Radicais do PT querem campanha de Dilma mais ainda à esquerda, 'nós contra todos'

Publicado em 23/06/2014 11:03 480 exibições
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Depois da convenção que oficializou a candidatura de Dilma Rousseff ao segundo mandato, a cúpula do PT quer ampliar a influência na campanha da presidente. O partido já decidiu criar um grupo de trabalho, formado por cinco dirigentes, para fazer a "ponte" entre a Executiva Nacional e o comitê de Dilma. Duas correntes internas, consideradas mais radicais, também reivindicam espaço na coordenação da campanha. O PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem, na prática, imprimir um tom mais à esquerda na disputa. É por isso que temas como a regulação dos meios de comunicação e a reforma política terão papel de destaque, reforçando o discurso do "nós contra eles" que tem sido adotado pela sigla.

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Com a popularidade em queda, Dilma aceitou sugestões para incorporar em seu programa de governo assuntos dos quais preferia manter-se afastada, como o projeto petista de"democratização da mídia" - termo utilizado pela sigla para mascarar uma intenção bastante clara: controlar o que é veiculado pela imprensa no país. Um projeto sobre o tema foi preparado pelo então titular da Comunicação Social, Franklin Martins, no governo Lula, mas acabou engavetado por ordem de Dilma. O ex-ministro hoje integra o núcleo da campanha dilmista. Atualmente, o comando responsável pela estratégia da disputa abriga só o PT. A coligação de apoio à presidente, no entanto, deve reunir dez partidos. Todos cobram assento na coordenação da campanha, em especial os dirigentes do PMDB.

Na quinta-feira, a Executiva petista vai decidir se inclui ou não mais dois secretários do PT no grupo de trabalho que atuará como uma espécie de "comitê operacional". Os indicados de correntes radicais são Bruno Elias (Movimentos Populares), da Articulação de Esquerda, e Maristella Mattos (Mobilização), da Militância Socialista. Os outros cinco nomes já aprovados, de tendências moderadas, são Geraldo Magela (secretário-geral do PT), Carlos Henrique Árabe (Formação Política), Florisvaldo Souza (Organização), Mônica Valente (Relações Internacionais) e Alberto Cantalice (vice-presidente). O PT também quer que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho - responsável pelo diálogo com movimentos sociais -, integre a coordenação da campanha. Até o fim da Copa, porém, ele fica no Planalto.

Estratégia - Tanto o governo quanto o PT trabalham com a polarização da disputa contra o candidato do PSDB, Aécio Neves. O partido vai insistir na comparação entre as duas siglas e tentar associar o tucano às hostilidades contra o governo Dilma. A estratégia já ficou clara na convenção de sábado, quando a sigla deu uma amostra do que será o tom da campanha: como se o PT fosse oposição e não governo, os membros do partido gastaram mais tempo atacando os adversários e os governos do PSDB do que falando dos méritos da gestão Dilma.

O ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, reforça a tese da comparação ao destacar o "processo intenso de disputa política entre dois projetos". "Um que vem transformando a realidade da maioria do povo e outro que, quando governou o Brasil, expressou aquilo que o brasileiro menos gosta: desemprego, salário sem aumento e arrocho tributário."

A candidatura de Eduardo Campos (PSB) tem sido tratada com certo desdém pelo PT. "Acho que a terceira via precisa se expressar. Não se expressou até agora", ironizou Berzoini. Aécio, por sua vez, rebate as comparações e diz que os petistas estão "desesperados" e não sabem qual estratégia adotar. "Até eles agora resolveram falar em mudanças. É um governo que está nos seus estertores."

(Com Estadão Conteúdo)

 

NO BLOG DE REINALDO AZEVEDO:

O último truque da marquetagem: opor o “sucesso da Copa” à antevisão dos “pessimistas”. Ou: Dilma é melhor para estrangeiros do que para brasileiros

É fabuloso. Recebo no blog centenas de comentários por dia — coisa de gente que é paga para molestar os outros na Internet — me cobrando porque eu teria escrito que a Copa do Mundo seria uma catástrofe. É mesmo? Eu? Escrevo neste blog e na Folha de S.Paulo e faço comentários no Jornal da Manhã, na Jovem Pan, onde também tenho um programa diário: “Os Pingos nos Is”, que vai ao ar entre 18h e 19h. Está em recesso justamente por causa dos jogos da Copa. Volta ao ar na próxima sexta. Muito bem! Tudo o que escrevo e falo está em arquivo. Tentem encontrar uma só fala ou um só texto meus antevendo o desastre. Não há. Porque nunca achei. Ao contrário: cheguei a alertar que esse negócio de “Não Vai Ter Copa” era coisa de imbecis. Porque, por certo, haveria Copa, e a força do espetáculo se imporia, ainda que com contratempos — que existem.

Cheguei a esculhambar na Jovem Pan uma reportagem da revista alemã Der Spiegel, que fez uma abordagem que me pareceu absolutamente equivocada sobre a Copa, sugerindo, ainda que sem querer, que esse negócio de estádios muito sofisticados não era compatível com a realidade brasileira. Como meus leitores e meus ouvintes estão cansados de saber, jamais me encantaram os protestos de rua, desde junho do ano passado. Boa parte deles abrigou manifestações francamente criminosas, da extrema esquerda e de grupelhos de radicaloides que estão a precisar é de pais severos que lhes puxem as orelhas e lhes cortem as mesadas.

Estamos, isto sim, é diante de mais uma jogada dos marqueteiros do poder e de seus braços na imprensa. Agora saem por aí a dizer: “Estão vendo? Os pessimistas estavam errados. A Copa é um sucesso!” É claro que o evento, em si, seria bem-sucedido. Era preciso ser muito abestado para dizer que não. O ponto é outro. Ou: os pontos são outros.

As benfeitorias permanentes que viriam junto com a Copa do Mundo chegaram em proporções muito modestas. Além dos estádios e da privatização dos aeroportos, há pouco a comemorar. Aliás, tanto o torneio de futebol como a Olimpíada serviram, isto sim, para tirar o governo de sua tacanhice ideológica e obrigaram Dilma a privatizar parte do setor aeroportuário, o que ela e o PT se negavam a fazer. Nesse sentido, aquilo que os petistas não fizeram para servir aos brasileiros, viram-se obrigados a fazer para atender aos estrangeiros.

ATENÇÃO! EU ACHO QUE DILMA É UMA PRESIDENTE MELHOR PARA OS ESTRANGEIROS DO QUE PARA OS BRASILEIROS, ENTENDEM? O PT, felizmente, se envergonha diante dos turistas e, infelizmente, não se envergonha diante do povo. Até outro dia, tínhamos de ouvir a cascata imoral de que havia muita gente reclamando da situação dos aeroportos porque estava incomodada com a presença de pobres.

Não havia como a Copa, em si, ser um fiasco. O que é decepcionante para os poderosos de turno — e bom para o país — agora, sim, é outra coisa: o governo não está conseguindo faturar politicamente com o evento. Afinal, Dilma não consegue discursar num estádio, não é mesmo? Recebe vaias e xingamentos até quando não está presente.

Segundo o planejado, a esta altura, a presidente deveria estar vivendo o momento da apoteose, com a popularidade nas alturas, caminhando para um mero ritual homologatório na eleição de outubro. E isso não vai acontecer. No meio da competição, o PTB, um partido da base, muda-se para o lado do candidato do PSDB, Aécio Neves. O PMDB do Rio, como se viu neste domingo, rachou, para valer, e vai fazer a campanha “Aezão” — isto é, vai apoiar o peemedebista Luiz Fernando Pezão para o governo do Estado e Aécio para a Presidência. Outras seções do partido não endossarão a candidata petista.

Assim, tudo vai bem com a Copa em si e relativamente bem com o seu entorno. Ruim para o governo é outra coisa: a população aprendeu a distinguir o evento em si da questão política. Quando essas duas coisas se misturam, ainda é contra os interesses do Planalto. Dilma deveria estar no auge de sua força. E, por enquanto, ela está perdendo apoio, não ganhando. Com ou sem o sucesso da competição.

Por Reinaldo Azevedo

 

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1 comentário

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    viva cuba viva venezuela viva ptralhada hahahaha

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