No calote argentino, quem paga é o carteiro brasileiro, o Postalis

Publicado em 07/08/2014 06:40 e atualizado em 08/08/2014 04:57 878 exibições
por Geraldo Samor, de veja.com.br

No calote argentino, quem paga é o carteiro brasileiro

A história dos fundos de pensão das estatais brasileiras é, em grande parte, uma coletânea de ingerência política, maus investimentos e casos policiais.

Para o horror (e a ruína) dos aposentados e trabalhadores que dependem dos fundos, nunca falta criatividade aos seus gestores para encontrar novas formas de perder dinheiro — de preferência da forma mais imbecil ou venal possível.

A mais nova bizarrice vem do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, nos últimos anos um fundo notoriamente aparelhado pelo PMDB.

Bloomberg descobriu que, sabe-se lá por que cargas d’água, um fundo exclusivo do Postalis havia investido em — segura essa — títulos da dívida argentina.

Quando a Argentina ficou inadimplente na semana passada, seus títulos despencaram, levando o fundo do Postalis a perder 52% de seu capital, ou a bagatela de 198 milhões de reais.

Em se tratando de perder dinheiro, o Postalis, além de inovador, é reincidente.

O fundo do Postalis que sofreu o prejuízo com a Argentina, o “Brasil Sovereign II Fundo de Investimento de Dívida Externa FIDEX”, já havia sido vítima de seu próprio gestor, indicado pelo PMDB e processado pelas autoridades americanas em 2012.

Tem mais.  O Postalis tinha 135 milhões de reais investidos no Banco BVA, que quebrou. Desse total, só 45 milhões foram recuperados até agora.

Depois da porta arrombada, o Postalis disse que está “tomando as medidas legais cabíveis” para mitigar suas perdas com a Argentina.

A melhor medida ‘cabível’, como se sabe, teria sido o governo manter o balcão de negócioslonge dos fundos de pensão.

Cerca de 130 mil funcionários e aposentados dos Correios precisam do Postalis para ter uma velhice mais estável.

No PMDB, 79 deputados e 20 senadores precisam de votos para continuar tendo um mandato.

Por Geraldo Samor

Big Mac, Big Problem

Quem diria?Big Mac

Até vender hambúrguer no Brasil e na Argentina não está fácil nos dias de hoje.

A Arcos Dorados, franqueada do MacDonald’s para a América Latina, revisou para baixo suas expectativas de resultado para este ano.

Suas ações já caíram 15% entre ontem e hoje.

A empresa também cortou seus planos de investimento e de abertura de lojas para o resto do ano, e planeja demissões.

Os culpados, segundo a Arcos Dorados: o (exausto) consumidor no Brasil e na Argentina, a Copa do Mundo, e a bagunça econômica na Venezuela, que forçou a empresa a reconhecer uma perda cambial devido à desvalorização do peso.

No segundo trimestre, o faturamento da Arcos Dorados caiu 7,2%, e o prejuizo foi de 99 milhões de dólares.

Por Geraldo Samor

Governo pressiona caixa das teles

As empresas de telecomunicações temem que o setor tenha que pagar uma conta pesada nos próximos meses — o mais recente exemplo de como certas iniciativas do Governo destroem valor para as empresas (fazendo com que a Bolsa caia quando a Presidente sobe nas pesquisas).Dilma Rousseff

O primeiro problema, ainda difícil de ser quantificado, é o Banda Larga para Todos, um programa que a Presidente Dilma Rousseff promete lançar em um segundo mandato e que pretende oferecer a todos os brasileiros um serviço de internet “barato, rápido, potente e seguro”.

As teles temem que, assim como aconteceu com o setor elétrico, elas tenham que pagar a conta do investimento pesado com retorno baixo, já que o governo vai forçar uma tarifa módica.

A outra frente de batalha é o leilão de serviço de internet de quarta geração (4G), que o Governo tenta fazer acontecer ainda este ano, para desespero das teles.

De acordo com previsão do próprio Governo, o leilão arrecadaria no mínimo 8 bilhões de reais (são quatro faixas, com preço mínimo de 2 bilhões cada) — e seria chave para o Tesouro fechar as contas este ano.

Acontece que a faixa de 700 megahertz, que será leiloada, hoje é usada pela TV analógica. Isso significa que, para as teles poderem começar a usar a frequência, ela terá que ser “limpa”, um processo que vai custar cerca de 4 bilhões de reais, outra fatura a ser paga pelas operadoras que vencerem o leilão.

Tem mais: a trabalho de limpeza da frequência no interior do País (onde a rentabilidade é menor) vai demorar no mínimo um ano. Já em São Paulo e no Rio de Janeiro, os maiores mercados, a limpeza vai demorar muito mais, e as teles só devem começar a oferecer o serviço em 2018.

Em outras palavras, as teles serão obrigadas a desembolsar capital agora, e só começarão a ter o retorno daqui a vários anos.

Dado esse descasamento de prazo, era de se esperar que o Governo aliviasse um pouco as condições de pagamento. Só que não.

O edital que a Anatel levou a audiência pública exige que 10% do valor da outorga seja pago à vista. Após três anos de carência, o restante seria pago em seis parcelas anuais (corrigidas pelo IGP-DI + 1% ao ano). As teles reclamam que essas condições de pagamento, similares à do leilão anterior, encarecem ainda mais as outorgas, forçando um pagamento à vista — o que é música para os ouvidos do Secretário do Tesouro, Arno Augustin.

A exigência de novos investimentos vem num momento em que o setor está em seu pico de investimento histórico. Em 2012, as teles investiram 25,8 bilhões de reais.  Em 2013, 29,3 bilhões.  São valores maiores até do que o investido em 2001, na universalização da telefonia fixa logo após a privatização, quando as teles gastaram 24,5 bilhões colocando orelhões em vilarejos que tinham mais de 300 habitantes e telefonia fixa em lugares com mais de 600 habitantes. (Como hoje em dia todo brasileiro tem um celular e ninguém quer saber de orelhão, a rentabilidade daqueles investimentos, obrigatórios por lei, foi para o saco.)

As teles, cujo negócio depende de regulação e portanto de boas relações governamentais, estão pisando em ovos para falar do assunto.

A TIM, por exemplo, reafirmou publicamente que vai participar do leilão, mas pediu humildemente que o Governo antecipe a limpeza de frequência.

Mas, como a corda anda esticada, até o alinhamento automático do setor com o Governo pode estar em risco. “Não posso afirmar que vamos participar [do leilão]“, o presidente da Claro, Carlos Zenteno, disse ontem à Agência Estado. “Isso depende das condições do edital”.

A Anatel e o Ministério das Comunicações tentam liberar a realização do leilão, que está suspenso pelo Tribunal de Contas da União.

A história fica mais interessante quando se leva em conta que a maioria das empresas querem a consolidação do mercado de telefonia celular, passando de quatro — Vivo, TIM, Oi e Claro — para três. A consolidação se daria com um fatiamento e venda da TIM, e isto, claro, depende da boa vontade governamental.

Reduzir o número de empresas disputando o mesmo consumidor é tão importante que, ontem, a Telefonica fez uma oferta de 20,1 bilhões de reais pela GVT. A oferta foi vista no mercado financeiro como puramente defensiva: a Telefonica está agindo para evitar uma fusão entre a TIM e a GVT, que acabaria aumentando a concorrência entre as quatro operadoras de celular e dificultando ainda mais a consolidação do setor.

Difícil saber quem sofre mais: os clientes das teles, que recebem um serviço sofrível, ou seus acionistas, que cada vez mais têm que injetar capital para ter algum retorno.

Por Geraldo Samor, DE VEJA.COM.BR 

É a economia, candidatos,

por Celso Ming, do Estadão

A novidade da campanha eleitoral deste ano é a de que os debates começaram expondo temas preponderantemente econômicos

A novidade da campanha eleitoral deste ano é a de que os debates começaram expondo temas preponderantemente econômicos.

Por enquanto, ativeram-se a públicos fechados, como o de fóruns e sabatinas entre candidatos e empresários, promovidos por instituições da Imprensa e por organismos representativos da Indústria e do Agronegócio. As posições dos candidatos ainda são um tanto vagas e expostas sem ordem de prioridades.

Mas já sabemos que a inflação está corroendo demais o poder aquisitivo do trabalhador e a capacidade de previsão nos negócios e que, por isso, exige contra-ataque mais eficiente do que vem tendo. Há uma percepção generalizada de que avanços tão medíocres do PIB pioram tudo: a arrecadação de impostos, o investimento, o emprego, a qualidade de vida.

Aécio, Dilma e Campos  (Fotos: ALEX SILVA / ESTADAO)

Ficou claro que a política cambial não pode continuar a desempenhar uma função imprópria e injustificada, como a de ajudar a controlar a escalada dos preços, como hoje acontece. A sociedade avisa que os juros têm de cair, porque vêm tornando proibitivos os custos do crédito. E que, com ou sem tarifaço, os preços administrados (combustíveis, energia elétrica, transportes urbanos) exigem correção e regras claras para que não continuem a criar distorções.

Há consenso em que a infraestrutura é ruim e cara, que o governo não vem conseguindo dar agilidade aos investimentos. Enfim, que é preciso criar um ambiente mais saudável para a atividade econômica e que o comércio exterior está emperrado e precisa ser destravado.

Em certo sentido, as reivindicações são recorrentes como também o são os compromissos de campanha manifestados pelos candidatos.

Os três principais deles (foto) concordam em que não há como escapar das reformas que vêm sendo sistematicamente postergadas. Mostram-se mais à vontade para falar de reformas do sistema tributário e do sistema político, mas preferem se omitir quanto às das leis trabalhistas e as do sistema previdenciário. De qualquer maneira, os candidatos não avançaram em como encaminhariam projetos nesse sentido.

A oposição parece mais consciente do que o governo de que não é possível dar um novo salto de qualidade na política econômica e no rumo do desenvolvimento sem que antes se coloquem em ordem as contas públicas e, até mesmo, sem antes obter um mais alentado superávit primário (parcela de arrecadação destinada ao pagamento da dívida), para criar confiança e condições para um crescimento sustentável.

É possível que estes não sejam os temas que mais comparecerão aos programas de propaganda gratuita por rádio e por televisão, que vão começar no dia 19 deste mês, porque podem parecer um tanto áridos na comunicação com as massas, numa campanha eleitoral que trabalha especialmente com as emoções. Mas indicam que as preocupações de quem decide não se atêm apenas nem prioritariamente a questões de Saúde, Educação, Segurança e Corrupção, como em geral se argumenta, mas aos problemas que, tanto quanto estes ou até mais, mexem com o bolso do eleitor.

CONFIRA:

No gráfico, a evolução da produção de veículos nos últimos 12 meses.

Fracasso do Mercosul
Os debates pré-eleitorais acentuaram os problemas comerciais do Brasil que decorrem da falta de negociações e do fracasso do Mercosul.

Cemitério
Nesta quarta-feira, o ex-ministro Delfim Netto denunciou “o abandono da política comercial”. E prosseguiu: “Nos amarramos ao Mercosul, que não funciona. Transformamos o Atlântico Sul num cemitério. Abandonamos o comércio exterior como vetor de crescimento”.

Pedra sobre pedra, por Dora Kramer

A pergunta é: se não há nada de errado na Petrobrás, qual a razão de tanto esforço para impedir que as investigações sobre os negócios da companhia, com destaque para a compra da refinaria de Pasadena, prosperem de maneira independente?

Nos últimos dias de março, há pouco mais de quatro meses, a presidente da empresa, Graça Foster, informou sobre a abertura de uma comissão de inquérito interna que em 45 dias iria apurar os fatos relativos à compra da refinaria.

"Não sobrará pedra sobre pedra", avisou em entrevista ao jornal O Globo, sugerindo rigor e transparência nos procedimentos.

De lá para cá, no entanto, o que se viu não foi uma demolição de entraves aos esclarecimentos. Observa-se, antes, a construção, pedra sobre pedra, de barreiras de proteção em torno de diretores, ex-dirigentes e tudo o mais que diga respeito à Petrobrás.

Proteção à empresa? Não foi isso o que se fez permitindo-se o uso político dos preços dos combustíveis e a desvalorização de suas ações.

A blindagem se dá mediante a ação conjunta da estatal, do governo e de seus aliados no Congresso. Os diretores em princípio responsabilizados pelo Tribunal de Contas da União pelo prejuízo de US$ 792 milhões terão a cobertura das despesas com as multas, ressarcimentos e custos com advogados garantidos por seguro da própria Petrobrás.

Aqueles que foram apontados pela presidente da República como responsáveis por tê-la induzido e aos integrantes do Conselho de Administração ao erro de aprovar um negócio que viria a provocar o prejuízo da ordem apurada pelo TCU, hoje estão todos do mesmo lado.

Há uma CPI para investigar, mas nessa investigação tudo é previamente combinado entre investigados e investigadores. Francamente, não há outra maneira - a não ser que alguém explique de forma didática - de entender o que se passa: existe uma ação conjunta para impedir que se conheçam os meandros daquela negociação e a verdade sobre a responsabilidade de cada um.

O que se pretende, ao que parece, é pôr uma pedra, se não várias, sobre essa história. E a cada dia surge uma nova armação. A mais recente aparece em decorrência da revelação das cartas marcadas na CPI do Senado.

De um lado, o PT propõe criar duas outras comissões de inquérito para atingir a oposição. Não porque queira investigar de fato, mas porque pretende assim desviar o foco.

De outro, o Senado faz dois gestos tão teatrais quanto vazios. O presidente da CPI, Vital do Rêgo, encaminha ofício à Polícia Federal pedindo que investigue a própria CPI, sabendo que a PF não vai entrar numa fria dessa envergadura.

O presidente da Casa, Renan Calheiros, empenha todo seu notório capital de credibilidade para informar que considera "muito grave" a denúncia de acertos de perguntas e respostas e, diligente, anuncia a criação de uma comissão interna de sindicância.

Faz isso na maior seriedade, como se alguém pudesse confiar na independência da comissão formada por três servidores do Senado encarregados de uma investigação cujo resultado pode apontar o envolvimento de senadores governistas, de assessores da Casa Civil do Palácio do Planalto e de funcionários da Petrobrás.

Calheiros pede "pressa" na apuração e ensina que "CPI é uma instituição que não pode ser arranhada, um instrumento fundamental de fiscalização". Seria de rir a desfaçatez, não fosse de lamentar o cinismo.

Bicudos. Em vários momentos de sua apresentação na Confederação Nacional da Agricultura, Eduardo Campos provocou na plateia reação de muito agrado. Já a referência feita ao final por ele à vice, dizendo ter certeza de que Marina Silva era ali "muito bem vinda", mereceu a frieza do silêncio.

Em seguida a ex-senadora subiu ao palco para as despedidas deixando claro no semblante que a recíproca era verdadeira.

Emergência no Tesouro

EDITORIAL DE O ESTADO DE S.PAULO

Com suas contas em muito mau estado, o governo tenta arrancar dinheiro de onde puder para fechar o balanço fiscal, no fim do ano, com um resultado pelo menos próximo do prometido no começo de 2014. No esforço para cavar mais alguma receita, o Ministério da Fazenda tem pressionado a Caixa Econômica para entregar ao Tesouro o dobro dos dividendos combinados, embora isso torne praticamente inevitável um novo aporte de capital no próximo ano. Pela mesma razão, o Ministério das Comunicações tem insistido em realizar neste ano, contra a vontade da maior parte das companhias do setor, o leilão de telefonia 4G, mais uma promissora fonte de recursos extraordinários para um orçamento depauperado.

O setor público deve fechar suas contas de 2014 com R$ 99 bilhões de superávit primário, dinheiro destinado ao pagamento de pelo menos parte dos juros da dívida pública. Uma parcela de R$ 80,8 bilhões deverá ser fornecida pelo poder central (governo federal, Banco Central e Previdência). Mas a contribuição poderá ser maior, se for insuficiente o resultado obtido pelos governos de Estados e municípios e pelas estatais. Essa foi, pelo menos, a promessa formulada há meses pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Conhecido o balanço fiscal do primeiro semestre, fica muito difícil de acreditar no cumprimento de qualquer dessas promessas, exceto, é claro, por meio de novos lances de criatividade contábil. A contabilidade criativa foi usada amplamente nos últimos dois anos. Sem ela, o governo teria apresentado resultados muito piores. O governo jamais conseguiu enganar a imprensa e os profissionais especializados e a opinião pública foi informada sobre os truques, mas as manobras têm sido repetidas.

Neste ano, até junho, o setor público produziu um superávit primário de apenas R$ 29,38 bilhões, 43,67% menor que de igual período de 2013. O resultado primário do governo central ficou em R$ 15,37 bilhões, 54,43% abaixo do obtido de janeiro a julho do ano passado, mesmo com a redução do déficit da Previdência de R$ 27,03 bilhões para R$ 23,16 bilhões.

A arrecadação do Tesouro ficou muito abaixo da previsão inicial e o aumento real de receita estimado para o ano já passou de 3% para 2%. Mas os detalhes tornam o quadro mais feio. Mais de dois terços do superávit primário do governo central foram proporcionados por R$ 10,49 bilhões de dividendos, uma soma 36,3% maior que a do primeiro semestre de 2013. O aumento desse tipo de contribuição resultou, obviamente, de fortes pressões.

Com o baixo ritmo da atividade econômica e a manutenção das desonerações fiscais, o governo passou a depender mais dramaticamente que nos anos anteriores de receitas especiais. Essas receitas incluem dividendos, bônus de concessões e pagamentos do Refis, isto é, do reescalonamento de dívidas tributárias. A arrecadação prevista do novo Refis foi elevada, em pouco tempo, de R$ 12,5 bilhões para R$ 18 bilhões.

A pressão sobre a Caixa Econômica é parte desse jogo. Por acordo com o governo, a Caixa deveria transferir neste ano só metade dos lucros normalmente disponíveis para dividendos. O Ministério da Fazenda resolveu romper a combinação e cobrar todo o resultado, estimado em cerca de R$ 5 bilhões. A exigência complica seriamente a situação da Caixa, forçada também a participar, juntamente com o Banco do Brasil, de uma nova operação de socorro ao setor elétrico. O governo tenta, ao mesmo tempo, maquiar suas contas com dinheiro da Caixa e socorrer empresas de eletricidade, seriamente prejudicadas pela mal planejada renovação de concessões.

Os bônus de contratos para infraestrutura também entram nesse jogo. Nas últimas semanas, o grande empenho do governo foi para realizar em setembro o leilão de telefonia 4G. A ideia era obter uma receita de uns R$ 8 bilhões para reforçar as contas do Tesouro. Além de atropelar a conveniência das teles, interessadas em adiar o leilão para 2015, o governo enfrentou uma barreira criada pelo Tribunal de Contas da União. O fechamento do balanço ainda vai dar muito trabalho.

Fluxo cambial

Brasil registra saída de US$ 1,8 bilhão em julho

Conta ficou no vermelho devido à queda nos investimentos vindos do exterior

Conta financeira (por onde passam os investimentos estrangeiros direito) teve o pior rombo mensal do ano em julho

Conta financeira (por onde passam os investimentos estrangeiros direito) teve o pior rombo mensal do ano em julho(Creatas/VEJA)

O fluxo cambial, que consiste na entrada e saída de moeda estrangeira do país, fechou julho com saldo negativo de 1,79 bilhão de dólares — o segundo pior do ano. Segundo dados do Banco Central, o resultado só não ficou ainda mais negativo porque houve entrada de recursos via balança comercial nos últimos dias do mês. Somente entre os dias 28 e 31 do mês passado, o fluxo cambial ficou positivo em 2,89 bilhões de dólares, informou o Banco Central nesta quarta-feira. 

Na última semana, o saldo fechou positivo em 2,95 bilhões de dólares, considerando também o superávit de 62 milhões de dólares do dia 1º de agosto, sexta-feira. O resultado, assim, compensou, em parte, o saldo negativo, de 4,5 bilhões de dólares, acumulado até o dia 25 de julho.

Leia também: Arrecadação federal soma R$ 578,6 bi no primeiro semestre 
Setor público tem rombo de R$ 2,1 bilhões em junho 
Dívida pública sobe 3,77% para R$ 2,21 trilhões em junho

O desempenho de julho veio da conta financeira (por onde passam os investimentos estrangeiros, entre outros), com déficit de 3,41 bilhões de dólares, o maior rombo no ano. Já a conta comercial fechou julho com saldo positivo de 1,62 bilhão de dólares. 

No ano - No acumulado do ano, informou o BC, o fluxo cambial estava positivo em 2,42 bilhões de dólares até sexta-feira. O BC informou também que os bancos tinham posição cambial vendida de 15,64 bilhões de dólares em julho, ante 13,75 bilhões de dólares em junho.

No jargão do mercado financeiro, estar "comprado" significa aposta de que as cotações do dólar podem subir. Ao ter a moeda em caixa, é possível lucrar com uma eventual alta das cotações. Estar "vendido" neste mercado, por outro lado, representa expectativa de queda do preço da moeda.

(Na Veja.com.br, com agência Reuters)

Tags:
Fonte:
VEJA + O Estado de S. Paulo

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Escoteiros: Estávamos acampados em Interlagos, em comemoração ao “Quarto Centenário de São Paulo”...

    Milhares de barracas de todos os países. Nosso grupamento era mais da America do Sul... Nos intervalos, íamos trocar objetos, lembranças... Troquei um objeto por uma faca de um padre escoteiro, da Bolívia e fiquei mostrando pra todo mundo, inclusive pra uns escoteiros argentinos que de mão em mão, fizeram que ela sumisse...

    Ela sumiu;... “Comigo no está”. Nem comigo, diziam os argentinos... Voltei pra o nosso acampamento comunicando que eles tinham sumido com minha faca, Armamos todos com nossos bastões, éramos seis e num passe de mágica apareceu a faca que nos foi entregue depois de exigirmos na entrada de seu acampamento... Desde este dia nunca mais confiei em argentino... MERCOSUL é igual aquele acampamento, troca objetos, mas abre o olho porque toma tombo se não for esperto...

    0