Financial Times diz que eleitores brasileiros parecem não se importar com a queda da economia

Publicado em 15/08/2014 11:03 592 exibições
Segundo jornal britânico, investidores acreditam que vitória da oposição traria mudanças positivas para o país; mas o eleitorado parece não enxergar os problemas econômicos

Artigo publicado no blog Beyonbrics, do jornal britânico Financial Times, aponta a piora dos indicadores econômicos do Brasil, que se traduz na redução da perspectiva de crescimento para 2014 de 0,86% para 0,81%, mas anota que "os eleitores parecem não se incomodar". 

FT cita dados da pesquisa Ibope da última semana, que deu 38% das intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff (PT), 23% para Aécio Neves (PSDB) e 9% para Eduardo Campos (PSB), praticamente os mesmos números da rodada anterior, de julho, em que a petista aparecia com os mesmos 38%, o tucano marcava 22%, e o socialista, 8%. A aprovação do governo da presidente oscilou de 31% no levantamento anterior para 32%.

"Nos últimos meses, os preços dos ativos no Brasil mantiveram tendência de alta numa correlação inversa com a subida ou queda de Dilma nas pesquisas. Mas esse tipo de raciocínio não parece estar no radar do eleitorado", aponta o texto. O FT cita ainda a intervenção do governo no caso Santander, que demitiu analistas por causa de um relatório que previa um cenário ruim para a economia brasileira com a reeleição de Dilma. "A opinião do mercado irritou o governo", informa o texto.

FT também comparou as projeções da pesquisa Focus do Banco Central à "dança da cordinha", uma vez que a previsão para o crescimento da economia brasileira cai um pouco mais a cada rodada. 

(Com Estadão Conteúdo)

Inflação

Brasileiro deve começar a sentir no bolso alta de preços logo após as eleições

Contas de energia, combustíveis, água e tarifas de ônibus devem começar a subir ainda este ano

Governo quer evitar que aumento dos preços comprometa reeleição da presidente Dilma

Governo quer evitar que aumento dos preços comprometa reeleição da presidente Dilma (Ueslei Marcelino/Reuters/VEJA)

Logo após o Brasil conhecer o presidente dos próximos quatro anos, é possível que os brasileiros já comecem a sentir no bolso a alta de preços que foi represada pelo governo federal desde 2013. O ajuste nas tarifas de serviços que têm preços regulados pela União (chamados preços administrados), como energia elétrica, combustíveis e transporte, já começou em 2014, mas o ritmo ainda está aquém do ideal. A avaliação de economistas é que pode haver correção até dezembro e, sobretudo, até o fim do próximo ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já sinalizou, por exemplo, que haverá reajuste em breve, ao falar que "todos os anos há correção do preço da gasolina, uns mais, outros menos, mas todos os anos tem correção". Para o mercado, ficou mais claro que o governo vai reajustar a gasolina até o fim do ano, mas somente após as eleições, quando não haverá mais risco eleitoral. As ações da Petrobras até subiram no rastro das declarações de Mantega. 

Leia mais:
Mercado reduz pela 11ª vez projeção para o PIB de 2014  
Apesar de alívio no preço dos alimentos, inflação permanece alta, admite BC  
Mantega sinaliza aumento no preço da gasolina em 2014  

A última vez que houve reajuste de preços dos combustíveis foi em novembro do ano passado, quando a Petrobras foi autorizada a aumentar em 4% a gasolina e em 8% o diesel, nas refinarias. Desde 2013 o preço vem sendo segurado pelo governo para ajudar no controle da inflação, movimento que prejudicou as contas da estatal. Em doze meses até julho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já subiu 6,5%.

Boa parte do represamento que ocorreu em 2013 começou a ser diluído a partir de outubro do ano passado. A alta dos preços administrados, que desacelerou para 1,54% em 2013, já subiu para 4,63% em doze meses até julho, segundo um integrante da equipe econômica de Dilma. "O ajuste está ocorrendo. No caso de energia elétrica está claro que não há represamento. As tarifas estão subindo", destacou a fonte. Em julho, o custo da energia residencial subiu 4,52% somente em julho e 9,73% no ano. Até o final do ano, o BC, de acordo com a mesma fonte, espera um reajuste total de 14% da conta de luz. 

A alta conta que as distribuidoras de energia estão pagando com dinheiro emprestado, e que foi impedida de ser repassada integralmente aos consumidores, virá nos próximos anos. O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, divulgou um calendário com o impacto na tarifa de energia das duas operações de crédito às distribuidoras, que somam 17,8 bilhões de reais. O cronograma prevê alta de 2,6% em 2015, 5,6% em 2016 e 1,4% em 2017. Os valores já levam em consideração o efeito positivo da renovação de concessões de usinas hidrelétricas. Sem essa renovação, o reajuste seria de 25% durante os próximos três anos. O ministério tenta conter a proliferação de previsões de alta de energia que ganharam força nos últimos dias, em meio à campanha eleitoral. 

Mas, mesmo com o cronograma divulgado, há ainda incertezas sobre o impacto da entrada em funcionamento da chamada bandeira tarifária, a partir de janeiro de 2015, no setor elétrico. Este é um mecanismo que repassa rapidamente para a tarifa de luz o aumento do custo da energia. A bandeira vermelha, por exemplo, indica que as térmicas mais caras, movidas a diesel e óleo combustível, estão ligadas, o que adiciona um custo extra já na conta do mês seguinte. 

Eleições - Com o risco da ameaça de "tarifaço" (aumento muito alto de preços) comprometer a campanha à reeleição, o governo saiu a campo e começou a sinalizar um cronograma gradual de aumento dos preços administrados para um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. A estratégia visa afastar o fantasma de que depois das eleições o governo promoverá um choque nos preços, medida impopular que poderia tirar votos da presidente na eleição de outubro. 

O governo também quer tornar os reajustes mais previsíveis e evitar que as expectativas de inflação sejam ainda mais contaminadas pelas incertezas em relação ao realinhamento dos preços - termo usado pelo Banco Central e os economistas de mercado para indicar o processo de correção da defasagem nas tarifas, que foi acentuado em 2013. Essas expectativas têm poder de influenciar a inflação corrente, porque os agentes econômicos se antecipam e remarcam os preços com medo do aumento do custos.

Contudo, enquanto o Banco Central espera uma alta de 6% dos preços administrados, estimativas do setor privado apontam que o represamento de preços adotado pela presidente Dilma Rousseff exigirá um reajuste médio de 12,64% nas tarifas em 2015. Essa recomposição de preços, se for dada na totalidade, poderá resultar em um aumento adicional de 3 pontos porcentuais no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, colocando em risco o cumprimento da meta de inflação no primeiro ano do próximo governo, de até 6,5%.

Leia também:
Inflação crava 6,5% em 12 meses, no teto da meta  
IPCA avança 0,40% em junho e ultrapassa o teto da meta  

Cálculos feitos pela SulAmérica Investimentos, considerando a defasagem de preços dos últimos anos, indicam a necessidade de um reajuste de 20% na gasolina, que hoje é comprada pela Petrobras no exterior por um valor superior ao de revenda no mercado doméstico. 

Também há perspectiva de alta em relação a dois preços administrados que têm peso importante na inflação: água e ônibus paulistanos. As passagens de ônibus do município de São Paulo estão há dois anos congeladas e a tarifa de água deve aumentar no ano que vem, em função do problema de abastecimento. Segundo a SulAmérica Investimentos, no caso das tarifas de ônibus, a defasagem é de 18%.

(Com Estadão Conteúdo)

Atividade econômica

Economia brasileira contraiu 1,20% no 2º trimestre, mostra prévia

Segundo IBC-Br, divulgado nesta sexta pelo Banco Central, apenas em junho, a atividade econômica caiu 1,48% em relação a maio, a maior em mais de um ano

Em 12 meses até junho, prévia do PIB cresceu 1,41%

Em 12 meses até junho, prévia do PIB cresceu 1,41% (Marcelo Almeida/EXAME/VEJA)

O que é?

O IBC-Br é divulgado mensalmente pelo Banco Central e incorpora estimativas da produção dos setores de serviços, indústria e agropecuária. É considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB).

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 1,48% em junho sobre maio, fechando o segundo trimestre com queda de 1,20% contra o período anterior, de acordo com dados dessazonalizados do Banco Central. A contração mensal é a maior desde maio do ano passado, quando o indicador recuou 1,68%.

Analistas consultados pela Reuters esperavam queda de 1,30%, de acordo com a mediana de 23 projeções que foram de recuo de 0,50% a 1,80% no sexto mês do ano. Na comparação de junho com o mesmo mês de 2013, porém, a queda foi ainda mais significativa, de 2,68%.

 Considerando o acumulado do ano, de janeiro a junho, o IBC-Br mostra quase uma estagnação, ao registrar crescimento de apenas 0,08%, como mostrou o BC nesta sexta-feira. Em 12 meses até junho, a alta é maior, de 1,41%.

Segundo o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, não é correto afirmar que a variação do PIB do Brasil foi negativa no segundo trimestre tendo como base o IBC-Br. O diretor, que participa de seminário em São Paulo, disse que a projeção do BC para o PIB é a que consta no Relatório de Inflação, ou seja, de 1,6% para 2014.

(com agência Reuters)

Emprego

Desaceleração da economia corta 83,6 mil vagas no comércio no 1º semestre

Só na capital paulista, ocorreram 63,3 mil homologações no sindicato dos comerciários entre janeiro e junho

O vaivém na rua 25 de Março, coração do comércio popular do Centro de São Paulo

O vaivém na rua 25 de Março, coração do comércio popular do Centro de São Paulo (Danilo Valentini/VEJA)

A desaceleração nas vendas do comércio que bateu forte no varejo especialmente na época da Copa do Mundo (entre 12 de junho e 13 de julho) teve impacto negativo no emprego do setor. De janeiro a junho, as lojas fecharam com um saldo de vagas formais de menos 83,6 mil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também:
Contas do governo têm pior resultado desde 2000 no 1º semestre  
Produtividade brasileira estagnou na última década, alerta OCDE   
Confiança da indústria é a menor desde abril de 2009  

“Não foi só a indústria que demitiu mais que contratou nos últimos meses, mas o comércio também. Foi o pior resultado do saldo de postos de trabalho do setor desde 2007 para um 1º semestre”, observa Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Só na capital paulista, ocorreram 63,3 mil homologações no sindicato dos comerciários no primeiro semestre. É um número 2,7% maior em relação ao mesmo período de 2013.

O impacto da queda nas vendas do setor vestuário no emprego é confirmado pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Entre as 21 empresas que fizeram homologações no 1º semestre, o setor predomina em cinco delas; seguidos pelos supermercados, com quatro companhias e pelas revendas de veículos e autopeças, com três empresas.

Tags:
Fonte:
FT + veja + estadão

0 comentário