Economia: A única coisa que cresce no PIB brasileiro é a previsão… negativa!

Publicado em 18/08/2014 15:16 e atualizado em 19/08/2014 15:25 709 exibições

A única coisa que cresce no PIB brasileiro é a previsão… negativa!

Na VEJA.com:
Economistas de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) para o relatório Focus acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 0,79% neste ano, menos do que na projeção anterior, de 0,81%. Esta é a 12ª semana seguida que o mercado diminui sua expectativa com relação à expansão econômica. Para 2015, porém, a estimativa média permaneceu em crescimento de 1,20%.

Segundo o BC, só piora a confiança na recuperação no setor industrial, um dos componentes do PIB. Agora os economistas esperam que o setor recue 1,76% – na semana passada, a estimativa era de queda de 1,53%. Mesmo assim, o mercado ainda espera crescimento em 2015, de 1,70%.

O relatório divulgado nesta segunda-feira traz ainda a expectativa média de 6,25% para a inflação, levemente menor do que na semana passada (6,26%). Para o ano que vem, os economistas apostam em alta de 6,25% dos preços. Por fim, para a Selic, o mercado acredita que ela feche o ano nos atuais 11% e 2015 em 11,75% (na semana passada, esperavam 12%).

Por Reinaldo Azevedo

 

Analistas não param de rever para baixo estimativa de crescimento, mas Mantega está satisfeito!

Economistas de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) para o relatório Focus acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 0,79% neste ano, menos do que na projeção anterior, de 0,81%. Esta é a 12ª semana seguida que o mercado diminui sua expectativa com relação à expansão econômica. Para 2015, porém, a estimativa média permaneceu em crescimento de 1,20%.

Estimativa de crescimento do PIB para este ano. Fonte: Bloomberg

Estimativa de crescimento do PIB para este ano. Fonte: Bloomberg

As expectativas são declinantes por boa razão: os últimos dados reforçam o pessimismo dos analistas. Com o desempenho oscilante do comércio e com a indústria em retração, a economia brasileira encolheu 1,2% no segundo trimestre deste ano, nos cálculos do Banco Central. O Brasil já flerta com uma recessão, e isso mesmo com uma inflação no topo da elevada meta.

Mas o ministro Guido Mantega, cuja longa permanência no cargo prova o quanto a própria presidente Dilma endossa a atual política econômica, acha que está tudo bem, e ainda aproveita para criticar Armínio Fraga em entrevista recente. Diz nosso sábio economista da linha desenvolvimentista de Campinas:

O Brasil é interessante, está difícil no mundo todo hoje você ter bons investimentos porque o mundo ainda vive o final de uma crise e o Brasil é considerado um lugar privilegiado. Portanto, uma coisa é a opinião, outra coisa é a realidade. Eu prefiro olhar os dados concretos e eu vejo que há interesse. A Bolsa brasileira valorizou mais de 10% no primeiro semestre, tá certo. E uma parte disso é investidor externo que vem aqui para o Brasil.

Mantega só esqueceu de dizer que a alta recente da Bolsa foi justamente porque aumentaram as chances de Dilma perder as eleições em outubro. O Santander chegou a demitir quatro analistas por constatar esse fato, que incomodou a presidente Dilma. Eis a realidade que o PT prefere não enxergar.

Então, se nós pegarmos de 2003 a 2007, nós crescemos em média 4%, o que foi um crescimento muito bom. Se nós pegarmos o último ano do governo Lula, foi umcrescimento de 7%, a economia estava bombando. Então, confiança, etc. Agora, quando nós entramos na crise, e principalmente na segunda fase da crise, que começou na segunda metade de 2011, nós tivemos uma mudança de humores. Porque você vai falar com a população da Itália, da França, etc., está todo mundo.Então, caiu um pouco a confiança porque se refere aos negócios e aí você pega, digamos, o dirigente de plantão, o ministro de plantão, paga o pato. Bom, se você tem uma crise internacional, a culpa é do ministro, a culpa é do presidente? Não é. [...] Então veja, de fato, tivemos um cenário ruim para todo mundo, nós tivemos uma perda de confiança na maioria dos países, e o Brasil não foi diferente, mesmo que nós tenhamos tido um desempenho razoável.

Vejam só! Mantega está muito satisfeito com o desempenho medíocre do Brasil. Ele esquece de citar os demais países emergentes que têm crescido bem mais do que o Brasil, com menos inflação. Que crise é essa? Itália? França? É sério que Mantega vai nos comparar justo com quem está no epicentro da crise, e não com quem está aproveitando a reação de estímulos desses países desenvolvidos para surfar uma onda de crescimento? É análogo ao atleta olímpico que fica em décimo na sua categoria, mas vibra pois está melhor do que os para-olímpicos!

No segundo trimestre nós tivemos a Copa do Mundo que nos tirou vários dias úteis. Ela foi um sucesso do ponto de vista de organização, porém do ponto de vista da produção e do comércio ela prejudicou porque nós tivemos dias úteis, muito poucos dias úteis. Combinou com um período de muito feriado, então a produção caiu, a produção industrial caiu e o comércio cresceu pouco, cresceu, mas cresceu pouco, e os serviços não sabemos porque você teve a Copa, alguns serviços aumentaram e outros diminuíram. Então, de fato, não foi um bom resultado.

Sempre buscando responsáveis pelo fracasso do lado de fora, nas nuvens, nos astros, nas estrelas, nos demais países. Ao menos, como já comentei aqui, Mantega reconhece que a Copa foi prejudicial ao Brasil do ponto de vista econômico. O que Dilma tem a dizer sobre isso?

Só estou dizendo o seguinte, o que eu posso afirmar é que no segundo semestre vamos ter um crescimento maior que no primeiro semestre. E eu estou dando dados aqui de julho, agosto continua esta trajetória que aqui está. Então, eu diria o seguinte, vai haver uma melhoria, mas será um ano ainda de transição.

E eu acredito em Papai Noel e no Saci Pererê! Mantega é aquele que consegue errar previsões por três pontos percentuais inteiros! Ou seja, ele acha que a economia vai crescer 4,5% no ano, ela cresce 1,5% e olhe lá. Dessa vez o Brasil caminha para uma recessão, mas Mantega acha que tudo vai melhorar em breve. Por quê? Ninguém sabe. Deus é brasileiro, talvez? E petista ainda por cima, só se for!

Não. Não houve represamento. Não houve represento [de preços administrados].

Melhor nem comentar!

Armínio Fraga está enganado então?
Redondamente enganado.

Nesse caso do câmbio. O câmbio está apropriado para a economia brasileira no atual nível?
O câmbio está apropriado, mesmo porque não é que você fabrica um câmbio. Esse câmbio é o resultado de variáveis é o resultado da situação do…

*Mas o governo é o ator mais relevante ai nessa variável.
Não é só o Armínio não, o FMI também, o Fundo Monetário Internacional, avaliou que a gente está com a taxa de câmbio um pouco fora do ponto.*

De 2006 até esta data, o que nós fizemos? Nós aumentamos a compra de reservas. A compra de reservas, entre outras coisas, ela serve para não permitir a valorização do real, porque eu me lembro, quando eu entrei no Ministério, em 2006, já havia uma pressão para valorizar o real.

Nem uma palavra sobre os cerca de US$ 100 bilhões em swaps cambiais para conter o dólar e evitar uma desvalorização nos últimos meses?

Pois é. Há quem goste da gestão de Mantega, e a prefira em relação a um Armínio Fraga, por exemplo. Fazer o quê? Tem gente que prefere morar na favela em vez do Leblon, ou ao menos é o que Regina Cazé quer que acreditemos. Há quem prefira comer insetos a comer um suculento bife com fritas. Preferências subjetivas.

O que podemos fazer se tem gente que parece gostar de estagflação em vez de crescimento com baixa inflação? O que fazer se a maioria achar que Mantega é mesmo melhor do que Armínio Fraga? Só nos resta, se for esse mesmo o caso, observar a desgraça geral da nação, uma escolha popular, uma tragédia auto-imposta. Espero que o povo brasileiro tenha mais juízo…

Rodrigo Constantino

 

Um país errado – Criação de emprego em 2013 foi puxada pelo funcionalismo público

Vocês querem um exemplo de um país errado? Pois não!Sabem quem puxou a criação de empregos no ano passado? O funcionalismo público. Pode-se tentar dourar a pílula aqui e ali, mas o fato é que mais contratou quem não gera riqueza, mas a consome: o Estado. A melancolia não é por acaso. Leiam o que vai na VEJA.com.

Na VEJA.com:
O Brasil criou 1,49 milhão de vagas líquidas de trabalho em 2013, ou seja, já consideradas as demissões do período. Os dados constam da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um banco de dados que as empresas são obrigadas a preencher anualmente e enviar ao Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). A diferença entre a Rais e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo MTE mensalmente, é que o primeiro engloba todas as vagas formais, incluindo celetistas (contratados no regime da CLT), estatutários (servidores públicos), temporários e avulsos. Isso significa que a Rais mostra um panorama mais fiel do mercado de trabalho.

O resultado de 2013 mostra que a criação líquida aumentou 29,7% em relação ao ano anterior. Mas, diferente de 2012 e dos anos anteriores, a alta foi garantida pela contratação de servidores públicos de níveis municipal, estadual e federal. Um total de 414,7 mil novas vagas, ou seja, 27,8%, são atribuídas ao setor público. O MTE mostra que, enquanto o emprego formal avançou 3,15% na comparação anual, o funcionalismo cresceu 4,85%. Já o regime celetista teve alta de 2,76%, com a contratação líquida de 1,075 milhão de pessoas. Apesar do avanço no ano passado, o MTE mostrou que se trata do segundo pior resultado em 10 anos, perdendo apenas para o de 2012, quando foram criadas 1,14 milhão de vagas.

O avanço do emprego por setor mostra que, entre os celetistas, a maior criação de emprego ficou em Serviços, com 558,6 mil postos de trabalho líquidos, uma alta de 3,46% em relação a 2012. Em seguia, há o Comércio, com a criação de 284,9 mil empregos. A Indústria de Transformação e a Construção Civil vêm em seguida, com a criação de 144,4 mil e 60,0 mil postos, respectivamente.

No caso da Indústria de transformação, alguns subsetores apresentaram queda do emprego já no ano passado, como a indústria metalúrgica, que cortou 3.646 vagas (queda de 0,44%) e a de calçados, com queda de 6.160 postos (-1,84%).

Por Reinaldo Azevedo

 

Mas a Copa não seria boa para nossa economia?

Mantega explicando o efeito da Copa para a nossa economia

Para Guido Mantega, ministro da Fazenda, a Copa do Mundo derruboua atividade no primeiro semestre:

O governo não admite que a economia possa ter registrado uma recessão técnica (dois trimestres seguidos de contração da economia) no primeiro semestre de 2014.

Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, define o crescimento do período como “pequeno” e “moderado” —e joga parte da responsabilidade sobre a Copa do Mundo.

“[A Copa] foi um sucesso do ponto de vista de organização. Do ponto de vista da produção e do comércio, prejudicou”, avaliou Mantega em entrevista à Folha e ao UOL, na quinta-feira (14).

“[Durante o evento] tivemos muito poucos dias úteis. A produção industrial caiu e o comércio cresceu pouco (…). De fato, não foi um bom resultado”, afirmou.

Então quer dizer, afinal de contas, que realizar a Copa no Brasil não foi uma maravilha para nossa economia? Quer dizer que o ministro, finalmente, reconhece que existe aquilo que se vê (os gringos gastando, os empregos criados para as reformas e construções de estádios, etc.) e aquilo que não se vê (os inúmeros feriados para compensar a falta de organização e infraestrutura, os bilhões desviados para torrar em arenas inúteis, etc.)?

Fica a deixa para os marqueteiros tucanos: a Copa foi prejudicial à economia brasileira, e quem diz isso não sou eu, mas o próprio ministro da Fazenda do governo Dilma.

Em tempo: se alguém dissesse que isso aconteceria antes da Copa, a presidente Dilma o acusaria de “pessimista” e “inimigo do Brasil”.

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaFilosofia políticaPolítica

Que tal começar pelo entorno antes de “salvar o mundo”?

Luiz Felipe Pondé, em sua coluna de hoje, faz uma provocação instigante e necessária: traz o leitor para a dura realidade de uma vida comunitária dentro de um simples condomínio. São tantos problemas prosaicos, comezinhos, que tiram qualquer um do sério e afastam muitos das maçantes reuniões de condomínio. Mas há importantes lições filosóficas a se aprender ali.

Salvar o mundo é algo que tem um forte apelo emocional, especialmente nos tempos narcísicos modernos. Há um quê de megalomania nessa empreitada heróica, um regozijo pessoal de fazer parte de um time de “ungidos”, de “escolhidos” que deixarão uma marca indelével em sua passagem efêmera pela vida: nada menos do que mudar “tudo” e “salvar o planeta”.

Quantas calorias se gasta para declarar num bar perante os amigos que é uma dessas almas abnegadas? Quanto esforço é necessário para curtir páginas do Face e abraçar causas nobres, como o salvamento das baleias ameaçadas de extinção ou a ajuda humanitária às crianças pobres africanas? Mais complicado é, sem dúvida, ir para a África ajudar in loco, e no anonimato.

Mas andar de “bike” quando se mora perto do trabalho e colocar luzes brancas em casa é moleza, e rende bons dividendos na aparência de engajado no combate para salvar o mundo. Como Pondé cutuca, essa garotada que quer “salvar o mundo” poderia começar arrumando o próprio quarto. Ou seja, fazer algo concreto e efetivo, ainda que em uma magnitude mais comedida.

A geração “mimimi” não quer saber disso. Criada à base de muito Toddyinho, com a capa de Che Guevara para seu iPhone comprada pela mamãe, essa turma não tem tempo a perder com coisas pequenas: vai pular etapas e endossar causas messiânicas logo de uma vez, pois não está aqui para brincadeira.

Obrigar esses jovens a frequentar as reuniões de condomínio poderia ser mais eficaz do que anos de estudos filosóficos na USP – que costumam produzir o efeito contrário e, Deus me livre!, parir um Guilherme Boulos da vida, líder do MTST, o braço urbano do MST.

Participei ativamente da implementação de meu condomínio, pois era um grande e novo empreendimento, com dezenas de unidades. Foi uma aula de política e filosofia. Cheguei a ser membro por um ano de um Conselho Deliberativo que criamos para gerir as “pendengas”, e não sei onde encontrei tempo para tanto.

Administrar os egos, as diferenças de mentalidade e visão de mundo, os “sem-noção”, tudo isso era muito desgastante e cansativo. Mas não eram coisas que cairiam do céu ou se ajeitariam automaticamente. “Alguém” tinha que fazer. E felizmente um grupo de moradores estava disposto a encarar o desafio, aprendendo a engolir sapo, aturar desaforos e fazer concessões.

Política nacional é reunião de condomínio piorada, pois o grau de complexidade é bem maior. No mais, seu voto conta muito mais no condomínio, com poucos vizinhos, e seu interesse é total: estamos falando, afinal, do seu entorno, que afeta diretamente sua vida, não da distante realidade de Brasília.

Mesmo assim, poucos têm saco para participar. E muitos adoram repetir que vão “salvar o mundo”, fazendo campanha para salvadores da Pátria com tom messiânico, como se fosse possível e desejável abrir mão das etapas políticas inglórias, das barganhas e concessões, das negociações com quem pensa diferente.

Tudo isso é muito “pequeno”, pensam os “ungidos”. Eles querem algo muito maior. Querem estalar os dedos e consertar tudo num passe de mágica. Pondé tem um recado para eles, que endosso: “Enfim, imagino que a turma do ‘vamos fazer um mundo melhor’ devia se concentrar em resolver os dramas dos condomínios antes de ‘fait la morale’ (em francês é mais chique) pra cima de nós, que pagamos a conta”.

Rodrigo Constantino

 

Bolsa Família: voto de cabresto e terrorismo eleitoral

Deu na Veja: Bolsa Família, o maior colégio eleitoral do Brasil (por Gabriel Castro e Laryssa Borges):

Um eleitorado de 40 milhões de pessoas é influenciado pelo programa, que, especialmente no Nordeste, se tornou uma arma eleitoral incomparável

“Quem de vocês aqui gosta do Bolsa Família levanta a mão?”, brada ao microfone, do alto de um palanque improvisado, o senador Lobão Filho, candidato do PMDB ao governo do Maranhão, na pequena cidade de Barra do Corda (85.000 habitantes). A plateia reagiu imediatamente com os braços estendidos. O candidato continuou: “Isso me preocupa, porque os nossos adversários estão unidos a Aécio Neves, que já disse em todos os jornais e todas as emissoras de TV que é contra o Bolsa Família”.

Filho do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), que orbita o petismo como representante de José Sarney há anos, o candidato peemedebista convive com Aécio Neves no Senado. Os dois são colegas. O peemedebista sabe que o tucano nunca se opôs ao programa – pelo contrário, é de Aécio a proposta para transformar o programa em política permanente de Estado. Mas, nos grotões do Brasil, Lobão Filho utiliza um discurso convenientemente falso. Mesmo um candidato ligado à oligarquia recorre ao discurso de que os seus concorrentes são inimigos do povo por causa de uma oposição fictícia ao programa.

[...]

“Não me interessa saber quem são os outros candidatos”, declara Claudilene Melo, que trabalha como doméstica mas também recebe o Bolsa Família.

O cenário eleitoral deve acentuar a importância do Bolsa Família para a candidatura de Dilma Rousseff. A trágica morte do candidato Eduardo Campos e a possível entrada de Marina Silva na disputa devem acentuar, por um lado, a vantagem de Dilma no Nordeste (onde Campos era mais popular) e, por outro lado, tirar votos da petista nas grandes cidades (onde Marina tem um eleitorado mais forte). Como consequência, a tendência é que o PT se encastele ainda mais no Nordeste, onde estão 52% dos beneficiados pelo Bolsa Família (a região tem apenas 27,7% da população brasileira).

[...]

Independentemente da postura dos adversários de Dilma Rousseff, a maior parte dos eleitores que recebem o Bolsa Família não arrisca apoiar aquilo que veem como uma aposta duvidosa. Para o jogo democrático, o efeito é desastroso. Se o único critério na escolha do candidato é o Bolsa Família, o eleitor vota sem levar em conta outros temas essenciais, como as políticas para saúde, segurança e o combate à corrupção. “É como se nós tivéssemos voltando para o século XIX, com os currais eleitorais fechados”, diz o professor José Matias-Pereira, da UnB.

Como o número de beneficiários do Bolsa Família cresce continuamente, é cada vez maior o contingente de eleitores que escolhe seu candidato presidencial apenas com base no receio de perder o pagamento mensal. “O coronel local está sendo substituído pelo coronel federal. Mas o padrão é o mesmo: o modelo patrimonialista onde indivíduo usa os bens do estado para se beneficiar politica ou em benefício próprio”, afirma o professor da UnB.

O que mais posso comentar? Voltamos ao velho voto de cabresto. O PT comprou todos que estavam à venda, explorou de forma demagógica e populista nossa miséria, como fez Chávez na Venezuela. É um partido que faz muito mal ao país, à democracia.

Em todo lugar que vou, não vejo um só defensor do PT ou de Dilma. Todos sumiram! Ela tem até receio de andar pelas ruas do país, por motivos óbvios: nunca antes na história deste país se viu tanta rejeição a um candidato que, pasmem!, lidera as pesquisas eleitorais. Onde estão esses eleitores?

Eis a resposta: a imensa maioria está no nordeste, recebendo esmolas sob ameaças de que elas irão cessar caso outro candidato seja eleito. Chama-se terrorismo eleitoral e compra de votos. Por isso Aécio Neves já deixou claro que pretende transformar o Bolsa Família em programa de Estado, não de governo. Justamente para impedir esse claro abuso da máquina estatal para fins partidários.

O PT, após tantas décadas de discurso de luta de classes, finalmente conseguiu segregar o Brasil, parti-lo ao meio: de um lado, aqueles que ganham para não trabalhar; do outro, aqueles que trabalham para pagar a conta.

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaPolíticaReligião

Providência divina

Quando alguém deveria estar em um local de acidente, mas por algum acaso qualquer se livra dele, a sensação de ser um predestinado e ter sido agraciado com uma mão divina salvadora é grande. Podemos pensar em alguém que estaria no lugar em que um terremoto destroçou a vida de centenas de pessoas, mas teve de voltar antes para casa por um motivo qualquer. Ou alguém que ia pegar um voo, mas na última hora teve outro compromisso, ou se atrasou no engarrafamento e perdeu o voo.

Ainda que compreensiva a sensação de que, por um motivo muito especial e divino, a pessoa sobreviveu ao que deveria ter sido seu destino trágico, tal postura de creditar a Deus o desejo pessoal de salvá-la sempre me pareceu um tanto cruel. Com os outros, que não tiveram a mesma sorte. Quer dizer, então, que era o desígnio divino acabar com aquelas vidas, pois não tinham mais “chamado” algum para realizar por aqui?

Falo, claro, do tom um tanto messiânico que Marina Silva adotou, ainda muito abalada pela perda do companheiro de chapa:

Durante o voo, com duração aproximada de três horas, Marina leu o salmo 23 da bíblia — que traz os dizeres “o Senhor é meu pastor, e nada me faltará” — e foi lacônica ao ser questionada sobre os rumos que serão tomados pelo PSB após a morte de Campos:

— Tenho senso de responsabilidade e compromisso com o que a perda de Eduardo nos impõe — disse, sem dar espaço para tratar das discussões com os socialistas.

Marina também comentou sobre o seu sentimento em relação ao acidente, e o fato de não ter embarcado naquele voo para seguir para Santos, como estava previsto:’

— Penso que existe uma providência divina em relação a mim, ao Miguel, a Renata e ao Molina — disse ela, segurando forte na mão da repórter, sinalizando que não pretendia mais falar sobre o assunto.

Haveria uma providência divina contra o avanço do jovem e promissor candidato Eduardo Campos, então? Quem atribui à vontade de Deus ter sido salvo por “milagre” está também atribuindo ao desejo do mesmo Deus ter eliminado os demais, que não tiveram a mesma sorte na tragédia.

Muitos acreditam exatamente nisso, e têm todo o direito de fazê-lo. Mas sempre me pareceu algo até insensível para com os que morreram. Prefiro adotar a angustiante, ainda que mais realista noção de que “shit happens”, ou seja, o acaso existe.

No mais, como escreveu Merval Pereira hoje, o motivo de Marina não ter entrado naquele avião foi bem mais comezinho:

Marina já deu o seu tom, ao afirmar que foi a “providência divina” que a tirou do avião, e que tem “compromisso com a perda que Eduardo nos impõe”. Na verdade, a razão de não estar no avião fatídico é bem mais prosaica e humana: ela não queria encontrar o deputado Márcio França (PSB), candidato a vice do governador tucano Geraldo Alckmin (coligação a que ela se opunha em SP) e que esperava o grupo em Santos.

Mas sem dúvida esse ar místico que envolve a ex-senadora dará à campanha o tom de escolhida pelo destino para presidir o país. Se se confirmarem as informações preliminares, Marina ganha força política para comandar uma campanha que será em tudo diferente da de 2010. Ela terá a apoiá-la partido mais bem estruturado do que era o PV, mas em compensação não terá unidade partidária no comando da campanha.

Marina já adotava uma postura um tanto messiânica, de salvadora da Pátria, de quem conversa diretamente com Deus e segue seu “chamado” para mudar o país. Agora, estará mais convencida ainda de que tudo ocorreu exatamente como tinha de ocorrer, para que ela, boicotada pelo governo Dilma e o PT para não ter como disputar as eleições, o faça em condições especiais, com estrutura partidária maior, mais tempo de TV e a forte comoção popular que a trágica morte de Eduardo Campos causou.

Mas deixemos Deus fora disso. O estado é laico, e na democracia o que vale é a vontade dos eleitores mesmo. Crer em providência divina para colocar Marina como nossa presidente é um equívoco enorme. Afinal, se Deus fosse de fato brasileiro e estivesse tão interessado em nossas eleições, o PT jamais teria permanecido no poder por 12 longos e penosos anos!

Rodrigo Constantino

Eleições 2014

Lula de saias

Marina: questão de embalagem

Marina: questão de embalagem

Um experiente marqueteiro, que prefere manter-se no anonimato, enxerga um gigantesco potencial para Marina Silva crescer – e muito – de agora até o dia da eleição. Segundo ele, basta que Marina não seja apresentada ao eleitor como “viúva de Eduardo Campos”, mas como a “versão feminina do Lula”.

Por Lauro Jardim

 

DEBATE NA EMPIRICUS 

 Sala cheia

Agradeço a presença de todos em nosso evento, realizado esta manhã em São Paulo. Além da tese sobre O Fim do Brasil, apresentada pelo Felipe Miranda, o expediente contou com um debate

econômico construtivo entre Eduardo Giannetti, Mansueto Almeida e Marcos Lisboa.

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Faço das palavras de Masueto as minhas: independentemente de quem venha governar, é preciso ao menos ouvir os contrapontos. Um debate econômico aberto só tem a agregar.

 

Na sequência trago alguns dos pontos mais interessantes do debate. Lembrando que os assinantes da série Fim do Brasil terão acesso à gravação do evento na íntegra.

 

 

01:12- Giannetti e os 4 paradoxos do governo

1. O governo estatizante quebrou as duas principais estatais do país


2. O governo com viés nacional desenvolvimentista foi responsável pela maior

desindustrialização da história


3. O governo com a bandeira de reduzir os juros vai entregar o país com a Selic

maior do que pegou


4. O governo com bandeira de crescimento entregou o menor crescimento

do PIB de todo regime republicano (considerando Collor+Itamar como um ciclo de 4 anos)

 

 Lisboa e as injustiças com o governo

Por sua vez, Marcos Lisboa, além de ressaltar a importância da transparência e da

meritocracia nas políticas públicas, citou algumas injustiças cometidas com o governo atual,

dentre elas:

+ o argumento de que o governo é refratário com os empresários: segundo Lisboa não é;

o governo conversa com os empresários, mas conversa demais, a portas fechadas e concede

benefício a alguns (em detrimento ao prejuízo de outros)

+ a crítica ao modelo de crescimento baseado em consumo: para Lisboa o modelo nunca

foi baseado em consumo, mas sim em investimento; mas não deu certo.

Mansueto e o ajuste

Dentre diversos pontos, Mansueto destacou o problema das contas públicas e alguns

dos truques utilizados para maquiar (ou, postergar) as discrepâncias. Para ele existe sim

espaço para um ajuste firme no balanço do governo. Mas disse não acreditar em

expressivos ajustes  fiscais de curto prazo.


Para ler mais sobre o evento:

https://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRKBN0GI1BH20140818

https://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1615206-gianetti-ve-crescimento-medio-no-governo-dilma-em-18

https://exame.abril.com.br/economia/noticias/mare-baixou-e-brasil-foi-pego-de-tanguinha-diz-gianneti

https://www.valor.com.br/politica/3657880/situacao-e-ruim-mas-pode-ser-revertida-em-2015-diz-giannetti


02:48- Passou do ponto?

Agora voltando à rotina dos mercados, as ações da Petrobras dispararam na sexta-feira,

provocando um rebuliço no mercado de opções, um pregão antes do vencimento da série

de agosto (algumas opções de compra de PETR chegaram a subir mais de 800%).

Sem nenhum evento material positivo, novamente o movimento esteve associado unicamente

às apostas eleitorais, diante da ascensão de Marina Silva e do aumento de probabilidade de

realização de segundo turno.

Pesquisa Datafolha sobre intenções de voto apontou a candidata do PSB à frente de Aécio no

primeiro turno e à frente de Dilma no segundo turno: com 47% dos votos, contra 43% da

presidente Dilma.

Parte do mercado temia a tese do “passou do ponto”. Grosso modo, Marina seria positiva aos

olhos do mercado somente por aumentar as chances de segundo turno, ampliando as

chances do candidato cujas ideias em tese mais agradam o mercado (Aécio). Ou seja, Marina

à frente na corrida seria algo prejudicial, deixando Aécio em terceiro plano.

A julgar pela reação inicial (positiva) do mercado à pesquisa Datafolha, não é o que parece.

Marina pode não ser a melhor amiga do mercado, mas é mais amiga (bem mais) do que Dilma.

O evento de hoje deixou claro que não há grandes divergências econômicas entre os

candidatos de oposição. Há, evidentemente, em outros pontos.

(POR EMPIRICUS.COM.BR)

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Fonte:
veja.com

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