

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O Brasil é super-rico em água doce: 
tem 12% da água doce superficial do planeta!
Confluência dos rios Negro e Solimões na Amazônia

Um efeito dessa despesa seria, segundo o jornal americano, diminuir o crescimento do PIB brasileiro de 1,7% previsto a 1% ou menos. O jornal cita como fonte o banco BTG Pactual SA. Segundo este banco, os altos preços da energia podem estimular o racionamento. 

A culpa não é de São Pedro. “A chuva é um fator, mas não é o único”, disse João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, empresa de consultoria e gestão de energia de São Paulo, citado pelo jornal. “Também é devida a políticas fracassadas e uma má gestão”. 

Em 2001-2002, os apagões forçaram os cidadãos a reduzir por volta de 20% o consumo.

Agora a presidente Dilma Rousseff quer evitar um impopular racionamento em ano eleitoral. Também almeja reduzir em 20% as despesas dos lares, impondo reduções de preços aos operadores de hidroelétricas

Mas, observa o “Chicago Tribune”, desde 2002 não foi inaugurada nenhuma nova geradora importante de energia movida a gás, carvão ou petróleo, e por isso o Brasil deve se preparar para ir apagando as luzes.

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De projetos como Belo Monte depende a civilização brasileira.
Mas o ambientalismo semeia perigosos obstáculos

E aqui apalpamos o peso da ideologia verde no rebaixamento induzido do Brasil.

Como pode se chegar a essa perspectiva, com todo esse território e toda essa água prestes a fornecer energia abundante e barata?

O jornalista e consultor legislativo do Senado, Omar Abbud, fornece uma detalhada explicação no artigo “Por que o Brasil está correndo risco de racionamento de energia elétrica?”

O autor aponta como uma das causas da próxima falta de energia a construção de usinas hidrelétricas desprovidas de reservatórios, em descumprimento, inclusive, da legislação vigente.

Confesso que caí de costas lendo isso. Pois sempre achei que não existe hidroelétrica sem um lago artificial criado por ela, previsto em função de períodos de seca normais.

Mas os nossos inefáveis ambientalistas já pensaram nisso!

O jornalista denuncia “uma política pública ‘de fato’, que vem sendo posta em prática há anos, em razão das pressões contra as usinas hidrelétricas.

Belo Monte: andamento das obras é continuamente prejudicado

Belo Monte: andamento das obras é continuamente prejudicado

“Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 42 empreendimentos leiloados de 2000 a 2012, que somam 28.834,74 MW de potência, apenas dez constituem usinas com reservatórios. 

“Essas dez usinas agregam somente 1.940,6 MW de potência instalada ao sistema elétrico. 

“Os outros 32 empreendimentos, num total de 26.894,14 MW, são de usinas a fio d’água, ou seja, sem qualquer capacidade de guardar água para geração de eletricidade nos períodos secos

“O resultado é que a capacidade de reservação de água para o período seco nas usinas hidrelétricas brasileiras vem caindo em face do aumento da demanda.

Tentáculos da CNBB e ONGs verdes tentam frustrar o porvir das gerações vindouras de brasileiros

Tentáculos da CNBB e ONGs verdes tentam frustrar 
o porvir das gerações vindouras de brasileiros

Essa capacidade, que já foi plurianual, no passado, e era de 5,6 meses, em 2012, cairá para cinco meses, em 2016, e para 3,24 meses, em 2022, de acordo com o Plano Decenal do Ministério de Minas e Energia.

“Além de diminuir a segurança energética do País, a construção de usinas sem reservatórios, segundo a técnica recomendável, tempreço alto para o consumidor. 

“Os reservatórios não construídos são necessariamente substituídos por térmicas, mais caras e poluentes, visto ser esta a única modalidade de geração em nossa matriz que compensa a falta de geração hidrelétrica de maneira segura. 

“As demais – eólica e solar – são apenas complementares, por dependerem da natureza. A geração nuclear, apesar de bastante segura, sofre as restrições conhecidas, inclusive as que servemapenas a fins demagógicos”.


Abbud exemplifica com a usina de Belo Monte, onde se eliminou o reservatório para reduzir a área de alagamento em virtude de exigências ambientalistas. 

Perdeu-se assim a geração de 5 mil MW médios, produzidos com um custo de R$ 3,37 bilhões/ano, e que gerados por térmicas a gás custariam R$ 15,3 bilhões/ano, praticamente o triplo.

Entre as causas da insegurança energética, Abbud menciona o atraso na construção de novas usinas e linhas de transmissão, provocado por dificuldades de licenciamento ambiental.

“O licenciamento ambiental de longa data dificulta o cumprimento de prazos de obras de hidrelétricas e de linhas de transmissão. 

“As usinas termelétricas a combustível fóssil são facilmente licenciadas. Não há pressões, nem campanhas contra essa modalidade de geração, de característica notoriamente poluente.”


Neste ponto aparece a ideologia anticivilizadora “verde”. Um bom ambientalismo só pode ser contrário à poluição. Mas o ambientalismo imperante, não! Ele é contra a energia barata não poluidora!

“Há, atualmente, na Aneel, algo entre seis e sete mil MW de outorgas de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) que não podem ser expedidas pela Agência sem a emissão da Licença Ambiental Prévia. PCHs ... demoram, às vezes, nove anos para obter sua Licença de Instalação, como aconteceu com uma PCH de Mato Grosso, que só recentemente foi licenciada”, concluiu Abbud.

Movimento Pare Belo Monte. Sabotagens frequentes, matreiricies juridicas e ideologia neocomunista verde

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Rombo crescente

Um quarto da energia do país via termelétrica

Termelétricas: custo de 26 bilhões 

De acordo aos números já contabilizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) até abril, mais a previsão das comercializadoras de energia para o restante do ano, o custo total pelo acionamento das termelétricas entre janeiro e dezembro de 2014 deverá alcançar 26,8 bilhões de reais.

Como só foram pagos às distribuidoras 12,4 bilhões de reais através do empréstimo da CCEE e do Tesouro Nacional, surge a pergunta óbvia: de onde virão os restantes 14,4 bilhões de reais para cobrir o rombo?

Por Lauro Jardim

 

LOGÍSTICA: 

Aprosoja-MT reforça preocupação com interrupção da navegação na hidrovia Paraná-Tietê

A interrupção da hidrovia equivale a 45 mil carretas bitrem de 45 toneladas circulando pelas estradas de São Paulo 

 

(Ascom Aprosoja com Ascom Antaq)

 

A navegação na hidrovia Paraná-Tietê está paralisada desde que as usinas de Três Irmãos e Ilha Solteira, em São Paulo, passaram a gerar mais energia, reduzindo o nível dos seus lagos, que estão interligados pelo Canal Pereira Barreto. A situação é preocupante, segundo o diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira. “Cerca de um milhão de toneladas de grãos produzidos em Mato Grosso são escoados por esta hidrovia, que agora está prejudicada”, disse.

  

Na terça (10), diretores da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) se reuniram com representantes da Agência Nacional de Águas (Ana). O diretor geral da Antaq, Mário Póvia, ressaltou a preocupação com a situação do rio Tietê. “Nós estamos preocupados com o respeito ao uso múltiplo dos rios e o retorno da navegação na Hidrovia Paraná-Tietê, que ainda está sem uma solução à vista”, disse.

 

Os diretores informaram que, caso a hidrovia continue interrompida, a queda estimada na movimentação de carga, no período de maio a novembro, será de no mínimo de 2 milhões de toneladas de mercadorias, como soja, milho, farelo de soja, madeira e celulose. “Isso equivale a 45 mil carretas bitrem de 45 toneladas circulando pelas estradas de São Paulo”, informou Póvia.

 

O Movimento Pró-Logística é presidido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e é formado por representantes de diversas entidades do setor produtivo de Mato Grosso.

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Fonte:
Redação NA + Aprosoja MT

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