Rússia anuncia aumento de importação de alimentos do Brasil. Para o MAPA será uma revolução agrícola no País

Publicado em 07/08/2014 17:15 e atualizado em 08/08/2014 17:47 1557 exibições
Decisão ocorre após embargo à importação de alimentos dos Estados Unidos e União Europeia, que impõem sanções aos russos pela crise na Ucrânia

O ministro da Agricultura da Rússia, Nikolai Fyodorov, afirmou nesta quinta-feira que o país compensará a proibição de importação de alimentos e produtos agrícolas da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos com maior fornecimento de carne (bovina, suína e de frangos) do Brasil.

A principal entidade agrícola do governo russo informou que está em consulta com governos latino-americanos para suprir as importações de alimentos para o país. O Serviço Federal de Veterinária e Monitoramento Fitossanitário disse em nota que conversas com diplomatas do Equador, Brasil, Chile e Argentina serão mantidas durante esta quinta-feira. O governo russo sinalizou que as barreiras para produtores brasileiros com interesse em exportar para a Rússia foram aliviadas. 

A Rússia proibiu nesta quinta-feira a importação de frutas, legumes, carnes, peixes, leite e seus derivados dos EUA, UE, Austrália, Canadá e Noruega. O primeiro-ministro da Rússia, Dimitry Medvedev, disse que a proibição entra em vigor “imediatamente” e durará um ano.

A decisão acontece após um decreto do presidente Vladimir Putin proibir ou limitar importações de alimentos de países que impuseram sanções à Rússia por causa da derrubada um avião da Malaysia Airlines por um míssil disparado por separatistas ucranianos, apoiados pelos russos. A tragédia causou a morte de 298 pessoas. "Não há nada bom em sanções e não foi uma decisão fácil de tomar, mas tivemos de fazer isso", disse Medvedev.

Após sustentar um constrangedor silêncio e não condenar diretamente o apoio russo aos separatistas que desestabilizam o leste ucraniano, o Brasil pode ainda lucrar com o resultado das sanções ocidentais e a retaliação russa. Depois do anúncio do embargo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que a indústria de carne de frango do Brasil tem condições de atender "tranquilamente" uma demanda adicional da Rússia. Ele afirmou, durante evento do setor, que o Brasil teria condições de exportar adicionalmente 150.000 toneladas de carne de frango ao ano para a Rússia, cobrindo cota fornecida pelos EUA. No ano passado, as vendas do país à Rússia atingiram cerca de 60.000 toneladas.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, afirmou nesta quinta-feira que o embargo da Rússia pode abrir portas para uma "revolução" nas exportações brasileiras de carne e grãos (milho e soja). "Sem dúvida, do ponto de vista de commodities agrícolas, é positivo. A Rússia tem um potencial de grande consumidor de commodities agrícolas, não só de carne" disse.  Para ele, o governo brasileiro habilitou 90 plantas frigoríficas para exportar ao mercado russo e a tendência é de que o volume de carne suína e bovina vendida para a Rússia cresça. "O embargo da Rússia aos Estados Unidos abre uma janela para exportação. O país é um grande consumidor de carne e grãos", afirmou.

Segundo ele, o governo brasileiro habilitou 90 plantas frigoríficas para exportar ao mercado russo e a tendência é de que o volume de carne suína e bovina vendida para a Rússia cresça. "O embargo da Rússia aos Estados Unidos abre uma janela para exportação. O país é um grande consumidor de carne e grãos", afirmou Paludo.

O mercado russo é um dos principais para a carne brasileira. Segundo dados do Ministério da Agricultura, no ano passado, de 2,72 bilhões de dólares (5 bilhões de reais) em produtos agrícolas brasileiros vendidos para a Rússia, 44,1% correspondiam à carne bovina. As vendas de carne suína totalizaram 412 milhões de dólares, ou 15,1% do total.

A Comissão Europeia, por sua vez, informou que se reserva o direito de tomar medidas em resposta à proibição da Rússia a alimentos e produtos agrícolas da UE. A Rússia é o segundo maior mercado da Europa para comida e bebida e tem sido um importante consumidor de carne de porco, frutas e legumes. As exportações de alimentos e matérias-primas para a Rússia somaram 12,2 bilhões de euros (36,6 bilhões de reais) em 2013, após vários anos de crescimento de dois dígitos. 

Na Reuters: Rússia pode ser "revolução" para carnes do Brasil, diz Agricultura


Governo se contradiz ao avaliar impacto das exportações para a Rússia

BRASÍLIA (Reuters) - O mercado da Rússia para as carnes brasileiras, que deverá ganhar ainda mais importância após embargo russo a produtos dos Estados Unidos, poderá representar uma revolução para a indústria do Brasil comparável à que a China provocou nas exportações de soja do país na última década, disse uma autoridade do Ministério da Agricultura nesta quinta-feira.

Na véspera, a Rússia informou que permitirá que o Brasil aumente significativamente suas exportações de carne e laticínios ao país, em meio a embargos russos aplicados a produtos alimentícios dos EUA e da União Europeia, em retaliação a medidas do Ocidente por conta da crise na Ucrânia.[nL2N0QC16H]

"Este anúncio... é grande oportunidade do mercado brasileiro trabalhar para conseguir exportar o nosso milho e a nossa soja, seja com rabo (carne bovina ou suína) ou com pena (carne de aves)", afirmou o secretário de Política Agrícola, Seneri Paludo, durante conferência de imprensa para comentar números de safra.

Segundo ele, a Rússia tem potencial de ser grande consumidor de commodities agrícolas.

"Não só do setor de carnes especificamente, seja de carne bovina e suína ou frangos, mas também de commodities agrícolas", afirmou Paludo.

A associação brasileira dos exportadores de carnes (Abiec) afirmou que o número de unidades habilitadas a exportar passou de 31 para 89 plantas após o movimento russo contra o Ocidente.

A Associação Brasileira para Proteína Animal (ABPA) informou que 25 unidades foram habilitadas na quarta-feira para exportar carne de frango ao mercado russo, totalizando agora 38 fábricas. Na carne suína, as unidades habilitadas passaram de oito para 12.

"Talvez, do mesmo jeito que aconteceu no processo de revolução na cadeia de grãos 10, 12 anos atrás, talvez a gente esteja vendo uma grande janela, de causar uma revolução na produção de carnes brasileira", disse o secretário.

As indústrias de frango do Brasil têm condições de atender "tranquilamente" uma demanda adicional da Rússia, que seria de cerca de 150 mil toneladas ao ano, disse a ABPA na quarta-feira.

 

Na FOLHA: Rússia confirma que compensará embargo com carnes brasileiras

Moscou oficializa sanções a EUA e União Europeia e proíbe também importação de frutas e vegetais

Ministro russo afirma que fornecimento do Brasil já começou; país comemora e fala em 'revolução' nas carnes

LEANDRO COLONDE LONDRES

O governo russo confirmou nesta quinta-feira (7) que a importação de carne brasileira vai compensar o embargo recém-anunciado a alimentos da União Europeia e dos Estados Unidos.

Segundo o ministro da Agricultura da Rússia, Nikolai Fyodorov, os negócios com o Brasil nesse sentido até já começaram.

"Em geral, é um pequeno volume e não haverá escassez, porque o Brasil já começou a fornecer os seus produtos", disse o ministro.

Ele tentou minimizar o impacto interno das sanções que o seu governo impôs a potências ocidentais. Disse que a Rússia importa 59 mil toneladas por ano de carne bovina desses países, sendo que o consumo local é de 3,4 milhões de toneladas anuais.

As medidas atingiriam ainda 338 mil toneladas de carnes de aves. Nesse caso, o Brasil pode faturar na venda de carne de frango, aumentando as exportações para a Rússia das atuais 60 mil toneladas por ano em, pelo menos, mais 150 mil toneladas.

Esse volume poderá adicionar cerca de US$ 300 milhões à receita da balança comercial brasileira.

O governo brasileiro comemorou o cenário. "Do mesmo jeito que aconteceu no processo de revolução na cadeia de grãos dez ou 12 anos atrás, talvez a gente esteja vendo uma grande janela para causar uma revolução na produção de carnes brasileira", disse o secretário de Política Agrícola, Seneri Paludo.

As medidas do governo russo, anunciadas na quarta (6), fazem parte de um pacote de retaliação às sanções impostas na semana passada pela União Europeia e pelos Estados Unidos contra Moscou, por causa do seu apoio ao grupo separatista no leste da Ucrânia, região de conflito há mais de quatro meses.

As potências ocidentais aplicaram medidas com foco nas áreas de defesa, tecnologia e finanças.

ALVOS

O revide do presidente russo, Vladimir Putin, atinge, além da UE e dos Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e a Noruega.

As sanções abrangem, entre outros produtos, carnes suína, bovina e de frango, além de peixe, vegetais, frutas, leite e seus derivados.

Em um comunicado, a União Europeia lamentou as restrições e disse que quer avaliar o alcance delas antes de prever seu impacto. "É um anúncio claramente com motivação política", disse.

A retaliação russa também deve afetar o mercado aéreo. Empresas ucranianas estão proibidas de viajar pelo país. O primeiro-ministro, Dmitry Medvedev, disse ainda que está avaliando também banir companhias aéreas americanas e europeias.

A tensão na região começou no começo deste ano, após a queda do então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, aliado de Putin.

A reação russa foi anexar à força em março a península da Crimeia, território ligado oficialmente a Kiev. Logo depois, grupos separatistas pró-Rússia passaram a agir no leste da Ucrânia, gerando um ambiente de conflito militar e tensão política.

Comércio exterior

Na VEJA: Enquanto no Ministério do Desenvolvimento o tom é de cautela, na pasta da Agricultura há comemoração e previsão de "nova revolução agrícola"

A Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia oficial de chegada do Presidente russo, Vladimir Putin, no Palácio do Planalto, em Brasília

Dilma e Putin: proximidade diplomática após ataque a voo da Malaysia beneficia exportações (Wilson Dias/Agência Brasil/VEJA)

O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, minimizou nesta quinta-feira, o impacto de um acordo bilateral entre o país e a Rússia para ampliar as exportações de carnes e outros produtos agrícolas. O país europeu havia anunciado na quarta-feira que busca ampliar suas trocas comerciais com parceiros latino-americanos para compensar a retaliação russa às sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia, em função da crise na Ucrânia. De acordo com Borges, o mercado mundial de alimentos já é "propício" ao Brasil. "Acredito que esse efeito não é significativo para ampliação do mercado brasileiro. Já temos amplo mercado de exportação agrícola para o mundo, então não acredito que essa medida bilateral de retaliação da Rússia em relação a seus parceiros da União Europeia e Estados Unidos vá afetar o mercado brasileiro", afirmou. Contudo, no Ministério da Agricultura, o tom é de comemoração. Prevê-se, inclusive, "uma nova revolução agrícola" no Brasil

O decreto russo foi baixado como resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia à Rússia, depois que o abatimento de um avião da Malaysia Airlines por míssil disparado por separatistas ucranianos apoiados por Vladimir Putin matou 298 pessoas. Segundo o Kremlin, o veto terá validade de um ano. O Itamaraty sustentou um constrangedor silêncio ao não condenar a responsabilidade russa no ataque. Como resultado, terminou indiretamente beneficiado pela situação.  

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O secretário executivo do Mdic, Daniel Godinho, afirmou que uma missão brasileira do Ministério da Agricultura retorna nesta quinta-feira da Rússia com detalhes sobre as negociações. Os russos também buscam parcerias com Argentina, Chile e Equador — países que tampouco se posicionaram diplomaticamente em relação ao ataque.

Godinho ressaltou, entretanto, que a proposta depende de análise da indústria local sobre a capacidade para atender à nova demanda. "O mercado russo é enorme, mas é um momento de serenidade. É preciso fazer um estudo para saber quais produtos podemos oferecer no curto prazo. Vamos conversar com o setor privado", reforçou.

Agricultura celebra — O posicionamento do Mdic foi mais cauteloso que o do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, que celebrou a decisão russa."Sem dúvida, do ponto de vista de commodities agrícolas, é positivo. A Rússia tem um potencial de grande consumidor de commodities agrícolas, não só de carne" disse. Eufórico, Paludo afirmou que o decreto assinado por Putin abre portas para uma "revolução" nas exportações brasileiras de carne e grãos (milho e soja). 

Paludo foi mais além, afirmando que o movimento político do Kremlin "pode ter um efeito parecido com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2011". "O embargo é uma grande oportunidade para mercado e governo trabalharem para exportar milho e soja. Talvez estejamos vendo um processo que pode causar uma revolução na exportação brasileira", afirmou.

Depois do anúncio do embargo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, afirmou que a indústria de carne de frango do Brasil tem condições de atender "tranquilamente" uma demanda adicional da Rússia. Ele afirmou, durante evento do setor, que o Brasil teria condições de exportar adicionalmente 150.000 toneladas de carne de frango ao ano para a Rússia, cobrindo cota fornecida pelos EUA. No ano passado, as vendas do país à Rússia atingiram cerca de 60.000 toneladas.

(Com Estadão Conteúdo)

Leste europeu

Rebeldes pró-Rússia derrubam caça e helicóptero ucranianos

Segundo o Exército ucraniano, o helicóptero era uma aeronave médica, sem armas, identificada com a cruz vermelha. Otan volta a pressionar Moscou

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Novos voluntários do batalhão de defesa ucraniano 'Azov', são vistos em frente a Catedral de Santa Sofia, antes do juramento de fidelidade ao país, em Kiev; Os voluntários partirão em seguida para a Ucrânia oriental

Novos voluntários do batalhão de defesa ucraniano 'Azov', são vistos em frente a Catedral de Santa Sofia, antes do juramento de fidelidade ao país, em Kiev; Os voluntários partirão em seguida para a Ucrânia oriental - Valentyn Ogirenko/Reuters/VEJA

Rebeldes pró-Rússia derrubaram nesta quinta-feira um caça Mig-29 e um helicóptero médico durante os combates com as forças governamentais ucranianas, reporta a rede CNN. As tropas comandadas por Kiev iniciaram uma ofensiva contra as concentrações de insurgentes em Donetsk e Lugansk, no leste do país. O Mig-29 foi abatido quando sobrevoava Yenakievo, cidade natal do ex-presidente Viktor Yanukovich e um dos principais redutos rebeldes na região de Donetsk.

“Certamente ele foi derrubado por um sistema de mísseis Buk”, afirmou Vladimir Selezniov, porta-voz militar ucraniano, ao site do jornal Ukrainskaya Pravda. Segundo fontes ucranianas e americanas, as plataformas de lançamento Buk equipadas com radares para detectar aviões inimigos foram utilizadas pelos rebeldes no dia 17 de julho para derrubar o Boeing 777 da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo.

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Selezniov disse que o piloto do caça conseguiu se ejetar da aeronave antes da queda e está vivo. Contudo, ele ainda não foi localizado e as forças governamentais o buscam “desesperadamente” para que não caia em poder dos inimigos. Já o helicóptero Mi-8 foi derrubado mesmo “sendo evidente de que não era uma aeronave de combate”, pois possuía a tradicional cruz vermelha pintada em sua fuselagem. O porta-voz também mencionou que havia um acordo firmado com os rebeldes separatistas para não atirar em veículos ou aeronaves que fossem buscar soldados feridos em combate.

Apoio da Otan – A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) voltou a pressionar a Rússia, convocando-a a retirar suas tropas da fronteira ucraniana e a não intervir sob o pretexto de uma manutenção da paz, declarou nesta quinta o secretário-geral da aliança militar, Anders Fogh Rasmussen. "A Rússia reuniu um grande número de tropas na fronteira com a Ucrânia para proteger os separatistas e para utilizar qualquer pretexto para intervir mais", declarou Rasmussen em uma coletiva de imprensa em Kiev. "Faço um apelo à Rússia para que se retire da beira do abismo, para que se retire da fronteira. Não utilizem a manutenção da paz como um pretexto para a guerra", acrescentou.

A Otan alertou nestes últimos dias para a crescente presença militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia, que passou de 12.000 homens em meados de julho a 20.000 homens atualmente, segundo a Otan. A aliança teme que Moscou intervenha sob pretextos humanitários. "A liberdade e o futuro da Ucrânia estão sendo atacados", advertiu Rasmussen. "O apoio da Rússia aos separatistas continua. Intensifica-se por sua escala e sofisticação", declarou, acrescentando que a queda do voo da Malaysia Airlines mostrava as consequências deste apoio.

(Com agências EFE e France-Presse + agência Reuters)

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Fonte:
Veja/Reuters/FOLHA

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