Pesquisas apontam para declínio de Dilma no Nordeste e entre mulheres

Publicado em 20/07/2014 07:13 3186 exibições

Eleições 2014

Os números contra Dilma Rousseff

Pesquisa mostra que a presidente-candidata mantém a dianteira, mas todos os dados apontam para um declínio da petista – inclusive no Nordeste, onde o PT sempre teve desempenho acima da média

Gabriel Castro, de Brasília
Em Brasília, Dilma Rousseff aguarda a chegada do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no Palácio do Planalto

NUVENS NEGRAS – A presidente-candidata Dilma Rousseff: pesquisas indicam que o caminho para a reeleição será muito mais árduo do que o PT previa (Ueslei Marcelino/Reuters)

A pouco mais de três meses das eleições, a presidente-candidata Dilma Rousseff tem diante de si um panorama cada vez mais desafiador. O último levantamento do Datafolha aponta que o segundo turno é muito provável. E, no segundo turno, Dilma tem 44% das intenções de voto contra 40% de Aécio Neves (PSDB). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, há empate técnico pela primeira vez.

A queda nas pesquisas é lenta mas contínua. Em fevereiro, por exemplo, o Datafolha mostrava Dilma com 54% das intenções de voto no segundo turno. Aécio tinha 27%. Contra Eduardo Campos (PSB), o placar era de 55% a 23% a favor de Dilma. 

Alguns dados específicos ajudam a compreender as dificuldades da campanha petista – que, duas semanas após o início do período eleitoral, ainda não foi às ruas. O cenário é pior nas grandes cidades, que normalmente antecipam tendências gerais do eleitorado. Nos municípios com mais de 500.000 habitantes, a avaliação positiva do governo passou de 30% para 25% do eleitorado. Os que rejeitam a gestão de Dilma agora são 37%, ante 31% no último levantamento. Ela perderia as eleições nessas cidades, assim como nos municípios que têm entre 200.000 e 500.000 moradores.

A rejeição de Dilma é maior do que a de todos os candidatos presidenciais vencedores desde 1994, considerado o momento da campanha. Hoje, 35% dos eleitores não votariam na presidente de forma alguma. Também por isso, a possibilidade de uma vitória de Dilma no primeiro turno são reduzidas: Dilma tem pouco potencial de crescimento e dificilmente ultrapassará os 40%. 

Dessa forma, ganham relevância os número sobre um eventual segundo turno. É por isso que o empate técnico com Aécio assusta os petistas. "Eu, no lugar dela, eu estaria muito preocupado com a possibilidade de haver um segundo turno, que é o que tudo indica", diz o professor Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília. Caldas também afirma que, embora possa haver exceções, as tendências dos grandes centros costumam influenciar o restante da população. Ou seja: a queda mais acentuada de Dilma nas grandes cidades é um péssimo sinal para a campanha da petista. Mas não foi só lá que as intenções de voto da petista se reduziram.

Faixas e redutos

No Nordeste, que desde 2002 é uma fortaleza eleitoral dos presidenciáveis petistas, Dilma caiu de 55% para 49% nas intenções de voto para o primeiro turno, de acordo com o último Datafolha. Enquanto Dilma faz campanha apenas na internet, os principais adversários da petista priorizam os estados nordestinos. Nesta fim de semana, Eduardo Campos vai visitar o Crato (CE). Aécio Neves viaja a Juazeiro do Norte (CE), onde vai participar das cerimônias pelos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Das quatro faixas de renda consideradas pelo Datafolha, Dilma perderia o segundo turno em três, no cenário em que o adversáro é Aécio Neves. Ela venceria apenas entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, onde ela perdeu três pontos percentuais na última pesquisa. Dilma também é derrotada no segundo turno entre os eleitores escolaridade de nível médio ou superior. Venceria somente no grupo que estudou até o ensino fundamental.

A presidente tem nas mãos a máquina do Estado e uma militância muito mais numerosa e capilarizada do que PSDB e PSB. Além disso, ela tem quase o dobro do tempo de TV de seus dois principais adversários somados. E, no último Datafolha, os três perderam apoio na faixa dos eleitores que têm renda familiar acima de dez salários mínimos. É um sinal de que as escolhas ainda são voláteis. Hoje, 53% dos eleitores conhecem Dilma "muito bem", mas apenas 17% respondem o mesmo sobre Aécio Neves, e 7% a respeito de Eduardo Campos.

Aécio Neves e Eduardo Campos não têm crescido significativamente nos números do primeiro turno, apenas quando o confronto é direto com Dilma Rousseff - ou seja, nas sondagens sobre o segundo turno. Isso indica que boa parte do eleitor é contra Dilma e votaria no candidato que pudesse derrotá-la, mas não tem forte afinidade com Aécio ou Campos. 

Para O PT, portanto, é mais importante melhorar a imagem da presidente do que atacar os adversários. O problema é que os petista já vêm tentando fazer isso há um ano, desde que as grandes manifestações de rua iniciadas em junho de 2013 tomaram o país. E a estratégia teve pouco efeito.

Dilma convocou representantes de setores diversos para dialogar. Intensificou as viagens pelo Brasil, mesmo que para inaugurar obras pouco importantes. Abusou do direito de convocar a cadeia de rádio e televisão. Passou a fazer discursos mais longos, com menções aos projetos-vitrine de seu governo. Tratou a Copa do Mundo como se fosse um programa de governo e multiplicou as críticas ao que chamou de "pessimistas". Adotou a retórica de candidata, com ataques políticos, em eventos oficiais. 

Mas não adiantou. Na Copa, por exemplo, Dilma compareceu apenas à abertura e à final. Foi vaiada e hostilizada nos dois jogos. As aparições da presidente diante de uma plateia comum, não selecionada por sua lealdade política (como acontece nos eventos da Presidência) serviu para mostrar o quão grande é a rejeição da petista. Serão quinze semanas imprevisíveis até a eleição.

Em VEJA desta semana

A guerrilha interna que ameaça a campanha de Dilma

Assessores de Dilma Rousseff e auxiliares de Lula disputam espaço na campanha petista. Em jogo, parte do butim e a supremacia em um eventual segundo mandato da presidente

Daniel Pereira
Dilma Rousseff: preocupação com a disputa entre petistas pelo poder

Dilma Rousseff: preocupação com a disputa entre petistas pelo poder (André Duzek/Estadão Conteúdo)

Dilma Rousseff lidera as pesquisas de intenção de voto, conta com o apoio do cabo eleitoral mais popular do país, terá o dobro do tempo de seus principais rivais na propaganda eleitoral e usufruirá, até o dia da votação, vantagens competitivas que só a caneta presidencial proporciona — do anúncio de ações oficiais ao protagonismo em reuniões entre chefes de Estado, como as realizadas na semana passada em Brasília e Fortaleza. Em situações normais, tais credenciais favoreceriam a harmonia entre os coordenadores da campanha. Essa é a regra. Mas a regra, como se sabe, nem sempre vale para o PT. Depois da guerra interna em torno do movimento “Volta, Lula”, aliados do ex-presidente e assessores de Dilma disputam agora o comando da chapa à reeleição. Cada tropa quer definir os rumos da campanha e, em caso de vitória nas urnas, controlar as verbas e os cargos mais importantes da futura administração. Em meio ao tiroteio, uma pesquisa mostrou o senador Aécio Neves (PSDB), pela primeira vez, em situação de empate técnico com Dilma num eventual segundo turno. É o prenúncio de mais fogo cruzado pela frente.

“Corremos o risco de perder para os nossos próprios egos”, diz um dos auxiliares da presidente. O comando eleitoral de Dilma conta com sete pessoas. É tal o grau de disputa entre elas que houve uma tentativa de parte desse grupo de expulsar o ex-ministro Franklin Martins da campanha. Responsáveis pela relação com a imprensa e pela atuação na internet, Martins e seus subordinados publicaram críticas pesadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao presidente da entidade, logo depois da eliminação do Brasil na Copa, num site de apoio a Dilma. A iniciativa foi considerada agressiva demais e incompatível com a postura esperada de um presidente da República por outros coordenadores da campanha. Eles exigiram da equipe de Martins que retirasse o texto do ar. Como o ex-ministro resistiu, Dilma foi acionada e determinou a realização de uma reunião para pacificar os ânimos de seus generais. O encontro ocorreu na segunda-feira, mas a paz selada foi apenas aparente. A tensão continua no ar, assim como — por incrível que pareça — a mensagem veiculada na internet que provocou toda a confusão. “O Franklin Martins se acha maior do que todo mundo”, reclama um dos coordenadores de Dilma.  

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Eleições

Aécio inicia périplo pelo Nordeste e diz que 'PT está à beira de ataque de nervos'

Laryssa Borges, do Crato (CE)

Faltando um mês para o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, o candidato do PSDB à Presidência da República Aécio Neves disse neste sábado que a rejeição do eleitor ao governo da presidente Dilma Rousseff abre espaço para que o PT atue com “terrorismo eleitoral” e o acuse de querer acabar com programas de assistência social, como o Bolsa Família. Para o tucano, a constatação, medida pelo Instituto Datafolha, de que 35% do eleitorado não votariam na petista “de jeito nenhum” coloca o PT “à beira de um ataque de nervos”.

“Quanto às ameaças e esse terrorismo eleitoral, isso é uma prática costumeira dos nossos adversários e do PT, que está assustado hoje com o que está vendo, com a rejeição das pessoas às suas propostas. Diria hoje que o PT é um partido à beira de um ataque de nervos”, afirmou Aécio após desembarcar na cidade cearense de Juazeiro do Norte, onde foi recebido pelos candidatos ao Senado Tasso Jereissati (PSDB) e ao governo estadual Eunício Oliveira (PMDB).

No Nordeste, a presidente Dilma Rousseff, que só deve começar a realizar atos públicos de campanha no início do mês, lidera a preferência do eleitor com 49% das intenções de voto. O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) aparece na segunda colocação quando somados os nove Estados nordestinos, com 12%. Aécio tem apenas 10% das intenções de voto na região.

Para o núcleo de campanha, o baixo desempenho do tucano na Região Nordeste, segundo maior colégio eleitoral do país, deve levá-lo a um verdadeiro “périplo” pelos estados para tornar sua imagem conhecida e afastar acusações de que estaria disposto a acabar com o programa Bolsa Família. “Não há candidato à Presidência da República que se possa considerar responsável e sério que não comece sua caminhada pelo Nordeste”, disse ele um dia após o candidato Eduardo Campos ter afirmado, também no Crato, que os políticos tem se voltado à região apenas por se tratar de um período eleitoral.

Desconhecido por 18% dos eleitores, Aécio realizou neste sábado ato público de campanha na microrregião do Cariri, no Ceará, participou de uma carreata em Juazeiro e visitou a feira agropecuária ExpoCrato, a maior do Estado. Na feira, estava ao lado de Jereissati, ex-governador e principal alvo de atenção do público local. Boa parte dos presentes questionava quem era o político que acompanhava Tasso. Alguns o confundiram com Eunício Oliveira.

Bolsa Família - O Nordeste é a principal região que sustenta a aprovação da presidente Dilma Rousseff e, em 2010, foi entre os nordestinos que a petista alcançou o maior êxito eleitoral, principalmente entre os municípios que tiveram maiores ganhos proporcionais de renda e acesso à escola. Os Estados nordestinos reúnem também o maior número de beneficiários do Bolsa Família e, durante a campanha presidencial, devem ser utilizados pelo candidato do PSDB para afastar a imagem de que ele acabaria com programas sociais e para construir a tese de Aécio como um “garantidor de direitos”.

“Todo instante percebemos a mentira buscando ser a condutora das ações daqueles que querem se perpetuar no poder. Para cada mentira que disserem vamos dizer dez verdades. Vamos não apenas manter o Bolsa Família, como vamos ampliá-lo e aprimorá-lo. Os programas sociais que têm dado certo não são programas de um partido ou de um governo, são da sociedade brasileira”, disse o candidato no Ceará.

Leia também: Com Alckmin, Aécio visita reduto do PT na periferia de SP

Autor de um projeto de lei que transforma o Bolsa Família em política de Estado, o tucano afirmou que esses benefícios a famílias carentes devem ser “permanentes”. Entre as propostas em estudo, Aécio afirmou, em sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, pelo UOL, pela Rádio Jovem Pan e pelo SBT, que poderá conceder “bônus” em casos específicos do Bolsa Família, como se o pai de família voltar a estudar ou se o aluno obtiver boas notas.
“Quero que o Bolsa Família seja um programa permanente, independentemente de quem seja o próximo presidente, até porque ele se iniciou no nosso governo com o Bolsa Escola e o Bolsa Educação”, afirmou.

“Estou extremamente otimista com a possibilidade não apenas de vencermos as eleições, mas de fazer um governo à altura da expectativa desses mais de 60% da população que clama por mudança, um governo que respeite os avanços de até aqui, que mantenha, amplie e aprimore os programas sociais que atendem e beneficiam a população brasileira, como o Bolsa Família, por exemplo, mas que permita à população sair desse processo de estagflação, de crescimento estagnado e paralisado e com a inflação de novo comendo o salário e a renda do trabalhador e da dona de casa brasileiros. O Brasil precisa ver encerrado esse ciclo de governo para iniciarmos um outro de crescimento e sobretudo de novos avanços sociais”, completou ele.

Neste domingo, Aécio Neves participa de missa campal em homenagem aos 80 anos da morte de Padre Cícero, vai à estátua do líder católico e visita um hospital na cidade de Barbalha. Pela manhã, o candidato cumpriu agenda em São Paulo.

Eleições

Ibope: No RS, Ana Amélia tem 37% e Tarso Genro, 31%

Primeira pesquisa eleitoral sobre o governo gaúcho tem empate técnico entre senadora e atual governador, no limite da margem de erro

Senadora Ana Amélia (PP) lidera disputa eleitoral no Rio Grande do Sul contra o governador Tarso Genro (PT)

Senadora Ana Amélia (PP) lidera disputa eleitoral no Rio Grande do Sul contra o governador Tarso Genro (PT) (José Cruz/Agência Senado e ABr)

A senadora Ana Amélia (PP) aparece em primeiro lugar na corrida para o governo do Rio Grande do Sul, com 37% das intenções de voto, segundo pesquisa Ibope divulgada neste sábado. O atual governador gaúcho, Tarso Genro (PT), vem logo em seguida, com 31% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Ana Amélia, no limite da margem de erro.

O ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), é o terceiro colocado com 4%. O candidato do PDT, Vieira da Cunha, surge na quarta posição, com 2% das intenções de voto. José Carlos Rodrigues (PMN) e Roberto Robaina (PSOL) têm 1% cada. Edison Estivalete (PRTB) e Humberto Carvalho (PCB) não alcançaram nem 1%. O total de votos brancos e nulos somou 9%, enquanto os eleitores que não sabem em quem votar ou não responderam totalizaram 15%.

Na pesquisa espontânea, Tarso Genro aparece com 15% das intenções de voto, enquanto Ana Amélia surge com 14%. Brancos e nulos totalizam 8% e o índice dos que não sabem ou não respondem somou 59%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de julho, com 812 eleitores entrevistados. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pelo Grupo RBS e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) sob o protocolo número RS-00006/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00224/2014.

(Com Estadão Conteúdo)

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veja.com.br

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